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Pesquisa mostra que 70% dos presos da Papuda tornaram-se leitores assíduos

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No presídio feminino, o índice chega a 40%. Os resultados são de uma dissertação de mestrado em letras na UnB

Detentos participam de apresentação do projeto Portas Abertas: desenvolvido pela Universidade de Brasília, o programa tem participação da professora Maria Luzineide Costa Ribeiro

Detentos participam de apresentação do projeto Portas Abertas: desenvolvido pela Universidade de Brasília, o programa tem participação da professora Maria Luzineide Costa Ribeiro

Publicado por Correio Braziliense

O último livro que Luiz Carlos*, 30 anos, leu foi Quando Nietzche chorou, romance de Irvin D. Yalom sobre o filósofo alemão do século 19. “Nietzche sabia aproveitar suas depressões, em vez de fazer delas um inferno. Por isso, gostei bastante”, comenta.

Luiz é um leitor comum. Talvez incomum seja o local onde ele aproveita a leitura. Atualmente, o rapaz cumpre o nono dos 12 anos e 10 meses de pena por homicídio e assalto, detido em regime fechado na Penitenciária do Distrito Federal I (PDF I), no Complexo da Papuda. Antes, costumava ler apenas o que era cobrado no ensino médio, mas, na prisão, os livros se tornaram um prazer, uma forma de preencher o ócio e uma via de escape.

Não é raro isso acontecer. A conclusão é de uma pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB): Luiz não foi o único a mudar os hábitos de leitura depois de ir para a cadeia.

 

Pode comprar ‘revista porcaria’, diz Marta sobre uso do vale-cultura

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Publicado no G1

Dilma sanciona lei que criou vale-cultura (Foto:Roberto Stuckert Filho / Presidência)

Dilma sanciona lei que criou vale-cultura (Foto:
Roberto Stuckert Filho / Presidência)

A ministra da Cultura afirmou nesta quinta-feira (17) que o usuário do vale-cultura tem liberdade para escolher o que vai comprar com o valor do benefício. Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff sancionou a nova lei que concede R$ 50 por mês a trabalhadores contratados em regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que recebem até cinco salários mínimos (R$ 3,39 mil, considerando salário a partir de 2013) para gastar em eventos ou produtos culturais.

O dinheiro poderá ser gasto na compra de ingressos para shows, cinema, teatro e também na aquisição de produtos como livros, DVDs e revistas.

“Se ele quiser comprar revista de quinta categoria, assim ou assado, pode. Vai poder comprar o que quiser. O bom disso é a liberdade do trabalhador. Ele vai fazer o consumo como ele desejar”, disse Marta em entrevista ao programa “Bom Dia Ministro”, da empresa estatal EBC.

A ministra disse “não ser censora” e afirmou que o “trabalhador decide se quer comprar revista porcaria ou não”.

Somente receberão o benefício os empregados das empresas que aderirem ao projeto, e o trabalhador terá um desconto de até 10% (R$ 5) do valor do vale. O funcionário pode optar por não receber o valor. Cerca de 17 milhões de pessoas estão aptas a receber o vale, de acordo com a ministra.

Segundo Marta a lei será regulamentada até 26 de fevereiro de “forma genérica”.

“Temos que apresentar uma regulamentação até dia 26 de fevereiro, de uma forma bem genérica e depois fazer as portarias detalhadas aos poucos. O site do Ministério da Cultura está recebendo opiniões para aperfeiçoarmos o vale”, disse Marta.

De acordo com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, a quantia passará a ser recebida a partir de julho de 2013. Até lá, disse a ministra, o governo negociará com empresas para favorecer a maior adesão ao projeto. O governo federal vai desembolsar cerca de R$ 500 milhões em 2013 em incentivos.

Segundo Marta, se o beneficiário não gastar R$ 50 em um mês, ele pode acumular a quantia. “No final de dezembro, ele pode gastar com presentes de Natal”, disse.

Apesar de ainda não haver uma definição, o beneficiário vai poder pagar o ingresso de um acompanhante com o dinheiro do vale, segundo a ministra.

