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No Brasil, apenas 26% são alfabetizados plenos

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Nery Porto Fabres no Jornal Agora

No Brasil, apenas 26% são alfabetizados plenosOs movimentos dos últimos dias serviram para várias interpretações. Há aqueles que observaram os aspectos psicológicos, outros os aspectos históricos, sociais, políticos e por aí vai. Mas, eu prefiro como o Professor José Castilho Marques Neto, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) observar as interpretações, de leitura, que nós brasileiros fomos capazes de discernir sobre tudo o que foi falado nas manifestações populares.

Esta capacidade de compreender o que alguém diz, de forma escrita, depende de uma habilidade que se adquire com muita leitura. Quem não tem o hábito da leitura não consegue decifrar os significados que as palavras carregam e, por mais simples que as palavras pareçam, elas escondem um valoroso código em sua estrutura. E mesmo que venhamos a escrever nos utilizando de vocábulos corriqueiros, para atender a uma enorme quantidade de leitores, sempre esbarraremos em dificuldades para nos fazer entender.

Quem assistiu as manifestações percebeu que, em grande parte de cartazes, havia erros gramaticais, por mais que vários linguistas digam que pode haver variações linguísticas e, sendo assim, não há erro e, sim, possibilidades. E, argumentam com citações de grandes estudiosos da língua como: Ferdinand de Saussure, Noam Chomsky e os brasileiros Fiorin, Marcos Bagno, Irandé Antunes, dentre outros que o uso da nossa língua permite estas distorções.

Porém, eu não discuto aqui o fato de usar a linguística, ou a gramática. Mas que a língua deve ser funcional. Assim defendo a ideia de que para entender o que as palavras representam devemos reconhecê-las e isso somente é feito após muita leitura. Portanto reitero que o exercício da leitura faz com que o leitor perceba que o emprego das palavras não são por acaso. Há um significado maior que sobrepõe a própria palavra. Sob este prisma, só é considerado alfabetizado pleno aquele que consegue interpretar todo texto escrito. Hoje, no Brasil apenas 26% são alfabetizados plenos (fonte: INAF). E estes brasileiros que carregavam a maioria dos cartazes eram estudantes universitários, se eles não sabem construir frases simples, então o que está acontecendo com a educação no Brasil? Esperamos que os royalties do Petróleo migrem logo para a educação e não fique apenas dentro dos discursos de campanha, como mais uma balela política.

Livro analisa a história e arquitetura de 300 teatros do Rio de Janeiro

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O Teatro Municipal, construído entre 1904 e 1909, mereceu atenção especial por suas singularidades

Imagem do Teatro Municipal extraída do livro 'Teatros do Rio', de José Dias. Terceiro / Divulgação

Imagem do Teatro Municipal extraída do livro ‘Teatros do Rio’, de José Dias. Terceiro / Divulgação

Luiz Felipe Reis, em O Globo

RIO – “O primeiro teatro do Rio pegou fogo, e dizem que foi o cara que construiu o segundo, o Manuel Luiz, quem provocou o incêndio. Mas o dele também acabou sendo destruído por um incêndio. Nossos teatros, aliás, sempre pegaram fogo, rapaz”, conta o cenógrafo e diretor de arte José Dias, enquanto folheia algumas das 744 páginas do livro “Teatros do Rio — Do século XVIII ao século XX” (Funarte).

Dias refere-se à Casa de Ópera do Padre Ventura, construída em 1767, num endereço “estratégico” da cidade: entre a Rua da Vala e a Rua do Fogo, nomeada assim por atravessar a Chácara do Fogo, uma fábrica de fogos de artifícios. A relação entre a cidade e seus teatros — muitos já consumidos pelo tempo, e não só por conta de incêndios — é lembrada no livro, que dá vida nova ao que o passado transformou em cinzas.

— Eram teatros de madeira, com muitos tecidos, iluminados por lamparinas, pegavam fogo facilmente — afirma Dias.

