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Posts tagged Rapaz

Estudante vira campeão de torneios de comilança para pagar a faculdade

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Eric Dahl, da Universidade de Wisconsin, já ganhou US$ 18 mil em prêmios.
Ele come em média 3.100 calorias por dia e mantém a boa forma.

Publicado por G1

Eric Dahl, aluno de engenharia da computação da Universidade de Wisconsin, encara uma travessa de 5,9 kg de macarrão instantâneo (Foto: Aramis Phillip Alvarez/AP)

Eric Dahl, aluno de engenharia da computação da
Universidade de Wisconsin, encara uma travessa
de 5,9 kg de macarrão instantâneo (Foto: Aramis
Phillip Alvarez/AP)

Um aluno da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, banca os seus estudos com o dinheiro que recebe dos prêmios que conquista em competições do estilo “quem come mais”. Eric Dahl, estudante de engenharia da computação, começou a comer por esporte em uma brincadeira com amigos, há dois anos, e viu ali uma boa maneira de ganhar dinheiro. Ele já arrecadou US$ 18 mil em prêmios e publicidade desde então.

Na faculdade ele ganhou o apelido de “Silo”, os grandes tonéis usados para armazenar grãos. A brincadeira começou em 2011, em um almoço com amigos. Dahl e os colegas apostaram quem conseguia comer um sanduíche de três quilos em menos de dez minutos. O rapaz ganhou a corrida ao terminar o lanche em 5min50. “Tudo começou a partir de então”, disse Dahl à Associated Press.

“Eu como pela minha educação”, afirma. O rapaz de 1,91 metro come em média 3.100 calorias por dia. Nem por isso, ele fica fora de forma. Para evitar ganhar barriga, Dahl come muitos vegetais e legumes seguidos de alguns litros de água para “esticar” o estômago. Já chegou a comer 10 kg de brócolis em uma única refeição. Com 99 kg, Dahl mantém uma vida de esportista. Caminha alguns quilômetros todos os dias, levanta pesos, joga futebol e pratica hóquei na faculdade.

O primeiro prêmio foi de US$ 250 em uma prova onde tinha de comer nove sanduíches de carne de porco em seis minutos. Logo sua fama de glutão rendeu uma legião de fãs. “Fico muito feliz quando a multidão começa a aplaudir”, diz. “Tenho outros amigos que são competidores destas provas de comilança, mas quando estou na disputa não sou amigo de ninguém.” O maior prêmio em uma única prova Dahl ganhou no ano passado, quando engoliu 20 enormes salsichas empanadas em menos de oito minutos.

Dahl vai se formar em dezembro, mas já tem emprego garantido para 2014. Vai trabalhar no departamento de vendas da Texas Instruments, em Dallas. Na entrevista de emprego, ele explicou que usa as competições de comida como uma empresa, falando dos seus ganhos e da construção de uma marca no Facebook e no Youtube. Ele tem mais de 2 mil assinantes no canal de vídeos. Um dos vídeos, onde aparece comendo um sanduíche de cheeseburger com bacon de 4 kg já recebeu 1,2 milhões de visualizações (veja o vídeo).

Na sua página no Youtube, Eric Dahl mostra vídeos onde come dezenas de pedaços de pizza, sanduíches gigantes, e uma prova onde engoliu seis cupcakes em 20 segundos (Foto: Reprodução/Youtube)

Na sua página no Youtube, Eric Dahl mostra vídeos onde come dezenas de pedaços de pizza, sanduíches gigantes, e uma prova onde engoliu seis cupcakes em 20 segundos (Foto: Reprodução/Youtube)

Ex-aluno invade alojamento da USP, agride estudante e faz vários disparos

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Vítima levou coronhada; moradores não foram atingidos em São Carlos, SP.
Suspeito, que denunciou ter sido vítima de abuso sexual em trote, fugiu.

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Aluno invadiu alojamento e fez disparos no campus da USP de São Carlos (Foto: Maurício Duch)

Publicado por G1

Um ex-aluno da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (SP) invadiu o alojamento do campus com uma arma, agrediu um estudante com coronhadas e fez vários disparos na noite desta quarta-feira (28). Ninguém foi atingido pelos tiros. O suspeito é o rapaz de 23 anos que denunciou ter sido vítima de abuso sexual durante um trote com veteranos, em março. Ele fugiu do local. A USP ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus
da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

De acordo com a Polícia Militar, o rapaz invadiu o alojamento armado e deu uma coronhada na cabeça de um estudante que mora no local. A vítima, que teria tentado conter o suspeito, foi socorrida e levada para a Santa Casa. O estado de saúde dele não foi divulgado.

