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Hábito de ler e escrever foi decisivo para nota máxima no Enem, diz aluno

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Apenas 250 pessoas do país atingiram a nota 1000 na redação.
Dois alunos da mesma também alcançaram bom desempenho.

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Marina Fontenele, no G1

O sergipano Lucas Almeida Francisco, 17 anos, está entre o seleto grupo de 250 pessoas no Brasil inteiro que obtiveram a nota mil em redação, a máxima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) realizado no final do ano passado. Quase 6,2 milhões de candidatos fizeram as provas, desses mais de 529 mil candidatos tiraram zero na redação, sendo que 217 mil tiveram a prova anulada porque fugiram no texto ao tema proposto.

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Surpreso com o excelente desempenho, o jovem acredita que o hábito de escrever e ler e a citação do sociólogo Pierre Félix Bourdieu e do filósofo Michel Foucault, para fundamentar a argumentação, foram decisivos para o resultado.

“Gostei do tema ‘Publicidade infantil no Brasil’ logo de cara, mas tive dificuldade em organizar minhas ideias porque tinha muito o que falar. Demorei 2h30 para terminar essa parte no segundo dia de testes. A dica para ir bem na redação é ler bastante sobre tudo e não somente atualidades porque na hora vocês vai colocar no papel as informações que lhe marcaram”, revela o adolescente.

Em 2013, então aluno do 2º ano do Ensino Médio, Lucas fez o Enem para testar os conhecimentos e tirou 640 na redação. “Nesse último ano foquei em aperfeiçoar a produção textual porque melhora muito a média final. Aprendi que a gente deve escrever o que tem confiança e aproveitar até mesmo aquela informação que você acha que não vai servir porque ela pode fazer a diferença na consolidação das ideias e na riqueza nos detalhes dos argumentos”, destaca Lucas Almeida, que espera ser selecionado para o curso de engenharia da computação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Estudo extra
Lucas e o amigo Danilo dos Santos Rabelo, de 18 anos, foram as maiores notas entre os estudantes do Colégio de Aplicação da UFS. Os dois já têm textos publicados em um livro, eles foram primeiro e segundo colocados em um concurso literário promovido pela Loja Maçônica em 2014.

“A gente se reúne nas horas vagas para escrever poesia, conto e crônica. É um hábito que nós temos desde o ensino fundamental. Sem dúvida o gosto pela literatura e escrita fazem a diferença, meus autores preferidos são Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira e os da nova geração são Gregório Duvivier e Antônio Prata”, lista Danilo que comemora os 980 pontos na redação do Enem.

Iniciação científica

Para a diretora do Codap, Jane dos Santos, a iniciação científica antes mesmo do ingresso ao ensino superior são o diferencial da instituição de ensino.

“Os alunos são estimulados a escrever sobre a interpretação própria de assuntos de várias disciplinas desde o 6º ano do ensino fundamental, quando eles ingressam nesta escola pública. Desde muito cedo eles fazem pesquisas, visitas técnicas e escrevem relatórios. Todos são estimulados a ter autonomia do conhecimento. Nossos alunos são muito leitores, sempre estão com livros e não gostam de consultar apenas os resumos literários”, conclui a educadora.

Com redação sobre Anne Frank, aluno da periferia de BH viaja para Holanda

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Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou para a Holanda e conheceu a casa de Anne Frank (foto: Arquivo Pessoal)

Rayder Bragon, no UOL

A primeira vez em que o adolescente mineiro Willian Junio Moreira de Souza, 14, viajou de avião foi em grande estilo: ele embarcou para Amsterdã, na Holanda. O estudante venceu um concurso de redações com o texto “Anne Frank e a atualidade”, sobre a adolescente perseguida por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Filho de uma diarista, ele é aluno do 9º ano do ensino fundamental da escola municipal Anne Frank, situada no bairro Confisco, uma região pobre encravada entre as divisas de Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais.

