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Hábito da leitura pode iniciar antes mesmo do nascimento

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Professora de Português, Socorro trabalha a leitura em sala de aula com seus alunos e, dentro de casa, incentiva o neto Theo a entrar nesse universo lúdico desde cedo

Professora de Português, Socorro trabalha a leitura em sala de aula com seus alunos e, dentro de casa, incentiva o neto Theo a entrar nesse universo lúdico desde cedo

 

Jéssica Malta, no Hoje em Dia

Adulto que gosta de ler certamente aprendeu desde cedo a soltar a imaginação entre uma página e outra dos livros. Afinal, o hábito da leitura começa em casa, incentivado pelos pais – acredite! – antes mesmo do nascimento dos filhos.

“A partir das 20 semanas de gestação já é possível estimular os bebês através das vozes dos pais. O contato com os livros deve começar aí”, defende Cynthia Spaggiari, curadora do Leiturinha, clube de assinaturas de livros infantis.

Cynthia reforça também a importância da chamada leitura compartilhada como forma de estimular o gosto pelos livros.

“A introdução da literatura deve ser feita em família. O estar junto proporciona um bom incentivo e o exemplo dos pais é fundamental”, garante.
Outro aspecto importante é acertar na escolha dos livros que serão apresentados e indicados às crianças. São inúmeros os títulos e temas, mas algumas características comuns podem ajudar a reconhecer as melhores opções.

A escritora e pesquisadora da cultura infantil Claudia Souza explica que os bons livros devem possuir qualidade literária e de imagem.

Os contos de fada são exemplos de boas histórias para crianças. “Eles sobrevivem por gerações porque são bons de ouvir, de ler, de imaginar. Ensinam sobre os nossos sentimentos e sobre a vida”, explica a escritora, que tem livros publicados em oito idiomas, e dirige um centro cultural internacional para crianças em Milão.

Deixar as crianças escolherem os próprios livros também é uma das dicas dadas por Claudia. “É bom para avaliar como anda o ‘gosto’ da criança. Se estiver muito massificado, está na hora de interferir com bons modelos”, afirma.

Mesmo nos casos mais difíceis, quando os pequenos não demonstram interesse pelos livros, o conselho é não desistir. Ela garante que não há crianças que não gostam de ler. O desafio é apenas encontrar o livro certo. “Aconselho sempre os pais a nunca desistirem de procurar, uma hora encontram o livro ideal”.

Quem lê aprende a interpretar, escrever e argumentar melhor

Além da família, a escola também tem uma importante atribuição no contato das crianças com o mundo literário. “Ela tem o dever de dar ênfase à leitura, usando livros da biblioteca, sugerindo a leitura de clássicos, trabalhando com atividades diversificadas para atrair a atenção dos alunos”, afirma a professora de Português Maria do Perpétuo Socorro Ferreira Dias.

Lecionando há mais de 30 anos, Socorro conta que sempre busca inovar nos projetos que desenvolve, fazendo com que a leitura seja parte do cotidiano das crianças.

“Meus alunos estão estudando o gênero ‘diário’. Além da leitura de livros sobre o tema, eles também farão as próprias produções e, no fim do ano, presentearão pessoas especiais em uma tarde de autógrafos na escola”, conta.

Frutos para a vida toda

Trazer a leitura para o cotidiano das crianças rende frutos não apenas durante os primeiros anos de vida, mas também no futuro. “Na infância, a criança cria um repertório maior por ter contato com palavras novas e situações novas. Quando estiver mais velha, ela vai saber lidar melhor com as emoções por ter tido contato com elas por meio dos livros”, explica Cynthia Spaggiari, curadora do Leiturinha, que hoje chega a mais de 35 mil famílias Brasil afora.

O contato com a literatura também reflete no desempenho escolar. “O aluno que tem hábito de leitura escreve melhor, interpreta melhor e apresenta mais desenvolvimento no processo da escrita”, afirma Socorro.

Porém, apesar do costume de ler, podem existir momentos de contestação e desinteresse pelos livros, como salienta Claudia Souza. Mas ela garante que este é um momento passageiro. “Se o exemplo existiu e foi cultivado, ele sempre volta. Uma criança ‘cultivada’ vai ser um leitor forte com certeza”, assegura.

