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Posts tagged reflexões

5 lançamentos literários do mês de julho que valem a pena

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Romances, um guia e reflexões sobre a rotina dos relacionamentos, rótulos e propósitos de vida foram destaques do mês

Letícia Paiva, na Claudia

Para quem pretende colocar a leitura em dia, fizemos uma seleção de livros lançados em julho que agradam a diferentes perfis de leitura.

1. A Montanha, Lori Lansens (Bertrand Brasil, R$ 49,90) Chega a hora de o pai contar ao filho o episódio que transformou a vida dele: quando estava prestes a cometer suicídio, no alto de uma montanha, ele conheceu três mulheres cujas histórias fizeram com que repensasse a maneira de encarar desafios.

2. O gosto pela vida em comum – Um elogio à vida a dois, Claude Habib (Objetiva, R$ 34,90) A francesa propõe uma reflexão sobre relações duradouras – segundo ela, as únicas em que podemos nos expressar verdadeiramente. Na tese, cita desde o filósofo Voltaire até a personagem de ficção Bridget Jones.

(Divulgação/CLAUDIA)

(Divulgação/CLAUDIA)

3. DUMPLIN’, Julie Murphy (Valentina, R$ 39,90) Willowdean é gorda e bem diferente da mãe, ex-miss (interpretada por Jennifer Aniston na adaptação para o cinema prevista para 2018). Decidida, a jovem se inscreve em um concurso de beleza e incentiva meninas que fogem dos padrões a fazer o mesmo.

4. Mulheres, cultura e política, Angela Davis (Boitempo, R$ 48) A compilação de artigos e discursos da ativista social americana mostra as mudanças nas questões de gênero, sexualidade e raça nas últimas décadas. Também faz um paralelo com culturas de resistência, como o blues.

5. Mindfulness para quem não tem tempo, Osho (Planeta, R$ 36,90) Voltado tanto para meditadores experientes quanto para iniciantes, o guia do mestre espiritual incita a manter-se meditativo durante todo o dia, com estratégias para gerir o cotidiano com mais consciência e foco nos propósitos.

Livro de Carolina Maria de Jesus é resgatado em vestibulares da UFRGS e Unicamp 40 anos após morte de escritora

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Carolina Maria de Jesus à margem do Rio Tietê e, ao fundo, a Comunidade do Canindé (Foto: Audálio Dantas, 1960)

Carolina Maria de Jesus à margem do Rio Tietê e, ao fundo, a Comunidade do Canindé (Foto: Audálio Dantas, 1960)

 

‘Quarto de despejo – Diário de uma favelada’ está nas listas obrigatórias de exames das duas universidades. Professores de literatura valorizam inclusão e possibilidade de reflexões.

Publicado no G1

O livro “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, de Carolina Maria de Jesus, está entre as novidades dos próximos vestibulares da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No ano em que a morte da escritora completa 40 anos, a obra resgatada está indisponível em algumas livrarias, mas a editora responsável pela impressão garante reposição e, à espera de alta na demanda, considera hipótese de elevar tiragem.

O diário foi anunciado na semana passada como uma das três alterações na lista da Unicamp para o vestibular 2019. Os outros dois livros inseridos na lista obrigatória de leituras são a poesia “A teus pés”, de Ana Cristina Cesar; e o romance “História do Cerco de Lisboa”, de José Saramago.

Já a UFRGS confirmou , em março, a inclusão do livro na edição 2018 do processo seletivo. A universidade renova anualmente a relação de obras com a substituição de quatro títulos.

A capa do livro escrito por Carolina Maria de Jesus (Foto: Editora Ática)

A capa do livro escrito por Carolina Maria de Jesus (Foto: Editora Ática)

Inovações

Carolina nasceu em Sacramento (MG), em 1914, e foi morar na capital paulista em 1947, época em que surgiram as primeiras favelas na cidade. Uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, ela reúne em “Quarto de Despejo” relatos de parte das experiências que viveu e observou na comunidade do Canindé, com três filhos. O lançamento ocorreu na década de 1960.

Para o professor de literatura Laudemir Guedes Fragoso, a inclusão da história da catadora de papel e sucatas nos processos seletivos representa inovações em abordagens de conteúdo e forma.

“Ela foi uma voz dissonante do Brasil marginalizado, é interessante se fazer paralelo com momento atual do país”, frisou o docente ao mencionar que vê tendência na abordagem de temas sociais nas provas, incluindo literatura indígena. Ele também lembrou a relevância na tratativa de um diário.

