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Posts tagged Ratos

Cabine de Férias: “Filmes inspirados em livros”

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Publicado por Cabine Literária

O Videl Carvalho, do canal Ratos Letrados, vem compartilhar com a galera diversos filmes inspirados em obras literárias. Alguns, inclusive, a gente não fazia ideia! 😮

‘Holocausto Brasileiro’ resgata história de 60 mil mortos em hospício mineiro

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Publicado por Livraria da Folha

O hospício conhecido por Colônia, em Barbacena (MG), foi palco de uma das maiores atrocidades contra a humanidade no Brasil. Lá, com a conivência de médicos e funcionários, o Estado violou, matou e mutilou dezenas de milhares de internos.

Divulgação

Pacientes protegiam sua gravidez passando fezes sobre a barriga / Divulgação

Epilépticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, tímidos e meninas que engravidaram antes do casamento engrossavam o número de “pacientes”. Aproximadamente 70% deles não tinham doença mental.

No hospício, perdiam seus nomes e suas roupas. Viviam nus, comiam ratos, bebiam água do esgoto, dormiam ao relento, eram espancados. Nas noites geladas, cobertos por trapos, morriam pelo frio, pela fome ou pela doença. Em alguns períodos, 16 pessoas morriam por dia nesse manicômio.

Os cadáveres eram vendidos para faculdades de medicina. Quando não havia comprador, os corpos eram banhados em ácido no pátio, diante dos internos.

Em “Holocausto Brasileiro: Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes no Maior Hospício do Brasil “, a jornalista Daniela Arbex conta a história entre os muros da Colônia para evitar que atrocidades assim voltem a acontecer. Abaixo, veja o vídeo de divulgação do livro.

Banidos, proibidos e queimados na fogueira

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Publicado por Rolling Stone Brasil

1Não precisa de nenhum grau de clarividência para adivinhar que uma trilogia de apelo jovem que fala de sadomasoquismo e bate recordes de venda, no mínimo, levantaria sobrancelhas em semblantes mais conservadores. De fato, Cinquenta Tons de Cinza, da escritora britânica E L James, está dando o que falar. Os livros contam a história de um relacionamento de submissão/domínio entre uma estudante e um bilionário. Grupos de diversos lugares já se manifestaram contra a obra, e uma entidade de auxílio às mulheres que ajuda vítimas de violência doméstica anunciou uma queima de exemplares da obra no dia 5 de novembro.

Mas não são só livros de conteúdo sexual que foram banidos, proibidos, queimados e repudiados pela sociedade. Bruxaria, crítica religiosa, comportamento subversivo e outros temas (além do uso de expressões chulas, mesmo que dentro de um contexto) também já foram vítimas de censura, que armam fogueiras para os títulos, proíbem a existência deles nas bibliotecas públicas e condenam as escolas que incentivam sua leitura. Foram dezenas e dezenas de casos. Relembre alguns mais emblemáticos e que comece a caça às bruxas!

 

 

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Saga Harry Potter, de J. K. Rowling – Livros que envolvem bruxaria enfrentam preconceito e não é pouco. Os religiosos mais fervorosos, que colocam no mesmo balaio os feitiços de Hermione e rituais que sacrificam recém-nascidos, caem em cima. E a regra é, quanto mais o sucesso literário, mais intensa é a caçada a ele, de forma que a American Library Association (Associação Americana de Bibliotecas) divulgou uma lista com os livros mais banidos do século e a série de Rowling estava em primeiro lugar.

 

 

 

 

 

 

 

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Ratos e Homens, de John Steinbeck – O clássico de 1937, escrito pelo autor vencedor do Nobel John Steinbeck, conta a história trágica de George Milton e Lennie Small, dois homens simples e deslocados que migram de um lugar para o outro atrás de trabalho na área rural. A história se passa na Califórnia durante a Grande Depressão. A obra faz parte da lista de leituras obrigatórias de muitas escolas, mas desde aquela época é alvo frequente de censores, que repudiam a vulgaridade e a linguagem racial ofensiva do texto. A acusação principal é de que o livro promove a eutanásia (sem detalhes para não fazer spoiler). Foram 54 objeções ao título desde que ele foi publicado.

 

 

 

 

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As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain – O livro saiu no Canadá, Reino Unido e Estados Unidos em 1885. Desde então, os norte-americanos encrencam com ele. Foi banido de muitas bibliotecas, recebendo críticas a respeito de como a linguagem era chula, obscena e, em geral, muito deselegante. Fosse hoje em dia, essa crítica viraria meme. Seu “livro-irmão” As Aventuras de Tom Sawyer passou pelos mesmos apuros.

