Contando e Cantando (Volume 2)

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ONG leva kit com Wi-Fi e plataforma de ensino a lugares pobres

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Instituição foi criada a partir de experiência em orfanato mongol

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Publicado por Terra

Zaya, uma menina órfã de 15 anos, teve a oportunidade de aprender matemática através das aulas da Khan Academy em 2011, em Ulan Bator, na Mongólia. Empolgada com o aprendizado – ao qual ela provavelmente nunca teria tido acesso se o engenheiro Neil DSouza não tivesse levado ao seu orfanato os vídeos de Salman Khan –, ela não parou por aí. A jovem começou a criar suas próprias lições, traduziu 250 vídeos de Khan para o mongol e ajudou outras crianças a aprender a disciplina.

Sua atitude acabou sendo também inspiradora e motivadora para que DSouza não abandonasse seu projeto, incipiente e então batizado de Teach a Class, de levar educação de alta qualidade a crianças de 6 a 13 anos em qualquer lugar do mundo através da tecnologia. “Zaya fez eu entender que o que eu me propunha a fazer era possível e por isso eu dei o nome dela, que também significa destino em mongol, à minha organização”, disse o engenheiro que largou um emprego na Cisco nos Estados Unidos para trabalhar pela educação.

Muitas escolas (em zonas rurais e pobres) tinham computadores, mas eles não eram utilizados, seja por falta de acesso à internet ou despreparo dos professores

No primeiro ano, ele se dedicou a proporcionar conectividade e conteúdos de recursos educacionais abertos (REA), como as aulas de Salman Kahn e do Discovery Education, a escolas em zonas rurais e pobres da Indonésia e da Mongólia. Queria resolver um problema que percebeu ao viajar pelo mundo: muitas escolas tinham computadores, mas eles não eram utilizados, seja por falta de acesso à internet ou despreparo dos professores.

Para levar boas aulas aos alunos, o primeiro produto da ONG Zaya foi uma caixa que cria uma micronuvem capaz de armazenar dados (as aulas) e dar acesso Wi-Fi a essa nuvem (por meio de um roteador) a computadores e aparelhos móveis. A solução ainda tem uma bateria que dura 10 horas, o que permite que funcione em lugares onde não há energia elétrica.

Conteúdo é uma coisa e contexto é outra. As crianças podem olhar o conteúdo sem entender a lição. Muitos acham que basta traduzir aulas para uma língua diferente, mas nem sempre funciona
Neil DSouza
engenheiro e fundador da ONG

Da experiência em 20 instituições nos dois países – das quais uma era o Lotus Children Center, orfanato de Zaya –, DSouza percebeu que não bastava apenas oferecer conteúdos livres prontos para garantir o aprendizado, mas era preciso adaptá-los e criar um modelo pedagógico eficiente para transmiti-los. “Conteúdo é uma coisa e contexto é outra. As crianças podem olhar o conteúdo sem entender a lição. Muitos acham que basta traduzir aulas para uma língua diferente, mas nem sempre funciona”, diz DSouza. “É preciso proporcionar a experiência correta aos usuários, que no nosso caso são as crianças”, explica.

No segundo ano de trabalho (2012), a equipe da Zaya passou a desenvolver uma plataforma pedagógica para colocar dentro da micronuvem com o objetivo de melhorar a forma como as informações são passadas e, consequentemente, percebidas pelos alunos. A ferramenta agora tem modelos prontos de vídeos, avaliações, exercícios, que propõe um tipo de aprendizado baseado em habilidades e podem ser adaptados a vários tipos de conteúdo. Além disso, a solução gera dados sobre como as crianças estão aprendendo, que também ajudam os professores.

Na Índia, onde a equipe da Zaya está trabalhando em 2013, produtores locais foram chamados para formular boa parte das aulas, de acordo com o currículo e a realidade do país. “Os templates estão prontos. Se formos ao Brasil, já temos esses modelos e é só fazer o conteúdo para colocar neles. Agora, já conseguimos dizer aos produtores de aulas como fazer isso para preencher o gap educacional”, diz DSouza, que pretende visitar o País no ano que vem, quando vai conversar com ONGs sobre seu projeto.