Segundo testemunhas, o ex-aluno ainda fez vários disparos que acertaram as paredes e as janelas do alojamento, mas não atingiram ninguém. Alguns alunos disseram que ele dizia que queria vingança.

Em seguida, o rapaz fugiu e está sendo procurado pela Polícia Militar. Com medo, os moradores do alojamento saíram do local para dormir na casa de amigos. A Perícia Técnica foi ao local. A USP ainda não se pronunciou sobre o ocorrido.

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

Disparo atingiu janelas de alojamento no campus da USP em São Carlos (Foto: Maurício Duch)

O caso
Em entrevista ao G1 no dia 25 de abril, o rapaz, que cursava o 1º ano de ciências exatas, tinha decidido que desistiria do curso por estar sofrendo ameaças e discriminação. “Vou fazer o meu desligamento. Após esse constrangimento todo, não existe mais ambiente para estudar na USP. Vou ficar marcado e desmoralizado”, afirmou na ocasião.

O suposto abuso aconteceu no início da madrugada do dia 4 de março. Depois de uma reunião sobre as normas de funcionamento do alojamento onde conseguiu uma vaga, o rapaz entrou em uma área que dá acesso aos apartamentos, onde acontecia uma festa.

Segundo o estudante, um grupo foi até ele e começou a gritar. “Eles falavam repetidamente ‘chupa bixo’ e me cercaram, fizeram uma espécie de uma roda e não tive como sair dali. Eles aparentavam estar muito embriagados e se faziam de homossexuais, gritavam ‘bixo homofóbico’. Eu falava para não encostarem, mas três deles começaram a se esfregar em mim e chegaram a abaixar as calças. Um deles também abaixou a cueca. Eles pareciam ter prazer”, disse.

Os envolvidos dizem que tudo não passou de uma brincadeira durante um trote. O caso, que chegou a ser registrado pela Polícia Civil como estupro e foi alterado para injúria, teve a primeira audiência no dia 24 de abril no Fórum Criminal da cidade, mas não houve acordo ente os estudantes envolvidos.

Uma sindicância foi aberta pela USP, mas o resultado ainda não foi divulgado. Em maio, a Justiça pediu que a Polícia Civil levantasse mais testemunhas sobre caso, que ainda continua indefinido.

Afegão transforma consertos de caminhões em poesia e música

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Matiullah Turab fala das ferramentas e da sua ‘dor’ durante o dia. ‘O trabalho de um poeta não é escrever sobre o amor’, disse

Publicado no Extra Alagoas

Afegão transforma consertos de caminhões em poesia e música

Afegão transforma consertos de caminhões em poesia e música

Um afegão está “transformando” o conceito conhecido por poesia. Em vez de falar de natureza e romance, Matiullah Turab retrata o seu trabalho e a sua dor em um estilo poético e musical no país.

O rapaz, filho de um agricultor, faz a sua poesia baseado nos consertos que faz na sua oficina, principalmente caminhões, segundo o jornal “The New York Times”.

“O trabalho de um poeta não é escrever sobre o amor”, declarou. “O trabalho de um poeta não é escrever sobre flores. Um poeta deve escrever sobre o sofrimento e a dor das pessoas”, disse ao jornal.

Matiullah Turab, de 44 anos, diz que oferece em sua poesia uma voz para os afegãos crescidos sobre a guerra e seus autores cínicos, como os norte-americanos, o Talibã, o governo do Afeganistão e do Paquistão.

Versões gravadas de poemas do Sr. Turab se espalharam no país, especialmente entre seus companheiros étnicos, a quem ele chama de campeões. O homem também tem uma estreita ligação com Hezb-i-Islami – parte islâmico do partido político, que faz parte do grupo militante.

Apesar de suas “aflições” sociais serem “estreitas e divisionistas”, a sua poesia tem apelo de massa, de acordo com o “The New York Times”. Mr. Turab reserva sua caridade para os afegãos comuns, abatidos pela corrupção e decepção que vivem nesta última década.

