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Mais livros religiosos, menos didáticos: o caminho das trevas se solidifica

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“O Triunfo da Morte”, de Pieter Bruegel, O Velho.

Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Em 2016 uma pesquisa mostrou que o Brasil é, basicamente, um país de leitores de “Bíblia”. No mesmo ano, logo na sequência, outra apuração apontou para a ascensão dos livros religiosos e a queda da literatura no país. Já no ano passado, mais um indício da supremacia dos livros sacros, cujas vendas novamente cresciam enquanto o comércio de livros científicos diminuía. Pois bem, segundo a pesquisa de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro em 2017, realizada pela Fipe a pedido do Sindicado Nacional dos Editores de Livros e da Câmara Brasileira do Livro, a toada permanece a mesma.

No ano passado, editoras nacionais produziram cerca de 393 milhões de exemplares, venderam 355 milhões e faturaram R$ 5,17 bilhões, o que, comparando com o ano anterior e considerando a variação do IPCA (2,95%), significa uma queda real de 4,76% no faturamento. Se o encolhimento do mercado já preocupa, os números dos subsetores são ainda mais tenebrosos: enquanto houve novo recuo na produção e no faturamento de livros científicos, técnicos e profissionais e uma queda real de 10,43% entre os livros didáticos, as obras gerais tiveram um crescimento real de 3,77% e as religiosas, de 1,61%.

Como as obras gerais, tal qual o nome entrega, abarcam desde a mais refinada literatura até livros para colorir, foquemos nas outras três categorias, mais específicas: enquanto os números de livros voltados à formação científica, técnica, profissional e pedagógica (os didáticos) minguaram, aqueles destinados majoritariamente ao dogmatismo apresentam novo crescimento.

Já falei em outras oportunidades o quanto o aumento do comércio de títulos religiosos e o encolhimento das obras destinadas essencialmente ao aprimoramento do indivíduo me preocupam. Textos quase sempre destinados a leituras enviesadas me parecem exatamente o contrário do que pensamos quando nos deparamos com a palavra “livro” (e normalmente a confundimos com “literatura”): algo essencialmente aberto, que leva o leitor a diversas possibilidades de mundo, não um apanhado de supostas verdades absolutas.

A novidade é que, de um ano pra cá, o caminho das trevas que apontei em outros textos vem tomando um corpo maior. Mês a mês presenciamos episódios escabrosos relacionados às artes: exposição que se encerra por conta de protestos reacionários, peça que é retirada de cartaz porque uns e outros não suportam ver Jesus, um cara extremamente libertário e acolhedor, ser interpretado por uma atriz transexual, HQ que é tirada de mostra por melindrar policiais ou entusiastas dos homens de farda… Enfim, a onda conservadora, sem brechas ao diálogo e à pluralidade, está aí, definitivamente.

É o reflexo perfeito de uma população que se preocupa cada vez menos em ouvir vozes divergentes, que aos poucos vai trocando livros formadores por calhamaços religiosos normalmente interpretados de forma oportuna por algum “líder espiritual”.

O que faz alguém ser um bom ou um mau leitor?

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O que faz o indivíduo um bom ou um mau leitor? Que tipo de leitor você é?

Bruna Luciana Lopes Valente, no Administradores

Em meio ao mundo tecnológico, é de se imaginar e deduzir que o número de leitores de revistas, jornais e livros, tenha diminuído o que é um fato. Em matéria publicada em 2012, o site G1 trouxe dados sobre a queda dos leitores na época, dos últimos 4 anos:

“A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (28), revelou uma queda no número de leitores no país: de 95,6 milhões, registrada em 2007, para 88,2 milhões, com dados de 2011. O índice representa uma queda de 9,1% no universo de leitores ao mesmo tempo em que a população cresceu 2,9% neste período” (GUILHERME, MORENO, & NÉRI, 2012).

Nota-se que mesmo com o aumento da população, o mesmo não ocorreu com o número de leitores.

Uma pesquisa realizada Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) em 2011, mostra que o Brasil vendeu naquele ano, mais de 470 milhões de exemplares, apresentando um total de mais de 7% em comparação a 2010.

