Contando e Cantando (Volume 2)

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Carolina Maria de Jesus: Doodle do Google comemora 105 anos da autora

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Autora de “Quarto de Despejo” faria 105 anos nesta quinta-feira (14); obra foi publicada em mais de 10 países

Isabela Cabral, no Tech Tudo

Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira de origem humilde, recebeu uma homenagem na página inicial do Google nesta quinta-feira (14). Na data em que ela completaria 105 anos, o logo tradicional do buscador foi substituído pelo Doodle que traz uma ilustração com seu rosto em perfil e representações de seus característicos diários e de uma casa simples.

Contra todas as expectativas, Carolina ganhou fama mundial após a publicação de seu primeiro livro, “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, que relatava com uma escrita poderosa as dificuldades da população que vivia nas favelas de São Paulo. A autora é lembrada até hoje por poemas e frases marcantes.

Quem foi Carolina Maria de Jesus?

Nascida em Minas Gerais em 1914, a escritora era filha de mãe solteira descendente de escravos e agricultores meeiros e cresceu com uma educação limitada. Já na capital paulista, criou três filhos também sozinha, trabalhando como empregada doméstica e recolhendo papel, latas e garrafas para reciclagem. Precisou construir ela mesma sua casa, um barraco improvisado com tábuas de madeira compensada, barras de ferro e outros materiais reaproveitados. Enquanto isso, Carolina ainda arrumou tempo para preencher diários detalhados sobre sua vida.

Tudo mudou quando Carolina conheceu o jornalista Audalio Dantas, em 1958. Ele escutou, por acaso, uma ameaça dela a um grupo de homens: ela colocaria os nomes deles em seu livro se eles não se comportassem. Curioso, o repórter pediu para ver o tal livro e ficou impressionado com o talento da então trabalhadora doméstica. Trechos dos cadernos foram publicados no jornal local e viraram uma sensação.

O sucesso levou ao lançamento do livro “Quarto de Despejo”, que em apenas três dias vendeu 10 mil cópias e se tornou uma das obras mais lidas na história da literatura brasileira. Ele foi mais tarde traduzido para 13 línguas diferentes e distribuído em mais de 40 países. Foi transformador, pois a publicação deu voz a pessoas marginalizadas e abriu novos caminhos para autores negros no Brasil e no mundo. Em seus 62 anos de vida, Carolina viria a publicar mais três livros, fora os seis póstumos, com textos inéditos organizados por pesquisadores.

Companhia das Letras começa publicar os livros de Monteiro Lobato este mês

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Victor Tadeu, no Desencaixados

Na Semana das Crianças do ano passado a Companhia das Letrinhas anunciou publicar alguns clássicos de Monteiro Lobato, um projeto com o intuito de atualizar as histórias para as crianças, sendo ele chamado Biblioteca Lobato, organizada por Marisa Lajolo, a maior especialista da obra lobatiana no Brasil, e ilustrada pela premiada artista Lole.

Domingo (17) a Companhia das Letras utilizou o seu Instagram para comunicar ao público o primeiro lançamento deste projeto, inclusive informou na mesma publicação os detalhes especiais presentes na obra.

O 1° lançamento chama Reinações de Narizinho e entra em venda nas maiores livrarias a partir do dia 25 de janeiro. Ele foi publicado pela primeira vez em 1931 e nesta edição vai contar com algumas novidades, como texto integral, diálogo entre personagens com teor de explicação — vocabulário e época —, organização de Marisa Lajolo e entre outros.

Alguns títulos da Biblioteca Lobato já ganharam data de lançamento, inclusive a biografia do escritor feita para crianças, Reinações de Monteiro Lobato, vai ser lançada em março.

Um milhão de exemplares infantojuvenis deixaram de ser publicados em 2017

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Pétala Lopes/Folhapress

Bruno Molinero, no Era Outra Vez

Quando comparamos a publicação de literatura infantil e juvenil em 2016 e em 2017, mais de um milhão de exemplares deixaram de chegar às livrarias e a outros pontos de venda.

Os números vieram a público nesta quarta-feira (2), com a última edição da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”.

O levantamento, encomendado pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) e pelo Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), mostra que em 2017 foram produzidos cerca de 16 milhões de exemplares de literatura infantil. Entre os juvenis, foram 9,7 milhões.