A Casa de Ópera do Padre Ventura foi desativada em 1769. Mas nem todos os teatros que arderam em labaredas sumiram do mapa. É o caso do São João, inaugurado em 1813, logo após a chegada da corte portuguesa ao país.

— Ele foi construído na Avenida Passos, para servir aos anseios culturais da corte. Logo depois (1816) recebemos a missão artística francesa, que tinha o objetivo de transformar a cidade. O São João pegou fogo três vezes! Mas continua aí até hoje. É o Teatro João Caetano.

Enquanto desfia histórias, Dias caminha pelos corredores do Teatro Municipal e comenta a reforma que supervisionou há menos de dois anos na casa, detalhando características da caixa cênica, do urdimento, das coxias, dos camarins, das medidas e dos materiais.

— Esse teatro está sobre mil toras de madeira, porque tudo aqui embaixo é pântano, é um charco, na reforma a gente pôde ver — conta Dias.

A publicação passeia por 300 endereços, da cidade e do estado do Rio, dissecados em termos históricos e arquitetônicos. Mas o Municipal, construído entre 1904 e 1909, mereceu atenção especial: “Ele possui o que os outros não possuem, guarda a proporção de luxo e graça entre a parte externa e a parte interna (…). Muitos edifícios teatrais marcam a que se destinam. Do Theatro Municipal, se tem a visão de um templo, a imediata certeza do fim a que se destina”, diz o livro.

Foi justamente a forma, ou a volumetria, como prefere o autor, que o levou a iniciar a pesquisa. Foram cinco anos de trabalho, resultando na tese de doutorado que Dias defendeu em 1999, na Escola de Comunicação e Artes da USP. O texto serviu de base para o livro, que traz uma linguagem mais coloquial.
Entre as salas que desapareceram, ele cita a importância do Teatro República (onde hoje está a TV Brasil, na Rua Gomes Freire), que recebeu a estreia do musical “Hair” (1969) e peças dirigidas por Gianni Ratto (1916-2005). Lembra também o Teatro Apollo (na esquina das ruas do Lavradio e do Senado), que foi transformado em colégio. E os luxuosos cinematógrafos Rio Branco, convertido em centro comercial, e Odeon, construído em 1909 e que segue funcionando como cinema, na Cinelândia.

— Precisamos de mais teatros que sejam referência arquitetônica — diz o professor da UFRJ e da UniRio. — Após a chegada dos portugueses, em 1808, e com a missão francesa, começaram a ser construídos teatros com volumetria, que além de servirem a espetáculos se tornaram pontos de encontro, como nós fizemos hoje: “Te encontro no Municipal às 16h, o.k.?” O.k.

Cenógrafo dos mais importantes e premiados da história do teatro brasileiro, com 40 anos de carreira e ambientações cênicas criadas para mais de 370 espetáculos no Brasil e no exterior, Dias inquietou-se com os muitos teatros que foram colocados abaixo ou desativados nos últimos séculos. E também com o fato de que vários deles foram se transformando em espaços adaptados, ocupando salas comerciais, galerias e auditórios. Aos poucos, perderam dimensões e charme arquitetônico, além de condições técnicas necessárias para comportar suas concepções cenográficas.

No livro, Dias não reflete sobre o ofício de cenógrafo, mas sobre os espaços que abrigam o seu trabalho. Versa sobre os teatros e suas caixas cênicas, sobre suas possibilidades e limitações. No capítulo inicial, trata das primeiras salas de ópera do período colonial. Depois, passa pelos teatros construídos num Rio tornado capital do país. A seguir, avança pelos teatros do interior do estado. Até chegar ao século XX, quando há o surgimento dos cineteatros, a migração das casas de espetáculo do Centro para a Zona Sul, a abertura dos teatros de shopping, o surgimento dos centros culturais.

