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Já pensou em escrever um livro? Oportunidades facilitam publicações

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Até financiamento coletivo está entre as possibilidades para escritores

Thiago Andrade, no Correio do Estado

Ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro. Muitas vezes foi dito que essa é a receita para se ter uma vida completa. Em relação ao último conselho, o de escrever um livro, parece que hoje isso é mais fácil do que se imaginava. Plataformas de financiamento coletivo, custos mais baixos de impressão, e-books, entre outros, são os meios encontrados por quem quer imortalizar suas palavras em um volume publicado.

Uma busca no Google com os termos “publique seu livro” – se você usar aspas, o mecanismo de busca limita os resultados à frase, fica a dica – retornou “aproximadamente 459.000 resultados” em menos de um segundo. Ou seja, há muitas editoras dispostas a diagramar e imprimir seu texto, criar uma capa interessante e entregar tudo lindo para que você tente vendê-lo em livrarias ou para os amigos.

Os custos são bastante variáveis, mas de acordo com Valter Jeronymo, diretor da Life Editora, o mínimo para ter um livro publicado varia entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil para uma tiragem de 100 cópias. Esse valor inclui os custos de produção e os custos legais. “Ao contrário de editoras comerciais, os custos são bancados pelo autor. Ele pode escolher o papel, como quer a capa, a fonte”, explica o editor. Publicado pela editora, o livro será registrado na Biblioteca Nacional e receberá um Número Padrão Internacional do Livro (ISBN, de acordo com a sigla em inglês).

“A quantidade de clientes interessados em transformar trabalhos acadêmicos como monografias, TCC, dissertações ou teses em livro vem crescendo. Uma vez que o livro é publicado de acordo com todas as normas, ele pode usar isso para pontuar em concursos, sobretudo para professor”, explica Valter. Em 2015, a editora publicou apenas livros particulares. “Os editais costumavam garantir um grande volume, mas estamos em um momento que eles estão parados.”

Henrique Pimenta, professor de Português e Literatura, decidiu que para ter seu livro publicado seria necessário investir do próprio bolso. Assim, ele lançou “99 sonetos sacanas e 1 canção de amor” e agora se prepara para colocar à venda um novo trabalho: “Ele adora a desgraça azul”, um livro de contos. A edição está sendo preparada pela Editora Mondrongo, sediada em Itabuna, na Bahia.

“Pode-se dizer que as dificuldades em publicar dividem-se em duas categorias: todas e as principais”, comenta o escritor. As principais? “Acho que em primeiríssimo lugar é a essência, você ter um bom material, algo digno de ser dado a público. Haja suor! Depois, no meu caso, ter grana para investir num projeto sem retorno garantido”, ressalta. Pimenta relata já ter tido problemas na distribuição de seu livro anterior, o que pode desanimar quem está se lançando no mundo literário.

O novo livro, que ainda não foi lançado, está sendo preparado há três anos. “Agora me intrometi na área da narrativa, escrevendo um conjunto de 23 contos ambientados em Campo Grande e imediações, Coxim, uma cidade minúscula a caminho de Japorã, entre outras localidades sul-mato-grossenses”, explica. Os contos giram em torno de pessoas normais, “ou seja, gente estranha pra caramba, que não se importa em ser desagradável e repulsiva quando seu desejo assim determina”, pontua o autor, que considera o material com boa qualidade estética.

NOVAS OPÇÕES

O financiamento coletivo, também conhecido como crowdfunding, tornou-se uma opção para viabilizar projetos em diversas áreas. Na literatura, ele chegou com força e já dá frutos. Uma iniciativa tem crescido, por viabilizar lançamento de autores com potencial, mas que não foram reconhecidos por grandes casas editoriais do País. O Bookstart oferece, na internet, oportunidade para que o escritor lance seu livro sem grandes custos.

“É uma inversão da lógica do mercado. Nós oferecemos uma pré-venda para publicar o livro. Uma vez que o autor propôs seu projeto e ele é aprovado, damos um orçamento e uma campanha virtual é criada. Em 90 dias, se o valor for alcançado, começamos a produção do livro que inclui revisão, capa, impressão, etc.”, explica Bernardo Obadia, criador do projeto. Ao final, o autor recebe um livro impresso e um e-book. O material é comercializado dentro da plataforma, que conta com uma loja virtual. “Há, hoje, cerca de três a seis milhões de manuscritos engavetados no Brasil. Decidimos que o crivo do que deveria ou não ser publicado seria dado pelo leitor”, comenta.

