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Posts tagged Qualificação

Professor é quem faz a diferença na qualidade de ensino

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André Cabette Fábio, na Folha de S.Paulo1426215

Educadores são unânimes em afirmar que um ensino de qualidade está diretamente relacionado à capacitação e ao trabalho do professor.

É o que também indica a comparação dos dados de escolas paulistanas com o desempenho médio dos alunos no Enem em 2012.

Colégios que disseram exigir especialização, mestrado ou doutorado de docentes do ensino médio tiveram, em geral, notas maiores em comparação aos que responderam aceitar apenas a graduação.

Pela legislação brasileira, o professor de ensino médio deve ser formado em licenciatura na área em que dá aula.

O pesquisador Antônio Augusto Gomes Batista, do Cenpec, diz não ver a titulação, por si só, como determinante. “Manter um bom ritmo de aula e capturar o interesse do aluno é mais importante.”

Naercio Menezes, do Insper, recomenda que pais conheçam os professores e descubram se a direção acompanha o desempenho deles.

Luiz Felipe Fuke, coordenador do ensino médio do Agostiniano Mendel, conta que avalia os profissionais pelas notas e impressões dos estudantes. “Se a turma de um professor vai bem e a de outro não, verificamos o que está acontecendo”, diz.

No Móbile, há reuniões individuais com professores toda semana, segundo a diretora pedagógica do ensino médio, Glorinha Martini.

Mauro Aguiar, diretor-presidente do Bandeirantes, afirma que os pais devem buscar colégios que têm um quadro estável, pois isso indica boa estrutura e condições de trabalho.

TAMANHO DAS TURMAS

Além da qualificação do professor, pais devem checar se a proporção de alunos é respeitada. Na educação infantil, o ideal são turmas pequenas, por exemplo (veja quadro nesta página).

Nessa época, “deve haver mais atenção o tempo inteiro”, diz a pedagoga Ingrid Ambrogi, professora do Mackenzie. Segundo ela, o espaço deve permitir que a criança tenha autonomia.

A disposição do mobiliário também indica se a escola segue a proposta que vende. Se o foco é a socialização, carteiras não devem ficar sempre enfileiradas.

 

Trocas de trabalho e falta de tempo dificultam continuidade dos estudos entre professores

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Com o desligamento de algum profissional, ações de formação nas escolas são interrompidas

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Cerca de 20% dos docentes brasileiros tra­balham há menos de um ano em suas escolas, enquanto apenas 6% da categoria atua na mesma instituição há mais de 20 anos. Além disso, pouco mais de um quinto (22%) dos professores brasileiros trabalha em duas ou mais escolas de educação básica.

Os dados são da Prova Brasil e do Censo Escolar 2011(últimos divulgados pelo Ministério da Educação) e mostram que a alta rotatividade de emprego e a falta de tempo devido à sobrecarga de trabalho fazem parte da realidade da carreira docente, e são um problema.

Segundo a pesquisa Formação Continuada de Professores no Brasil, realizado pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com o Boston Consulting Group e divulgada na última segunda-feira (7), o cenário dificulta a continuidade dos estudos entre os professores.

Isso porque, como mostra o estudo, com a transferência e o desligamento de algum profissional, as ações de formação nas escolas são interrompidas e o investimento é perdido.

— Não há formação continuada que tape esse buraco. Muitos começam o processo de capacitação e, no ano seguinte, estão em outras escolas, afirma Roberto Franklin de Leão, presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), e um dos 29 especialistas consultados para a pesquisa.

Entre novembro de 2012 e março de 2013, para o estudo, foram entrevistados, 2.732 trabalhadores de educação. Desse total, 74% dos docentes responderam que não há um programa de formação continuada para professores recém-ingressos nas escolas.

O mesmo padrão é observado quando se trata de coaching ou mentoria a novos professores: 71% dos docentes brasileiros relatam a inexistência de mentoria em seus empregos, que consiste na proporção de momentos reflexivos sobre o processo de auto-avaliação das competências profissionais e na orientação do trabalho do professor como um todo.

Especialistas consultados para o estudo citaram ainda outras barreiras, como a ausência de espaços de formação e os altos índices de contratos temporários de professores.

