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Mãe diz que filho de 8 anos sofreu preconceito racial em escola do DF

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Colega de turma chamou o menino de ‘preto, sujo, feio e fedido’, afirma. Escola diz reprovar atitude; caso vai ser levado para Conselho Tutelar.

Texto sobre preconceito racial postado pela mãe em rede social (Foto: Facebook/Reprodução)

Texto sobre preconceito racial postado pela mãe em rede social (Foto: Facebook/Reprodução)

Raquel Morais, no G1

Um garoto de 8 anos foi ofendido por uma colega de sala por ser negro, segundo denúncia registrada na polícia pela mãe nesta quarta-feira (27) no Distrito Federal. De acordo com ela, o caso ocorreu antes do carnaval no colégio La Salle do Núcleo Bandeirante e foi relatado pela professora da turma. A instituição afirmou ao G1 não aceitar atitudes preconceituosas.

“Ela disse que viu uma coleguinha dizendo para ele que ele nunca vai arranjar namorada, que ninguém nunca vai gostar dele, porque ele é preto, sujo, feio e fedido”, conta Maria Paula de Andrade. “Agora ele está choroso, só chora. Ele escreveu na agenda que odeia a escola. E fica me perguntando: ‘Mãe, eu sou fedido? Mãe, eu sou sujo?’ Dói muito ver seu filho passando por isso.”

A mulher afirmou que procurou a coordenação da escola, que é privada, para organizar um encontro com os pais da criança. De acordo com a mãe, no entanto, nada foi feito. “A instituição não tomou a devida posição, só que isso é crime. Racismo é crime. Eu disse para as orientadoras: estou aqui porque meu filho foi discriminado e racismo é crime.”

A orientadora educacional Caroline Giani de Carvalho disse que a escola frequentemente conversa com as crianças sobre respeito. “A gente não aceita esse tipo de situação, temos essa questão da diversidade muito bem discuta em sala de aula. Mas falar em racismo é pesado. A gente trata isso como uma ofensa, infelizmente feita em uma hora errada”, disse.

A Polícia Civil do Distrito Federal informou que vai repassar o caso para o Conselho Tutelar. A entidade disse ainda que a escola pode ser responsabilizada civilmente pela ocorrência. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que houve 31 casos de injúria racial no DF no ano passado.

Interesse estrangeiro leva editoras a ampliar catálogo de ficcionistas nacionais

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Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Poucos escritores não gostariam de passar pelo dilema que atormentou Andrea del Fuego, 37, no fim do ano passado: avaliar ofertas de mais de cinco editoras para decidir qual publicaria seu novo romance. Quem levou foi a Companhia das Letras, que planeja o título para abril.

Dias atrás, foi a vez de Edney Silvestre, 62. Com dois livros pela Record, recebeu propostas de mais duas casas para sua nova ficção. O valor de adiantamento de direitos autorais chegou a seis dígitos, fenômeno raro para um romance nacional. Escolheu a Intrínseca, que planeja “Vidas Provisórias” para agosto.

Os casos acima ainda são exceções. Ao contrário do que já ocorria com a não ficção nacional, títulos isolados de ficção não costumam gerar disputas –especialmente quando os autores são relativamente novos na área, como Del Fuego e Silvestre.

Mas os exemplos são simbólicos do momento que a literatura nacional vive hoje, com a ampliação do interesse das editoras pelo que se produz atualmente no país.

A escritora Andrea del Fuego em sua casa em São Paulo - Eduardo Knapp/Folhapress

A escritora Andrea del Fuego em sua casa em São Paulo – Eduardo Knapp/Folhapress

O novo romance de Silvestre junta-se ao de Letícia Wierzchowski na estreia da Intrínseca na ficção nacional -o da gaúcha, ainda sem título, está previsto para junho. A editora também contratou um romance de Miguel Sanches Neto, que deve sair no ano que vem.

A Companhia das Letras deve dobrar seu número de romances nacionais neste ano. Será mais de um por mês, podendo alcançar o total de 16, se Chico Buarque e Milton Hatoum entregarem os seus.

