Posts tagged Rede Natura

Escola de comunicação Énois

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A escola de comunicação Énois já ajudou mais de 3 mil jovens a ler, escrever (e pensar) melhor

Mirela Mazzola, no Projeto Draft

nina

Nina Weingrill criou uma agência de comunicação que também ensina jovens da periferia a se comunicar. E, não satisfeita, ainda criou a Velô, grife de roupas voltadas para ciclistas.

As oportunidades que a paulistana Nina Weingrill teve ao construir a carreira estão fora do alcance de milhares de jovens brasileiros. Formada na primeira escola de jornalismo do Brasil e uma das mais conceituadas na área, a Faculdade Cásper Líbero, ela concluiu uma pós-graduação em marketing digital e já trabalhou nas maiores editoras de revistas do país, a Globo e a Abril.

Mas, em 2009, a jornalista de 29 anos começou a encurtar a distância que a separava de quem não teve as mesmas chances. Ao lado da colega Amanda Rahra, foi plantada a semente da escola e agência de comunicação Énois – quando as duas passaram a ministrar, voluntariamente, aulas de jornalismo para meia dúzia de jovens do Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo.

Depois de quatro fins de semana, a ideia era criar um fanzine, como é chamada uma publicação independente, não periódica e de baixo custo. Deu certo: no final do curso, quase 30 jovens compunham o grupo, a revistinha ganharia outras edições e passou a ser distribuída em onze escolas da região.

Os dois primeiros anos da escola foram viáveis graças à verba de um programa de incentivo da Prefeitura de São Paulo. “Depois disso, o modelo começou a não se mostrar sustentável”, lembra Nina. Não havia sede própria e, por vezes, as fundadoras tiravam dinheiro do próprio bolso.

Enquanto isso, o avanço dos alunos era notável: ao ler e escrever melhor, eles começaram a desenvolver a argumentação e o questionamento, além da melhora nas notas de português. “Estar perto desses garotos nos inspirava a seguir em frente”, diz Nina. Foi então que elas conceberam a agência de conteúdo Énois. Funciona assim: os participantes da iniciativa criam, sob a supervisão das jornalistas, projetos para o mercado, e a venda deles financia a escola.

Em 2011, a Énois se fez presente em outros bairros periféricos e, no ano seguinte, ganhou uma sede própria, no Centro. Calcula-se que mais de 3 mil jovens do ensino médio de escolas públicas já foram impactados. E mais podem ser, já que uma plataforma on-line de ensino à distância deve ser lançada no primeiro semestre.

Em meados de 2014, outra causa importante entrou no caminho de Nina: a da melhora da mobilidade urbana. Com a mãe, Cláudia, e uma amiga dela, a estilista Camila Silveira, a jornalista criou Velô, grife de roupas voltadas a ciclistas. São feitas de tecidos tecnológicos (não amassam facilmente, deixam a pele respirar e têm proteção solar, entre outras propriedades) e apresentam cortes versáteis. A proposta é que as peças sejam usadas durante as pedaladas, em compromissos sociais e até no trabalho. “Os preços mais altos se devem a nossa cadeia produtiva, com fornecedores nacionais e certificados”, explica.

Mãe de primeira viagem da pequena Mia, de 4 meses, ela tenta dividir o tempo que resta entre a Énois e a Velô. A jornalista sentiu na pele que empreender não é um caminho fácil e nem sempre as contas fecham. “Mas chegar ao fim do dia e pensar ‘era isso mesmo que eu queria ter feito’ recompensa tudo”, conclui.

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O homem que distribuía livros

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O homem que distribuía livros
Conheça a história de Binho, o criador da Bicicloteca

Robinson Padial, no Projeto Draft

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Binho. Do Bar do Binho. Do Sarau do Binho. Da Bicicloteca. Um poeta cuja maior poesia é distribuir livros.

“Nasci em Taboão da Serra e fui criado no Campo Limpo, bairro da zona sul de São Paulo, carente de centros culturais. Sempre gostei de literatura, mas quando era mais jovem tinha que me deslocar para outros lugares em busca de bibliotecas.

“Há quase vinte anos abri o Bar do Binho, que hoje não funciona mais. A coisa mais bacana que acontecia por lá era a Noite da Vela, evento em que nos reuníamos para ouvir boa música em discos de vinil, sob luz bem baixinha. Apareciam umas 30 pessoas, e vez ou outra alguém resolvia recitar poesias.”
“Acho que aquele ambiente acolhedor, repleto de amigos, inspirava potenciais poetas. E não é que surgiram alguns? Em 2013 até lançamos um livro, o Sarau do Binho, que reúne poesias de 179 autores da região.

“Em 2004, a Noite da vela deu lugar ao Sarau do Binho, evento que acontece toda semana em escolas, praças e até em unidades do Sesc de bairros distantes da zona sul. Também já inventamos outras atividades itinerantes, como a Bicicloteca, que começou em Mongaguá, no litoral paulista. Era assim: uma bike adaptada repleta de livros rodava divulgando o sarau e distribuindo exemplares. Também já fomos até Curitiba organizando saraus em várias cidades. E, detalhe, caminhando!

“Além do grupo de amigos poetas, minha mulher, a Suzi, sempre me apoiou. Ela me ajuda, e muito, na nossa nova empreitada: receber doações de livros e distribuí-los sem custo no Terminal Campo Limpo. O evento, que acontece em média a cada dois meses desde 2013, arrecada mais de 3 mil livros a cada vez que acontece. Os exemplares costumam acabar em menos de 5 horas.

“Meu sonho, atualmente, é morar fora de São Paulo, em um sítio, e fazer deste lugar um centro cultural. Se acho que o meu trabalho na capital vai acabar? Claro que não. A semente já está plantada!”

Robinson Padial, o Binho, 50, poeta, vive em São Paulo (SP).

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