— Nós, artistas e técnicos, acabamos nos sujeitando a aceitar espaços inadequados, sacrificando nossa arte — diz o autor. — Com o Golpe de 1964, por exemplo, as comédias passaram a ocupar os principais teatros da cidade, e sem dinheiro e espaço, muitos artistas e grupos tiveram de se adaptar a verdadeiros buracos transformados em teatro. Eu, como cenógrafo, tenho que me sacrificar para adequar os cenários a esses espaços. Você planeja uma coisa e, quando a peça vai para outro teatro, o cenário é mutilado por um lugar que foi projetado por quem não tinha noção das necessidades. Foi por isso que a pesquisa sobre a arquitetura cênica entrou na minha vida.

E tão cedo não vai sair.

— Este livro só vai até 1999. Desde então, não parei de pesquisar — conta ele. — Todo teatro a que eu vou, peço a planta. Mas agora o projeto é maior, é escrever sobre os teatros de todo o Brasil.

Até hoje Dias carrega a frustração de não ter visto concretizado o plano de transformar a Av. Chile numa Broadway carioca, mas vê com bons olhos a inauguração recente de vários novos teatros na cidade.

— A reforma do Casa Grande, a inauguração da Cidade das Artes e do Teatro Bradesco…. Espero que surjam muitos outros.

Intrínseca: menos é mais

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No ranking das editoras, Íntrinseca está em 4º lugar

Cassia Carrenho, no PublishNews

1Cinquenta tons de cinza (Intrínseca) continua de cabeça erguida, mas longe das dezenas de milhares que vendia em 2012. Na última semana foram 5.179 exemplares.

A grande surpresa da semana foi o inédito segundo lugar para O lado bom da vida (Intrínseca), que pela primeira vez deixou para trás Cinquenta tons de liberdade (Intrínseca), acabando com o ménage à trois editorial da série erótica.

Na lista geral, a editora Intrínseca levou as quatro primeiras colocações, o 6º lugar, com a nova aposta Garota exemplar, e ainda o 14 º com A culpa é das estrelas. No ranking das editoras ela aparece em 4 ºlugar, com 8 livros, que juntos venderam 22.887 exemplares. A Sextante, 1º lugar, tem 18 livros, com um total de 13.266 exemplares. É, as vezes, menos é mais!

As novidades na lista são: ficção, Dezesseis luas (Galera Record) e O preço da vitória (Arqueiro); não ficção, Uma prova do céu (Sextante); infantojuvenil, Minhas princesas (Melhoramentos); autoajuda, Filhos bem-sucedidos (Sextante) e Dez bons conselhos de meu pai (Fontanar); negócios, Como influenciar pessoas poderosas (Gente).

No ranking das editoras, a Sextante, com 18 livros, voltou a abrir boa vantagem sobre o 2º lugar, que foi ocupado pela Record, com 11, deixando a Ediouro em 3º lugar.

Mizael escreve livro na cadeia e pretende entregá-lo a júri, diz defesa

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‘Me crucificaram como fizeram os judeus com Jesus Cristo’, escreve réu.
Advogados do acusado de matar ex em SP querem dar livros a jurados.

Kleber Tomaz, no G1

Capa do livro de Mizael Bispo de Souza que sua defesa quer entregar aos jurados (Reprodução)

Capa do livro de Mizael Bispo de Souza que sua
defesa quer entregar aos jurados (Reprodução)

Sete cópias de um livro de 56 páginas escrito por Mizael Bispo de Souza dentro da cadeia serão usadas como parte da estratégia da defesa do acusado de matar a ex-namorada Mércia Mikie Nakashima para tentar convencer os jurados da inocência do advogado e policial militar reformado. Réu preso no processo que apura o assassinato da advogada, ele deve começar a ser julgado na segunda-feira (11) no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo.

No livro “Mizael Bispo de Souza – Na Cova dos Leões – Uma história de luta, sofrimento, dor e injustiça – Nada está perdido”, o réu se compara a Jesus Cristo, diz que foi “bode expiatório”, acusa a família de Mércia de ter sido racista com ele, critica a Polícia Civil de “forjar provas” e o Ministério Público de tentar achar “pelo em ovo” para incriminá-lo, e afirma que “todo o processo foi viciado de erros”. “Me crucificaram como fizeram os judeus com Jesus Cristo, levando-o à cruz”, escreveu Mizael.

