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Escritor recebe mensagem aconselhando a fazer “stand up” durante palestra

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standup

Rodrigo Casarin, no UOL

O escritor Rafael Gallo passou por uma situação bastante inusitada na noite de ontem, quinta-feira. A palestra sobre “viver de escrita” que ministrava na Bienal do Livro de Alagoas, que acontece em Maceió, pelo visto desagradou um grupo de jovens que não esperou a apresentação acabar para deixar o salão. Antes disso, no entanto, um deles Gallo-200x300entregou um bilhete ao autor de “Rebentar” e vencedor do Prêmio Sesc de 2011/2012. “Um pouco de stand up seria legal para te soltar mais no começo da palestra”, aconselhava a mensagem.

A inusitada dica evidentemente surpreendeu Rafael. “Eu falei um pouco sobre o universo profissional dos escritores, como funcionam as editoras grandes, as pequenas, quais são as possibilidades profissionais, as relações com agentes literários… Uma espécie de apresentação do mundo do lado de cá do balcão, para quem se interessa por escrever e quer publicar um livro, enfim. Quando recebi o bilhete fiquei um pouco desconcertado, mas agradeci e segui em frente”, lembra.

A mensagem deixada pelo jovem, no entanto, vai ao encontro de uma discussão recorrente no meio literário: qual é exatamente o papel do escritor na hora de divulgar sua obra? Além de escrever, quais outras habilidades ele precisa ter? Além de seus livros, o que mais as pessoas devem esperar de um autor?

“Achei muito engraçado porque essa é uma discussão que se vem tendo há tempos. Apesar de serem legais em vários aspectos, esses eventos têm esse lado de colocar o escritor em outro papel, o de falar com uma plateia, ser uma ‘atração’ de palco e ser julgado por isso, inclusive. Quase sempre que se fala nisso, menciona-se que estamos beirando nos tornarmos comediantes de stand up”, diz Rafael. “Dessa vez, alguém do público teve o pensamento contrário: em vez de achar que é um problema estar perto de fazer stand up, achou que o problema era não chegar a se tornar isso”, completa, rindo, o autor.

O Eduardo Jorge diz que lê Tolstói e a Veja entende Toy Story

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Aqui trataremos de uma piada que ocorreu a respeito de uma coletiva com o candidato a presidente Eduardo Jorge. Deixando claro que não é apologia ou campanha eleitoral, já que as eleições passaram, mas para retratar a triste realidade do nosso jornalismo, principalmente no que tange a literatura e até a arte em geral.

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Marcelo Vinicius, no Homo Literatus

Do que estamos comentando? De um alvoroço que tem rodado nas redes sociais a respeito do momento em que o candidato Eduardo Jorge disse em uma coletiva (você encontra o vídeo aqui) que prefere ler Tolstói (um clássico escritor russo), mas a jornalista Marcela Mattos registra que ele disse preferir assistir Toy Story. Transformando isso em manchete e publicando no site da Veja.

Como disse o nosso escritor Rafael Gallo, ganhador do Prêmio Nacional Sesc de Literatura, em sua rede no Facebook, a respeito dessa gafe:

Deve se achar esperta ainda, feito o monte de gente que tenho visto e ouvido nesses dias, que não fazem a menor ideia do tamanho das besteiras que têm soltado.

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Outro escritor, o Sérgio Leo, que também ganhou Prêmio Sesc de Literatura, comentou a respeito, no perfil do seu Facebook:

Voltei, só para compartilhar o espanto com certo jornalismo nacional. O repórter pede desculpas por invadir a “privacidade pessoal” (!) do candidato. (Já eu me pergunto o que será privacidade impessoal). Eduardo Jorge diz que nunca fumou maconha e prefere Tolstói e a Veja relata que ele disse preferir… Toy Story.

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O jornalismo é de uma grande responsabilidade ou deveria ser. Exige apuração, pois somos nós, leitores, que podemos ser prejudicados ou beneficiados. No mínimo deveria ter verificado o que o candidato disse de fato, que, por sinal, é facilmente possível verificar também por todos nós, acessando o próprio vídeo da coletiva mencionada. Analisaríamos, então, também, a expressão do Eduardo ao dizer “ler” e não “assistir”, como quis afirmar a tal jornalista da Veja, entre outras coisas.

Mas, todo ser humano erra, e ela errou. Compreendemos, pois quem nunca errou? Porém não deixa de ser uma gafe gritante, até porque o Eduardo foi bem claro na sua fala, sendo quase que impossível ocorrer um erro de interpretação tão destoante como esse. Contudo, não podemos duvidar de nada.

Salientando também que certos erros podem levar a uma consequência mais séria, principalmente se tratando de política (às vésperas da eleição) ou da imagem de uma pessoa sendo divulgada, dessa forma, na internet pelo um portal de notícias não tido como um portal de comédia, tornando preocupante certas deturpações.

Segue a tal matéria da Veja:

Defensor da descriminalização da maconha, o folclórico Eduardo Jorge afirmou, após debate entre os presidenciáveis nesta quinta-feira, que jamais experimentou a droga. “Eu tenho uma família de esportistas. Na minha casa nunca ninguém fumou nem cigarro, imagine maconha. Nós cuidamos muito da nossa saúde”, disse, ressaltando que é médico e que jamais “cairia numa bobagem dessas”. Para provar que não precisa de entorpecentes, o candidato à Presidência pelo Partido Verde citou alguns de seus hobbies: “Prefiro assistir a Toy Story com meu neto ou jogar futebol”, disse. (Marcela Mattos, do Rio de Janeiro)

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A matéria pode ser acessada aqui.

Obs.: a gafe foi corrigida na revista Veja. O importante é isso, é reconhecer o erro, mesmo um erro que não poderia passar despercebido por ser tão gritante e envolver questões políticas, às vésperas da eleição, e imagem pessoal, mas acontece nas melhores famílias. Tudo resolvido, então, e bola para frente (depois das redes sociais, as notícias correm rápidas demais).

PS.: Compactuando com Rafael Gallo, não votei no Eduardo. Não se trata de defender um candidato, e sim de mostrar o quão sem referência os discursos são formados e – pior – formam a sua recepção.

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