Um dos autores que logo vai ter seu livro publicado pela empreitada é Christian Pissini, 38 anos. “O Enxadrista” conseguiu superar a meta de R$ 4,3 mil necessária para a publicação e será lançado em maio. “É um conto, com duas histórias paralelas. A vida inteira de uma pessoa será decidida em uma partida de xadrez jogada por dois desconhecidos”, explica o autor sobre o enredo. Trata-se do primeiro livro do escritor, que trabalha como contador e faz gestão financeira para uma empresa de agropecuária.

“A sensação de ter o livro publicado é ótima. Apesar da facilidade, ainda é caro lançar uma obra. Com esse projeto, a gente tenta reunir os possíveis compradores para financiar o material”, comenta o autor. A relação de Christian com a literatura surgiu em uma revista chamada Consciência. “Eu faço parte da maçonaria e comecei a contribuir com a revista. Depois de participar de um concurso literário, acabei ganhando. Isso me animou”, pontua. O autor aguarda a publicação.

BAIXO CUSTO

Em Dourados, Luciano Serafim e Fernanda Ebling tiveram uma ideia simples e prática. Para publicar seus livros, os autores criaram uma editora de livros artesanais. Assim surgiu o Arrebol Coletivo. As edições são feitas em casa, com uma impressora a laser. “Temos parceiros que contribuem com partes do livro. Um amigo faz a capa, outro ajuda na revisão. O autor contribui com os custos de impressão”, explica. O livro é lançado com ISBN e vale como publicação formal, mas pode ter no máximo 68 páginas. “É o que dá para grampear”, pontua.

A editora pretende lançar oito títulos em 2016. “Esse número pode crescer, depende de como será. Também estamos pensando na possibilidade de abrir espaço para autores de fora do Estado”, comenta Luciano. Para ser impresso, o livro precisa passar pelo crivo de cinco integrantes do coletivo. “Queremos publicar material de qualidade. A proposta é que o autor se orgulhe do material que lançou”, pontua.

NO PASSADO

Reginaldo Alves de Araújo criou, em 1989, a Associação de Novos Escritores. A instituição fazia às vezes de uma editora, que tinha como objetivo lançar livros de autores estreantes. “Foram mais de 20 anos de produção, conseguimos lançar quase 1,5 mil livros”, comenta Reginaldo.

“O escritor nos contatava para manifestar interesse em publicar um livro. Ele nos entregava os originais, depois de revisados e aprovados, fazíamos um orçamento”, conta. As edições eram lançadas com uma tiragem de 500 volumes.

Direitos de publicação de ‘Mein Kampf’ vencem em 2015: um perigo para o mundo?

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Hitler começou a escrever 'Mein Kampf' em 1925 e expôs nele ideia racistas

Hitler começou a escrever ‘Mein Kampf’ em 1925 e expôs nele ideia racistas

“Eles queriam substituir a Bíblia”. Sussurrando em uma silenciosa sala da Biblioteca Pública da Baviera, o especialista em livros raros Stephan Kellner descreve como os nazistas transformaram um calhamaço longo e praticamente incompreensível ─ parte memória, parte propaganda ─ em uma peça central da ideologia do Terceiro Reich

, na BBC Brasil

No ano em que Mein Kampf (“Minha Luta”, em português), de Adolf Hitler, passa a ser uma obra de domínio público ─ o que, em tese, significa que qualquer pessoa pode publicar sua própria edição na Alemanha ─ um programa da Rádio 4 da BBC explorou o que as autoridades podem fazer em relação ao livro, que é um dos mais famosos do mundo.

Segundo John Murphy, produtor do programa Publish or Burn (“Publicar ou queimar”, em tradução livre), o livro ainda é um texto perigoso. “A história de Hitler é uma história de submestimação; e as pessoas subestimaram este livro”, diz Murphy, cujo avô traduziu a primeira versão integral em inglês de Mein Kampf, em 1936.

“Há um bom motivo para se levar a obra a sério porque ela está aberta a erros de interpretação. Apesar de Hitler tê-la escrito nos anos 20, ele colocou em prática muito do que está escrito ali – se as pessoas tivessem prestado um pouco mais de atenção ao livro na época, elas talvez tivessem identificado uma ameaça”, afirma Murphy.

Folheado a ouro

Hitler começou a escrever Mein Kampf em 1925, quando estava preso por traição à pátria, após ter participado do fracassado ‘Putsch’ da Cervejaria em Munique, em 1923. Ali ele expressava suas ideias racistas e antissemitas.

Quando chegou ao poder uma década depois, o livro tornou-se um texto fundamental para os nazistas, com 12 milhões de cópias impressas. Era um presente que o governo dava a casais recém-casados, enquanto os principais membros do partido exibiam em suas casas edições folheadas a ouro.