Laboratórios de aprendizagem
A partir de uma parceria com a ONG Teach for India, a ferramenta começou a ser utilizada este ano em 10 escolas nas aulas de inglês e matemática, mas é no aprendizado fora da sala de aula regular que se concentram os mais recentes esforços da Zaya. Neste ano, a solução completa da ONG ganhou um novo elemento. Além da conectividade e da plataforma pedagógica, Zaya criou novos tipos de laboratórios de aprendizagem, que pretende espalhar pelo mundo, sempre com o mesmo objetivo de proporcionar ensino de qualidade a quem ainda não tem acesso a esse direito básico.

Se formos ao Brasil, já temos esses modelos e é só fazer o conteúdo para colocar neles
Neil DSouza

Segundo DSouza, quase 80% dos estudantes indianos frequentam aulas de reforço depois da escola. Mesmo as famílias pobres pagam de US$ 5 a US$ 10 por mês por tutorias diárias para seus filhos, porque não confiam no sistema de ensino do país.

“Não é fácil implementar um projeto como o nosso dentro da escola. Como a nossa meta é impactar as crianças e como elas já passam duas horas a mais estudando depois da aula, decidimos que não deveríamos atuar apenas no sistema de ensino tradicional”, conta.

Os primeiros cinco laboratórios inaugurados pela Zaya em Mumbai são confortáveis e têm um design moderno, onde as crianças podem entrar, pegar um tablet e começar a estudar. Elas aprendem a mesma coisa que na escola, mas de uma maneira mais efetiva, usando a plataforma, com ajuda de professores facilitadores. “São como lojas da Apple da educação”, compara o fundador da ONG. Até o fim do ano, a expectativa é ter 20 desses laboratórios na Índia.

São como lojas da Apple da educação
Neil DSouza
sobre os laboratórios da ONG

Por enquanto, alguns deles são gratuitos, porque foram implantados em parcerias com outras ONGs, e outros cobram a mesma taxa que os indianos já estão acostumados a pagar por aulas extras, modelo que o indiano imagina usar daqui para frente para aumentar a rede. A ideia ambiciosa de DSouza é que esses laboratórios sejam replicados a partir de uma prática de franchising, no qual a Zaya fornece um kit composto por 20 ou 25 tablets, a caixa com o roteador e a ferramenta pedagógica, um projetor e fones de ouvido para serem gerenciados por pessoas engajadas em educação. “Pode ser instalado até em casa. Estamos criando uma rede de laboratórios para as crianças frequentarem depois da escola”, diz.

Esses laboratórios também fazem parte também da estratégia para tornar a marca Zaya conhecida e sustentável. Como o custo de instalação é pequeno e o que as pessoas pagam para usar os laboratórios não é muito, DSouza imagina que essa é uma forma eficiente de expandir o aprendizado pelo mundo. “Não esperamos fazer dinheiro disso, mas não queremos que as pessoas deixem de usar nossos programas por falta de fundos. Queremos que seja sustentável”, diz DSouza.

Por enquanto, a Zaya se mantém com doações e valores recebidos em prêmios.

Jovem percorre o Brasil de ônibus à caça das melhores experiências educacionais

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Ana Krepp, na Folha de S.Paulo

Conversando com gente que encontra em rodoviárias, albergues, hotéis, restaurantes e pontos turísticos de cidades de diversas regiões do Brasil, Caio Dib, 22, tem descoberto escolas e projetos educacionais inovadores.

Formado desde o fim do ano passado em jornalismo, ele partiu de São Paulo a Belém, em março, para uma viagem de cinco meses pelo país, de ônibus.

Eram dois os objetivos na partida: conhecer, de fato, o Brasil e mapear boas práticas em educação.

“Eu não conhecia a realidade do meu país, vivia fechado em escritórios e precisava crescer como pessoa. Para isso, precisei conhecer mais da educação, que é intrínseca à realidade”, diz.

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Aprendizado cooperativo nas aulas do professor Diego (Nonato Furtado)

Há três meses na estrada, ele percorreu mais de 9.000 quilômetros e passou por 42 cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Nos próximos dois meses, ele pretende visitar pelo menos mais 21 cidades.

Caio ficou surpreso com a quantidade de iniciativas que encontrou no Nordeste. O Ceará, particularmente, lhe chamou a atenção.

“Eles tiram ótimas notas nas provas oficiais do governo. O Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] tem uma meta para 2021 que várias escolas de lá já bateram”, diz.