Já no ano passado os números foram 16,6 milhões (crianças) e 10,2 milhões (adolescentes). Uma redução de quase 1,2 milhão.

A queda está inserida em uma retração geral do mercado de livros no país. Em 2017, foram lançados por volta de 393 milhões exemplares no geral –contra 427 milhões em 2016. Ao todo, o setor sofreu uma retração de 1,9% no faturamento, em valores nominais. Descontada a inflação, a queda chega a 4,8%. É o quarto ano seguido de movimento negativo, com faturamento de R$ 5,1 bilhões.

Mesmo assim, como mostrou a reportagem de Mauricio Meireles na Ilustrada, o setor espera reverter o cenário neste ano. “O que temos visto agora em 2018 é que os dados vão melhorar. Tivemos um primeiro trimestre bastante favorável”, afirmou Marcos Pereira, presidente do Snel e diretor da Sextante.

Curiosamente, como o cenário geral é ruim, a participação da literatura infantojuvenil frente ao mercado obteve uma leve melhorada. Os livros para crianças representaram no ano 4,07% do total de publicações. Os juvenis chegaram a 2,46%. Em 2016, esses números eram de 3,89% e de 2,39%, respectivamente.

Toda essa numeralha pode ser resumida em uma frase: o mar não está para peixe para as editoras que se dedicam a publicar literatura infantojuvenil. Sobretudo porque esses títulos ainda têm vendas muito dependentes do governo –o que anda cada vez mais raro. Juntos, programas de compras governamentais apresentaram, em 2017, queda nominal de 13% em faturamento e de 15% em exemplares comprados.

Morador de rua poeta vai morar em apartamento com ajuda de alunos da USP

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Gilberto na noite de autógrafos do livro “Velha Calçada”. (Foto: Rafaela Putini/G1)

Gilberto Camporez lançou livro de poesias na última sexta-feira. Ele morava há 13 anos no Largo São Francisco.

Rafaela Putini, no G1

Quem quis um exemplar autografado do “Velha Calçada”, livro que conta as experiências de GIlberto Camporez nas calçadas do Centro, teve que ficar em uma fila que ultrapassava a porta de uma das salas da Faculdade de Direito da USP no lançamento que aconteceu na noite da última sexta-feira (16). O evento significou um recomeço para o autor, que no sábado (17) deixou as ruas e foi para um apartamento que será sua casa a partir de agora.

O dinheiro para o aluguel veio de uma arrecadação feita pelos alunos da USP para publicar o livro e tirar Gilberto das ruas. Todo o dinheiro conseguido com as vendas dos exemplares será usado para que o poeta mantenha a nova casa até encontrar um emprego. Com a repercurssão do lançamento e não tendo mais que dormir nas calçadas, Gilberto diz que já se sente reintegrado à sociedade e que se sente, sobretudo, feliz.


13 anos no Largo São Francisco

Em 2005, com 17 anos, Gilberto, saiu do interior de São Paulo e chegou às calçadas do Centro da capital paulista, que se tornaram sua moradia na maior parte do tempo até hoje. Nas mesmas calçadas, durante uma festa universitária em 2015, ele conheceu alguns alunos da Faculdade de Direito da USP, que descobriram suas poesias e o convidaram para um recital que acontecia naquele momento.

Sem ensaiar, e com medo de vaias, Gilberto declamou os versos para um grupo grande de estudantes. “Eu estava todo sujo, de chinelo e pensei: logo eu, recitar uma poesia em um lugar tão bacana”, contou Gilberto, agora com 29 anos. Quando terminou de citar o último verso começaram os aplausos e os elogios. Ali se iniciava o projeto dos jovens com o poeta para publicar uma coletânea.

Desde esse dia, 20 jovens começaram a arrecadar dinheiro para a publicação, que foi editada por eles e que foi lançada em um auditório da USP São Francisco. No lançamento, alunos, pais e professores fizeram fila para conseguir um autógrafo e dar um abraço em Gilberto. No dia seguinte, o autor pegou a chave do novo apartamento.

Gilberto com o livro “Velha Calçada”, que conta sua história vivendo nas ruas. (Foto: Celso Tavares/G1)

Recomeços

A vinda para São Paulo foi uma busca por outras realidades, depois de ter problemas com drogas e de viver a infância e a adolescência em um ambiente familiar de brigas. Gilberto foi diretamente para as ruas, de onde conseguiu sair por alguns períodos. Teve empregos, de faxineiro e ajudante de cozinha, por exemplo. Em um deles chegou a ganhar um salário de mais de R$ 4 mil.