No fim da Segunda Guerra Mundial, quando o Exército americano assumiu o controle da editora nazista Eher Verlag, os direitos autorais de Mein Kampf passaram para as autoridades da Baviera. Elas garantiram que o livro só fosse reimpresso na Alemanha sob circunstâncias especiais.

Mas a proximidade da expiração dos direitos autorais em dezembro de 2015 deu início a um debate acirrado sobre como conter uma possível onda de publicações da obra.

‘Auto-ajuda’

Mein Kampf continua a ser impresso em outros países, como o Egito

Mein Kampf continua a ser impresso em outros países, como o Egito

Alguns questionam se alguém realmente teria interesse em reeditar a obra. Segundo a revista New Yorker, o livro “é cheio de frases empoladas e de difícil compreensão, com minúcias históricas e linhas ideológicas emaranhadas”. “Tanto os neonazistas quanto os historiadores sérios tendem a evitá-lo”, diz a revista.

Mesmo assim, a obra se tornou popular na Índia entre políticos hindus de inclinação nacionalista. “Ele é considerado um livro de auto-ajuda bastante significativo”, afirmou à Rádio 4 Atrayee Sen, professor de religião contemporânea e conflito na Universidade de Manchester, na Grã-Bretanha.

“Se você remover o elemento do antissemitismo, o que se tem é um texto sobre um homem de baixa estatura que estava na cadeia, que sonhava em conquistar o mundo, e que saiu dali para fazer isso”.

Mas a remoção do contexto é uma das preocupações daqueles que se opõem à reimpressão da obra.

Ludwig Unger, porta-voz da secretaria de Educação e Cultura da Baviera, disse à BBC: “O resultado desse livro foi milhões de (mais…)

Livraria em São Paulo ‘esconde’ edição do jornal satírico ‘Charlie Hebdo’

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Lucas Ferraz, na Folha de S.Paulo

A histórica edição do jornal satírico francês “Charlie Hebdo”, a primeira após o atentado terrorista em sua redação no mês passado, está disponível na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, mas é vendida como uma publicação maldita: o jornal fica escondido e não pode ser folheado pelo cliente nem na fila do caixa.

No sábado (31), o “Charlie Hebdo” não estava exibido em nenhuma estante da livraria. Para os interessados, um vendedor tirava o exemplar de uma gaveta da revistaria da loja e dizia que o cliente deveria retirá-lo no caixa, após o pagamento.

A explicação do vendedor foi genérica: o jornal estava sendo vendido daquela forma para evitar “problemas”, sem especificar quais. Segundo ele, o dono da livraria, judeu, não queria comercializar o “Charlie Hebdo”, mas teria sido convencido pelo departamento comercial.

A edição começou a ser vendida no Brasil (por R$ 29,90) na última semana.

O empresário Pedro Herz, dono da Cultura, uma das principais redes de livrarias do país, afirmou à Folha que o jornal está sendo vendido dessa maneira por segurança, não por ideologia.

“O jornal parece um tabloide de distribuição gratuita, mas não é gratuito, por isso o cuidado. Aqui é um país de ladrões, o sujeito entra com má intenção e leva. Ou quer sentar num pufe e ler o jornal, sem comprá-lo. Não temos posição política, vendemos conteúdo”, disse Herz.

Além de satirizar Maomé, profeta do islã, o “Charlie Hebdo” já se envolveu em polêmicas por críticas religiosas contra católicos e judeus.

Anne Hommel, porta-voz do “Charlie Hebdo”, disse que a publicação precisa de tempo para lidar com “o luto, o cansaço e a superexposição”.

O jornalista Laurent Léger, que estava na sala quando os terroristas entraram atirando, informou em seu Twitter que a próxima edição sairá no dia 25 deste mês.

A primeira edição do “Charlie Hebdo” após o atentado (ocorrido no dia 7 de janeiro) saiu no último dia 14, com uma tiragem de cerca de 7 milhões de exemplares.

Antes, a média da publicação era de 60 mil exemplares.

Escritores recorrem à vaquinha virtual para publicarem seus livros

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Waldyr Imbroisi conseguiu juntar pelo Catarse R$ 7.174 para viabilizar o lançamento de “Orquidário”, seu livro de contos

Waldyr Imbroisi conseguiu juntar pelo Catarse R$ 7.174 para viabilizar o lançamento de “Orquidário”, seu livro de contos

Publicado no Jornal do Dia

Apesar de grandes chavões como “ninguém lê no Brasil” e “a literatura não dá dinheiro”, o sonho de muita gente ainda é lançar um livro. Contudo, ter sua obra publicada por uma editora já consolidada permanece sendo um caminho difícil de trilhar, que em alguns casos requer anos de insistência. Outra via é a autopublicação ou as editoras que cobram para colocar qualquer tipo de livro no mercado, entretanto, nesse caso, o escritor terá que tirar dinheiro do seu bolso para que sua arte ganhe vida.