Então analisando esses dados, a informação acaba se tornando contraditório, visto a queda do número de leitores e o crescimento do número de livros vendidos, já que são dados aproximadamente da mesma época. Surge então, à hipótese de que o brasileiro compra, mas não tem total interesse na leitura ou quando lê, não faz uma leitura correta ou proveitosa.

De acordo com Délcio Vieira Salomon, existe o bom e o mau leitor e que os difere um do outro, são os hábitos de leitura. O bom leitor é aquele que com ampla leitura, entende o que lê, tem objetivos, responsabilidade com o que está lendo, quando inicia uma leitura, a faz até o fim.

Segundo Botelho (2012), “um bom leitor é aquele que não é só bom na hora da leitura. É bom leitor porque desenvolve uma atitude de vida”. Já o mau leitor, costuma ler pouco e não gostar de ler, fazer uma leitura pausada, devagar, voltando ao que já foi lido tentando montar uma espécie de quebra-cabeça para compreender o que leu.

Podemos então, chegar à conclusão de que existe sim o hábito de leitura no Brasil, em diversas idades, classes e sobre diversos gêneros literários, porém o que talvez não exista, seja o bom hábito, o hábito saudável.

Novos instrumentos se tornaram e ainda estão presentes cada vez mais na vida dos brasileiros como televisores, smartphones, computadores e tomando o lugar de livros, revistas e jornais (seja de modo impresso ou virtual).

Trazer o hábito da leitura desde a infância e não deixar que ela se perca com o tempo, pode melhorar e muito o número dos bons leitores, aqueles que leem um texto e sabem compreendê-lo, que tem prazer na leitura, que gostam do cheiro do livro. É preciso trabalhar para isso, para que cada vez menos, os maus leitores, aqueles que compram um livro só por estar na moda, que perdem o interesse rapidamente nele, que não compreendem o que estão lendo, tornem-se um número cada vez menor.

Com crise, cai número de alunos na rede particular de ensino superior

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Leonardo Wen/Folhapress

Leonardo Wen/Folhapress

Isabela Palhares, no UOL

Pela primeira vez em 11 anos, o número de alunos na rede particular de ensino superior caiu no Brasil. Em 2016, as instituições de ensino particular tinham 6,05 milhões de matriculados – 16,5 mil estudantes a menos do que no ano anterior. Para representantes do setor, a queda se deve à redução dos contratos do Financiamento Estudantil (Fies) e à crise econômica no País.

Os dados constam em resumo do Censo da Educação Superior 2016, divulgados nesta quinta-feira, 31, pelo Ministério da Educação (MEC). Estavam cursando o ensino superior no ano passado 8 milhões de estudantes, sendo que a rede privada concentra 75,3% das matrículas. As instituições de ensino registravam aumento desde 2006 – quando tinham 3,6 milhões de alunos.

Já as universidades públicas mantêm praticamente estável o número total de alunos, com 1,99 milhão de matriculados no ano passado – um aumento de 1,9%, em relação a 2015. No entanto, a rede pública registrou queda de 0,9% no número de ingressantes em cursos de graduação, com 529,5 novas matrículas em 2016, 4,8 mil a menos do que no ano anterior.

A queda coloca o País ainda mais distante de atingir a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê elevar a taxa líquida de matrículas nessa etapa para 33% da população de 18 a 24 anos – em 2015, apenas 18,1% das pessoas nessa faixa etária estavam no ensino superior.

Este é o segundo ano consecutivo em que o País registra queda no número de ingressantes em cursos presenciais de graduação – acumulando, desde 2014, uma perda de 10,1% de novos alunos. Em 2014, entraram nesses cursos 2,4 milhões de estudantes e, em 2016, foram 2,1 milhões.

A diminuição de matrículas ocorreu ao mesmo tempo em que o governo federal restringiu o acesso ao Fies, colocando como regras, por exemplo, a exigência de nota mínima de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e teto de renda para os candidatos. Em 2016, foram 203,5 mil contratos firmados, de acordo com o Ministério da Educação. O número caiu desde 2014, quando o governo registrou 732,7 mil contratos.