Nesse intervalo de tempo se reabilitou, teve casa, esposa e um filho, que hoje mora com a avó paterna. Depois de uma separação conturbada, há quatro anos, tinha voltado a viver nas ruas da Sé.

Começou a escrever para ajudar a lidar com as recaídas e com a depressão. Ele conta que foi preso injustamente duas vezes e teve seus pertences, entre eles cadernos com todas as suas criações, confiscados mais de uma vez. São materiais que ele nunca recuperou.

Publicar o livro, para o escritor, foi sinônimo de recomeço. Agora, tendo onde morar, ele espera conseguir um emprego, que ele conta que não conseguia pelo preconceito. Para o futuro, sonha em publicar mais livros, entre eles uma biografia, que quer que um dia vire filme.

Antônio, ao lado de Gilberto, é aluno de economia da USP e foi responsável pela publicação de 500 exemplares do livro “Velha Calçada”. (Foto: Celso Tavares/G1)

Alunos da USP

Nos últimos meses, Antônio Cesar, de 21 anos, comandou um grupo de 20 voluntários responsáveis por viabilizar a publicação do livro “Velha Calçada”. Na época que conheceu Gilberto, o jovem estudava no cursinho popular da universidade. Hoje, ele estuda economia.

Antônio andava com uma pasta de documentos, com planilhas de orçamento, arrecadação, custos e planejamento, tanto para o lançamento quanto para o processo de aluguel de um apartamento. Na outra, com a sacola de livros e camisetas que estavam à venda no evento. No sábado ele foi com o escritor ao novo apartamento para marcar o novo começo fora das ruas.

O estudante comprou os primeiros pacotes de trufas que Gilberto vendeu para começar a juntar o dinheiro necessário para imprimir os livros. “Eu vi ele recitando as poesias, posso dizer que até me apaixonei por algumas, e vi que era um trabalho que podia dar certo”, lembrou o jovem.

Gilberto fez questão de escrever no livro uma dedicatória para cada aluno que participou do processo. Sobre Antônio, redigiu que palavras são minúsculas se comparadas ao que tem por dentro para oferecer. O estudante reforça: “ele vai poder contar com a gente sempre”.

Velha Calçada (Gilberto Camporez)

“Velha calçada,

Aqui me despeço depois de muito tempo.

Confesso que vou sentir saudades,

Pois foi você quem mais presenciou momentos ruins em minha vida.

Lembra aquele dia em que eu não tinha onde dormir?

Pois você deu um jeito e dormimos juntos.

E aquele dia em que eu desmaiei por sentir fome?

Então você me segurou e esperou até que a emergência chegasse.

E depois que sai do hospital, você ainda me esperava.

Obrigado, velha calçada!”

* Com supervisão de Paulo Guilherme

Morador de rua faz livro de poesia sobre como é viver nas calçadas de SP

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Gilberto com o livro “Velha Calçada”, que conta sua história vivendo nas ruas. (Foto: Celso Tavares/G1)

Gilberto Camporez mora há 13 anos no Largo São Francisco, no Centro de SP. Alunos da USP ajudaram a reunir os poemas e produzir o livro.

Rafaela Putini, no G1

Encostado na estátua de Álvares de Azevedo, no Largo São Francisco, Gilberto Camporez diz que morou 13 anos ao lado do poeta romântico do século XIX e que só descobriu quem era recentemente, quando começou a escrever poesia também. Foi nas ruas ao redor do monumento que ele viveu as experiências que estão nas 25 poesias do seu primeiro livro, “Velha Calçada”, que será lançado nesta sexta-feira (16).

Em 2005, com 17 anos, Gilberto, saiu do interior de São Paulo e chegou às calçadas do Centro da capital paulista, que se tornaram sua moradia na maior parte do tempo até hoje. Nas mesmas calçadas, durante uma festa universitária em 2015, ele conheceu alguns alunos da Faculdade de Direito da USP, que descobriram suas poesias e o convidaram para um recital que acontecia naquele momento.