Agora, uma terceira via que anda fazendo sucesso em diversos segmentos no Brasil começa a também ser explorada pela literatura: a “vaquinha virtual”). A proposta é simples: o escritor disponibiliza sua ideia em um site, explica o seu projeto, apresenta todos os custos envolvidos e oferece cotas de patrocínio para que pessoas que sentirem afinidade com o texto possam lhe ajudar. As recompensas para os mecenas de nossos dias podem ser diversas, mas sempre incluirão um exemplar da obra, é claro – ou seja, a venda é feita antes de o produto de fato existir.

O escritor Kadu Lago recorre há tempos a essas vaquinhas, desde muito antes de virarem uma tendência. Ainda em 2010, em uma comunidade do Orkut, levantou aproximadamente oito mil reais para lançar o seu romance “Confissões ao Mar”, com cada interessado contribuindo com ao menos cem reais e recebendo três exemplares como recompensa.

Já em 2014, para lançar a quarta edição da obra, recorreu ao Bookstart, site especializado em financiamentos coletivos para livros. Com cotas que iam de R$ 15 (em troca de uma versão digital da narrativa) a R$ 1500 (para quem quisesse ter sua marca impressa em todos os exemplares da edição), conseguiu, com 88 apoiadores, arrecadar R$ 8.440.

Vender essas cotas, aliás, é a parte mais difícil da empreitada, segundo Kadu. “Você pode montar o melhor projeto possível, se não tiver um ótimo relacionamento na rede, vai ficar difícil levantar a campanha, que, seja onde for, não acontece sozinha. Não dá para criar um projeto, jogar na internet e ficar esperando ele acontecer. Você é responsável por fazer com que ele aconteça”, diz o escritor.

Engajamento e comprometimento

O Bookstart, site ao qual Kadu recorreu para lançar a quarta edição de seu livro, surgiu em 2014 e pretende, ao longo dos próximo meses, publicar entre 20 e 25 obras por mês por meio de financiamento coletivo, com uma venda de pouco mais de mil exemplares mensais.

“Temos, atualmente, no mercado editorial, exemplos de autores brasileiros que deram certo não apenas pela qualidade de seus trabalhos, mas sobretudo pela carência que nossos leitores sentem falta de boas obras produzidas aqui”, diz Bernardo Obadia, sócio-diretor da empresa, ao argumentar sobre a iniciativa. “Acreditamos que a fama de que brasileiro não lê está no passado e tende a ser cada vez mais suplantada por uma realidade que já está acontecendo”, continua.

Obadia explica que a empresa tem uma equipe que oferece serviços desde a avaliação do manuscrito até o auxílio com as campanhas de marketing, preocupando-se com todas as etapas do processo para que o livro chegue com qualidade ao leitor.

O sócio-diretor entende que a Bookstart é uma via para que originais muitas vezes ignorados pelas grandes editoras possam, enfim, receber atenção e, talvez, em um segundo momento, de acordo com o sucesso do livro, atrair justamente as editoras maiores. “Uma de nossas competências essenciais é a eficiência em custo, ou seja, precisamos ter um bom planejamento de mídias para fazer com que o projeto atinja a meta o mais rápido possível”.

Realização de um sonho

Provavelmente o site de financiamentos coletivos mais conhecido e utilizado no país, o Catarse conta com duzentos projetos finalizados em Literatura, sendo que, apenas em 2014, foram 53 – contra 24 de 2013 e 14 dos anos anteriores. Isso mostra o grande aumento da tendência, que já colocou a categoria como a quarta com o maior número de inscrições na plataforma.

De todas essas iniciativas, 46% obtiveram exito no financiamento e mais de 13 mil pessoas contribuíram para os projetos, reunindo um montante superior a R$ 1,1 milhão, distribuídos entre requisições modestas, como os 905 reais levantados pelo “Poensamentos”, até cifras bastante respeitáveis, como os 53.470 reais reunidos em torno de “Jovem o Suficiente – O Livro”.

Com um objetivo intermediário, Waldyr Imbroisi conseguiu juntar pelo Catarse R$ 7.174 para viabilizar o lançamento de “Orquidário”, seu livro de contos. O escritor diz que durante o processo descobriu uma outra vantagem do sistema. “O financiamento coletivo garante uma divulgação prévia do livro e uma espécie de pré-venda; ao fim do meu projeto, mais de duzentos exemplares já possuíam comprador”.