 

 

 

 

 

 

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O Apanhador no Campo de Centeio, de JD Salinger – Poucos livros trazem histórias tão curiosas em seus bastidores como esse, cujo autor se tornou notoriamente recluso posteriormente (e até o fim da vida), que nunca pôde virar filme e foi acusado até de ter tido influência no assassinato de John Lennon. Retratando a angústia juvenil de forma única, foi publicado em 1951 e sofreu críticas logo de cara. Entre 1961 e 1982, foi o livro mais censurado em escolas e bibliotecas em todos os Estados Unidos. Em 1960, uma professora foi demitida por dar o livro como leitura de classe, gerando comoção – ela foi recontratada, posteriormente. Em 1981, foi tanto o livro mais censurado, quanto o segundo título sobre o qual mais se deu aulas nas escolas públicas norte-americanas. Ele figura constatemente na lista anual da American Library Association até hoje. Os protestos dizem respeito, na maior parte, à linguagem vulgar usada pelo protagonista, Holden Caufield, referências sexuais, palavrões e o questionamento de códigos morais e valores familiares, bem como o “encorajamento da rebeldia” e o incentivo ao mundo de bebidas, cigarro, promiscuidade etc. A perseguição chegou a causar o efeito contrário – havia listas de espera para pegar o livro emprestado, em alguns momentos da história.

Um elemento que não ajudou a causa do livro foi quando Mark David Chapman, o assassino de John Lennon, foi preso logo após o crime e tinha com ele uma cópia da obra de Salinger. Robert John Bardo, que perseguiu e matou a atriz Rebecca Schaeffer, e John Hinckley, Jr., que atentou contra a vida de Ronald Reagan, também eram grandes fãs do romance.

 

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Crepúsculo, de Stephenie Meyer – Se os bruxinhos teen caíram nas garras da proibição, que chances tinham as criaturas mortas e chupadoras de sangue de escaparem ilesas? Os “problemas” com a saga, de acordo com a ALA, giram em torno dos mesmos tópicos de sempre: “explícito sexualmente” e “inapropriado para a idade do público alvo”. Os livros aparecem na lista da ALA desde que o primeiro volume chegou ao mercado mas, curiosamente, nenhuma das obras da saga está no ranking mais recente, de 2011.

 

 

 

 

 

 

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Lolita, de Vladimir Nabokov – Sexo? Sim. Incesto? Sim. Menor de idade com apelo sexual? Sim. O autor russo caprichou nos conteúdos socialmente proibidos em seu livro mais conhecido. Tanto que ele nem estava conseguindo publicar a obra na Rússia. Encontrou uma editora na França que topou o desafio, em 1955. A obra foi logo considerada pornografia pura. Ainda assim, se espalhou pela Europa e alcançou os Estados Unidos três anos depois. Em cada país que chegava, sofria algum tipo de censura.

 

 

 

 

 

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Catch-22, de Joseph Heller – O romance satírico se passa no final da Segunda Guerra Mundial. Ele começou a escrevê-lo em 1953, mas a obra só foi publicada oito anos depois. A expressão “Catch-22” entrou para a cultura pop, posteriormente, como sinônimo de uma “situação problemática para qual a única solução é negada pelas circunstâncias inerentes ao problema ou por alguma regra”. Mal traduzindo e simplificando, é um belo de um beco sem saída. A primeira grande razão para ele ter sido banido foi o uso constante da palavra “puta” para se referir às mulheres.

 

 

 

 

 

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Versos Satânicos, de Salman Rushdie – A obra literária do escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie saiu em 1988, retrata uma versão dele do Islã e faz críticas veladas a várias religiões. O autor foi acusado de “abusar da liberdade de expressão”, foi jurado de morte em fevereiro de 1989 em uma fatwa (edito religioso) do aiatolá Khomeini, dirigente espiritual do Irã. Rushdie acabou vivendo dez anos na clandestinidade.

 

 

 

 

 

 

 

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Por favor Não Matem a Cotovia, de Harper Lee – Publicado em 1960, foi inicialmente contestado em 1977 (e temporariamente banido) por causa do uso das palavras “maldito” e “mulher puta”. Depois disso, foram mais dezenas de contestações de bibliotecas e escolas, tanto por causa de expressões específicas, quanto por causa do conteúdo. Retratando um acontecimento marcante em uma cidade sulista na década de 30, o livro de fato traz um retrato doloroso do racismo e muitas das expressões usadas não são nada politicamente corretas. Mas fazem parte do retrato que a autora pinta de uma sociedade terrivelmente imbuída de preconceito.

 

 

 

 

dica do João Marcos

Ratos e homens (Of mice and men) – Livros de macho

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Filipe Laredo, no Papo de Homem

Para dar início à interessante empreitada que é indicar e analisar “livros de macho”, comecemos falando de um que não necessariamente foi escrito para homens, mas que deve ser lido por homens. Isso porque existem características nas amizades masculinas que apenas os homens entendem. E é com isso que começo falando de um dos maiores romances do século XX:  Ratos e homens, de John Steinbeck*.

