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As 5 bibliotecas mais bonitas do mundo

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Daniela Fagundes, no Follow the Colours

Para quem acha que as bibliotecas são espaços apenas para quem gosta de ler é porque ainda não conheceu o lugar certo. Prédios incríveis, com arquiteturas impressionantes e decorações lindíssimas são elementos que tornam algumas delas destinos imperdíveis pelo mundo. Diga-me qual estilo gosta que te direis qual bibliotecas deve conhecer. Confira nossa seleção com 5 delas:

1 – Biblioteca de Strahav, em Praga (República Checa)

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Localizada dentro do Mosteiro Strahov, em Praga, essa biblioteca é considerada por muitos como a mais bonita do mundo. Não é por menos, são 250 mil livros dispostos em um prédio que possui afrescos lindíssimos e diferentes objetos históricos.

Dois salões merecem destaque especial: o Teológico, que abriga os livros de religião usados para estudo dos monges (apenas 22 vivem lá atualmente), e o Filosófico, com livros de outras ciências e uma coleção Encyclopédie, de Denis Diderot, pai da enciclopédia. No segundo está ainda um dos quatro catálogos das obras do Louvre, uma raridade doada pela princesa austríaca Maria Luzia, segunda esposa de Napoleão Bonaparte. Portões de ferro com a inscrição Initium Sapientiae Timor Domini (‘O Começo da Sabedoria é o Temor a Deus’) levam à área que dá acesso aos dois salões.

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Em estilo barroco, a sala Teológica possui o teto coberto por obras, pintados por um frade, que descrevem passagens da Bíblia. Construído em meados do século XVI, o salão abriga artes raras que os monges guardam há mais de quatro séculos. Algumas delas, por trazerem ideias muito modernas para a época, foram trancadas nos armários superiores, nas entradas da sala. Todos os livros estão disponíveis para pesquisa, in loco, é claro.

Já a sala Filosófica foi construída no século XVIII e possui dimensões gigantescas – 32 metros de comprimento, 22 metros de largura e impressionantes 14 metros de altura. No teto, um imenso afresco feito pelo pintor vienense Anton Maulbertsch, que demorou seis meses para concluir a obra com a ajuda de um único assistente. Na pintura, que tem como tema “O Progresso Intelectual da Humanidade”, figuras como Moisés, Noé, Salomão e David, de um lado, convivem com as imagens do desenvolvimento da civilização grega até Alexandre, O Grande. Na obra, a ciência também tem é representada por meio de Esculápio, Pitágoras e Sócrates.

As estantes, em nogueira, abrigam um acervo de mais de 200 mil livros antigos, a maioria impressos entre 1501 e 1800, sobre filosofia, matemática, tratados de astronomia, etc. Para conhecer as salas, é preciso agendar uma visita privativa.

2 – Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (Brasil)

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O Real Gabinete Português de Leitura possui o maior e mais valioso acervo de obras de autores portugueses fora de Portugal. Fundada por um grupo de 43 imigrantes, a instituição surgiu para promover a cultura entre a comunidade portuguesa e garantir o nível de instrução dos imigrantes que viviam na capital do Império.

Mais de 350 mil volumes ocupam o prédio histórico localizado na rua Luís de Camões, no centro da cidade do Rio de Janeiro. O Imperador Dom Pedro II lançou a pedra fundamental da construção do Gabinete, em 1880, e sua filha, a Princesa Isabel, o inaugurou em 1887.

Em estilo neomanuelino, o prédio foi projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro, que desenhou a fachada inspirada no Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa. Tanto, que ela foi toda construída na capital portuguesa e trazida de navio para o Brasil. Evocando a epopeia camoniana, quatro estátuas fazem parte da fachada – Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama ,- que também é adornada por medalhões que retratam escritores portugueses.

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O interior da biblioteca também segue o estilo da fachada, com estantes gigantes de madeira para abrigar os livros e monumentos comemorativos. O Salão de Leitura possui um monumento de prata, marfim e mármore que celebra os descobrimentos – o Altar da Pátria tem 1,7 metros de altura. O teto ostenta um lindo candelabro e uma claraboia em ferro.

No acervo estão obras clássicas, como um exemplar da edição “Princeps” de Os Lusíadas de Camões (1572) e um manuscrito da comédia “Tu, Só Tu, Puro Amor”, de Machado de Assis. As consultas só podem ser feitas no salão da biblioteca.

Apenas os sócios do Real Gabinete podem levar livros para casa, desde que estes sejam de edições posteriores a 1950. Por serem raras, algumas obras só podem ser consultadas por especialistas e com autorização especial.

Em julho de 2014 a revista Times listou o Real Gabinete Português de Leitura como a 4ª biblioteca mais bonita do mundo. Está bom demais, né?