Para que conseguisse alcançar a meta desejada, Imbriosi apostou em divulgação pelo seu blog, Facebook e centenas de mensagens privadas enviadas a conhecidos, além de um vídeo postado no Youtube. Conta que, ao longo da trajetória, o mais difícil foi saber o modo de divulgar o livro, “para não dar um tom de exigência nem de pedido desesperado”. O desprendimento também foi primordial. “Tive que aprender a olhar minha obra como algo em que vejo qualidade, mas que as pessoas podiam gostar ou não, ajudar ou não. Só assim consegui divulgar de uma maneira em que, acredito, não foi chata nem excessiva”.

Se valeu a pena? Financeiramente, não – ainda ao menos. Apesar do financiamento coletivo amenizar os gastos, as despesas que envolvem todo o processo superam o quanto recebeu com as ajudas. “A única esperança de um escritor ganhar dinheiro no Brasil é a longo prazo, consolidando uma obra de qualidade através dos anos. Não vale a pena entrar nesse caminho pensando pelo lado financeiro”, diz.

10 Coisas que vão mudar na sua vida após publicar o seu primeiro livro (ou assim me disseram)

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10 Coisas que vão mudar na sua vida após publicar o seu primeiro livro

Fabio Mourão, no Dito pelo Maldito

1. Na manhã da publicação do seu livro você vai se olhar no espelho do banheiro e verá um rosto diferente olhando de volta pra você; um rosto real, não a massa de carne disforme que antes você era obrigado a confrontar todas as manhãs. Você não ousará tocá-lo por medo de que este rosto evapore.

2. Você vai mudar a sua assinatura de e-mail de “Escritor”, para “Autor publicado!”. E até vai considerar a possibilidade de mudar a imagem de avatar do seu perfil para uma foto sua sorridente… Mas no fim vai preferir não fazê-lo.

3. Sua mãe vai começar a levantar a sua moral nos jantares e nas conversas com os amigos e parentes. Porém, de forma consistente, vai passar a dar palpites constantes nos títulos das suas obras, na maioria das vez querendo incluir algum ‘plural’ onde não se deve. Ela sempre terá uma melhoria a fazer no seu original.

4. Os Correios nunca entregarão as suas cópias pessoais da obra, e seu editor não será capaz de saber o destino de sua encomenda, e nem terá como substituí-la. As semanas passarão e você levará o seu cachorro até o petshop, onde encontrará uma gaiola de pássaros com as páginas cagadas do seu livro.

5. Um dentre os três primeiros amigos que você escolheu para ler o original do seu livro vai perder subitamente toda a memória referente a você ou a existência do seu livro. Quando se deparar com a obra pronta exposta na prateleira de uma livraria, seu nome irá aparecer como um borrão na mente desse infeliz.

6. Algum aspirante a escritor vai escrever uma postagem sobre o seu livro. Provavelmente ele vai interpretar mal as suas intenções e apontará muitos elementos problemáticos que fazem o seu trabalho irrelevante para os leitores contemporâneos. Você novamente vai consultar aquele rosto refletido no espelho do banheiro e vai ganhar confiança ao rir de si mesmo e desta situação.

7. Aquele cara do colégio que vivia te azucrinando na hora do recreio vai encontrar algum parente seu na rua e se gabará de como vocês eram ‘muy amigos’ na adolescência. Cada boa notícia que essa criatura receber a seu respeito, será como um retalho de frustração a mais em sua colcha de fracassos.

8. Você vai pagar do próprio bolso para promover o lançamento do seu livro. Haverá apenas umas poucas pessoas que estarão ali realmente para prestigiar o seu trabalho, e entre essa meia dúzia, apenas uma estará empolgada de verdade para ter a sua assinatura em um exemplar. Essa vai te dizer o quanto a leitura do seu livro foi importante para sua vida e como a obra tocou em algo profundo em seu peito que ela nem sabia que estava lá à espera de ser desperto.

9. É provável que seu pai não de a mínima para o seu livro, mas se acaso isso ocorrer, ele vai te dar o primeiro ‘parabéns’ em muitos anos, mas vai dizer que não leu o livro ainda porque tem andado muito ocupado, mesmo já sendo aposentado. E ao contrário da sua mãe, ele jamais se gabará com os amigos a respeito disso e muito menos te ajudará na divulgação do seu trabalho.

10. Alguns meses após o lançamento um entrevistador vai entrar em contato por e-mail perguntando para quando sai o próximo livro, e você vai correr com o seu laptop para o banheiro e preferir que nunca tivesse tido um espelho por lá.

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