A Record, casa das que mais investem em nacionais, costuma chegar a 20 ao ano.

Com as contratações das editoras Heloisa Jahn e Marta Garcia, que na Companhia das Letras trabalharam grandes obras nacionais, a Cosac Naify planeja aumentar a frequência de sua ficção brasileira, que nunca foi regular.

“Vamos nos organizar assim que a Marta começar a trabalhar com a gente, no dia 18. Queremos reservar espaço para seis ficções de autores nacionais contemporâneos por ano”, diz a diretora editorial Florencia Ferrari.

A Globo, que tem no catálogo quase só infantojuvenis entre os ficcionistas nacionais em atividade, vem sondando nomes. Já fez alguns convites.

REFLEXO

Considerando que a ficção feita hoje no país não costuma vender mais que poucos milhares de cópias, impressiona o interesse de um mercado que se acostumou a comercializar centenas de milhares de seus best-sellers.

Para editores, o olhar internacional fez casas nacionais perceberem a importância de oferecer um catálogo de autores locais. O interesse estrangeiro foi estimulado pelo anúncio do Brasil como convidado de honra em 2013 da Feira de Frankfurt, maior evento editorial do mundo.

“Somos um raro caso de país que não consome a literatura local. O bom editor sabe que isso é anomalia e aposta na mudança”, diz a agente literária Luciana Villas-Boas, que atende 40 autores, incluindo Edney Silvestre.

Luciana, que por 15 anos foi diretora editorial da Record, é também personagem desse cenário. Em 2012, ao abrir sua agência, chamou atenção ao declarar foco na produção nacional, enquanto o mercado ansiava por aquisições estrangeiras.

Acabou se antecipando a outras agências, como a de Marianna Teixeira Soares, ex-Rocco e Ediouro, hoje com 20 autores. As agências se tornaram mais um filtro para seleção de nomes por editoras.

“Sempre buscamos nacionais por uma questão de prestígio”, diz Otávio Marques da Costa, publisher da Companhia das Letras, “mas é inegável que há uma boa safra”.

A editora agora busca ampliar as vendas. “Barba Ensopada de Sangue”, de Daniel Galera, saiu há dois meses com 8.000 cópias, mais do dobro da tiragem média de romances nacionais, que costumam demorar anos a esgotar. Já vendeu mais de 11 mil.

Embora a ficção adulta de autores em atividade não seja o centro das compras de livros por governos estaduais e federal, que tendem a preferir clássicos e infantojuvenis, ela tem surgido nas listas.

O maior programa do gênero, o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), investiu R$ 75 milhões, entre aquisição e distribuição, na edição de 2013. “Pó de Parede” (Não Editora), de Carol Bensimon, foi um dos contemplados, com 29 mil cópias.

Os governos selecionam títulos por meio de comissões de especialistas e costumam comprá-los com descontos de até 90%. Para as editoras, vale pela quantidade, bem superior à que os títulos alcançam em vendas nas livrarias.

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ROMANCES QUE VÊM POR AÍ
Alguns títulos previstos por grandes editoras para 2013

ALFAGUARA
“Hanói”, Adriana Lisboa
“Divórcio”, Ricardo Lísias
“Esquilos de Pavlov”, Laura Erber
“A Travessia de Suez”, Reinaldo Moraes
“Noites de Alface”, Vanessa Barbara
“Papis et Circenses”, José Roberto Torero

COMPANHIA DAS LETRAS
“Machu Picchu”, Tony Bellotto
“A Tristeza Extraordinária do Leopardo-das-Neves”, Joca Reiners Terron
“Terceiro Tempo”, Marcelo Backes
“Digam a Satã que o Recado Foi Entendido”, Daniel Pellizzari
“Ithaca Road”, Paulo Scott
“Edifício Midori Filho”, Andrea del Fuego
“República das Abelhas – a Família Política de Carlos Lacerda”, Rodrigo Lacerda
Carlos de Brito e Melo1, Simone Campos1, Juliana Frank1, Sérgio Rodrigues1, Carlos de Brito e Melo1, Luiz Ruffato1, Bernardo Carvalho1, Chico Buarque2 e Milton Hatoum2