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Quem é o assassino? (ou por que ainda lemos romances policiais)

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Ainda hoje muitos de nós ainda lêem romances policiais. Mas você já parou para pensar por quê?

Dashiell Hammett, Sir Donan Coyle, Edgar Allan Poe e Agatha Christie.

Dashiell Hammett, Sir Donan Coyle, Edgar Allan Poe e Agatha Christie.

José Figueiredo, no Homo Literatus

É um fato inegável que o romance policial faz sucesso até hoje. Na verdade, se formos seguir a fundo, veremos que esse tipo de literatura – relegada a segunda por alguns – é base de toda a literatura (pós)-moderna, da alta à baixa, por onde poucos passaram sem ao menos serem arranhados por essa estrutura.

A questão persiste por de mais de dois séculos: por que o romance policial continua em voga?

A resposta pode estar no simples fato da sua estrutura: temos um crime – normalmente um assassinato, mas também pode ser um roubo – e o resto da trama se baseia em saber o quem, onde, quando, e, principalmente, por que (Talvez a maior inversão da qual tenho notícia dentro do romance policial seja A Louca de Maigret, onde o crime ainda não aconteceu e a vítima insiste em avisar o comissário Maigret que está prestes a ser morta – até isso inevitavelmente ocorrer).

Aqui se estabelece a estrutura dupla responsável por fazer a maioria de nós lermos mesmo sabendo, até certo ponto, onde tudo vai acabar. Temos duas tramas estabelecidas: a primeira sobre o crime e a trilha percorrida pelo(s) culpado(s) seguiu(ram) até praticar o ato; a segunda é a do investigador e as peripécias que ele passa para chegar. Ter um objetivo bem estabelecido, mesmo conhecido por parte do leitor, faz com que tenhamos um contrato de leitura com a narrativa, sabendo desde a partida aonde iremos chegar. O interessante, por vezes, não é saber quem, mas por quê. Conhecer os caminhos que levam uma pessoa a sair da linha cotidiana dos seus atos para cometer um delito é instigante, bem como saber qual caminho o investigador seguiu para chegar ao(s) culpado(s).

Nesse ponto, também podemos apontar o segundo trunfo do romance policial.

Normalmente, os investigadores desses crimes seguem caminhos diversos para chegar ao seu objetivo. Podemos criar categorias e subcategorias, ajustando por métodos, características etc. O fato, contudo, é que essas personagens ou o caminho narrado até chegar ao fim, por mais que a forma seja fixa, podem ser tão diversos que na maioria dos casos não conseguimos parar de ler.

Georges Simenon, criador do comissário Maigret.

Georges Simenon, criador do comissário Maigret.

Alguns exemplos sempre ajudam. Então, vai abaixo uma breve amostra de tipos e características.

Dostoiévski não foi o primeiro a fazer romance policial. Foi ele, porém, o primeiro a dar profundidade psicológica muito além do imaginado. Duas dessas obras funcionam na base de um crime e com a mesma estrutura – cada qual posta de uma forma diferente. Em Crime e Castigo, como o nome diz, temos um crime. O estudante Raskólnikov planeja (ou não) um assassinato e o comete. O caso é que as coisas acabam fugindo ao seu controle, tanto no momento do crime como depois. Vemos durante o resto da narrativa o crime de Raskólnikov ser investigado pela polícia até se chegar ao culpado. Já em Os Irmãos Karamazov, o crime acontece bem no centro da narrativa, deixando-nos quinhentas páginas em busca do culpado. Ao contrário do primeiro romance citado – no qual o onde, quando, como e por que é dado desde o início -, aqui temos uma construção de várias razões que levariam qualquer um dos personagens a cometer o assassinato, a ação em si e a subseqüente tentativa de resolução dos vários suspeitos. Devemos admitir que ambos os textos são muito mais profundos em comparação a uma simples narrativa, mas esse pano de fundo, ao convergir com outros pontos, acrescenta e se torna ponto central das tramas.