Falta de tempo

Quanto à falta de tempo do professor para continuar a estudar, Anna Helena, membro do Cenpec e também entrevistada para a pesquisa, considera necessária uma política de fixação do docente na escola.

— É essencial que o docente se vincule a uma única escola, com jornada de trabalho de oito horas que contemple o tempo em sala de aula e também a formação. E que, durante esse momento de formação, aconteçam atividades interessantes que realmente contribuam para ele se aprimorar profissionalmente, avalia.

Para José Marcelino, professor da Universidade de São Paulo e presidente da Fineduca (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação), é necessário que a estrutura básica da jornada de trabalho do professor contemple a hora de trabalho extraclasse, como prevê a lei do piso docente.

— [Essa] é uma das condições necessárias, embora não suficientes, para um salto de qualidade na educação básica.

Fonte: R7

Baixa formação continuada desmotiva professores no Brasil, afirma estudo

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Pesquisa do Instituto Ayrton Senna aponta ainda que tutorias como o método mais eficaz

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Leonardo Vieira

RIO – Mais de 70% das atividades de formação continuada de professores no Brasil têm baixa eficácia e aplicabilidade, deixando o docente desmotivado e sem tempo para continuar com os estudos. Os métodos mais eficazes, as tutorias, são adotados apenas por 2% das escolas do país. Estas são principais conclusões do estudo “Formação continuada de professores no Brasil”, feito pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) em parceria com The Boston Consulting Group (BCG), consultoria multinacional de gestão empresarial. A pesquisa, inédita, foi divulgada na tarde desta segunda-feira em São Paulo, em cerimônia que contou com a presença do ministro da Educação, José Henrique Paim.

O estudo ouviu 2.732 educadores entre novembro de 2012 e março de 2013, sendo diretores de escolas (51%), coordenadores pedagógicos (18%) e professores (26%). A partir das respostas, a pesquisa identificou os principais entraves para a formação continuada de docentes no Brasil e traçou linhas de ação para a capacitação dos profissionais.

Mais de 70% dos profissionais consultados no estudo disseram que as atividades oferecidas em sua escola são de caráter coletivo e “fora da sala de aula”, como acesso a material didático, reuniões pedagógicas e participação em eventos. Para os pesquisadores, esse enfoque em práticas conjuntas e mais distantes do cotidiano escolar “resulta em iniciativas de baixo impacto na melhoria do ensino”.

Ao serem perguntados sobre como suas escolas oferecem formação continuada, 14% disseram que o projeto se dá por oferta de material didático. Outros 14%, responderam que têm horário de trabalho reservado para atividades pedagógicas coletivas, 9% alegaram que mantêm encontros com supervisores e outros 9% afirmaram que fazem cursos a distância.

Em uma das perguntas, foi pedido para que profissionais da área dessem notas de 1 a 5 para os principais desafios da formação continuada, sendo 5 o grau máximo de dificuldade. No topo da lista tanto de professores quanto de diretores ficou a “lacuna de incentivos”, com média geral de 2,9. De acordo com o estudo, isso seria decorrente da baixa percepção por parte de professores e diretores de que a continuação dos estudos pode lhes proporcionar ascensão profissional.

Em seguida, para os dois grupos, os itens que mais atrapalhariam a formação continuada seria a “escassez de tempo” e a pouca “aplicabilidade do conteúdo”. Tanto o professor quanto o diretor convergiriam ainda ao apontar que há falta de priorização de outras iniciativas que não formação, falta de alinhamento das ações de formação continuada e elevada rotatividade dos professores. Esse último item, segundo o estudo, seria agravado ainda pelo alto número de professores com contratos temporários. Dados do Censo Escolar de 2012 mostram que existem 507.166 professores temporários e 1.327.526 efetivos no Brasil.

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– Um dos pontos que mais atrapalha é a troca de governos municipais e estaduais. Cada gestão traça um plano de formação continuada, com parcerias de diferentes universidades. E com isso, a cada troca de governo, temos um novo plano. É uma formação ‘descontinuada’ – critica o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o cientista político Daniel Cara.