COSAC NAIFY
“Pessoas que Passam pelos Sonhos”, Cadão Volpato
João Anzanello Carrascoza1

INTRÍNSECA
“Vidas Provisórias”, Edney Silvestre
Letícia Wierzchowski1

RECORD
“O Brasil”, Mino Carta
“Fernando Pessoa, o Cavaleiro de Nada”, Elisa Lucinda
“Tangolomango: Ritual das Paixões deste Mundo”, Raimundo Carrero
“Vila Vermelho”, Jeter Neves
“Só o Pó”, Marcelino Freire
“Carta ao Filho”, Betty Millan
“Cardano”, Raul Emerich

ROCCO
“As Pequenas Mortes”, Wesley Peres
“Os Olhos de Touro São”, Ieda Magri
“Terra de Casas Vazias”, André de Leones
“Flores sem Folhas”, Natália Nami
“Aldeia do Silêncio”, Frei Betto
“A Querida Saiu”, Luciana Pessanha
“Enquanto Ela Contava Histórias”, José El-Jaick
“As Mil Mortes de César”, Max Mallmann

1 Título do romance indefinido
2 Pode ficar para 2014 e tem o título indefinido

dica do Tom Fernandes

Promoção: “Guia-me, Espírito Santo”

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guia-me esp santo

 

Para participar, basta deixar 1 comentário completando a frase abaixo:

“Eu preciso desse livro porque………..”

Quem participar diretamente no Facebook, por gentileza deixe e-mail de  contato.

O sorteio será realizado no dia 21/2, às 23:59h e os ganhadores deverão enviar seus dados em até 48 horas após a divulgação do resultado no perfil @livrosepessoas, no Twitter.

A editora é responsável pelo envio dos livros e o prazo para entrega é de 30 dias.

Parabéns as ganhadoras: Raquel Valverde, Deborah Moraes e Jemima Acsa. =)

“Me fascina o passado parecer mais intenso que o presente”, diz John Banville

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Raquel Cozer, na A Biblioteca de Raquel

O irlandês John Banville, autor do lindíssimo “O Mar” (Nova Fronteira), vencedor do Man Booker Prize 2005, vem neste ano para Flip, o que levou a Globo a programar seu romance mais recente, “Luz Antiga”, para junho. Minha entrevista com ele para o texto da Ilustrada foi motivada por outro lançamento, de “O Cisne de Prata” (Rocco), dentro da série de policiais que assina com o pseudônimo Benjamin Black. Falo um pouco do livro no link acima.

Desde 2006, quando começou a lançar policiais como Benjamin Black, inspirado pelos romances do belga Georges Simenon (1903-1989), Banville quase não escreve como Banville. Além de “Luz Antiga”, lançou só “Os Infinitos” (Nova Fronteira), que nem faz jus ao escritor que ele é. No mesmo período, foram sete livros como Black, com mais um previsto para este ano.

Em resumo, ele sofre mais para escrever como Banville, obcecado pela frase perfeita, e não vende tanto assim. Como Black, escreve com facilidade, sem nenhuma ambição de ser artista, e lidera listas de mais vendidos. É assim que funciona e, ele diz, é absolutamente natural.

Ele fala também sobre as especificidades de seus romances policiais, a “conversão” a Benjamin Black e a Wikipedia, entre outros temas, na entrevista abaixo, concedida por e-mail.