Publicação de livro incentiva ex-detento a mudar de vida e abandonar o crime

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Paulo Milhan lançou o livro da Bienal do Livro, em São Paulo e pode concorrer ao prêmio Biblioteca Nacional de Literatura

Maira Fernandes no Jornal O Cruzeiro

Seria clichê iniciar um texto dizendo que um ex-detento que escreveu um livro foi liberto pelas letras. E, nesse caso, também não seria de todo verdade. Paulo Henrique Milhan, que inúmeras vezes cumpriu pena em regime fechado – tráfico e formação de quadrilha – não começou a pensar em mudar de vida quando começou a escrever. O que ele queria quando concebeu o livro de mais de 400 páginas todo na cabeça antes de digitar, não tinha nada a ver com futuro, mas sim com reinventar o passado. A liberdade (e a libertação) foi consequência da maturidade, sustentada pelo amor de contar histórias.

 

“Tarde demais para acreditar no amor” é o nome do primeiro livro de Milhan, que foi lançado na Bienal do Livro esse ano, em São Paulo e também um dos livros habilitados para concorrer ao prêmio Biblioteca Nacional de Literatura. Nele, o ex-presidiário, natural de Andirá, no Paraná, e que há cerca de 10 anos mora em Sorocaba, não conta sobre sua vida de encarcerado, mas de um sentimento por Jaqueline, um amor que mantinha desde os tempos que morava no Paraná, mas que as idas e vindas de cidade e prisões, não permitiram acontecer. “Tinha em mente a história, queria escrever o livro sobre o sentimento por Jaqueline. O que não aconteceu, no livro ia acontecer”, explica. Na obra, Paulo é o narrador que observa a paixão de um rapaz, que está preso, por um moça. “No livro eu faço os dois se relacionarem, o que não aconteceu comigo, mas ele também está preso. Era o que eu queria, na verdade, que tivesse acontecido comigo”, conta ele, hoje com 39 anos e atuando na área de funileiro.

 

Hoje ele garante que a paixão não existe mais, só ficou uma amizade. Mas reconhece que foi por amor a ela que a escrita entrou definitivamente em sua vida. Foi em idos dos anos 2000, quando esteve preso em Andradina, que resolveu escrever uma poesia para participar de um concurso dentro do presídio. A musa, claro, era Jaqueline. “Eles (colegas de cela), leram minha poesia e gostaram muito, me pediam para eu emprestá-la para enviarem para suas mulheres, namoradas. Coisa de cadeia…”, recorda Milhan.

(mais…)

 

Livro traz cartazes da resistência a ditaduras da América Latina

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Publicado originalmente na Folha de S. Paulo

O Instituto Vladimir Herzog promove hoje (6) o lançamento do livro “Os Cartazes desta História”, que reúne obras produzidas contra ditaduras na América Latina.

A publicação traz cerca de 300 cartazes, documentos e fotografias de movimentos de resistência aos regimes, produzidos entre os anos 1960 e o início da década de 1990.

O foco principal da obra é a luta contra a ditadura brasileira (1964-1985) e o movimento da sociedade civil após a Lei da Anistia, em 1979.

Organizada pelo jornalista Vladimir Sacchetta, a obra tem também cartazes de países como Argentina, Nicarágua e Guatemala — além dos anúncios criados no Brasil.

Traz ainda uma análise das composições feita por Chico Homem de Mello, pesquisador da área do design gráfico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

A obra é parte do projeto “Resistir é Preciso…”, lançado pelo instituto no ano passado, que pretende resgatar a trajetória da imprensa durante a ditadura militar.

Em 2011, o grupo já havia publicado a obra “As Capas desta História”, uma coletânea de primeiras páginas de veículos clandestinos publicados durante a ditadura.

Também lançou coleção de 19 edições do jornal “ex-“, fechado pelo regime após reportagem que denunciava a morte de Herzog em 1975.

Cartaz “Liberdade para todos os presos políticos”, da Comissão Executiva Nacional dos Movimentos de Anistia. Ele faz parte do livro “Os cartazes desta história”, do Instituto Vladimir Herzog, que reúne obras produzidas contra ditaduras na América Latina

Cartaz “Até encontrá-los”, convocando para a Celebração Ecumênica pelos Desaparecidos Políticos Latino-Americanos em 1990. Ele faz parte do livro “Os cartazes desta história”, do Instituto Vladimir Herzog, que reúne obras produzidas contra ditaduras na América Latina

Cartaz “Nunca Mais! Mortos e desaparecidos”, do grupo Tortura Nunca Mais. Ele faz parte do livro “Os cartazes desta história”, do Instituto Vladimir Herzog, que reúne obras produzidas contra ditaduras na América Latina

Cartaz “Liberdade Nicaragua”, da Frente Sandinista de Libertação Nacional. Ele faz parte do livro “Os cartazes desta história”, do Instituto Vladimir Herzog, que reúne obras produzidas contra ditaduras na América Latina

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