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Escola maior tende a ser melhor para a formação, diz ministro

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Fábio Takahashi, em Folha de S.Paulo

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Divulgados na semana passada, os resultados do Enem trazem atualmente diversas informações além das notas. Para o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, os pais devem estar especialmente atentos ao tamanho das escolas.

“Tendo a dizer: procure uma escola maior. Ali, seu filho terá contato com pessoas mais diferentes entre si”, disse o ministro à Folha.

A decisão não é simples, porque os colégios com as melhores notas no Enem costumam ser pequenos (os quatro primeiros têm entre 31 e 60 estudantes no final do ensino médio).

A seguir, a entrevista com o ministro, que falou também sobre medidas que devem ser adotadas para melhorar o ensino médio e o peso da desigualdade social nas notas.

Folha – Qual a avaliação do sr. sobre os resultados do Enem?

Renato Janine Ribeiro – Queremos mostrar que os resultados não são apenas fruto de mérito pessoal, do estudo, mas há componentes sociais fortes. O objetivo não é desqualificar os resultados ou o Enem. É entender como podemos melhorar a escola e o aluno. Quais fatores são internos e externos às escolas? Desigualdade social é externa à escola, tem um peso impressionante e é opressora. Fatores internos têm peso menor, mas papel libertador [podem melhorar a situação do jovem]. Você não consegue assegurar igualdade de oportunidades só pela escola.

O sr. quer dizer que enquanto a desigualdade social não diminuir a educacional também não diminui?

Nossas políticas enfrentam a desigualdade educacional. Mas a social ainda é muito cruel. Não é desigualdade administrável, como na França, Inglaterra ou EUA.

Esse discurso não enfraquece a mobilização para melhorar a qualidade do ensino?

É apenas um retrato da realidade. Não tira nada da escola, que tem um papel. Mas não podemos culpar o aluno pobre pela nota ruim. Nem considerar que o muito rico alcançou notas altas apenas a partir de seu mérito.

O mérito maior vem das escolas públicas, simples, que conseguem bons resultados, mesmo com alunos pobres. Não das escolas que selecionam alunos, excluem os que têm problemas ou aliciam bons estudantes de outras escolas para o 3º ano do ensino médio (quando o Enem vale para a nota do colégio).

O maior número de indicadores divulgados visa diminuir essas práticas?

Estamos colocando o dedo na ferida, apontando procedimentos que não são escolares e distorcem o verdadeiro mérito. Mas nossa meta mesmo é saber o que na escola melhora a nota.

E o que é?

Professores com melhor formação, que lecionam em apenas uma escola, e estabilidade no corpo docente são alguns dos exemplos. Mas a diferença na nota no Enem entre os mais ricos e os miseráveis é 611 contra 429 [pontos]. Para o miserável chegar lá é muito complicado. Queremos que ele chegue lá.

E como fazer isso?

Parte da responsabilidade é da educação, parte fora. Por exemplo, a busca ativa do Ministério do Desenvolvimento Social, que vai atrás de quem é miserável [e não é beneficiário de programas federais]. A intervenção não é só educativa. Mas ela ajuda.

E quando o ensino médio de fato vai melhorar?

Não dá para dizer. Sobre o que fazer há alguns pontos. Fortalecer português, matemática e ciências. E articular melhor as matérias.

Sobre a articulação, há uma discussão no governo sobre o currículo. E sobre a carga maior de português, matemática e ciências, o que sr. pretende fazer?

Podemos fortalecê-las no contra-turno, além do português, sem sacrificar as humanas. Inicialmente, penso em fazer isso nos institutos técnicos federais, que têm ensino médio. Pode ser modelo para as demais escolas.

Voltando aos resultados do Enem, que sugestão o sr. daria para famílias que estão escolhendo escolas?

Depende de várias coisas. Se tem dinheiro para mensalidade ou se vai para a escola pública. Escolha uma escola perto de casa, que não estresse o aluno indo e voltando.

A nota do Enem é importante. Você pode identificar várias escolas da região, mas deve visitá-las. E, hoje, quando você olha na tabela do Enem, há diversos indicadores: se a escola atende classes sociais mais pobres, se tem permanência longa dos alunos e se é grande.

