Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Qualidade

Microeditoras oxigenam mercado com livros de alta qualidade

0
Livros de microeditoras variadas à venda na sede d'A Bolha, na antiga fábrica de chocolates da Bhering, no Rio

Livros de microeditoras variadas à venda na sede d’A Bolha, na antiga fábrica de chocolates da Bhering, no Rio

Cassiano Elek Machado, na Folha de S.Paulo

Houve um tempo em que aquela fábrica, na zona portuária do Rio, era célebre pelos chocolates que produzia e por doces como toffees de caramelo e as balas Boneco, guloseima sabor framboesa.

A fantástica fábrica de chocolates se foi. Mas quem sobe os cinco estreitos lances de escada que levam ao terraço da antiga Bhering, em Santo Cristo, encontra lá no topo um galpãozinho amarelo onde se produzem alguns dos melhores confeitos do mercado editorial brasileiro.

É ali que fica A Bolha, caprichosa editora de livros de arte, quadrinhos e ficção contemporânea que tem só duas funcionárias, suas sócias, a mineira Rachel Gontijo e a californiana Stephanie Sauer.

São elas que escolhem os títulos, negociam direitos, encomendam traduções, editam, cuidam da produção, impressão e, a partir de março, venderão os livros pedalando pela zona sul do Rio num triciclo batizado de A Bolha Móvel.

No bauzinho dessa minilivraria móvel viajarão obras de artistas e escritores de Finlândia, Reino Unido, França, Moçambique, Estados Unidos, Argentina e Canadá.

Criada há um ano e meio, a editora já publicou 15 títulos. Só dois são de brasileiros.

Um deles é o livro de arte “Talvez o Mundo Não Seja Pequeno”, com desenhos do brasiliense Virgílio Neto, 26. O outro é “The Obscene Madame D”, de Hilda Hilst.

Publicado em parceria com a editora nova-iorquina Nightboat Books, a versão para o inglês de “A Obscena Senhora D” é a primeira de uma série de obras de Hilst (1930-2004). Logo virão volumes gringos de “Cartas de um Sedutor” e “Fluxo-Floema”.

A ligação d’A Bolha com os EUA não é fortuita. Foi lá que as fundadoras se conheceram, em 2006, quando estudavam na escola do prestigiado Art Institute of Chicago.

O inglês também é a língua que a brasileira Rachel, 34, escolheu para se expressar como escritora. Sua ficção já apareceu em boas publicações alternativas de língua inglesa, como “Action Yes”, “Everyday Genius” e “Mandorla”, e será neste idioma seu primeiro “romance”.

As aspas ela mesma é quem sugere. “Primary Anatomy”, ficção relacionada com livros de anatomia, será um livro sem um gênero muito definido.

CATÁLOGO

São assim boa parte das obras da editora. O “best-seller” da casa, por exemplo, se chama “Vá para o Diabo”, do argentino Federico Lamas.

Do tamanho de uma caderneta de telefone, o livrinho tem apenas desenhos. Quando vistos através de um slide vermelho, mostram algo diferente (um simpático rapaz vira um lobisomem, Frida Kahlo vira Diego Rivera sentado sobre um crânio).

No catálogo d’ A Bolha, há espaço para um livro em capa dura sobre jazz (do americano Studs Terkel), um livreto brochura apenas com desenhos de um rapaz fazendo sexo com neve (“Ice Fuckers”, do francês Frédéric Fleury), para o quadrinho “udigrudi” de Gary Panter (“O Babaca”) e para um delicado romance sueco chamado “A Traidora Honrada”, de Tove Jansson.

Bem acabados, os livros são impressos em tiragens pequenas, em geral de mil exemplares. Não são comercializados em livrarias tradicionais, mas pelo site da editora e em lojas como a da estilista Isabela Capeto e a livraria Blooks (no Rio), além da paulistana Loja da Iara.

A Bolha também vende livros em sua sede, onde organiza animados microeventos culturais. Todo sábado, a editora realiza o happy hour “Hora Feliz”. No próximo dia 26 de março, no mesmo espaço, ela promoverá seu festival de cinema. É o “A Bolha Open Air – o menor festival de cinema ao ar livre do Rio”.

*

ONDE COMPRAR

A Bolha
Pelo site abolhaeditora.com.br; na sede da editora, na r. Orestes, 28, no Rio; ou em lojas do Rio como Blooks e Isabela Capeto

Mínimas
Pelo editoraminimas.com ou em lojas selecionadas no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte (inf.: [email protected])

Arte e Letra
Pelo arteeletra.com.br ou na al. Pres. Taunay, 130, Curitiba

Cultura e Barbárie
Pelo culturaebarbarie.org

Demônio Negro
Pelo demonionegro.com ou no espaço cultural Intermeios, na r. Luis Murat, 40, São Paulo

Foto: Leonardo Wen/Folhapress

Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida?

