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João Alberto, no Diário da Manhã

Por mais comum que o termo tenha se tornado, tenho a certeza absoluta que ainda hoje encontramos pessoas presas num passado distante com relação ao que a Educação a distância, melhor simplificando: EaD, tem de melhor e pode nos proporcionar.

Para quem assistiu ao filme Matrix, que é uma produção estado-unidense e australiana de 1999 dos gêneros: ação e ficção científica, a conversa entre os dois protagonistas(Neo e Morpheus) vai nos mostrar melhor o que quero dizer.

– Neo: o que é Matrix?

– Morpheus: Você quer saber o que é Matrix? Matrix está em toda parte[…] é o mundo que acredita ser real para que não perceba a verdade….

Na verdade, a educação no Brasil ainda resisti aos novos ventos da modernidade que a educação a distância tem realizado como novo modelo de ensino aprendizagem, arrastando milhares de pessoas, docentes, alunos para dentro de uma realidade semelhante à vivida pelos personagens (Neo e Morpheus) dentro da sua matrix ou caverna, procurando um meio de sair, mas por qual porta?; no filme, a única porta de saída para a realidade “real” que os protagonistas encontraram foi a boa e velha cabine telefônica. Hoje, este instrumento foi reduzido a uns poucos centímetros, mas que carrega dentro de si toda a tecnologia moderna que nos mantém atualizados e antenados com o nosso mundo real.

Segundo Pierry Levy, o novo conceito de inteligência coletiva diz respeito a um princípio, no qual as inteligências individuais de hoje são somadas e compartilhadas por toda a sociedade, sendo potencializadas a partir do surgimento de novas tecnologias de comunicação, como a internet, por exemplo (Levy, Pierre, O que é Virtual. Rio de Janeiro. Editora 34,1996). E neste caso a educação a distância vem nos abrir novos horizontes ou portas para uma realidade fora da Matrix. Compartilhar memórias, imaginação e percepções resulta em novos modos de ensinar e aprender. Para o autor menosprezar esta modalidade ou subjulgá-la, quer seja no seu emprego ou condição social, nos remete aos personagens do filme que estão sempre correndo à procura de cabines telefônicas.

Capital social, intelectual, inteligência simbiótica ou qualquer outro nome dado como suporte à educação a distância neste sentido leva-nos a uma busca pela e para a saída da Matrix das massas, envolvendo a transposição de obstáculos e superação de dúvidas que possibilitam a libertação dos nossos pensamentos, e estes são precisamente um simples ato de “decisão”, isso mesmo! É um processo que envolve “ deslegitimação”, que é marcado pela perda de credibilidade destes meios antigos e pela busca de novas alternativas que possibilitem a alteração deste novo cenário, permitindo que estes novos meios de comunicação de massa venham trabalhar a inteligência coletiva e suas individualidades na chamada “Sociedade da Informação” e, aí, nossas escolas e universidades precisam estar preparadas para este novo desafio.

Voltando ao filme, o caminho seguido pelo personagem (Neo) é o inverso para libertar-se desta realidade (sendo ele um programa – o que não é o nosso caso!). Foi-se necessário decidir por escolher em tomar dois comprimidos: um azul e outro vermelho.

O comprimido azul é a escolha mais fácil, para aqueles que estão satisfeitos com o processo metodológico de ensino atualmente em vigência, conteudista, pragmático, que se limitam a absorver o que lhe dizem sem questionar, e que levarão uma vida de felicidade, mas ilusória! Já o comprimido vermelho é a escolha mais difícil, porque implicará em lutar contra este “status quo”, contra o conformismo, e partir para a procura de novas respostas, onde há questionamos, dúvidas, saímos de nossa zona de conforto, e a educação a distância nos permite estas ações. E aí, qual a sua escolha?