O concurso que o levou ao exterior foi promovido pelo segundo ano consecutivo pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp). Participaram do certame as escolas que levam o nome de Anne Frank no Brasil. Em entrevista por e-mail ao UOL, Willian disse ter encontrado uma Anne Frank ainda atual.

Bullying, racismo, discriminação

O “Diário de Anne Frank”, em que a garota conta sobre sua vida no esconderijo, foi publicado por seu pai, Otto Frank, único sobrevivente da família, em 1947. A jovem morreu em um campo de concentração nazista, aos 16 anos.

“Bullying, racismo e desrespeito às diferenças fazem parte da vida de muitos jovens como eu”, explica o garoto. “A violência contra minorias de todos os tipos é uma questão que a humanidade ainda não resolveu. Anne Frank não é questão do passado. Muito pelo contrario, é bem atual”, declarou.

“Visitei  a Escola onde Anne Frank estudou e, lá, tive a oportunidade de ler minha redação para os estudantes. Eles me fizeram perguntas e eu também pude conhecer um pouco de seus costumes. Enfim, uma semana de muita aprendizagem”, contou, para emendar em seguida, “é muito bacana conhecer novas pessoas, crenças, costumes e culturas”.

Willian também conheceu a casa em que Anne Frank viveu com a família e o famoso anexo secreto em que a adolescente se escondeu dos nazistas com os familiares por mais de dois anos.

“Conheci os  Museu de Van Gogh e  Neno.  Diverti-me passeando  de bicicleta  e de  barco pelos canais da cidade. Andei de trem, ônibus, van” descreveu o jovem.

Souza disse ter sido instigado a buscar mais conhecimento após a viagem, feita entre os dias 24 e 31 de agosto deste ano. Quando questionado sobre o que mudou na sua vida, ele responde: “Tudo. Existe um mundo a ser descoberto”.

Divulgar o que viu

Willian disse ter se empolgado com as novas descobertas e afirmou querer repassá-las para os colegas da escola, que atende alunos do ensino fundamental.

“[Quero] passar minha experiência para meus colegas e outras pessoas. Quero  continuar a divulgar os ideais de Anne Frank através dos projetos da escola que participo. O power point [a apresentação] da viagem pretendo mostrar para meus colegas e, se tiver oportunidade, em outros espaços da cidade”, relatou.

O adolescente conta que a lição mais importante, na sua opinião, foi a de  nunca desistir dos seus sonhos e objetivos. “Não importa a dificuldade”, disse.

 

Leia o texto vencedor do concurso:

A história de Anne Frank na atualidade

Hoje, vejo a luta das pessoas por um mundo com igualdade, respeito e sem discriminação social. Vejo os negros lutando para conseguir seu espaço nas universidades, na política e nas empresas públicas; os indígenas lutando para preservar a sua cultura e até para não serem queimados em praça pública; as pessoas despertando e acordando para lutar pelos seus direitos.

No período da segunda guerra mundial, as pessoas não tinham nem direito de lutar ou de reivindicar. Acredito que isso é pior: não poder lutar, não ter voz e não ter vez.

Hoje, vejo que as pessoas têm mais oportunidades de lutar pelos seus direitos e liberdade de ir e vir.

Nisso, vejo que a luta de Anne Frank não foi em vão, pois devido ao seu exemplo, muitas pessoas entendem que reivindicar os seus direitos é uma ação e não o parar e esperar.

A história de Anne Frank foi e é importante para a humanidade saber como é o sofrimento das pessoas em uma guerra, a tristeza com a morte de amigos, a falta de água, comida e luz.

Além disso, é importante para nós valorizarmos mais a vida, aquilo que conquistamos, pois as pessoas que viveram durante a guerra, não tinham nada.

Anne Frank nunca deve ser esquecida, pois uma simples história muda vidas. Não vamos deixar que esta história de crueldade se repita por meio do bullying, do preconceito, da discriminação, do racismo e muito mais.

Todos querem mudar o mundo, o universo, mas ninguém dá o primeiro passo mudando a si mesmo.

Mas, apesar disso tudo, eu ainda acredito na bondade humana.

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