“Não há nenhum político genuíno no Afeganistão”, disse ele, quebrando brevemente um raro sorriso. “Até onde eu sei, os políticos precisam do apoio do povo, e nenhum desses políticos têm isso. Para mim, eles são como os acionistas de uma empresa. Eles só pensam em si mesmos e os seus lucros”, relatou ao jornal.

Mesmo com seu desprezo pela política, Mr. Turab manteve-se popular nos “cantos influentes” do governo. O presidente Hamid Karzai até o convidou recentemente para o palácio presidencial em Cabul. “O presidente gostou da minha poesia e me disse que eu tinha uma excelente voz, mas eu não sei por que isso”, disse ele. “Eu critico ele”.

O poeta afegão, apesar de conseguir difundir sua “poesia” pelo país, é quase analfabeto. Embora ele possa, com dificuldade, ler cópias impressas, ele não consegue nem escrever nem ler a escrita dos outros, revelou. Ele disse que constrói sua poesia em sua cabeça e que confia na memória para lembrá-la.

Do G1, em São Paulo

Mãe que fez o 1º Enem, há 15 anos, apoia filho que fará o exame em 2013

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‘Era tudo novo e difícil’, diz Divina Aguiar, que fez a primeira prova em 1998.
Exame começou com 150 mil inscritos; em 2013, pode chegar a 6 milhões.

Vanessa Fajardo, no G1

Divina Aguiar com seu filho Renato que fará Enem 15 anos depois dela (Foto: Divulgação/Farias Brito)

Divina Aguiar com seu filho Renato que fará Enem
15 anos depois dela (Foto: Divulgação/Farias Brito)

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) faz 15 anos e sua evolução pode ser contada por meio da história de vida de uma analista de sistema e seu filho que moram em Fortaleza (CE). Divina Maria Penha de Aguiar, de 36 anos, fez a primeira edição do Enem, em 1998, quando o exame foi criado para avaliar o aprendizado dos alunos do ensino médio e ela nem sabia muito bem qual era a proposta. Na época, o filho dela, Renato Lopes de Aguiar, era um bebê de dois anos, e o Enem “engatinhava” com pouco mais de 150 mil inscritos. Agora, 15 anos depois, tanto Renato quanto o Enem cresceram muito.

O rapaz de 17 anos vai fazer pela primeira vez a prova do Ministério da Educação para conseguir uma vaga no curso de engenharia civil de uma universidade federal. De preferência, no Ceará. Ele já se inscreveu para a prova que poderá ter mais de 6 milhões de candidatos. As inscrições para o Enem podem ser feitas até às 23h59 desta segunda-feira (27). As provas serão dias 26 e 27 de outubro.

Em 15 anos, o Enem mudou muito. Da primeira versão de 1998, quase nada se manteve. A prova tinha 63 questões e uma redação e era aplicada em um só dia. Na estreia, 115,6 mil pessoas fizeram a prova, depois de uma abstenção de 23% do total de inscritos. O Enem foi criado com a proposta de mensurar o aprendizado dos estudantes ao final do ensino médio, que já dava sinais de fracasso.

“A gente não tinha conhecimento do que era o Enem, não sabíamos como era a prova, era tudo novo e foi muito difícil. As questões eram extensas, o tempo curto e não tinha prova naquele estilo”, afirma Divina.

A versão conhecida hoje, com o formato de quatro provas com 45 questões cada, aplicada em dois dias, chegou em 2009. Hoje 101 universidades e institutos federais utilizam o exame de alguma forma no processo de seleção. Muitos substituíram o vestibular pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

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“Estudo de manhã e fico à tarde na escola para estudar por conta própria com amigos. Quero uma vaga em engenharia civil na Universidade Federal do Ceará. A nota de corte é alta, quero muito passar e estudo para isso”, diz Renato, que estuda no Colégio Farias Brito, em Fortaleza. O estudante fez o Enem no ano passado, como treineiro, para conhecer o estilo da prova. “Acho uma boa proposta, é uma forma mais justa e ampla de testar conhecimento.”

