Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged refugiado

Após aprender português, refugiado sírio comemora vaga em faculdade pública

0

Bruna Souza Cruz, no UOL

Emmanuel deixou a Síria por conta da guerra

Emmanuel deixou a Síria por conta da guerra

O jovem sírio Emmanuel Ouba, 22, está animado com a volta às aulas no curso de medicina veterinária. Natural de Damasco, na Síria, o estudante inicia em breve o segundo semestre da graduação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, no campus Muzambinho (MG). O estudante ainda comemora a aprovação no vestibular realizado no meio do ano passado.

Por causa da guerra, que atinge seu país há mais de cinco anos, o rapaz veio sozinho para o Brasil em busca de melhores condições de vida e de oportunidades para estudar. Na Síria, deixou os pais, a família e os amigos.

“Com a guerra, é um perigo de sair de casa. Até em casa tem perigo. Sabe essa perseguição psicológica também? Meus pais queriam que eu saísse de lá para ficar mais em segurança”, relembrou. O jovem até chegou a estudar biologia na Universidade de Damasco, mas teve que a abandonar.

Ao chegar em São Paulo, em 2015, o desejo de retomar os estudos o acompanhou. Mas a falta de conhecimento do português era um dos principais desafios na época. Foi então que Ouba se matriculou em cinco cursos de língua portuguesa, um deles oferecido pelo Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado), e começou a se dedicar ao idioma. Ele lembra que a necessidade foi a grande responsável por sua dedicação.

“Sempre quis veterinária. Meu avô de lá [Síria] era veterinário. Acho que é porque gosto muito de animais e de medicina. Aprender português foi difícil sim, mas aprendi porque precisei mesmo. Nem todo mundo fala inglês, muito menos árabe [aqui no Brasil]. Mas eu não falo que aprendi [o português], falo que estou aprendendo”, brincou.

Em praticamente um ano, Ouba aprendeu o português, se aperfeiçoou na língua e ainda conseguiu passar no vestibular numa instituição pública de ensino. “Quando cheguei ao Brasil, queria fazer faculdade, mas não sabia que ia entrar depois desse curto período de tempo. Pensei que que iam ser dois, três anos para eu entrar na faculdade por causa do vestibular”, contou animado.

Ao todo, foram três meses de cursinho antes do vestibular, para o qual, segundo ele, estudou “como todo aluno de cursinho estuda”. Para se manter e conseguir guardar dinheiro, o jovem dividia seu tempo trabalhando como professor de inglês em duas escolas de idioma na capital paulista. Em Minas, seu sustento é mantido com ajuda de verba pública.

“O curso [em Minas Gerais] é integral. Faço muitos estágios não remunerados, não tem como trabalhar. Mas o Instituto me dá um auxílio estudantil, que me ajuda a sustentar, e uso um pouco do dinheiro que guardei em São Paulo. Não sobra nada, mas sem o auxílio eu não estaria aqui”, afirmou.

Mesmo sentindo saudades da família e dos amigos, a expectativa do universitário para o futuro é concluir a graduação e trabalhar no Brasil.

“Estou gostando muito. As coisas boas são a qualidade, que é muito alta, a biblioteca e o refeitório, que tem comida quase de graça e é muito boa. Não tem coisas ruins”, concluiu.

Refugiado da Síria é aprovado para engenharia elétrica na Unicamp

0

Kamel Zinou, de 20 anos, conseguiu entrar pelo programa de transferência.
Estudante e família fugiram da guerra civil que país enfrenta há 5 anos.

kamel-zinou-estudo

Publicado no G1

O estudante e refugiado sírio Kamel Zinou, de 20 anos, conseguiu ingressar no curso de Engenheria Elétrica na Unicamp, após mais de um ano em que ele e sua famíla desembarcaram em Campinas (SP). A aprovação aconteceu na sexta-feira (31), após a realização de uma prova de transferência.

O estudante teve que interromper a graduação para fugir da guerra civil que o seu país natal enfrenta há cinco anos. O número de refugiados daquele país chega a 4 milhões no mundo, segundo a ONU.Kamel e sua família chegaram em Campinas em abril do ano passado, sem falar português, eles abriram um restaurante de comida árabe e tentam retomar os planos que foram adiados.

Kamel se preparou durante três meses para a prova de transferência. O universitário contava com o auxílio de três doutorandos da Unicamp, nas disciplinas de física e matemática. Além dessas aulas, Kamel estuda português desde agosto do passado.

“Quando iniciar as aulas, continuarei a estudar português no Centro de Ensino de Línguas da Unicamp”, afirma o universitário. O curso de engenharia elétrica na estadual de Campinas é bem conceituado e no vestibular de 2015 tinha 20,9 candidatos por vaga no período integral. E 15,9 para no período noturno.

O processo de transferência começou em julho do ano passado. “Foi demorado, e somente em janeiro desde ano a universidade me respondeu e pediu para que fizesse a prova em março. Expliquei que precisava de mais tempo e então fiz a prova em julho”, explica Kamel.

Email de aprovação

A resposta da prova de transferência sairia no dia 7 de agosto, mas para surpresa de Kamel e da família, a aprovação foi confirmada no mesmo dia do exame.

“Estava no restaurante com a minha família, quando recebi um email do cordenador do curso de engenharia elétrica. A notícia de que fui aprovado deixou toda a minha família feliz e orgulhosa”, diz Kamel.

Em uma rede social a família agradeceu o apoio e felicitou o universitário. “Depois de todos esses anos de sofrimento,[…] hoje nos temos um grande razão para ficar feliz”, relata a postagem.

Família Zinou
A família vivia na cidade de Aleppo, segunda maior cidade da Síria, localizada a 350 km da capital Damasco.

O pai de Kamel, M.Suhib Zinou, de 59 anos, e sua esposa Chaza Alturkman, de 51 anos, abriram o restaurante batizado de Castelo – uma referência ao Castelo de Aleppo, um dos mais antigos do mundo.

No restaurante trabalham além de Kamel, suas duas irmãs Bana, de 31 anos, e Ayla, de 26 anos.

Ayla é a mais fluente na língua portuguesa da família, tem a intenção de ingressar no programa “Mais Médicos” do governo federal – que abre a possibilidade para profissionais estrangeiros atuarem no Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, contou, estuda diariamente e pretende fazer residência.

img_8526

Go to Top