Tendo a dizer: procure uma escola maior. Ali, seu filho terá contato com pessoas mais diferentes entre si. Vai conhecer o preguiçoso, o esforçado, o desobediente, tipos de pessoas que ele encontrará na vida. Numa escola pequena, as pessoas podem ser muito parecidas. A nota pode ser maior, porque é mais fácil dar aula para estudantes parecidos. Mas, no futuro, o garoto ou a garota não vai conseguir lidar com um mundo cada vez mais complexo.

Esse convívio compensa a nota menor no Enem?

Claro que, se a escola é ruim, tem de sair. Mas a partir de determinado patamar… A escola não é apenas aulas. Tem muito material na internet, a pessoa pode ler romances. É mais importante para a pessoa sentir que está se formando. Mais importante do que saber os afluentes das margens esquerda e direita do rio Amazonas é saber pensar.

Melhores alunos da rede estadual não alcançam média dos estudantes da particular

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RJ cai três posições em relação ao ano passado e aparece na sétima colocação

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Paula Ferreira, em O Globo

Parcela dominante na relação de escolas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as instituições estaduais — 57,4% do total de inscritas — tiveram resultado aquém das particulares (39,74%) mesmo quando analisada a média das notas das provas objetivas apenas dos melhores alunos da rede. O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nesta quarta a média obtida nas provas objetivas pelos 30 melhores alunos de cada escola. E a “elite intelectual” das estaduais do Brasil alcançou 550,2 pontos, enquanto a média de todos os estudantes da rede privada foi de 558 pontos. Caso fosse considerado somente o resultado dos melhores alunos da rede privada, a distância seria ainda maior: a média foi de 618 pontos.

O resultado demonstra que, mesmo com a evolução do desempenho — de 487,9 pontos, em 2013, para 550,2, em 2014 (no caso dos estudantes “de elite”); e de 479,3 pontos, em 2013, para 544,8, em 2014 (na média geral) —, as escolas estaduais não conseguiram superar o déficit em relação à rede particular.

QUEDA EM MATEMÁTICA

O primeiro lugar da rede estadual é ocupado por São Paulo, com nota média de 505,6; seguido do Distrito Federal, com 502,7; e do Rio Grande do Sul, com 499,9. Apesar de estar acima da média nacional (487,9), o Rio de Janeiro aparece na sétima posição, com 492,6 pontos. O estado caiu três colocações em relação ao ano passado.

— Isso não é um fenômeno assustador. A educação básica não é algo que evolui linearmente como se espera. O que observamos este ano é que, em matemática e redação, houve uma ligeira queda no desempenho. É preciso uma metodologia diferenciada. Este ano, aumentamos o foco em matemática. Já havíamos implementado uma disciplina de resolução de problemas de matemática, por exemplo — argumentou o secretário de Educação do Rio, Antônio Neto.

PERFIL SOCIOECONÔMICO

Sobre o resultado da rede, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps, considera que o desempenho inferior pode estar relacionado à diferença de perfil socioeconômico.

— O ranking compara unidades educacionais muito heterogêneas. Para analisar a unidade escolar, também temos que avaliar o indicador socioeconômico. Vamos nos debruçar sobre os resultados apresentados e ver em quais itens podemos fazer intervenções para resolver os problemas da rede estadual — afirmou.

O presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Oliveira, concorda que o nível socioeconômico é um ponto importante a ser levado em consideração no ranking, mas destaca que, em muitos casos, ainda que com perfis parecidos, alunos das redes privada e pública apresentam resultados diferentes.

— Mesmo quando comparamos alunos de nível socioeconômico igual nas escolas públicas e privadas, o desempenho dos que cursam colégios particulares é melhor. A que se atribui isso? Normalmente, à gestão, à melhor organização do ensino. Ou seja, no Brasil, quem estuda em escola particular aprende mais, independentemente do seu nível socioeconômico — argumenta Oliveira, para quem a gestão é uma das razões mais importantes. — A outra razão se refere à política equivocada que o país tem para o ensino médio. Se a maioria dos alunos pudesse frequentar cursos médios profissionalizantes, eles teriam um desempenho muito melhor, e as taxas de conclusão seriam bem maiores.

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