A mãe de Renato, Divina diz que apesar das dificuldades, foi bem no Enem, tirou uma boa nota, mas não pode aproveitá-lo para entrar na faculdade. Na ocasião, aos 18 anos, seu filho já tinha 2 anos, e como ela não conseguiu passar no vestibular – queria estudar direito – desistiu dos estudos para cuidar do filho. Foram dez anos assim, longe da escola.

“Voltei porque tinha o sonho de me formar. Em 2005 prestei vestibular em uma universidade particular e fui fazer ciência da computação. Eu trabalhava 8h como supervisora de telemarketing, estudava à noite, e tinha meu filho, minha casa para cuidar, por isso só fiz três disciplinas por semestre [no tempo regular, seriam cinco] e demorei mais tempo para me formar”, afirma.

A formatura foi em 2011, e em fevereiro deste ano, Divina já emendou um curso de MBA na área de gerenciamento de projetos paralelamente as aulas de inglês. O objetivo é conseguir ocupar melhores posições na empresa em que trabalha. Em casa, Divina não precisa explicar a importância da educação ao filho.

“Renato estuda sozinho à tarde na escola, eu nem me preocupo. Ele namora, joga viodegame, não deixa de fazer nada, mas sabe se organizar e planejar.” Ela incentivou Renato a fazer o Enem no ano passado, como treineiro quando estava no segundo ano do ensino médio. “Ele sempre esteve entre os melhores alunos, sempre foi bom em redação, é bom de lógica, pega rápido, mas era importante conhecer a prova, eu tive muita dificuldade por não conhecer o exame.”

Divina afirma que nem de longe imaginou que o desconhecido Enem de 1998 pudesse virar este exame tão importante. “Foi uma surpresa, não imaginava que iria tomar essa proporção. É uma excelente ideia, se o Enem já existisse nesse formato, poderia ter entrado na faculdade.”

Se antes, a gravidez na adolescência a preocupou e mudou os planos de sua vida, hoje, Divina agradece ter sido mãe muito jovem. “É um orgulho, malhamos na mesma academia, conversamos muito, trocamos dica de estudo. Agradeço ele ter vindo antes da hora, somos amigos. Ninguém acredita que ele é meu filho.”

Novo Enem para medicina

Mãe e filha também fizeram o mesmo exame, porém, completamente diferentes em Maricá, no interior do Rio de Janeiro. Glória Ludimila Salles da Silva, de 53 anos, prestou a prova em 2003, e sua filha Ludimila, de 21 anos, fará neste ano o exame pela quarta vez.

Ludimila (a filha) sempre estudou em escola pública e em 2011, depois de muito estudo e dedicação, conseguiu pelo Enem uma vaga no curso de enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Deixou a casa da família e foi morar perto da universidade. Já se foi um ano de curso e ela resolveu mudar os planos, vai fazer o Enem novamente para estudar medicina.

Ludimila Silva Salles de Sá, de 21 anos,e a mãe Glória, de 56 anos, que fez a prova em 2003 (Foto: Arquivo pessoal)

Ludimila Silva Salles de Sá, de 21 anos,e a mãe
Glória, de 56 anos, que fez a prova em 2003
(Foto: Arquivo pessoal)

“O curso de enfermagem é muito bom, os professores são excelentes, ganhei muita experiência. Mas eu ainda estou sentido falta de estar em outro curso”, diz Ludimila. Para conseguir atingir a meta, se matriculou em um cursinho preparatório e trancou algumas disciplinas para poder se dedicar às aulas do Curso Progressão Autêntico, na Ilha do Governador. “Estou estudando muito para o Enem, quero realmente cursar medicina. Pretendo me especializar em neurocirugia, nas aulas de anatomia vi que tinha aptidão para isso.”

O Enem foi um progresso para o país, mas é necessário encontrar um meio de não haver problemas, como com a correção das redações que foi uma catástrofe no ano passado”
Ludimila Salles, de 21 anos, que fará o exame pela quarta vez

Ludimila cogita a possibilidade de deixar o Rio de Janeiro e aproveitar a mobilidade oferecida pelo Sisu. A estudante aprova o modelo do Enem, mas com ressalvas. “Queria que ele fosse mais conteudista e acho que o tempo de prova é insuficiente. É cansativo, são questões longas. Também é preciso melhorar a correção da redação, que neste ano vai mudar. Mas é através do Enem que estou na UFRJ, reconheço que as vantagens.”
Glória, a mãe de Ludimila, fez o Enem em 2003 com objetivo de melhorar a pontuação e conseguir passar no vestibular para o curso de pedagogia. Ela lembra que foi bem na prova, mas não conseguiu se matricular em nenhuma universidade, porque teve um problema de saúde e ficou hospitalizada por bastante tempo.