Não podemos falar de romance policial sem falar em Agatha Christie, a rainha do crime. Suas narrativas nunca foram muito longe do que Edgar Allan Poe e Sir Conan Doyle haviam feito até ali. O bigodudo Poirot tem um caso e usa de suas técnicas lógicas para resolver todo um caso apenas sentado em sua mesa, deixando a busca selvagem aos outros detetives da Scotland Yard esse método de “cães de caça”, segundo ele. Mesmo assim, a autora, ainda hoje, tem uma legião de fãs mundo afora que se sentem cativados pelos ares aristocráticos e rabugentos do detetive ao esquadrinhar tudo e todos até chegar ao culpado. Seja em Londres ou em Istambul, a curiosidade despertada por Agatha e Poirot é a mesma – e nós ficamos aqui, lendo sem fim seus romances.

O último caso desta rodada é o pai literário de Dan Brown: Umberto Eco e o seu O Nome da Rosa. Nada mais pós-moderno do que juntar o velho e o novo, a alta cultura com a baixa: aqui, por exemplo, temos o novo e desprezível romance policial com o velho e elevado romance histórico. Em meio à Idade Média, Eco, na época já um respeitado professor de Semiologia, mostra a busca de um frade franciscano e de um noviço ao autor de vários crimes dentro de uma abadia. Há quem diga que Eco criou toda a trama para poder matar alguns padres e acabam virando a cara ao romance. Muitos outros vieram depois dele, isso é fato – e Dan Brown é só o mais famoso dentre eles. Unindo o velho e o novo, a busca improvável em um cenário nada comum de crimes é a prova de que o gênero, embora tenha algo de kitsch, pode sempre se reinventar e continuar nos cativando.

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Poderíamos ter citado vários outros nomes, é verdade. De Poe a Simenon, passando por Raymond Chandler, Dashiell Hammet e Rubem Fonseca – para citar ao menos um autor nacional. O texto é curto e as possibilidades, infinitas. Então, sobra a nós leitores nos divertirmos em meio às tramas cativantes que o romance policial tem a nos oferecer.

Tá tendo ‘Culpa’

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Copa assustou, mas a queda nos números da lista não foi tão grande

Cassia Carrenho, no PublishNews

1O mês de junho, início da Copa no Brasil, era temido pelo mercado editorial, mas comparado com a lista de maio, a lista geral de junho vendeu apenas 3.858 exemplares a menos. Porém há um fator importante a considerar. A culpa é das estrelas (Intrínseca), primeiro lugar na lista dos mais vendidos desde fevereiro de 2014, vendeu 57.368 exemplares a mais em junho, cerca de 45% a mais do que em maio. Tá tendo Copa, mas tá tendo Culpa nas livrarias e cinemas.

Os três primeiros lugares na lista geral de junho permaneceram iguais, A culpa é das estrelas (Intrínseca), Destrua este diário (Intrínseca) e Ansiedade (Saraiva). Já no quarto lugar Quem é você, Alasca? (WMF Martins Fontes) voltou, depois de ficar em sexto lugar em maio.

A única novidade na lista geral foi Princesa adormecida (Galera Record) que ficou em 18º lugar.

No ranking mensal das editoras, a diferença entre as três primeiras foi de apenas um livro, em maio a diferença foi de dez títulos entre o primeiro e segundo lugares. Sextante continua liderando o grupo, com 18 títulos, Intrínseca com 17 e Record com 16. Companhia das Letras e Santillana empataram em quarto com 11 livros cada.

Candidatos à artilharia

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Chegamos à metade do ano de 2014 e alguns livros já fincaram suas orelhas na lista anual

Cassia Carrenho, no PublishNews

A culpa é das estrelas (Intrínseca) é o grande destaque até aqui e aparentemente não tem ninguém que pareça ameaçá-lo. Na semana pós estreia do filme, o número das vendas foi de 32.625 exemplares, mais de 40% a mais que na semana anterior. Com isso, na lista geral anual, o livro chegou a 345.169, vendendo quase o dobro do segundo lugar, Destrua esse diário (Intrínseca) com 184.529 exemplares. O livro já ultrapassou as vendas totais do ano de 2013, quando vendeu 267.435 exemplares e ficou em quarto lugar na lista geral dos mais vendidos. Por sinal, o autor John Green, aparece quatro vezes na lista geral anual atual: A culpa é das estrelas, Cidades de papel e Teorema Katherine, da Intrínseca, e Quem é você, Alasca? (WMF Martins Fontes). É Green de verdinhas…

No ranking anual das editoras, a boa e velha briga entre Record e Sextante continua. Sextante está com 37 e Record com 36. Em 2013 a briga também foi assim, mas a Record levou por quatro livros de diferença. Qualquer caidinha na área pode fazer uma grande diferença no final! O destaque no ranking vai para a Intrínseca que chegou aos 29 títulos na lista contra 33 de todo ano de 2013. É esperar e ver o desempenho no segundo tempo de 2014!