Sem ensaiar, e com medo de vaias, Gilberto declamou os versos para um grupo grande de estudantes. “Eu estava todo sujo, de chinelo e pensei: logo eu, recitar uma poesia em um lugar tão bacana”, contou Gilberto, agora com 29 anos. Quando terminou de citar o último verso começaram os aplausos e os elogios. Ali começava o projeto dos jovens com o poeta para publicar uma coletânea.

Desde esse dia, 20 jovens começaram a arrecadar dinheiro para a publicação, que foi editada por eles e que será lançada em um auditório da USP São Francisco. Hoje, enquanto anda pelo campus, professores, funcionários e alunos cumprimentam Gilberto e perguntam sobre o lançamento. O objetivo é conseguir fundos, com a venda de 500 exemplares e de camisetas com trechos da obra, para pagar um aluguel e tirar o autor das ruas.

Recomeços

A vinda para São Paulo foi uma busca por outras realidades, depois de ter problemas com drogas e de viver a infância e a adolescência em um ambiente familiar de brigas. Gilberto foi diretamente para as ruas, de onde conseguiu sair por alguns períodos. Teve empregos, de faxineiro e ajudante de cozinha, por exemplo. Em um deles chegou a ganhar um salário de mais de R$ 4 mil.

Nesse intervalo de tempo se reabilitou, teve casa, esposa e um filho, que hoje mora com a avó paterna. Depois de uma separação conturbada, há quatro anos, voltou a viver nas ruas da Sé.

Começou a escrever para ajudar a lidar com as recaídas e com a depressão. Ele conta que foi preso injustamente duas vezes e teve seus pertences, entre eles cadernos com todas as suas criações, confiscados mais de uma vez. São materiais que ele nunca recuperou.

Eu sofri muito, mas eu sempre começo de novo. Conheci muitas pessoas que me ajudaram a não desistir.”

Publicar o livro, para o escritor, é sinônimo de recomeço. Depois do lançamento ele espera conseguir alugar uma casa e encontrar um emprego, além de realizar a vontade de abrir uma empresa de bolos. Já tem até lugar para o negócio: um estacionamento no centro mesmo, bem próximo à faculdade. Para o futuro, sonha em publicar mais livros, entre eles uma biografia, que quer que um dia vire filme.

Antônio, ao lado de Gilberto, é aluno de economia da USP e foi responsável pela publicação de 500 exemplares do livro “Velha Calçada”. (Foto: Celso Tavares/G1)

Alunos da USP

“Esse é o cara”, diz Gilberto enquanto abraça Antônio Cesar, de 21 anos, em frente ao lugar onde dorme, e onde os dois se encontraram há cerca de dois anos. Antônio comanda o grupo dos 20 voluntários responsáveis por viabilizar a publicação do livro “Velha Calçada”. Na época que conheceu Gilberto, o jovem estudava no cursinho popular da universidade. Hoje, ele estuda economia.

Em uma mão, Antônio anda com uma pasta de documentos, com planilhas de orçamento, arrecadação, custos e planejamento, tanto para o lançamento quanto para o processo de aluguel de um apartamento. Na outra, com a sacola de livros e camisetas que estarão à venda no evento.

O estudante comprou os primeiros pacotes de trufas que Gilberto vendeu para começar a juntar o dinheiro necessário para imprimir os livros. Agora organiza também o evento que vai apresentar o resultado. “Eu vi ele recitando as poesias, posso dizer que até me apaixonei por algumas, e vi que era um trabalho que podia dar certo”, lembrou o jovem.

Gilberto fez questão de escrever no livro uma dedicatória para cada aluno que participou do processo. Sobre Antônio, redigiu que palavras são minúsculas se comparadas ao que tem por dentro para oferecer. O estudante reforça: “ele vai poder contar com a gente sempre”.

Velha Calçada

“Velha calçada,

Aqui me despeço depois de muito tempo.

Confesso que vou sentir saudades,

Pois foi você quem mais presenciou momentos ruins em minha vida.

Lembra aquele dia em que eu não tinha onde dormir?

Pois você deu um jeito e dormimos juntos.

E aquele dia em que eu desmaiei por sentir fome?

Então você me segurou e esperou até que a emergência chegasse.

E depois que sai do hospital, você ainda me esperava.

Obrigado, velha calçada!”

(Gilberto Camporez)

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