Hoje, com a saúde restabelecida, ela pensa em fazer o Enem novamente, incentivada pela filha. “Tenho vontade de fazer faculdade de pedagogia, acho muito interessante repassar a sabedoria. Já fui professora, adorei lecionar.” Para ela, o Enem significa oportunidade para muitos alunos. “Foi um progresso para o país, mas é necessário encontrar um meio de não haver problemas, como com a correção das redações que foi uma catástrofe no ano passado. Não pode haver esses erros. A ideia em si foi muito bem formada, mas a parte educacional ainda está se desenvolvendo aos poucos.”

Arthur, de 17 anos, e a mãe, Cristiane Saito: ele vai fazer o Enem em outubro, ela fez o exame em 2004 (Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Saito)

Arthur, de 17 anos, e a mãe, Cristiane Saito: ele vai
fazer o Enem em outubro, ela fez o exame em 2004
(Foto: Arquivo pessoal/Cristiane Saito)

Filho treineiro

Primeiro a mãe, depois o filho. A história se repete em Socorro, no interior de São Paulo. A administradora Cristiane Gomes Saito, de 46 anos, fez o Enem em 2004, seu filho Arthur, de 16, fará a prova neste ano como treineiro.

Cristiane ficou 11 anos sem estudar, morou quatro anos no Japão para trabalhar e voltou em 1996, pois estava grávida, e queria ter o filho no Brasil. Anos depois, de volta à terra natal também retomou os estudou.

Concluiu o ensino médio e no mesmo ano chegou a passar na primeira fase da Fuvest, no curso de oceanografia, mas segundo ela, o “lado mãe” falou mais alto, e não se dedicou o suficiente para conquistar a vaga. Quando viu que não tinha sido aprovada na segunda etapa, sentiu até um certo “alívio”, nas palavras dela, já que o filho, na época, com 6 anos, e precisava da sua atenção. Se tivesse sido classificada, teria de mudar de cidade, pois o campus da USP que oferece oceanografia fica em São Paulo.

Em 2004, foi fazer cursinho pré-vestibular no Colégio Objetivo de Socorro e prestou o Enem. “Era uma prova longa, até dava dor no pescoço. Mas lembro que já era diferente em relação aos vestibulares. Para testar o conhecimento foi maravilhoso, mas não foi pelo Enem que entrei na faculdade”, diz. Cristiane optou por um curso semi-presencial de administração e utiliza os conhecimentos para tocar seu próprio negócio, uma padaria. Agora pretende fazer uma pós-graduação na área do mercado financeiro.

Era uma prova longa, até dava dor no pescoço. Mas lembro que já era diferente em relação aos vestibulares. Para testar o conhecimento foi maravilhoso, mas não foi pelo Enem que entrei na faculdade”
Cristiane Gomes, de 46 anos, administradora; fez o Enem em 2004

“Acho que o Enem é uma forma bacana de democratizar o ingresso na universidade, mas tem de cobrar conhecimento geral completo para que a pessoa tenha condições de ocupar a vaga na universidade.”
Para Arthur, filho de Cristiane, o Enem 2013 vai servir como treino. Ele ainda tem dúvidas se quer ingressar na faculdade de engenharia da computação ou seguir a carreira militar, assim como dois de seus tios. “Quero ver como é o Enem para ficar mais esperto, já fiz alguns simulados, mas é diferente fazer a prova de verdade.”

Erros e falhas

Nem só boas notícias fazem parte da história de 15 anos do Enem. No primeiro ano, em 2009, na estreia do novo formato, provas do Enem foram furtadas de uma gráfica em São Paulo, e o exame teve de ser remarcado às vésperas. Em 2010, houve falha na impressão dos cadernos amarelos com questões repetidas e algumas ausentes e na folhas de resposta, os cabeçalhos estavam trocados. Em 2011, vazaram perguntas do pré-teste aplicado em um colégio de Fortaleza.

