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76% das livrarias do país vendem livros religiosos

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DIAGNÓSTICO DO SETOR LIVREIRO: Concentração de lojas no Sudeste cresceu

Título original: Redes crescem e livrarias médias encolhem no país

Publicado na Folha de S.Paulo

As livrarias do país estão cada vez mais concentradas em redes e na região Sudeste, segundo o Diagnóstico do Setor Livreiro, divulgado ontem pela Associação Nacional de Livrarias (AN L).

O levantamento trianual, realizado desta vez pela empresa de pesquisa GFK, mostra que o número de lojas pertencentes a redes com mais de 20 filiais passou de 14% para 20 % do total -destaque para as que têm mais de cem lojas, que representavam 6% em 2009 e, agora, 15%.

As livrarias independentes, com uma ou duas lojas, representam 62% do total, patamar similar ao de 2009. O impacto maior foi nas livrarias com três a 20 filiais, que tinham 23% de participação e hoje correspondem a 17%.

“O lema hoje é ser gigante ou encolher e ser excelente”, disse Ednilson Xavier, presidente da ANL, se referindo à grande porcentagem de livrarias especializadas em algum segmento: 61% do total.

Entre as livrarias que se dizem especializadas, se destacam as religiosas, que correspondem a 19%, sendo 15% católicas e 4% evangélicas. Outras 18% informaram ser especializadas em literatura.

Houve aumento da concentração de lojas na região Sudeste, a mais populosa do país. Em 2006, na primeira edição do Diagnóstico do Setor Livreiro, a região abrangia 53% das livrarias. Hoje, esse número é de 60%.

Já o Norte caiu de 5% para 2% no período, e o Centro-Oeste se manteve em 4%. O Nordeste, depois de cair de de 20% em 2006 para 12% em 2009, mostra sinais de recuperação, chegando a 15%.

O levantamento foi realizado a partir de questionários respondidos por 716 lojas (há 3.481 livrarias no país) de julho a outubro deste ano.

A ANL aproveitou para ressaltar, numa época em que Kobo, Google e Amazon chegam ao Brasil, a carta enviada a editores e ao governo sugerindo medidas para evitar que o livro digital prejudique livrarias. Entre as sugestões, a de que haja um intervalo de 120 dias entre o lançamento do livro físico e do digital.

Foi Clarice que disse?

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Publicado no site da Bravo!

Clarice Lispector (1920-1977) tornou-se, há alguns anos, um fenômeno da internet: suas frases, junto às do escritor Caio Fernando Abreu, estão entre as mais citadas nas redes sociais. Muitas das pensatas creditadas à romancista, no entanto não são de sua autoria.

Participe do quiz e descubra se consegue distinguir as afirmações verdadeiras das falsas.

1) “Oh, Deus, como estou sendo feliz. O que estraga a felicidade é o medo.”

Falsa
Verdadeira

2) “Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda. Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti. Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil, fiquei sem poder chorar, quando caí.”

Falsa
Verdadeira

3) “Afinal nessa busca de prazer está resumida a vida animal. A vida humana é mais complexa: resume-se na busca do prazer, no seu temor, e sobretudo na insatisfação dos intervalos.”

Falsa
Verdadeira

4) “Assim como ninguém lhe ensinaria um dia a morrer: na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um.”

Falsa
Verdadeira

5) “Porque brotou da confusão apaixonada que despertasse em mim, que te julguei esclarecendo a vida, peça final de um quebra-cabeça, peça inicial de outro.”

Falsa
Verdadeira

6) “Há um excesso de cores e de formas pelo mundo. E tudo vibra pulsátil, fremindo.”

Falsa
Verdadeira

7) “Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira perna me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem precisar me procurar.”

Falsa
Verdadeira

8) “Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.”

Falsa
Verdadeira

9) “Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou se fico tranquilo.”

Falsa
Verdadeira

10) ” Até cortar os defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

Falsa
Verdadeira

Para especialistas, ‘Cinquenta Tons’ é sucesso pois protagonista personifica sonho feminino

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464835 Cinquenta Tons de Cinza 5post Cinquenta Tons de Cinza   Trilogia

Heloísa Noronha, no UOL Mulher

As pilhas de exemplares em lugar de destaque nas livrarias, algumas com direito à presença de chicotes, máscaras e algemas para chamar ainda mais a atenção dos consumidores, não deixam dúvidas de que a trilogia “Cinquenta Tons de Cinza” é um fenômeno editorial. Nas redes sociais, as chamadas “Greyzetes”, apelido das fãs do protagonista Christian Grey, comentam o tempo todo sobre as qualidades do milionário e suspiram, inconformadas, com a possibilidade remota de um dia serem tratadas como Anastasia Steele.