0

Bruna Chagas, no Livros e Afins

Certa vez, uma professora muito querida de semiótica, na empolgação da aula, parou alguns instantes, olhou para a turma e contou uma situação que nunca mais me saiu da cabeça: um casal de amigos se casou por causa de Fernando Pessoa. É isso mesmo. O rapaz se apaixonou pela moça assim que ela declamou o enorme, porém belíssimo, poema Tabacaria, do heterônimo Álvaro de Campos, só que num lugar bastante inusitado: um bar, no meio daquela agitação maluca, música alta, bebida, muita gente. Eles se descobriram enamorados e desde lá nunca mais se separaram.

1

A história parece até simples e seria algo fácil se Tabacaria fosse apenas um soneto, mas não é bem assim. Não é pelo tamanho do poema que se pode dar o crédito ao poeta (ele tem mais de 15 versos e está no final do post). E sim pela qualidade da poesia contida naquele texto. Os poemas de Pessoa são instigantes, misteriosos e vão além de qualquer poema já lido antes. E, por isso, pelas intervenções da sua poesia, foi possível levantar essa questão: como o poeta de Orpheu poderia mudar a sua vida?!

Vamos aos fatos: Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um poeta singular, um dos maiores gênios literários que já caminhou neste mundo. Nasceu em Lisboa em 13 de junho de 1888 e morreu em Lisboa, no dia 30 de novembro de 1935. Foi jornalista, tradutor e crítico literário. Fundou a revista Orpheu em 1915 e teve como grande amigo Mário de Sá Carneiro. Mas nada foi tão importante quanto a criação de vários poetas ao mesmo tempo.

1

Os heterônimos (não são pseudônimos) foram sua maior contribuição para a humanidade, cada um com sua biografia, traços diferentes de personalidade e ainda características literárias distintas. Cada heterônimo possui seu próprio mundo, representando o que angustiava ou encantava o seu autor. Foram cerca de 72 heterônimos, mas em 2011, o biógrafo brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho revelou que na verdade são 127 ao todo. Os três mais importantes e significativos são:

1

Alberto Caeiro (meu preferido) é o mestre de todos os heterônimos. Nasceu em 1889, mas não era formado, só tinha o primário. É o poeta que pensa com os sentidos. Por isso, sensacionista. É poeta do campo, das coisas mais simples e belas do mundo. Para ele o mundo não encerra mistérios, como Deus, metafísica, “sentido último das coisas”. Nada disso importa. As coisas são apenas as coisas. E é esta realidade pura, sem símbolos que constitui a sua criação. Segue um trecho do Guardador de Rebanhos: (mais…)

Universidades públicas de SP irão propor cotas de 50%

2


Estudantes realizaram em setembro um protesto em frente à reitoria da USP (Universidade de São Paulo) para pedir a adoção de cotas sócio-raciais na universidade.

Publicado pelo Estadão [via UOL]

As três universidades públicas paulistas, USP, Unesp e Unicamp, fecharam na quinta-feira (22) proposta que será apresentada nesta semana ao governador Geraldo Alckmin para adoção de um programa de cotas que destinará 50% das vagas a alunos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. O objetivo é igualar os porcentuais estabelecidos pelo governo Dilma Rousseff para as universidades federais na Lei de Cotas.

A afirmação é do reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, membro do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo), que vinha discutindo o plano desde o início de outubro, quando o governador pediu a sua formulação, após a regulamentação da Lei de Cotas – que só se aplica às instituições federais de ensino.

A proposta estadual, assim como a lei federal, leva em conta critérios econômicos e raciais de inclusão. Metade das vagas reservadas seria para estudantes com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa; e 35%, para pretos, pardos e índios.

“A proposta para o programa de cotas já foi escrita e vai ser apresentada nesta semana ao governador. Estamos fazendo o mesmo que o governo federal, mas com mais qualidade”, afirmou Durigan, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Atualmente reitor em exercício, ele já foi nomeado para assumir formalmente a reitoria pelos próximos quatro anos, a partir de janeiro.

Segundo Durigan, o documento será entregue ao governador por Luiz Carlos Quadrelli, secretário em exercício de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, pasta à qual as universidades estão ligadas.

A reportagem solicitou entrevistas com os reitores da USP, João Grandino Rodas, e da Unicamp, Fernando Costa, mas não foi atendida. A assessoria de imprensa da USP não confirmou as informações passadas por Durigan. A Unicamp, em nota, resumiu-se a dizer que uma comissão criada recentemente pelo Cruesp discute uma proposta preliminar sobre inclusão social.

Segundo Durigan, o projeto se basearia em dois pilares: qualidade, por meio de reforço no aprendizado, e permanência, por meio da concessão de bolsas de cerca de um salário mínimo. “Temos de dar duas condições para eles: um reforço de aprendizado, porque eles vêm com deficiência na sua formação, e uma garantia de bolsa para que eles permaneçam no curso, pois não adianta nós incluirmos esse aluno e ele não conseguir ficar porque a família dele não tem condições”, diz Durigan. (mais…)

Go to Top