Em Pentecoste, a 85 km de Fortaleza, ele visitou uma escola técnica estadual “com infraestrutura de colégio particular e método de aprendizagem cooperativa.”

Os alunos se reúnem em grupos de três a seis crianças, leem e debatem o tema de cada aula.”Aprendem a argumentar, ouvir opiniões e a trabalhar em grupo.”

No Rio Vermelho, bairro boêmio de Salvador, conheceu uma parceria entre sete escolas locais que preconiza que qualquer lugar pode ser uma sala de aula.

“Por que não aprender biologia no parque, em vez de aprender no laboratório da escola?”, questiona.

ROTEIRO

“Antes de sair fiz um planejamento do roteiro da viagem, mas muda tudo quando chego em um lugar e fico sabendo que na cidade vizinha tem algo interessante.”

No primeiro dia em uma cidade, Caio costuma ficar na recepção de um hotel para conversar com pessoas e pegar dicas de projetos interessantes. No dia seguinte, anda pelas ruas e visita museus.

“A maioria dos monitores de museus é estudante de licenciatura e está envolvido de alguma maneira com educação, então eles me dão dicas.”

O planejamento inicial, de ficar no máximo três dias em cada cidade, caiu por terra. Lugares como Salvador e Brasília ocuparam mais de uma semana do roteiro.

Imprevistos como esse fizeram Caio rever também seu planejamento financeiro. Os R$ 6.000 reservados para os gastos com hospedagem, deslocamento, alimentação e imprevistos foram revistos.

A nova previsão é que R$ 15 mil sejam suficientes para mantê-lo até agosto.

Quando voltar a São Paulo, a ideia é lançar dois livros. Um sobre as experiências que viveu e outro sobre os projetos educacionais mais interessantes que encontrou.

dica do Chicco Sal

ONG incentiva leitura com distribuição de Kindles

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Projeto chega à América Latina em 2014 e Brasil é um dos candidatos

Crianças têm acesso a 440 mil títulos, inclusive em línguas locais Divulgação

Crianças têm acesso a 440 mil títulos, inclusive em línguas locais Divulgação

Sérgio Matsuura, em O Globo

RIO — Uma ONG baseada na Espanha está incentivando a leitura em países em desenvolvimento com o uso da tecnologia. Em vez de bibliotecas e livros, Kindles e celulares. A Worldreader, fundada há três anos por Colin McElwee e David Risher, já distribuiu 10 mil leitores digitais Kindle em cinco países africanos e o aplicativo para telefones celulares já foi baixado mais de 500 mil vezes. Agora, a organização planeja investir na América Latina, começando pelo México ou pelo Brasil.

— Nós estamos na África para demonstrar que o projeto funciona. Ano passado estive em Manaus e em Belém para ver como o sistema educacional funciona e se poderíamos fazer alguma coisa. Nós definitivamente começaremos a atuar na América Latina a partir de 2014 — planeja McElwee.

Atualmente, a ONG mantém uma espécie de programa piloto em Gana, Quênia, Luanda, Uganda e Tanzânia, com 10 mil crianças beneficiadas. De acordo com McElwee, a intenção é alcançar o número de um milhão de jovens beneficiados até 2015.

— É uma satisfação enorme. Nós levamos livros para pessoas que nunca poderiam pagar por eles — diz McElwee.

Em 2012, a Worldreader ampliou suas apostas. Em vez de focar apenas nos leitores digitais, desenvolveu o biNu, um aplicativo compatível com o sistema Android e com os chamados featured phones, aparelhos simples, sem conexão 3G. McElwee explica que o programa é leve, o que facilita a distribuição, pois não requer planos de dados. Mesmo estando em período de testes, o programa registra mais de 500 mil leitores mensais.

— Em qualquer lugar que você possa fazer uma ligação por celular, você pode ler um livro. É uma oportunidade para levar a leitura para qualquer lugar do mundo. E não precisa de 3G, apenas o 2G — explica McElwee.

Além de investir na distribuição das plataformas, a ONG também fecha acordos com editoras para disponibilizar livros gratuitamente. Para os leitores digitais já existem mais de 440 mil títulos, inclusive em línguas locais, como a ganesa Twi e o Kiswahili, falado em partes do Quênia, Tanzânia e Uganda. A biblioteca virtual para o aplicativo móvel conta com 1,5 mil obras.