“É um reflexo nítido da crise econômica, aumento do desemprego e a diminuição drástica do Fies. Esse cenário mostra que o País não tem política pública para o ingresso no ensino superior. A perspectiva para os próximos anos também não parece muito boa já que o Novo Fies tira muitos benefícios dos alunos e quase inviabiliza a oferta de vagas por financiamento pelas instituições”, disse Sólon Caldas, diretor executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes).

Distância

O aumento de ingressantes nas graduações a distância segurou a queda de novos alunos no ensino superior. A modalidade teve um aumento de 21,4% nas novas matrículas, passando de 694,5 mil estudantes em 2015 para 843,1 mil no ano passado. Os ingressantes que optam pelo ensino a distância já são 28,2% do total – em 2006, a proporção era de 10,8%.

“O que evitou uma queda ainda maior de novos alunos e de matriculados foram os cursos a distância. Eles não são contemplados pelo Fies e têm um público em uma faixa etária mais velha. Quem ficou de fora da faculdade foi o aluno que terminou o ensino médio, aquele que iria ingressar num curso de bacharelado presencial”, disse Caldas.

Queda de matrículas em licenciatura no país gera temor de apagão na formação de professores

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Procura por Português caiu 13% em quatro anos; Educação Física continua no topo da preferência
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Por Leonardo Vieira, O Globo

RIO – Os dados do Censo de Educação Superior de 2013 divulgados na terça-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmaram uma tendência sombria para o futuro do país: o “apagão de professores” nas escolas. O fenômeno ocorre porque, pelo quarto ano seguido, é cada vez menor a quantidade de estudantes que procuram cursos de licenciatura. Consequentemente, o Brasil tem formado menos docentes.

O caso mais emblemático é o de Português. Em dez anos, entre 2003 a 2013, o número de matrículas na disciplina no ensino superior avançou mais de 1000%. Mas, a partir de 2010, tem havido queda. Naquele ano o Brasil tinha mais de 90 mil alunos matriculados no curso. Em 2013, eram 78 mil, redução de quase 13%.

O cenário é o mesmo para Matemática. Em 2010, eram 82.792 estudantes na área, número que caiu para 80.891, ou 2,3% menos.

Para a professora da Faculdade de Educação da Uerj Marise Nogueira Ramos, a queda progressiva no número de matrículas em licenciaturas, tendência iniciada há quatro anos, se dá por conta da pouca atratividade do magistério. Segundo ela, o salto (e, depois, a queda) verificada em Português se explicam pela maior facilidade de acesso à carreira.

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– Somos levados a pensar que vamos nos dar bem profissionalmente em carreiras ligadas às matérias de que mais gostamos na escola. Isso poderia explicar o aumento maior para Português do que para Matemática. É uma carreira mais fácil para passar no vestibular. Então, o aluno a usa para migrar para outras áreas dentro da universidade.

QUÍMICA TEVE CRESCIMENTO

A queda no total de matrículas em licenciaturas desde 2010 é ainda verificada em carreiras como Física (-2,9%) e Biologia (-11%). No entanto, houve poucas áreas onde foi registrado aumento no interesse dos estudantes. É o caso de Química, que viu o número de matrículas em licenciaturas subir 5% nos quatro últimos anos.

Os dados do Censo da Educação Superior também confirmam uma tendência de hegemonia da Educação Física entre as licenciaturas. No ano passado, as matrículas para professor na área foram 51% maiores do que em Matemática, 55% maiores do que em Português, 247% maiores do que em Química e 395% maiores do que em Física.

Especialistas estimam que o Brasil precisará de até dois milhões de novos professores até 2024 para cumprir as metas do Plano Nacional da Educação (PNE), aprovado este ano.

Hoje em dia, porém, já é comum haver escolas sem docentes com formação adequada. De acordo com dados do Censo Escolar de 2013, chega a 67,2% o percentual de professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil que não têm licenciatura na disciplina que ensinam. No ensino médio, a parcela de docentes sem a formação adequada é de 51,7%.

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