Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged publicações

Livros de direitos humanos são rasgados na biblioteca da UnB

0

Livros de direitos humanos da Biblioteca Central da UnB são encontrados rasgados — Foto: Arquivo pessoal/divulgação

Ao todo, sete publicações foram danificadas em páginas que falam sobre o ‘fim da ditadura’ e a ‘luta por direitos’. Servidores vão levar caso à Polícia Federal.

Marília Marques e Letícia Carvalho, no G1

Livros que contam a história da “luta por direitos humanos” no Brasil foram rasgados na biblioteca central da Universidade de Brasília (UnB). Segundo um servidor do departamento, ao todo, sete obras foram danificadas. O material será levado para a Polícia Federal.

O bibliotecário responsável pela reposição do estoque de livros afirmou, nesta quinta-feira (4) ao G1, que os danos “são muito característicos” e foram identificados em, pelo menos, sete exemplares. O funcionário preferiu manter a identidade em sigilo “por medo de ameaças”.

A temática dos livros danificados também chamou a atenção dos servidores. Foram quatro edições da área de direitos humanos, um sobre a história do movimento pagão na Europa e, os demais, da seção de belas artes, sobre o renascimento.

Em nota, a administração da UnB afirmou que vai pedir a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias dos danos e identificar os responsáveis. O comunicado diz que a universidade “repudia quaisquer atos de vandalismo”.

Detalhe de livro de direitos humanos da Biblioteca Cenntral da UnB que foi encontrado rasgado — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Pistas

Mesmo com a situação tendo sido percebida desde o início do ano, os servidores da biblioteca disseram que só passaram a suspeitar da semelhança entre os casos a partir da reincidência dos danos. A maioria em livros específicos sobre direitos humanos.

Algumas das páginas rasgadas narram o fim do período da ditadura. Mostram, por exemplo, fotos da trajetória de luta social por mais direitos no país.

Os responsáveis pela biblioteca dizem que será difícil identificar o autor. As câmeras de segurança não mostram as estantes de onde foram tirados os livros e também não há cadastro de pessoas que entram ou saem do local.

Ex-desabrigado, jovem do RJ reconstrói a vida escrevendo e ganha prêmios

0

Livro de poesias sobre 450 anos do Rio (Foto: Affonso Andrade/G1 Rio)

Morador da Baixada Fluminense começou a compor poesias após sua casa ter desabado. Hoje celebra o primeiro livro, um romance, publicado.

Aline Gomes, no G1

Fabrício André tinha 15 anos quando tudo veio abaixo. Era 17 de julho de 2012 quando o terreno onde morava com os pais e dois irmãos cedeu, transformando em poeira a casa antiga e todos os pertences da família. A reconstrução do lar e da vida, decidiu ele, teria de passar pelos livros. Não só os estudos, mas sobretudo as letras.

Em seis anos, Fabrício se tornou um escritor e hoje comemora a publicação de seu primeiro romance, “Não me perdoe”. Antes, poemas seus já tinham sido selecionados em livro em quatro concursos literários.

A família escapou sem ferimentos do acidente, mas teve que morar de favor na casa de parentes até se restabelecer. Fabrício, então, se agarrou à literatura. A professora Elizabeth Bragança percebeu o esforço e o talento e deu corda. A família dele também entrou no jogo.

Dois anos depois do acidente, em 2014, Fabrício se animou com o concurso “Rio de Palavras, 450 anos de história”, da Prefeitura do Rio. De sua autoria, “Sim, o planeta é carioca” foi uma das obras selecionadas. “Foi uma alegria em dose dupla”, lembra o rapaz. “A premiação deu um empurrão para que eu começasse a perceber que tinha potencial”, emenda.

A partir daí, foi um concurso atrás do outro – ele seria selecionado para outras três coletâneas. E uma delas o levou, em 2017, à Bienal do Livro, onde jamais tinha pisado. “Eram muitas dificuldades, nunca tive como ir à feira literária”, diz.

Quando se deu conta, estava recebendo o convite para lançar o primeiro livro. Nascia “Não me perdoe”. “Quis trazer à luz uma face do perdão que muitas vezes fica escondida, o autoperdão”, explica o autor. O livro está disponível  no site da editora.

Um livro por ano

Fabrício começou o amor pelos livros quando ainda era criança. Apressado, aprendeu a ler em casa aos 3 anos. “Era um gibi”, conta. “Meu pai sempre trazia livro que ele catava em qualquer lugar pra gente, a gente passou a ter o gosto pela leitura”, continua.