“É um gênero antigo, do século XV, e chama atenção a busca por novas formas literárias dentro da prova”, falou o professor do Colégio Objetivo ao lembrar da inclusão de “Minha vida de menina” na edição 2018 da Fuvest. A instituição já definiu a lista para o vestibular 2019 da USP e da Santa Casa.

Conexões

O professor de literatura Octávio da Matta, do Anglo, manteve o tom e valorizou a flexibilização dos vestibulares, que passaram a incluir não somente obras clássicas, mas também livros que retratam a história recente do país e as questões que seguem em debate, incluindo “Quarto de despejo”.

“A Unicamp e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul estão convidando o estudante para uma reflexão. Carolina faz um relato autobiográfico, mas ainda hoje pode ser considerado atemporal por apresentar questionamentos sobre a violência, problema do alcoolismo e violência doméstica, a preocupação em conseguir sustentar os filhos e a revolta por não ter o que comer”, ressalta.

No caso da universidade em Campinas, em especial, o docente valorizou o fato da mesma lista de livros contemplar a obra da escritora mineira, e “O espelho”, de Machado de Assis. ”

Estoques

A assessoria de imprensa da Editora Ática informou, em nota, que recebeu uma nova reimpressão do livro na segunda quinzena de abril. O desabastecimento, segundo a empresa, ocorreu por causa do “espaço” entre esta etapa e a distribuição. “Em nosso e-commerce o livro já está disponível e ao longo das próximas semanas o livro voltará às livrarias. O livro está em sua décima edição”, diz nota.

Em relação à tiragem de “Quarto de despejo”, a editora mencionou que ela já foi elevada em 20%, em virtude da inclusão na lista da UFRGS. A expectativa é de que outra seja feita quando houver queda do estoque, por causa da colocação da obra entre os assuntos do vestibular da Unicamp.

“Esperamos que haja um aumento na procura pela obra, naturalmente, mas sabemos que obras de literatura não precisam ser necessariamente compradas novas, podem ser emprestadas de bibliotecas, de amigos ou adquiridas de segunda mão em sebos. Por isso, não temos previsão de nova tiragem enquanto tivermos estoque suficiente para atender as demandas”, informa texto.

Rede pública

Em 2013, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) comprou e distribuiu, por meio do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), 29 mil exemplares do livro para escolas públicas com alunos em anos finais do ensino fundamental. De acordo com o governo federal, não há reserva ou destaque de exemplares, nem previsão para novas aquisições do título.

“Por meio do PNBE, são beneficiadas todas as escolas públicas, sem necessidade de adesão. […] Os livros são encaminhados diretamente às escolas para a composição dos acervos das bibliotecas e disponibilização dos exemplares aos alunos, geralmente, por meio de empréstimos e consulta.”

10 Citações de O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman

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Amanda Leonardi, no Literatortura

Gaiman é um dos mais aclamados e surpreendentes escritores contemporâneos. Seus livros, geralmente conhecidos por serem supostamente dirigidos ao público infanto-juvenil, trazem universos fantásticos, tais como Coraline, Stardust, O Livro do Cemitério e a saga de quadrinhos Sandman. Porém, mais recentemente, o autor lançou um livro que, assim como toda a sua obra, é um conto de fantasia que, apesar de parecer à primeira vista infanto-juvenil, por contar sobre a infância de seu narrador – incluindo diversos elementos fantásticos – é sobre muito mais que isso.

Nesta obra para todas as idades (pessoalmente, o vejo como sendo mais adulto do que infantil, mas é também encantador para ser lido por leitores mais jovens), Gaiman traz, neste curto livro, profundas reflexões sobre o sentido da vida e da arte, sobre a transição entre infância e a fase adulta, a importância da literatura e sobre o conhecimento de si mesmo e do mundo, como um infinito oceano transposto em um pequeno lago. As metáforas brilhantes do livro são apenas a superfície da complexidade e lirismo contido nesta obra inovadora de Gaiman. O livro contém tantas citações inspiradoras que é difícil escolher apenas dez, mas aqui está uma seleção de dez citações de O Oceano no Fim do Caminho. Mergulhe nesta lista e comente quais as suas citações preferidas, caso não estejam listadas aqui.

“I make art. Sometimes I make true art. And, sometimes, it fills the empty places in my life. Some of them. Not all.”

“Eu crio arte. Às vezes, arte verdadeira. E, às vezes, isso preenche os espaços vazios na minha vida. Alguns deles. Não todos.”

Nesta passagem, logo no início do livro, o narrador reflete sobre a importância da arte em sua vida. Para quem já assistiu o discurso de Gaiman sobre arte, isso faz mais sentido ainda. Se ainda não o assistiu, assista!