Na lista semanal infantojuvenil, Quem é você, Alasca? (WMF Martins Fontes) voltou ao primeiro lugar com 5.041 exemplares vendidos, deixando dois novatos para trás, A escolha (Seguinte) e Diário de um banana – Maré de azar (Vergara&Riba). Já na lista de negócios O monge e o executivo (Sextante) assumiu a ponta, provando que tem muito veterano que ainda bate um bolão!

Os novos escalados na lista dessa semana foram: negócios, Mara Luquet – o meu guia de finanças pessoais (Letras&Lucros), autoajuda Não se apega não (Intrínseca), e em não ficção, O lado sujo do futebol (Planeta).

Quem tem mais vocabulário, Shakespeare ou as estrelas do rap americano?

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Designer cria ranking com número de palavras usadas por artistas do hip hop

Designer cria ranking do vocabulário de rappers americanos comparando com Shakespeare Reprodução

Designer cria ranking do vocabulário de rappers americanos comparando com Shakespeare Reprodução

Publicado em O Globo

RIO — Qual artista de hip hop tem o maior vocabulário? O designer e analista de dados Matt Daniels fez uma pesquisa para responder a essa pergunta e chegou a algumas conclusões interessantes. A mais surpreendente delas: algunas rappers americanos têm vocabulário mais rico que os pesos pesados da literatura William Shakespeare e Herman Melville.

“As elites literárias adoram elogiar o vocabulário de Shakespeare. Em toda a sua obra, ele usou 28.829 palavras, sugerindo que ele conhecia 100 mil palavras e teria o vocabulário mais amplo de todo os tempos”, explica Daniels. “Eu decidi comparar esses dados com os artistas mais famosos do hip hop. Usei apenas as 35 mil primeiras palavras de cada um, assim compositores prolíficos como Jay-Z poderiam ser comparados a novos artistas, como Drake.”

Em seu estudo, com direito a visualização interativa, Daniels examinou as letras de 85 artistas do hip hop. As 35 mil palavras determinadas por ele representam de três a cinco álbuns ou EPs. Em caso de artistas com menos de três discos lançados, Daniels incluiu mixtapes.

“Alguns rappers não tem material oficial em quantidade, como Biggie e Kendrick Lamar”, justifica.
Como base de comparação, ele marcou os pontos onde Shakespeare e Herman Melville ficariam no gráfico, usando a mesma abordagem: 35 mil palavras em sete peças de Shakespeare (“Hamlet”, “Romeu e Julieta”, “Othello”, “Macbeth”, “Como lhe aprouver”, “O conto do inverno” e “Troilo e Créssida”) e as primeiras 35 mil palavras de “Moby Dick”.

Apesar da falta de rigor científico, o estudo traz alguns resultados curiosos. Quinze rappers ficam a frente de Shakespeare em riqueza vocabular, enquanto três superam Melville. Na análise, Shakespeare aparece com 5.170 palavras únicas, enquanto Melville tem 6.022.

O primeiro lugar ficou com o pouco conhecido Aesop Rock (7.392 palavras), mas o grande destaque vai para os membros do Wu Tang Clan. Como grupo, eles aparecem com 5.895 palavras e se destacam também nos trabalhos solo com Ghostface Killah (5.774), GZA (6.426) e RZA (5.905).

Daniels admite as limitações do estudo, uma vez que o hip hop é repleto de gírias, palavras compostas e refrões repetitivos. Ele explica, por exemplo, que cada palavra é contada uma vez, então “pimps”, “pimp”, “pimping” e “pimpin” são quatro palavras diferentes.

A natureza masculina do gênero também se impõe na análise de Daniels. Apenas quatro artistas mulheres foram analisadas: Missy Elliot (3.874), Nicki Minaj (4.162), Lil Kim (4.474) e Salt-N-Pepa (3.612).

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