As percepções, contudo, não são homogêneas em todos os estados do país. Enquanto profissionais do Sudeste, por exemplo, elegem a escassez de tempo como um dos principais entraves para a continuação dos estudos, em grande parte do Sul e em Rondônia, Tocantis e parte do Nordeste, este é um considerado um “desafio leve”. Por outro lado, se nos estados do Norte, é a alta rotatividade dos professores o maior culpado, no Rio ela seria encarada com mais facilidade pelos educadores.

De acordo com o estudo, as disparidades regionais demandariam abordagens diferenciadas para a formação continuada, inclusive na questão curricular. A pesquisa ressalta que uma das maiores dificuldades seria responder a essa questão: como produzir um material que sirva ao professor de São Paulo e ao do interior da Região Norte?

– Tirando situações que envolvam questões mais neutras como o ensino de fração na Matemática, o ideal seria que cada lugar desenvolvesse suas práticas de formação continuada, obedecendo as realidades locais. No entanto, para que isso ocorra, o MEC tem que estabelecer desde já uma diretriz curricular comum, coisa que ainda não temos – afirma Maria Helena Guimarães de Castro, diretora executiva da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e uma das educadoras que participou do estudo.

Tutoria pedagógica e plano de carreira

Além do panorama geral, o estudo também traça planos para implementar de modo eficaz a formação continuada. Uma das principais soluções sugeridas pelo estudo é a tutoria pedagógica ou professores-tutores nas redes de ensino. O estudo cita ainda o caso da rede estadual de Goiás, que implementou a prática e agora colhe os frutos. Lá, docentes são supervisionados por colegas mais experientes e outros educadores, além de receberem avaliações de desempenho e “feedbacks” e manterem reuniões frequentes com suas equipes pedagógicas. Em contraste, apenas 2% dos entrevistados no estudo disseram receber esse acompanhamento.

Os pesquisadores chamam atenção ainda para a urgência de se institucionalizarem planos de carreira que estimulem a qualificação do profissional. Vale lembrar que essa é uma das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado mês passado pela presidente Dilma Rousseff.

Natália Souza sabe muito bem a importância dos estudos. Professora de História na Escola Sesc, de ensino privado, e de uma escola municipal na comunidade de Cidade de Deus, no Rio, Natália conta que percebe bem como cada rede lida com a questão da formação continuada. Enquanto na escola particular paga seus estudos de pós-graduação, a rede municipal lhe dá acréscimo de R$ 200 por titulação de mestrado.

– Na rede pública, não há oferta nenhuma. A iniciativa tem que partir de nós. Eu fiz mestrado porque eu quis e porque houve incentivo da Escola Sesc. É uma pena, porque nos sentimos mais seguros ao lecionar depois de um curso de reciclagem – afirma a professora.

Fonte: O Globo

Professores do Ceará ganham bolsa para treinamento nos Estados Unidos

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Educadores participam de treinamento da Universidade de Notre Dame.
Professores fazem parte do programa Círculo de Matemática.

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Dois professores cearenses e uma brasiliense embarcaram neste sábado (5) para os Estados Unidos. Karolynne Barrozo, Robson Lopes e Daniela Motta foram escolhidos entre dezenas de educadores do país como embaixadores do programa Círculo de Matemática, desenvolvido pelo Instituto TIM, e ganharam bolsas para participar de um treinamento na Universidade de Notre Dame, em Indiana, entre os dias 6 e 12 de julho.

“Estou com muita expectativa para essa viagem. Quero trazer muitas novidades. Vai ser uma nova etapa para minha vida”, afirma Karolynne Barrozo, de 21 anos. É a primeira vez que a cearense formada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará (Uece) viajará para os Estados Unidos. Ela foi uma dos 50 educadores selecionadas para participar do programa e, desde o ano passado, ensina alunos de escolas públicas de Fortaleza a pensar a matemática de uma outra maneira.

“A didática é de igual para igual, para não gerar o medo deles com a disciplina. Com o projeto, eles estão acreditando mais neles, melhoraram as notas e o comportamento dentro e fora sala de aula”, conta Karolynne. Ela divide os alunos em turma menores e, semanalmente, realiza encontros a partir de um material de apoio. “Chamo eles pelo nome e o método é todo baseado em perguntas. No início, alguns tinham muito medo de falar. Eu tentava estimular. Agora, eles estão bem desenvoltos”.

Fonte: G1

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