Na edição do ano passado, a principal polêmica girou em torno da correção das redações. Estudaram ‘testaram’ os corretores colocando a receita de um macarrão instantâneo e do hino de um time de futebol no meio do texto. Mesmo assim as redações não tiraram nota zero. Neste ano, o MEC anunciou novas regras para a correção.

Pai assiste a aulas e ajuda filho com paralisia a se formar jornalista

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Jairo Marques, na Folha de S.Paulo

Todos os dias, durante os últimos quatro anos, o ex-bancário Manuel Condez, 60, dedicou a mesma rotina ao filho Marco Aurélio, 26, que convive com sequelas severas de paralisia cerebral: deu banho, penteou os cabelos, carregou-o no colo até o carro e o levou para a faculdade de jornalismo a 17 km de casa.

O pai assistiu a todas as aulas, anotou as lições dadas pelos professores, auxiliou o filho na feitura das provas escrevendo no papel aquilo que ele lhe soprava, ajudou intermediando pensamentos, foi o motorista do grupo de trabalho e o assessorou em entrevistas e em reportagens.

Na semana passada, Marco recebeu o diploma da Universidade São Judas, em São Paulo, e Manuel viveu uma das noites mais emocionantes de sua vida, sendo o grande homenageado. Foi ovacionado pelos formandos e recebeu da direção da faculdade uma placa de honra ao mérito.

“Não fiz nada demais. Qualquer pai que tem amor ao filho também se dedicaria. Era um desejo dele fazer faculdade, e eu só ajudei a realizar”, diz Manuel, com os olhos marejados.

Marco tem braços, mãos e pernas atrofiados, fala com dificuldade, já foi submetido a 11 cirurgias reparadoras, usa cadeira de rodas e programa especial de computador para ter mais autonomia. Precisa de cuidados específicos para tocar o dia a dia.

“O único ponto meu que ainda não foi operado é o cérebro”, brinca o jovem, que lida com naturalidade com o estereotipo de que paralisados cerebrais, necessariamente, têm comprometimentos intelectuais.

Manuel Francisco Contez, 60, ajudou o filho Marco Aurlio Contez, 26, durante todo o curso de jornalismo (Marcelo Justo/Folhapress)

Manuel Francisco Contez, 60, ajudou o filho Marco Aurlio Contez, 26, durante todo o curso de jornalismo (Marcelo Justo/Folhapress)

DESTAQUE DA TURMA

O rapaz não só tem pleno domínio do intelecto como, na avaliação de colegas de turma e de professores, foi um dos melhores alunos.

“Com o apoio do seu Manuel, o Marcão fez tudo: vídeo para TV, programa de rádio, debate. Ele se destacou muito. Tinha ideias contundentes e sempre se saia bem nas provas”, conta Raquel Brandão Inácio, amiga do jovem e parte de seu grupo de trabalho de conclusão de curso, sobre novas famílias.

Professor e agora colega de profissão do rapaz, Celso de Freitas diz que pai e filho “quebram um cenário comum de pessoas com deficiência, que é ficar dentro de casa e não enfrentar a vida.”

Para o mestre, “Marco tem inteligência acima da média, e Manuel foi tratado como um aluno, não como um acompanhante. Nas aulas de rádio, propus a eles fazerem apenas trabalhos escritos, mas, a sua maneira, entregavam gravações de áudio.”

EXTENSÃO DO CORPO

O protagonismo que o pai teve e tem em sua vida é claro para o jornalista.

“Ele é uma extensão do meu corpo. Quando não posso fazer algo, ele está sempre ali para me ajudar, nunca para me atrapalhar”, afirma Marcos.

Agora, o jovem, que gosta de rádio e de esportes, está atrás de uma vaga no mercado de trabalho.

“Quero usar o conhecimento que adquiri, quero ajudar os outros com meu trabalho. Não fiz faculdade para ficar no Facebook.”

Pai e filho já começaram uma nova empreitada: estão fazendo aulas de inglês. Juntos, evidentemente.

“Nossa família está unida para tentar ajudar o Marcos a quebrar outras barreiras”, declara Manuel.

dica de Sidnei Carvalho de Souza

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