“I lay in bed and lost myself in stories. I like that. Books are safer than other people anyway.”

“Deito-me na cama e me perco em histórias. Gosto disso. Os livros são mais seguros do que as outras pessoas mesmo.”

Aqui, vemos uns dos trechos do livro com uma das mais interessantes reflexões sobre a importância da literatura, assim como uma das passagens mais citadas desta obra.

“I lived in books more than I lived anywhere else.”

“Vivia em livros mais do que em qualquer outro lugar.”

Outra passagem marcada pela paixão pela literatura do narrador. Algo que leitores de Gaiman – e leitores e geral – podem vir a se identificar.

“Small children believe themselves to be gods, or some of them do, and they can only be satisfied when the rest of the world goes along with their way of seeing things.”

“Crianças pequenas acreditam que são deuses, ou algumas delas acreditam, e só podem se satisfazer quando o resto do mundo concorda com o seu jeito de ver as coisas.”

Este é um dos trechos nos quais Gaiman denota a diferença entre crianças e adultos, mostrando a visão de dominar o mundo que uma criança pode ter (e geralmente tem).

“Adults follow paths. Children explore.”

“Adultos seguem caminhos. Crianças exploram.”

Outro trecho brilhante onde vemos a visão de Gaiman da infância como uma época de descoberta do mundo, pois crianças, que tendem a ser mais originais e verdadeiras, exploram em vez de seguir caminhos já traçados, pois, diferentemente dos adultos, não estão cansadas do mundo ou acostumadas a uma rotina redundante.

“I went away in my head, into a book. That was where I went whenever real life was too hard or too inflexible.”

“Fui para longe na minha cabeça, em um livro. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou inflexível.”

Mais uma passagem que demonstra a importância da leitura.

“Nobody actually looks like what they are on the inside. You don’t, I don’t. People are much more complicated than that.”

“Ninguém se parece de verdade com que é por dentro. Você não se parece, nem eu. As pessoas são muito mais complicadas do que isso.”

Neste trecho, Lettie Hampstock, a amiga do protagonista, o explica que a humanidade é mais complexa do que pode aparentar.

“Grown-ups don’t look like grown-ups on the inside either. Outside, they’re big and thoughtless and they always know what they are doing. Inside, they look just like they always have. The truth is, there aren’t any grown-ups. Not one, in the whole wide world.”

“Adultos não parecem com adultos por dentro também. Por fora, são grandes e descuidados e sempre sabem o que estão fazendo. Por dentro, parecem com quem sempre foram. A verdade é que não existem adultos. Nenhum nesse mundo inteiro.”

Esta é uma das passagens onde um dos importantes aspectos desta obra é mais enfatizado: a diferença entre crianças e adultos e a passagem para a fase adulta – revelando que, na verdade, adultos são apenas crianças que cresceram, mas continuam os mesmos.

“You don’t pass or fail at being a person, dear.”

“Você não é aprovado ou reprovado em ser uma pessoa, querido.”

Aqui vemos a sabedoria da avó de Lettie Hampstock, mostrando ao protagonista que ser uma pessoa é muito mais do que uma simples prova.

“How can you be happy in this world? You have a hole in your heart. You have a gateway inside you to lands beyond the world you know. They will call you, as you grow. There can never be a time when you forget them, when you are not, in your heart, questioning after something you cannot have, something you cannot properly ever imagine, the lack of which will spoil your sleep and your day and your life, until you close your eyes for the final time, until your loved ones give you poison and sell you to anatomy, and even then you will die with a hole inside you, and you will wail and curse at a life ill-lived.”

“Como você pode ser feliz nesse mundo? Você tem um buraco no seu coração. Um caminho dentro de você para terras além do mundo que você conhece. Esses caminhos vão te chamar, no decorrer da sua vida. Nunca haverá um segundo no qual você conseguirá esquecê-los, no qual você não estará procurando por algo que não pode ter, algo que você não consegue sequer imaginar direito, e a falta disto irá arruinar o seu sono e o seu dia e a sua vida, até que você feche os olhos pela última vez, até que os seus entes queridos lhe dêem veneno e o vendam para anatomia, e ainda assim você morrerá com um buraco dentro de você, e você irá lamentar-se e praguejar por uma vida mal vivida.”

Este é um dos mais profundos e interessantes trechos desta obra. Aqui, Gaiman reflete sobre a sobrevivência no mundo quando se tem uma ânsia por algo mais, por encontrar algo, algum caminho, que se desconhece – caminho este que muitos percorrem através da arte.

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