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Projeto de mestrado gera troca de farpas entre jornalista e estudante

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Apresentadora do SBT chamou de ‘piada’ estudo que analisava Valeska Popozuda e as relações de gênero no mundo funk
Estudante responde as declarações da jornalista e abre debate sobre o funk no mundo acadêmico

Valeska Popozuda, uma das funkeiras analisadas no mestrado, chama apresentadora de “jornalista dos anos 20” FERNANDO TORQUATTO / Divulgação

Valeska Popozuda, uma das funkeiras analisadas no mestrado, chama apresentadora de “jornalista dos anos 20” FERNANDO TORQUATTO / Divulgação

Leonardo Vieira, em O Globo

RIO – Apesar de ser cada vez mais presente como objeto de estudos nas universidades, o funk ainda gera muita polêmica entre os brasileiros. Na semana passada, a apresentadora do telejornal SBT Brasil, Rachel Sheherazade, afirmou, em tom pejorativo, que o ” funk carioca, que fere meus ouvidos de morte, foi descrito como manifestação cultural. E o pior é que ele é, pois se cultura é tudo o que o povo produz, do luxo ao lixo, o funk é tão cultura quanto bossa nova”.

Veja aqui as declarações da apresentadora.

Rachel se referia ao projeto de mestrado da estudante Mariana Gomes, intitulado “My pussy é o poder. A representação feminina através do funk no Rio de Janeiro: Identidade, feminismo e indústria cultural”. Para a apresentadora, dissertações como essa são inevitáveis no contexto de mais “popularização da universidade”.

Aprovada em segundo lugar na Universidade Federal Fluminense (UFF) para o mestrado em Cultura e Territorialidades, Mariana se propôs a estudar as relações de gênero no mundo funk, problematizando e até contestando a teoria de que funkeiras como Valeska Popozuda e Tati Quebra-Barraco seriam “o último grito do feminismo”. Veja aqui o projeto de mestrado.

Ao ver as declarações no telejornal, a mestranda escreveu uma carta-resposta em seu blog no último domingo (21), onde Mariana questiona, dentre outros pontos, se Rachel teria ao menos lido seu projeto de estudo. O texto teve mais de 10 mil compartilhamentos no Facebook.

– O ataque não foi ao meu trabalho. O preconceito dela começa quando o assunto é popular. Chamar o funk de lixo é não abrir os olhos para uma realidade concreta. Ela direciona isso ao local da favela. A opinião dela tem uma questão de classe muito forte – afirmou Mariana.

Por sua vez, Valeska disse que não iria responder a “essa jornalista dos anos 20”, que “vive presa na época em que a mulher nem direito de frequentar uma escola tinha”. No entanto, a funkeira afirmou:

– Tenho certeza que ela seria muito mais feliz se fosse mais aberta ao funk.

Por meio da assessoria do SBT, a apresentadora informou que não iria mais se pronunciar sobre o assunto.
Debate no mundo acadêmico

Orientadora de Mariana num projeto de iniciação científica por dois anos, a historiadora Adriana Facina entende o debate também como consequência da ampliação do acesso à universidade ocorrida nos últimos anos no Brasil. Entretanto, diferentemente da apresentadora, Facina enxerga o fenômeno mais positivamente.

– Ao tornar acessível o ensino superior a uma parcela maior da sociedade que, até então, estava excluída, novos temas e estudos surgirão naturalmente. Como que alguém pode considerar irrelevante para o estudo uma música como o funk, que é ouvida por milhões de jovens? O tema da Mariana é relevante porque o funk não é só uma manifestação de massa, mas há também a questão de gênero. A presença masculina é predominante no funk e em toda a sociedade brasileira – explicou Facina, que já deu aulas sobre a história do funk na UFF.

Quem segue a mesma linha de Facina é a professora de Comunicação e Cultura Popular da UFF, Ana Lúcia Enne. Para ela, ainda há uma “cristalização do preconceito” em relação a certos movimentos culturais:

– Que bom que o mundo acadêmico está aberto não só a objetos canonizados! Compreender o mundo e a realidade a sua volta é um dos papeis fundamentais da universidade.