O crime foi cometido em Nazaré Paulista, interior paulista, em 23 de maio de 2010. O carro da advogada e o corpo dela, que estavam desaparecidos, foram encontrados, respectivamente, nos dias 10 e 11 de junho daquele mesmo ano numa represa. A vítima morreu afogada após ter sido baleada de raspão no rosto e nas mãos. Para o Ministério Público, Mizael, que completou 43 anos nesta semana, matou Mércia, que tinha 28 na época, porque ela não queria reatar o romance com ele.

De acordo com a acusação, o vigia Evandro Bezerra Silva também participou do crime. Ele saberia do plano de Mizael para matá-la e deu carona para o assassino fugir. Apesar disso, o vigilante, que responde preso em Tremembé pelo homicídio, só será levado a julgamento popular no dia 29 de julho. Agora, na sua quarta e mais recente versão diferente para o caso, confirmou ter ido buscar Mizael na represa, mas que não tinha conhecimento, na época, dele matar Mércia. Por esse motivo, alega ser inocente.

‘Na Cova dos Leões’
Mizael está detido preventivamente no presídio da Polícia Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, desde 24 de fevereiro de 2012, quando se entregou à Justiça após mais de um ano foragido. Ele nega o crime. Na sua defesa, sempre disse que nunca esteve em Nazaré Paulista ou que conheça a região. A versao é repetida no livro.

O G1 leu e fotografou trechos de uma das cópias do documento que os advogados de Mizael, Samir Haddad Júnior e Ivon Ribeiro, pretendem entregar a cada um dos jurados no dia que começar o julgamento popular do homem apontado como executor de Mércia. “O Mizael é inocente do assassinato da sua ex-namorada. Não há nada no processo que o coloque na cena do crime. Neste livro, que queremos entregar aos jurados, ele demonstra isso”, afirmou Haddad Júnior.

Nele, o réu trocou os nomes verdadeiros dos personagens do caso por fictícios. “Em respeito ao sentimento religioso e aos mortos, bem como visando a eximir-me de possíveis crimes contra a honra, este trabalho apresentará alguns de seus personagens como nome fictício”, escreve o acusado.

Mércia, a vítima, é tratada por “Márcia” no livro, que não tem capa ou sequer fotos. O texto, escrito em primeira pessoa, é direcionado propositalmente aos jurados e, por enquanto, não tem nenhuma pretensão de ser editado ou comercializado. Não há fotos no livro. Ele conta como foi sua origem humilde e pobre na Bahia e a vinda a São Paulo, onde estudou e se tornou policial militar e advogado.

Este livro é dedicado ao público em geral e tem como objetivo esclarecer fatos não divulgados pela imprensa marrom, e por aqueles que me acusam e me julgam. Através destas linhas quero, do fundo do meu eu, levá-los a conhecerem melhor um pouco do processo que estou vivenciando, sendo também um desabafo de tudo que passei e sofri nas mãos de policiais arbitrários e despreparados, bem como pessoas que sempre quiseram destruir-me e atingir-me de todas as maneiras, simplesmente para satisfazerem seus anseios pessoais, vaidosos, utilizando-se dos holofotes com o intuito de se promoverem”
Mizael Bispo de Souza, no livro ‘Na Cova dos Leões’

Mizael conta ainda que seu relacionamento com Mércia era “maravilhoso” e que “nosso namoro fortalecendo, fazíamos planos de nos casarmos”. Também conta que se separaram após ela sentir ciúmes dele com sua filha e a ex-mulher.

A cada página, Mizael nega ter matado sua ex-namorada. “Nunca matei ninguém em minha vida, muito menos mataria a pessoa que tanto amei”. (mais…)

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