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Membro do conselho do Pulitzer Junot Díaz renuncia após acusação de abuso sexual

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Junot Díaz renunciou a presidência do Prêmio Pulitzer – Wikimmedia Commons

Estudante afirma que escritor a beijou a força

Publicado em O Globo

RIO — O escritor e membro do conselho do Prêmio Pulitzer Junot Díaz renunciou a sua cadeira após ser denunciado de abuso sexual. Segundo a estudante da Universidade de Columbia Zinzi Clemmons, que postou um relato sobre o caso no Twitter, ele a “encurralou” e “beijou a força”.

A estudante, que disse ter 26 anos à época do assédio, escreveu ainda que está “longe de ser a única vítima disso”. O autor agora deixa a instituição, enquanto o conselho conduz uma investigação.

“O Sr. Díaz disse que aceitou bem a investigação e irá cooperar totalmente com ela ”, informou o conselho do Pulitzer em um comunicado.

Clemmons confrontou Díaz em um festival de escritores em Sydney na semana passada, e depois divulgou suas acusações contra ele no Twitter. O autor de origem dominicana, fazia parte do conselho do prestigiado prêmio desde 2010.

Na semana passada, a Academia Sueca anunciou o adiamento do Nobel de Literatura para 2019, depois das denúncias de assédio de vilência sexual de 18 mulheres contra Jean-Claude Arnault, influente figura da cena cultural sueca e casado com a escritora e membro da Academia Katarina Frostenson.

Vencedor do Pulitzer, romance ‘O Pintassilgo’ chega ao Brasil

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A escritora americana Donna Tartt, que volta ao romance após dez anos de hiato. Divulgação

A escritora americana Donna Tartt, que volta ao romance após dez anos de hiato. Divulgação

Marco Rodrigo Almeida, na Folha de S.Paulo

Tal como um terremoto, Donna Tartt faz a terra tremer de tempos em tempos.

Mais exatamente de dez em dez anos, a escritora americana, 50, publica um romance que faz sensação entre críticos literários e leitores de diversos países.

O terceiro livro da autora chega agora ao Brasil, depois de alcançar o topo da escala Richter nos EUA. “O Pintassilgo” venceu o prêmio Pulitzer de ficção, um dos principais em língua inglesa; está há mais de 40 semanas na lista de best-sellers do “New York Times”; vendeu mais de 1,5 milhão de exemplares; foi publicado em 28 línguas; será adaptado para o cinema pelo estúdio Warner Bros.

“O Pintassilgo” começa em um hotel de Amsterdã, onde o protagonista, Theo Decker, está escondido, delirando de febre e lendo notícias sobre seus crimes. A vida de Theo virou de ponta cabeça 14 anos antes, quando ele, ainda garoto, perdeu a mãe em uma explosão no Metropolitan Museum de Nova York.

Depois da tragédia, Theo passa por uma sucessão sem fim de infortúnios, envolvendo o mercado negro de arte, drogas, perseguições. Alguns fatos parecem estapafúrdios, mas a narração rica e empolgante prende o leitor até o fim do caudaloso romance (são mais de 700 páginas).

“A gestação de um romance é misteriosa e difícil de explicar, até mesmo para mim, embora possa dizer que a história quase sempre é precedida pela escolha do lugar, pelo cenário da trama”, comentou Donna Tartt, por e-mail.

“Eu já queria escrever sobre Amsterdã havia uns 20 anos. E também estava interessada em retratar o lado negro de Nova York. Muitos elementos diferentes foram combinados de forma inesperada.

“Outro exemplo disso é o título do livro, retirado de um pequeno quadro de 1654 do pintor holandês Carel Fabritius que exerce papel central na história. Após a explosão do museu, da qual escapa milagrosamente, Theo recolhe a tela e a leva em uma mochila.

Fabritius (1622- 1654) morreu em uma explosão, mas Tartt diz que não pensou nisso ao criar o destino da mãe de Theo.”Eu escolhi a pintura antes de saber como Fabritius havia morrido”, disse.

“Para mim, parte da atração é que Fabritius é um grande pintor, mas muito pouco conhecido. Era quase como se eu estivesse escrevendo sobre um pintor mitológico. Então isso me deu muita liberdade.”

MISTÉRIOS

Nos EUA,”O Pintassilgo” foi chamado de “um clássico do século 21”. Parece cedo para tal afirmação, mas a carreira de Tartt foi prodigiosa desde o início.

O primeiro romance já lhe valeu no meio literário a fama de talentosa. “A História Secreta”, lançado em 1992, narra um assassinato cometido por estudantes de uma faculdade de elite durante uma orgia regada a drogas e discussões filosóficas.

O livro fez estrondoso sucesso de público e crítica. Inspirou uma espécie de devoção cult entre os jovens e universitários da época.