A professora se diz orgulhosa de seus alunos da graduação de Estudos de Mídias Sociais, curso no qual é vice-coordenadora. Em março, a fim de realizarem um trabalho de final de período, estudantes de Ana Lúcia apresentaram um flash mob num dos principais endereços culturais do Rio, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Ao som de “Ah lek lek lek”, os alunos viraram um sucesso em redes sociais. Veja aqui o vídeo.

Menos de um mês depois, sete formandos do curso escolheram ninguém menos do que a funkeira Valeska Popozuda como patronesse na cerimônia de colação de grau.

Promoção: “Manual para mães de garotas descoladas”

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promo mob mães

Sua filha age como se odiasse você, mas de repente ela corre para seus braços em busca de consolo por algum problema que está enfrentando? Ou chega, cheia de charme, pedindo uma blusa emprestada? Bem-vinda ao mundo pré-adolescente!

Sim, sua garota está vivendo uma fase de transformações intensas e rápidas.

O mundo dela é bem diferente do seu, mas o que ela mais quer é que vocês tenham um bom relacionamento.

Nancy Rue apresenta neste livro um panorama da pré-adolescência, com todas as turbulências que acontecem na mente, no corpo e nas emoções das meninas e aponta caminhos para que a relação entre mãe e filha seja viva e saudável.

Entenda a cabeça de sua filha! Ela:

– já percebeu que a aparência influencia a forma como as pessoas a tratam;

– tem um corpo que está se transformando dia a dia, bem diante dos seus olhos;

– praticamente daria a vida pela melhor amiga;

– questiona tudo: você, a escola e até ela mesma.

O mundo de sua garotinha é empolgante e confuso por dentro e por fora. Por isso, cabe a você, mãe, ajudá-la a compreender quem ela é e qual o lugar dela em meio a esse caos.

Vamos sortear 3 exemplares de “Manual para mães de garotas descoladas”, superlançamento da Mundo Cristão. O sorteio será realizado no dia 5/4 às 17h30.

Para concorrer, basta mencionar na área de comentários o nome da “garota descolada” (filha, sobrinha ou conhecida) cuja mãe vai ganhar este livro se você for sorteado(a). 🙂

O resultado será divulgado no perfil do twitter @livrosepessoas e os ganhadores terão 48 horas para enviar seus dados completos para o e-mail [email protected].

O prazo de entrega é de 30 dias e o envio é de responsabilidade da editora.

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Parabéns aos ganhadores: Tatiane P. de Souza, Sidnei B. Kucla e Lena Dias 😉

“Mudar mentalidades” é truque para conseguir emprego

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Jaqueline Silva, que decidiu escrever um livro sobre desemprego quando ficou sem trabalho, afirma que é preciso “mudar mentalidades” e que “as pessoas têm de se redefinir enquanto profissionais” para se adaptarem à realidade.

Publicado no Diário de Notícias

Jaqueline, agora com 31 anos, estudou nos Estados Unidos e em Espanha antes de concluir o mestrado em Gestão, em Lisboa. Conta que teve “o percurso ideal face aos dias de hoje”: estudou em “boas universidades”, começou por trabalhar em ‘start-ups’ e depois integrou uma multinacional nos Estados Unidos.

Nessa grande empresa esteve durante três anos, e – recorda, em entrevista à agência Lusa – “a partir de determinado ponto, já não havia mais evolução possível”, acabando por ficar desempregada.

Nos meses em que esteve desempregada, decidiu procurar livros sobre o assunto e percebeu que eram todos sobre o mesmo – “como fazer um currículo ou como ir a uma entrevista” de trabalho.

“Tudo o resto não estava enquadrado. Nenhum livro me dava as ferramentas necessárias para lidar com todo o processo: o estigma e a frustração (…) Nem com as burocracias: como é que eu lido com o centro de emprego e com o IEFP [Instituto de Emprego e Formação Profissional? É uma aventura”, disse.

Para Jaqueline Silva, que é atualmente coproprietária de uma micro empresa, “hoje em dia, a grande diferença entre o que é o trabalho e o que é o emprego é uma mudança das próprias mentalidades das pessoas”

“Estamos numa estrutura em que temos de seguir um determinado padrão e fomos educados a ter um curso e um emprego para a vida, um emprego estável, a não arriscar muito. Isso faz parte da nossa cultura. Nós não temos de deixar de ser quem somos, mas temos de nos reajustar à nova realidade”, defende a jovem.

(mais…)

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