A curiosidade em saber o que há de tão interessante nas páginas dos livros de capa acinzentada tem levado cada vez mais os homens a se renderem ao romance erótico da britânica E L James. E essa excitação toda ainda vem fazendo a alegria dos donos de sex shops, que afirmam que as vendas aumentaram em suas lojas por causa do best-seller.

Especialistas em literatura, críticos e até leitores apaixonados afirmam que a trilogia é superficial, previsível, com personagens inverossímeis e, principalmente, mal escrita. Então, o que explica tamanho alvoroço? Para a escritora Noemi Jaffe, doutora em Literatura Brasileira pela USP (Universidade de São Paulo) e crítica do jornal Folha de S. Paulo, o sucesso da saga de E L James se deve justamente à fácil leitura. “Trata-se de uma historinha linear, sequencial, permeada por estereótipos amorosos e clichês dos tempos da fotonovela”, declara.

Para ela, o enredo com pitadas de sadomasoquismo e erotismo dá o sabor que faltava ao enredo dos tradicionais livrinhos estilo água com açúcar, vendidos em bancas de jornais, como “Sabrina”.

Na opinião da escritora, tradutora e ex-agente literária Celina Portocarrero, que recentemente organizou a antologia de poesias “Amar, Verbo Atemporal” (Editora Rocco), a humanidade, de um modo geral, está precisando de mais romance –na vida e como leitura. “E como as mulheres, em geral, consomem mais literatura, isso explica o furor do público feminino em torno da criação de E L James”, diz.

O fato de a obra ser uma trilogia e de cada volume ter quase 400 páginas, ao contrário de espantar, atrai. “As mulheres não gostam de romances curtos, porque elas precisam de tempo para mergulhar na história e entrar no clima das situações”, afirma Celina.

Segundo Noemi, outro fator que justifica o encantamento por “Cinquenta Tons de Cinza” (o nome do primeiro volume acabou batizando toda a trilogia) é Christian Grey. “O personagem masculino da história é muito cativante. Apesar de à primeira vista ele ser mostrado como um dominador, no decorrer da trama, ele leva o que Anastasia quer em consideração”, explica.

“Ele preenche todos os sonhos que toda mulher tem desde a infância”, diz Leonardo Berenger, professor de literatura inglesa e americana da faculdade de Letras da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Quem compartilha da mesma opinião é Mariana Teixeira, doutora em Literatura Comparada pela USP (Universidade de São Paulo), pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e especialista em literatura libertina.

“O conteúdo erótico de ‘Cinquenta Tons de Cinza’ contribui para a leitora ver em Christian Grey uma versão moderna do príncipe encantado. Afinal, mesmo os contos de fadas infantis têm uma carga erótica”, diz.
A mudança do parceiro através do amor é outro componente que desperta forte interesse. “Além de acreditar que essa mudança é possível na realidade, os leitores se deslumbram com a expectativa de que algo muito maravilhoso e importante pode acontecer em suas vidas, como o encontro amoroso entre Ana e Christian”, afirma Leonardo, da PUC-RS. Para ele, as cenas de sexo entre o casal atiçam o lado “voyeur” do público.

“As descrições, embora meio açucaradas, em especial as da lua de mel dos personagens, são detalhadas. O leitor se coloca na cama, na companhia dos dois”, explica ele, dizendo que, mesmo com toda a evolução sexual e comportamental da sociedade, o sadomasoquismo ainda é um tabu, o que desperta ainda mais fascínio.

“É cheio de clichês e situações previsíveis? Claro que sim. É uma fórmula pronta, banal. Mas não podemos deixar de admitir que é atraente, principalmente se quem a encara se sente espiando o buraco da fechadura”, diz Leonardo. Assim como ele, Noemi Jaffe e Celina Portocarrero definem “Cinquenta Tons” como má literatura, mas não ignoram seus méritos.

“É melhor do que não ler nada”, diz Noemi. “Mesmo os livros ruins podem levar aos bons. Quando o leitor se apaixona por um romance erótico como esse, pode se interessar em conhecer outros e acabar encontrando autores com uma linguagem mais refinada”, afirma Celina.

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