3 – Biblioteca George Peabody, em Baltimore (EUA)

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Com cinco camadas de rochas ornamentais em ferro fundido, varandas e uma claraboia a 18,6 metros de altura, a Biblioteca George Peabody, da cidade de Baltimore, Maryland, impressiona pela sua arquitetura.

O prédio, construído em 1878, foi projetado pelo arquiteto Baltimore Edmund G. Lind e dedicado pelo filantropo George Peabody aos cidadãos de Baltimore como agradecimento a gentileza e hospitalidade. A biblioteca faz parte do Instituto Peabody, que hoje é uma divisão da The Johns Hopkins University.

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Em seu acervo de mais de 300 mil livros estão exemplares de importantes áreas de conhecimento, como arte, arqueologia, história britânica e (mais…)

 

No Brasil, ler é coisa que se faz por obrigação

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O Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio - Luísa Alcantara e Silva/Folhapress

O Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio – Luísa Alcantara e Silva/Folhapress

 

Ruy Castro, na Folha de S.Paulo

Há tempos, assisti a um comercial de TV sobre um produto esportivo, talvez um tênis, cujo mote era a necessidade de “liberar o corpo”. O anúncio falava de pessoas “reprimidas”, que seriam mais felizes se vivessem ao ar livre usando o produto. Entre estas, mostrava uma moça sentada, lendo um livro, dentro de uma biblioteca – o Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio. Mensagem subliminar: a leitura é uma chatice, uma obrigação, o contrário de ser livre e feliz.

Uma pesquisa recente do Instituto Pró-Livro e do Ibope, “Retratos da Leitura no Brasil”, citada pelo colunista Antônio Gois, do “Globo”, traz dados alarmantes: 44% da população brasileira não têm o hábito de ler livros, e esse número não se alterou nos últimos 12 anos. Apenas 33% dos brasileiros tiveram a influência de alguém para adquirir o gosto pela leitura, quase sempre a mãe – o que não é um mal, mas por que não citar igualmente um professor?

Porque, diz a pesquisa, os professores também leem pouco e mal. Embora 84% tenham dito que leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa, a maioria não se lembra do título ou não respondeu, e, quando se lembra, o mais citado é a Bíblia. Sim, não podemos nos esquecer dos seus baixos salários, que os impedem de comprar livros. Mas não é para isto que existem as bibliotecas?

Não no Brasil. Segundo a pesquisa, 75% dos entrevistados associam a biblioteca a um lugar para estudar ou pesquisar (naturalmente, por obrigação), não como um espaço de lazer, para ler por prazer, trocar livros ou fazer amigos. Em 2015, apenas 53% das escolas brasileiras tinham biblioteca ou sala de leitura.

Quanto ao Real Gabinete Português de Leitura, um monumento carioca, sua beleza faz dele um cenário requisitado pelos comerciais de TV. Até para veicular mensagens que o degradam e ofendem.

 

Real Gabinete Português de Leitura entra na lista das bibliotecas mais bonitas do mundo

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Seleção feita pela revista ‘Time’ inclui prédios históricos do mundo inteiro

Foto do Real Gabinete Português de Leitura, no Centro do Rio. Foto de 10/08/2007 - O Globo / Carlos Ivan

Foto do Real Gabinete Português de Leitura, no Centro do Rio. Foto de 10/08/2007 – O Globo / Carlos Ivan

Publicado em O Globo

RIO – O Real Gabinete Português de Leitura, que reúne o maior acervo de obras lusitanas fora de Portugal, entrou na lista das 20 bibliotecas mais bonitas do mundo. A seleção, feita pela revista “Time”, inclui edifícios históricos como a antiga biblioteca da Trinity College, em Dublin; a biblioteca de Alexandria, no Egito; e a famosa biblioteca pública de Nova York.

O Gabinete Real, que fica no Centro do Rio, aparece na quarta posição, atrás da George Peabody Library, que fica na universidade Johns Hopkins; da Biblioteca Real de Copenhague; e Clementinum, em Praga. A lista cita a construção no estilo neo manuelino, com uma sala de leitura que lembra uma catedral e as paredes cobertas de livros, além das esculturas de exploradores portugueses na fachada do prédio, como as de Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.

Livros raros da Europa e do Brasil Colônia são os destaques da coleção do Gabinete Real Português de Leitura, cujo prédio foi construído em 1887. Entre as 350 mil obras disponíveis, está inclusive um exemplar da primeira edição de “Os Lusíadas” (1572), de Luis de Camões, que pertenceu à Companhia de Jesus.

Fundado para promover a instrução e melhorar o nível de conhecimento dos portugueses que chegavam ao Brasil, o Gabinete de Leitura vive do pagamento mensal de seus sócios. A biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, na Rua Luís de Camões 30, no Centro.

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