As refugiadas Muna e Azal, de 21 e 22 anos, foram parar na mesma escola.
Elas cresceram juntas no Iraque, mas as famílias fugiram após a guerra.

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Publicado no G1

Duas jovens iraquianas que eram vizinhas em Bagdá, mas precisaram fugir por causa da guerra, voltaram a se encontrar, por coincidência, no mesmo colégio em Michigan, nos Estados Unidos. Muna Ahmed, de 21 anos, e Azal Saleh, de 22, compartilham de vários episódios de reencontros rápidos e tristeza pela morte de parentes durante a guerra, mas agora também dividem uma carteira na última fileira na aula de inglês para estrangeiros da Academia Covenant House, colégio na cidade de Grand Rapids.

Em entrevista ao site Michigan Live, Muna, que já estudava no colégio, contou que ficou feliz quando foi informada de que outra garota iraquiana entraria para sua turma de inglês, já que poderia deixar de ser a única jovem vestindo jihab na escola americana. Mas a alegria aumentou quando ela descobriu que, por coincidência, sua nova colega era na verdade sua velha vizinha da época de infância.

“Começamos a chorar e nos abraçamos. Eu fiquei muito feliz e grata. Foi meio ‘uau’, um milagre”, disse ela ao jornal local.

A história das duas já tinha se cruzado uma vez desde que ambas as famílias fugiram do Iraque. Em 2010, as duas se reencontraram em Grand Rapids brevemente. Em 2012, porém, a família de Muna precisou retornar ao Iraque, depois que o irmão da mãe dela foi morto em um acidente provocado por um bombardeio.

Na época, as duas não tiveram a chance de se despedir uma da outra.

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Retorno aos EUA
Muna explicou ao jornal que a família passou por momentos muito difíceis com a notícia. “Tínhamos perdidos tantos membros da família. Isso foi muito difícil para todos nós. Minha mãe estava se sentindo tão para baixo que decidimos voltar [para o Iraque] para ficar com a família dela.”

Lá, porém, a garota não podia estudar, e por isso o pai optou pelo retorno aos Estados Unidos.

Azal, por sua vez, passou por problemas pessoais nesse período, em solo americano, e no início precisou ser convencida de que realmente conhecia Muna, porque não a reconheceu de imediato.

Reencontro
A professora da turma, Crystal Rios, explicou ao Michigan Live que esse reencontro aconteceu no meio da sala de aula, e chamou a atenção dos demais estudantes.

“De repente elas estavam falando a língua delas, se abraçando e chorando, e elas explicaram para nós que eram da mesma vila. Todo mundo estava com lágrimas nos olhos e arrepiado. Foi uma história muito tocante sobre como elas foram parar na mesma sala de aula, literalmente uma ao lado da outra.”