A legião de fãs, entretanto, teve de esperar um longo tempo pelo próximo da escritora. “O Amigo de Infância” só chegou às livrarias em 2002. É outra história brutal, desta vez sobre o assassinato de uma criança nos anos 1970.

Os três romances de Tartt combinam crimes, suspense, e densidade psicológica.

Tartt também é habilidosa em preservar os mistérios em torno de si, o que contribui para reforçar o mito. Evita aparições públicas, dá poucas entrevistas, se esquiva de perguntas pessoais. Pouco se sabe de sua vida além da obsessão que a leva gastar uma década para escrever um livro.

“Esse é meu jeito de trabalhar. Gosto de explorar as coisas em profundidade. Adoro a sensação de riqueza que você pode conseguir ao passar muito tempo com um texto.”

Reprodução

Reprodução

QUE QUADRO É ESSE?
O holandês Carel Fabritius (1622-1654) pintou “O Pintassilgo” em seu último ano de vida. Discípulo de Rembrandt e mestre de Vermeer, morreu numa explosão aos 32 anos.

Quase todos os seus quadros se perderam. A tela está exposta no museu Mauritshuis, em Haia (Holanda). Após o sucesso do livro de Donna Tartt, o quadro passou a ser um dos mais procurados do museu

Biografia mostra os méritos – e vícios – de Will Eisner

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Eisner sempre abriu portas para jovens cartunistas, mas sentia inveja de outros

Will Eisner (Divulgação)

Will Eisner (Divulgação)

Publicado por Veja

Acaba de chegar às livrarias, o livro Will Eisner – Um Sonhador nos Quadrinhos (tradução de Érico Assis, Globo Livros, 424 págs, 59,90 reais), de Michael Schumacher, a biografia de um dos maiores artistas dos quadrinhos de todos os tempos, o inventor da chamada arte sequencial e do termo graphic novel (romance gráfico).

Schumacher não aliviou para o criador do Spirit: mostra todos os seus méritos, mas também os seus vícios. Eisner sempre abriu as portas para os jovens cartunistas, revelando nomes como Jack Kirby, Lou Fine, Bob Kane e Joe Kubert — que admitiu primeiro como faxineiro. Mas sentia inveja do sucesso de Bob Kane, o criador do Batman. E ficou com dor de cotovelo quando Art Spiegelman ganhou um Pulitzer pelo álbum Maus. Achava que ele próprio merecia mais.

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Eisner cometeu ao menos uma grande burrada: quando era um jovem editor, em 1938, se recusou a publicar dois jovens (Jerry Siegel e Joe Shuster) que o procuraram com um dos mais rentáveis personagens de todos os tempos, o Superman. Depois, ainda deu um falso testemunho na Corte contra os autores do personagem.

“Ele era um pouco competitivo”, explica Schumacher, que falou por telefone do Wisconsin, onde vive. “Mas era um homem bom. Os judeus têm uma palavra para isso, mensch, que usavam para defini-lo. Significa íntegro.”

Will Eisner nasceu em 1917, cresceu em uma vizinhança pobre no Bronx, em Nova York, e foi jornaleiro na infância. Em 1942, passou a desenhar material gráfico para o Exército e, em seguida, material educativo, o que lhe valeu a independência econômica. Ele morreu em 2005, aos 87 anos.

O livro sobre Eisner foi lançado nos Estados Unidos há dois anos. O novo projeto de Schumacher, que acaba de chegar às livrarias americanas, é Al Capp: A Life in the Contrary, biografia de outro quadrinista famoso, Al Capp (1909-1979), criador de Ferdinando. E de quem John Steinbeck disse, em 1952, que talvez fosse “o melhor escritor do mundo”.

Globo Livros vai lançar finalista do Man Booker Prize

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Jhumpa Lahiri, vencedora do Pulitzer 2000

Jhumpa Lahiri, vencedora do Pulitzer 2000

Publicado na Veja on-line

Mais uma boa notícia para quem acompanhou a divulgação dos finalistas ao Man Booker Prize 2013. Lowland, inédito da escritora anglo-indiana Jhumpha Lahiri que entrou para a lista de concorrentes, será lançado no Brasil pela  Biblioteca Azul, a linha de alta literatura da Globo Livros. Também de Jhumpha, uma filha de indianos nascida em Londres, em 1967, e crescida em Rodhe Island, nos Estados Unidos, a Globo relançará o livro de contos Intérprete de Males, vencedor do Pulitzer 2000, e O Xará.

Da lista de finalistas, o mercado brasileiro já tem  O Testamento de Maria, do irlandês Colm Tóibín, recém-lançado pela Companhia das Letras. A Tale for the Time Being, de Ruth Ozeki, pode sair pela Casa da Palavra. Outro que pode sair por aqui é TransAtlantic, de Colum McCann, autor que veio à Flip em 2010 e teve livros publicados pela Girafa (O Bailarino) e pela Record (Deixe o Grande Mundo Girar, considerado o primeiro grande romance sobre o 11 de Setembro, e O Outro Lado da Luz, com que venceu a premiação irlandesa Hennessey Award, na categoria romance de estreia).