A iniciativa é bancada por uma série de empresas de tecnologia, editoras e governos locais, incluindo a Amazon, fornecedora do Kindle. A Unesco e o time do Barcelona também apoiam o projeto. Segundo McElwee, apesar de a Worldreader ser uma entidade sem fins lucrativos, ela pode promover ganhos indiretos aos parceiros.

— Nós falamos para o editor: você vai dar a possibilidade de uma pessoa ler um livro que ela jamais compraria. A editora não está perdendo consumidores, está ganhando. O projeto ajuda a cultivar novos leitores — afirma McElwee.

Nova York oferecerá e-books no metrô

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Trechos de obras digitais estarão disponíveis via tecnologia NFC

O usuário aproxima seu smartphone de um sensor NFC e baixa as primeiras 10 páginas de um livro de sua escolha (Divulgação)

O usuário aproxima seu smartphone de um sensor NFC e baixa as primeiras 10 páginas de um livro de sua escolha (Divulgação)

Publicado em O Globo

RIO – A biblioteca pública de Nova York está desenvolvendo um sistema que oferecerá trechos de livros famosos aos usuários do metrô na cidade.

Desde a popularização da internet, o uso de bibliotecas públicas vem diminuindo consistentemente nos EUA, com tímidas retomadas em 2003 e 2009, mas caindo sem parar desde então, atingindo baixa recorde em 2013. O advento dos dispositivos móveis inteligentes, porém, — smartphones e tablets —, permitiu acesso a informação on-line a partir de quase qualquer lugar. Isso motivou estudantes a criar o projeto.

Mas um obstáculo precisava ser superado: o acesso à internet é errático nos trens do metrô de NY — as operadoras não garantem conectividade ao longo de todo o trajeto nas dezenas de linhas de trens subterrâneos. Assim, para criar um modo de acesso a conteúdo bibliográfico, optou-se pela tecnologia NFC (Near Field Communication), que permite transferir dados apenas aproximando o dispositivo do usuário de um sensor especial.

Com isso, o passageiro munido de um smartphone dotado de NFC só precisaria aproximar seu aparelho de um dos cartazes do metrô, escolher dentre um conjunto de títulos e baixar um pacote de dados contendo as dez primeiras páginas de um dos best sellers disponíveis no acervo da biblioteca — o suficiente para entretê-lo durante a viagem. Ao terminar a leitura, o usuário receberá um lembrete de que pode continuar a leitura gratuitamente indo fisicamente até a biblioteca, com direito a um mapinha indicando a filial mais próxima da instituição.

A ideia do projeto é dos estudantes Max Pilwat, Keri Tan e Ferdi Rodriguez, que lhe deram o nome de “Underground Library”. No entanto, o projeto por ora ainda é uma campanha conceitual, mas os estudantes esperam que seu vídeo convença as autoridades a tocar adiante a ideia.

O genial reinventor da educação

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Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo

Está chegando ao Brasil um jovem que está ajudando a reinventar a escola e, ainda por cima, ajudando a fazer com que as pessoas mais pobres, em qualquer lugar do planeta, tenham acesso à educação de mais qualidade: Salman Khan. Ele faz parte de um dos movimentos contemporâneos mais interessantes e generosos. É daquelas coisas que servem como marcos na humanidade (mais detalhes aqui).

Ele tem encontro marcado com a presidente Dilma Rousseff e com ministro Aloizio Mercadante (Educação), quando vai falar não apenas de seus vídeos sobre as mais diferentes matérias, cada vez mais populares na internet, mas sobre um sistema de ensino em que o professor assume uma posição diferente em sala de aula. Tudo de graça.

Boa parte da transmissão do conteúdo fica com o computador, capaz de analisar o ritmo do aprendizado de cada aluno e até propõe exercícios de reforço. A partir daí, o professor consegue ajudar melhor o aluno.

O professor vira então uma espécie de tutor.

Imagine quanto tempo e dinheiro poderíamos economizar com esses recursos usados corretamente dentro e fora da sala de aula.

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Muitas dessas aulas estão sendo traduzidas para o português pela Fundação Lemann

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Aproveito para colocar uma seleção das melhores universidades (Harvard, Stanford, USP, MIT) que disponibilizam gratuitamente seu conteúdo na internet (veja aqui).

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