Fabrício Andre com os pais Sidney e Lidiane durante lançamento do livro (Foto: Divulgação)

Aprovado para uma vaga no ProUni, Fabrício está cursando Administração em uma universidade particular. Com a cabeça fervilhante de idéias, Fabricio já pensa na produção de sua próxima obra, pois tem a meta de escrever um livro por ano.

Segundo o jovem, a literatura pode ser uma ótima válvula de escape, uma grande oportunidade. “Quando a gente passa a levar a educação mais a sério, a gente passa a encarar os problemas com mais maturidade, mais seriedade”, diz Fabrício André.

Lista de prêmios e publicações

“Rio de palavras, 450 anos de história”, 2015

Texto (poesia): “Sim, o planeta é carioca”

Coletânea “Diário do escritor”, 2016

Texto (poesia): “O olhar de um escritor”

Coletânea “Maravilha de Palavra”, 2017

Texto (poesia): “Leio”

Coletânea “Agenda literária”, 2018

Texto (poesia): “Meu eu antagônico”

“Não me Perdoe”, 2018

Livro publicado pela Litteris Editora

“Anuário de escritores 30 anos”, 2018

Texto (poesia): “Saberás”
Livro ainda será publicado

Clube de assinaturas de livros vai investir em best-sellers

0

Bruno Alencastro / Agencia RBS

Fundada em Porto Alegre em 2014, TAG _ Experiências Literárias anunciou novo segmento de publicações

Bruno Alencastro, no Zero Hora

A TAG – Experiências Literárias, clube de assinatura de livros fundado em 2014, em Porto Alegre, anunciou no fim de semana mais uma modalidade de comercialização dos seus títulos. O clube passa a ser dividido em dois segmentos distintos: a TAG Curadoria, já conhecida pela proposta de enviar títulos indicados por grandes nomes do cenário cultural, e a TAG Inéditos, dedicada a best-sellers. O novo clube surge com o mesmo formato de assinatura mensal, mas com algumas diferenças. O kit será mais simples, com livro brochura em edição exclusiva, valor mais baixo, estilo de leitura mais leve e obras mais acessíveis. O desafio é garimpar lançamentos ao redor do mundo com potencial para atrair novos leitores.

Conforme texto divulgado pelo clube de assinaturas, o objetivo da iniciativa é atingir um público mais amplo do que o atual, que é nichado e apreciador da alta literatura.

Com a nova modalidade de assinaturas, a empresa pretende dobrar o número de associados até o fim deste ano, alcançando a marca de 50 mil leitores. O primeiro título já foi escolhido, traduzido e impresso, mas com tiragem limitada. Para garantir uma assinatura no mês de estreia, a empresa organizou uma pré-venda com prioridade para sócios e ex-sócios e algumas vagas abertas a novos clientes. A reserva do kit pode ser feita através do site taglivros.com/ineditos a partir de 25 de fevereiro. Os primeiros envios são referentes ao mês de abril, seguindo o calendário do clube.

A TAG se assemelha ao extinto Círculo do Livro, que existiu entre 1973 e 2000 e chegou a ter 800 mil associados. Enquanto os exemplares do Círculo eram escolhidos por quem pagava a conta, os associados da TAG recebem todo mês uma caixa com um livro surpresa – indicado por um curador –, além de uma revista sobre a obra e um “mimo”.

Menina de 11 anos diagnosticada com tumor cerebral realiza sonho de virar escritora em São Francisco do Sul

0

Beatriz Peres de Oliveira já lançou seu primeiro livro e planeja outras duas publicações

Beatriz tem 11 anos e sempre cultivou dois sonhos: cuidar de cachorros e escrever livros Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Beatriz tem 11 anos e sempre cultivou dois sonhos: cuidar de cachorros e escrever livros
Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Luiza Martin, no Diário Catarinense

Em São Francisco do Sul mora a “menina das três certezas”. Beatriz Peres de Oliveira, de 11 anos, sempre cultivou dois sonhos: cuidar de cachorros e escrever livros. Com cinco anos, já decodificava as palavras. O carinho aos pais era declarado em bilhetes e mensagens de celular. Cartinhas chegavam por debaixo da porta enquanto a menina corria para longe.