O vencedor do Man Booker Prize 2013, que levará 50.000 libras (cerca de 170.000 reais) será anunciado em 15 de outubro.

A maldição da resenha mal-humorada

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Maltratar ou ignorar livros de sucesso é sempre uma péssima ideia

Danilo Venticinque, na Época

Acompanhei, por obrigação e com uma enorme preguiça, as críticas da imprensa internacional ao livro Inferno, de Dan Brown. Torço para que o leitor tenha escapado. São textos que não explicam nada sobre o sucesso internacional do autor, mas explicam muito sobre a perda de prestígio dos críticos. Segundo eles, Dan Brown é prolixo, repetitivo e tem um estilo pedestre. Por que, então, seus livros vendem centenas de milhões de exemplares?

Na coluna anterior, sobre a importância dos best-sellers, faltou mencionar que a crítica é uma das principais fontes do discurso contra autores que fazem sucesso – ou do silêncio a respeito deles. Há uma enorme dificuldade para lidar com livros que vendem bem.

É uma lição que o jornalismo de cinema – ao menos o bom jornalismo de cinema – aprendeu há algumas décadas. Um bom crítico sabe que não pode julgar um blockbuster de Holywood e um filme independente com os mesmos critérios. Não se trata de estabelecer uma diferença de qualidade entre os dois, mas de avaliar de forma diferente obras que têm propostas distintas. O brilhante Roger Ebert, primeiro crítico de cinema a receber um prêmio Pulitzer, sabia fazer isso como poucos. Escrevia com sensibilidade sobre cineastas como Terrence Malick, mas também era capaz de divertir-se com os filmes de James Cameron.

O mesmo vale para a literatura. Analisar a prosa de Dan Brown e criticá-lo por seu estilo é como criticar Os vingadores por sua história leve e ritmo acelerado. Nenhum crítico de cinema capaz de se levar a sério faria isso. É algo tão despropositado quanto criticar Morangos silvestres pela falta de explosões e perseguições de carros.

Os leitores e espectadores sabem o que esperar de cada filme e de cada livro. O único desorientado é o crítico. Quem reclama da prosa pedestre de Dan Brown deveria, antes, respirar fundo e tentar se divertir com o enredo de seus livros. A vida não precisa ser sempre tão séria.

Há os que criticam os sucessos comerciais por princípio, na tentativa de fazer o público ler obras literárias mais profundas. É um esforço vão. O extrato bancário de Dan Brown é a prova de que ninguém deixará de ler um livro divertido por causa de uma resenha mal-humorada. Chega a ser ridículo ver jornais com centenas de milhares de leitores se engajarem numa campanha contra autores que vendem centenas de milhões de livros. É muito mais produtivo analisar Dan Brown como um fenômeno de entretenimento e tentar ajudar o leitor a escolher o que ele lerá depois de Inferno. Há livros bons nas listas de mais vendidos. Elogiá-los é muito mais útil do que criticar os livros supostamente ruins.

No Brasil, as resenhas mal-humoradas de best-sellers são mais raras do que no exterior. A postura usual aqui é fingir que eles não existem – sobretudo se são autores nacionais. É algo que só existe no jornalismo cultural. Se uma multidão ocupa uma grande avenida numa manifestação, os cadernos de política do dia seguinte inevitavelmente trarão manchetes sobre isso. É uma regra básica. O que se faz nas páginas dedicadas à literatura equivale a desprezar a multidão e, em vez disso, elogiar a beleza de uma outra avenida, vazia, a quilômetros de distância. É um perigoso exercício de ignorar notícias, e um flerte com a irrelevância.

Há algumas semanas, no Fórum das Letras de Ouro Preto, o editor Ivan Pinheiro Machado citou o sucesso dos livros de bolso da L&PM como um exemplo de como os jornais têm pouca influência sobre as vendas. A coleção ultrapassou os 30 milhões de exemplares, mesmo sendo rotineiramente ignorada na imprensa. No ano passado, quando revistas e jornais se comoviam com o lançamento da antologia de jovens autores brasileiros pela Granta, a editora Record oportunamente lançou a coletânea Geração subzero, com textos de 20 autores “congelados” pela crítica e adorados pelo público. Estavam lá os vampiros de André Vianco, o fenômeno infantojuvenil Thalita Rebouças e sucessos recentes da literatura fantástica, como Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Carolina Munhóz. Todos conquistaram os leitores sem a ajuda da crítica. Bom para eles – e péssimo para os críticos.

Numa época em que qualquer um pode publicar sua opinião na internet e centenas de blogs divulgam boas resenhas de best-sellers, há vários caminhos para o futuro da crítica. Ignorar as preferências dos leitores certamente é o pior deles.

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