Foto de Beowulf Sheehan

Foto de Beowulf Sheehan

Em vez de centrar a história no ponto de vista de Quirke, o protagonista, “O Cisne de Prata” alterna capítulos na voz dele com as de outras personagens, incluindo a vítima. O resultado é que os leitores acabam sabendo muito mais do que o personagem que investiga a história. Por que optou por esse formato?
Acho romances policiais fascinantes do ponto de vista técnico. Nesse livro, foi interessante alargar a perspectiva e trazer, embora obliquamente, as vozes, ou ao menos as sensibilidades, de outros personagens. E com isso fazer Quirke desconhecer detalhes que outros personagens, e os leitores, sabem. Mas, enfim, Quirke geralmente progride por meio da ignorância dos fatos. O que admiro nele como protagonista é que ele não é um superdetetive. Se você quer o oposto de Sherlock Holmes ou Hercule Poirot, esse é Quirke. Ele é um pouco estúpido, como o resto de nós –humanos, em outras palavras. (mais…)

Ken Follet usa Excel e Google Earth para escrever trilogia

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Raquel Cozer, na Ilustrada

Dois anos bastaram para o britânico Ken Follet, 63, organizar nas 880 páginas de “Inverno do Mundo” (Arqueiro) quase duas décadas de vivências de 98 personagens, entre reais e fictícios, espalhados por dez países.

E isso sem esbarrar em incorreções históricas nem contradizer o que ele mesmo havia escrito sobre os protagonistas nas 915 páginas de “Queda de Gigantes” (2010), volume anterior de sua superlativa trilogia “O Século” -o terceiro “Edge of Eternity”, ainda está sendo escrito.

O que garantiu o ritmo, diz Follet, foram ferramentas que inexistiam nos anos 1970, quando estreou como escritor. Em especial o Excel, programa para criar tabelas e calcular dados no computador.

O autor com estátua em sua homenagem na catedral Santa María de Vitoria, Espanha (David Aguilar/Efe)

O autor com estátua em sua homenagem na catedral Santa María de Vitoria, Espanha (David Aguilar/Efe)

“Fiz uma planilha para seguir as pistas dos personagens”, diz o autor à Folha. “Toda vez que um personagem aparece, coloco nome e idade na tabela, além da descrição física. A planilha calcula as idades para o tempo que passa. Assim não erro.”

Follet também se deu ao direito de checar uma ou outra coisa nas imagens via satélite do Google Earth, embora tenha visitado ao longo da vida praticamente todos os cenários descritos nos livros.

O Excel pode tirar algo do romantismo esperado da criação literária, mas, dado o tamanho do empreendimento, é um método compreensível.

Na trilogia, Follet acompanha cinco famílias -americana, alemã, russa, inglesa e galesa- ao longo de três eventos centrais do século 20: as duas grandes guerras mundiais e a Guerra Fria.

O “Inverno do Mundo” começa em 1933, quando os bebês nascidos no primeiro livro já são adolescentes, e segue até 1949, quando os adolescentes de 1933 já se tornaram adultos com sua própria prole -que deve assumir papeis centrais no terceiro livro.

Os jovens protagonistas do segundo volume, como Carla von Ulrich, filha de alemão com inglesa, e o inglês Lloyd Williams, vivem efeitos da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial.

Estão sempre à beira dos grandes acontecimentos. Filhos de parlamentares ou diplomatas, testemunham situações como a decisão dos EUA de responder aos ataques japoneses a Pearl Harbor.

Abordar com esse nível de intimidade eventos tão recentes exige de Follet cuidado ainda maior que o dedicado a seu maior sucesso, “Os Pilares da Terra” (Rocco, 1992), que se passa na Idade Média.

“Tenho de ser mais cuidadoso. Na Idade Média, se quisesse dizer que um dia o rei foi ao campo, eu poderia: ninguém sabe bem onde o rei estava na maior parte do tempo. Agora, se quero dizer que o presidente Roosevelt foi a tal lugar tal dia, tenho de ter certeza. Alguém em algum lugar sabe onde ele esteve em cada dia de sua presidência.”

E os leitores fazem questão de mostrar que sabem. Em seu site, ele abriu uma página para corrigir erros apontados em seus quase 30 livros.

De “Inverno do Mundo”, lançado em 18 países, por ora só um erro foi registrado: o time de baseball de Washington no início do século 20 não era o atual Nationals, e sim um anterior que, embora se chamasse Washington Nationals a partir de 1905, era conhecido como Senators.

Como se vê, os leitores são implacáveis.

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