Toda essa intimidade com as palavras fez com que ela escrevesse, aos seis anos, seu primeiro livro, Tob, um Cão Campeão, um sonho lançado no dia 25 de setembro que marca a vida recomeçada após um tumor cerebral.

Você deve estar se perguntando qual é a primeira certeza de Beatriz. No início de 2013, seus pais, a dona de casa Fabiane Peres e o estivador Artur Oliveira, descobriram que a menina teria de enfrentar um tumor de grau quatro no cérebro.

O diagnóstico veio depois de seis meses de fortes dores de cabeça, manchas pelo corpo, ínguas, palidez e mudança na fisionomia. Síndrome de filho único, artrite e virose foram algumas das inconclusões médicas, desmentidas pela insistência da mãe, que pediu a recomendação de uma tomografia até ser atendida. A primeira certeza de Bia se tornou a de que um dia ela iria morrer.

Mas a menina continua a contrariar a própria certeza e se recupera em casa. Boa parte do dia ela passa recostada em uma poltrona, como aquela reclinável “cadeira do papai”. A cadeira vem depois da fisioterapia, da equoterapia, do estudo de inglês e do aprendizado das matérias escolares que acontecem em casa mesmo.

Assim como se mantém estudando, Bia está sempre bem vestida e de unhas feitas. Roupas e maquiagens das bonecas Monster High, inspiradas em monstros lendários e personagens de filme de terror, não podem faltar para a escritora.

Beatriz tem “tiradas” de deixar qualquer artilheiro das palavras procurando a bola – ou as vírgulas. Mas o maior drible da escritora foi o chapéu que ela deu na vida. Ou seria a maior boina da Monster High, para combinar mais com o estilo dela? Em abril de 2014, ela permaneceu 31 dias em coma, internada na UTI pela segunda vez, com infecção generalizada. Desacreditada pelos médicos, Bia voltou.

—Uma menina do hospital chegou a perguntar: Mas a Beatriz não tinha morrido?—, contou Fabiane.

—A-ham. Olha aqui—, ironizou Bia, interrompendo a fala da mãe, apontando para si mesma e revirando os olhos de enfado.

1

Da UTI para a Academia Francisquense de Letras

Bia saiu da UTI não para as mesmas possiblidades que tinha antes do câncer, mas para a carreira de escritora, com livro lançado e planos para mais duas publicações. A continuação de Tob está por vir. Wendy na Selva é sua nova criação. Do tumor, resta a cicatriz, além de sequelas na fala e movimentos. Depois do segundo susto, a menina não andou mais e também não pronunciava uma só palavra.

— Ela tinha consciência. Nos entendia, mas estava presa no próprio corpo—, lembra a mãe.

Depois de três meses de tratamento com os mais diversos médicos e especialistas, Bia voltou a falar. O presente no dia das mães de Fabiane em 2014 foi um sonoro: “m-ã-e”.

Quando a certeza parecia se concretizar, Bia pediu aos paisque não deixassem seu sonho morrer. Nem eles nem os médicos que a trataram deixaram de lutar pelo sonhos dela. A Beatriz que enfrentou o câncer agora é “escritora renomada” e, para ela, todos a volta são “sonhadores”. Em 2015, Bia entra oficialmente para Academia Francisquense de Letras, a convite da professora Lúcia Helena Bezerra.

E as duas outras certezas da menina, quais são? De que todo fim de ano, até acabar a eternidade, existirão a música da Rede Globo e o show do Roberto Carlos.

1

A história de Tob

Beatriz não teve um cachorro Tob. A mascote da família era a Minnie, que está afastada do lar, na casa dos avós da menina, por causa do tratamento em casa. A história foi uma adaptação de folhas manuscritas em papel almaço e letra de forma.

Em 2011, Bia passou a história a limpo assim que ficou com a letra cursiva bem desenhada. Na terceira versão da história, o sonho se materializou. O texto diminuiu e perdeu alguns diálogos para dar espaço a ilustrações.

Assim como Beatriz queria que os pais vendessem a casa em que moram para comprar um sítio, onde haveria espaço para ela resgatar vários cães, o livro narra a história de Tob, que é adotado e se torna um campeão.

O engajamento de Bia sempre foi presente, a ponto de os textos escritos por ela e entregues aos pais se transformarem em dinheiro para os cães abandonados. Cada linha era vendida a Fabiane e Artur por dez centavos. Hoje, quem quiser comprar o livro paga R$ 15 e pode encomendá-lo pela página de Bia no Facebook.

Go to Top