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Contada durante a recessão estadunidense da década de 1930, a história narra um breve trecho da vida de dois homens, George e Lennie. Os dois são completamente diferentes um do outro: o primeiro é franzino, mas esperto e inteligente, e o outro é muito grande e forte, mas meio retardado. O elo entre eles se resume apenas na amizade e na posição marginal que se encontram, já que não têm dinheiro, família ou propriedades.

Os dois viajam e trabalham juntos em fazendas no interior da Califórnia, fazendo bico. Levam uma vida dura e difícil, mas sonham em vencer na vida, utilizando os recursos acumulados em tantos anos de sofrimento. Porém, o que conseguem guardar não é suficiente, e provavelmente nunca será, pois não recebem muito mais do que um teto coletivo para morar e comida. Mesmo assim, seguem com o objetivo de um dia possuir suas próprias terras para cultivar e trabalhar.

Em uma das fazendas que trabalham, os personagens conhecem Curley, o mimado filho do patrão que costuma maltratar os funcionários e sua esposa, que os personagens se referem apenas como a “esposa do patrão” e cujo nome Steinbeck negligenciou por considerá-la apenas um símbolo de frustração e perigo para Lennie.

Ela é uma personagem chave dentro da narrativa, pois é ela – ou melhor, sua preocupação com própria beleza – quem vai definir o futuro dessa honrosa ligação.

Steinbeck é bastante habilidoso ao retratar uma época de “vacas magras” na sociedade estadunidense, personificada na figura de trabalhadores pobres e solitários, pouco estimulados a manter laços de afeto mais profundos. Nesse cenário, os homens são forçados a pensar, cada vez mais, apenas em seu próprio sucesso. Mesmo assim, o que se capta em Ratos e homens é a fidelidade entre dois homens, que obriga o leitor a passar, nas dez últimas páginas do livro, por uma das mais fortes e impressionantes experiências da história da literatura.

Homens tem seus laços definidos por parâmetros bem característicos, sendo um deles a proteção. O macho, desde pequeno, tem um instinto de querer ser reconhecido como forte, protetor, poderoso. Mas esse ponto não se resume apenas na postura física. Há também traços dele nos conselhos que damos ou quando tentamos encorajar o próximo. Fato: homens fracos necessitam de homens fortes. Isso se chama cumplicidade. E a recíproca é verdadeira nesse caso, já que homens fortes também precisam dos fracos para conseguir manifestar sua autoconfiança.

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Outro ponto importante nas relações masculinas é a fidelidade, elemento importante para a manutenção do poder no coletivo. Quando era mais novo, jogava basquete em alguns clubes e certa vez um dos meus técnicos afirmou que nunca treinaria uma equipe feminina. Nós, jogadores, questionamos o porquê. A resposta foi simples: as mulheres do mesmo time, quando brigam ou discutem entre si, não passam mais a bola umas para as outras. Os homens podem até sair na porrada, mas se o companheiro estiver bem posicionado, a bola vai pra ele.

Não estou dizendo com isso que as mulheres não são fiéis entre elas. Mas todos sabemos que, na maioria dos casos, quando uma mulher se arruma para sair, faz as unhas e vai ao cabelereiro, o faz muito mais para competir com as outras mulheres do que para conquistar a nossa aprovação.

E é nessa relação genuinamente masculina que Steinbeck concentra a história de Ratos e homens. Ele também passa por outros assuntos, tais como as dificuldades econômicas e a crueldade dos donos de terras na época, contudo, é na relação entre George e Lennie que o autor concentra toda a sua força narrativa. Dois homens que se complementavam, e que estiveram juntos até o fim trágico de uma verdadeira e pura amizade.

O livro é uma importante referência literária norte-americana e seu nome vem de uma reflexão sobre a subordinação, tanto de ratos como de homens, às intempéries da vida. Entretanto, os humanos conseguem refletir sobre isso e eleger um caminho a seguir. E, mesmo assim, escolhem as mais cruéis maldades, ao invés dos mais belos atos de honra.

A história já foi adaptada quatro vezes para o cinema e televisão, sendo a última produção estrelada por John Malkovich e Gary Sinise, em 1992.

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Por isso, caríssimos leitores, fica aqui a minha primeira recomendação de “livros de macho”. Nessa obra vocês lembrarão de diversas experiências que passaram, e ainda passam, com os amigos que acumularam durante a vida. Lembrarão das inúmeras ajudas que receberam ou deram. Da proteção que reservaram ou da qual foram alvos. Afinal de contas, amizades masculinas são diferentes das femininas. Ou estou errado?

* John Steinbeck (1902 – 1968) foi um escritor norte-americano, nascido na Califórnia. Recebeu o Prêmio Nobel em 1962 e seus livros de maior destaque são Ratos e homens (1937), As vinhas da ira (1939) e A pérola (1947).

dica do Tom Fernandes

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