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Jovem decide voltar a estudar depois de assistir “Pantera Negra”

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Publicado no Razões para Acreditar

Os filmes que assistimos exercem muito mais poder sobre nós do que imaginamos. Uma prova disso é a história do jovem Renato Siqueira de Castro, de 15 anos, que voltou a estudar depois de assistir “Pantera Negra” no cinema. Renato quer ser bombeiro, mas ficou 1 ano afastado da escola. Depois de ver os heróis do filme, ele confirmou seu sonho e tomou a decisão de voltar.

“Foi o Pantera Negra que me fez voltar a estudar. Sem a escola eu não consigo nada. Parei e pensei: Pô, melhor eu voltar a estudar”. O garoto, que vive no Parque Missões, uma favela na cidade de Duque de Caxias, município do Rio de Janeiro e decidiu que queria seguir a profissão de bombeiro quando tinha 11 anos e viu o barraco de sua mãe pegar fogo: “Eu quero salvar vidas”.

Ele parou de estudar quando saiu da casa do pai, já que brigava muito com sua irmã. Foi então que ele decidiu alugar um barraco para ele e para conseguir dar conta dos 130 reais mensais, passou a trabalhar como engraxate e largou os estudos. Mas, apesar de seus clientes lhe dizerem constantemente que ele precisava voltar a estudar, foi o “Pantera Negra” que mostrou que o estudo é fundamental.

O filme, que tem sido um verdadeiro sucesso de bilheteria é também muito importante, pois é o primeiro herói negro da Marvel, representando jovens do mundo inteiro, que necessitam desta representatividade para poderem ir atrás de seus sonhos. Tanto que, aqui no Brasil, diversos movimentos sociais se mobilizaram para levar jovens negros da periferia para assistir o filme.

Foi a partir do projeto “Apadrinhe um sorriso”, que aposta no desenvolvimento das crianças de comunidade através da cultura, que Renato voltou a estudar, desta vez em um colégio diferente do que ele frequentava e segundo ele, mais organizado: “Esse colégio é melhor. Não tem bagunça. Eu também fazia bagunça na antiga escola. Mas é aquela coisa: Todo mundo fazia e eu fazia. Agora todo mundo se comporta e eu também”.

Com informações de Extra

Foto: divulgação Apadrinhe um sorriso

Projeto reúne lista de livros com protagonistas negras

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Algumas das obras falam sobre, por exemplo, como é bonito ter o cabelo crespo ou tratam de preconceitos  |  Fonte: Shutterstock

Algumas das obras falam sobre, por exemplo, como é bonito ter o cabelo crespo ou tratam de preconceitos | Fonte: Shutterstock

 

Criado por livreira, perfil já conta com mais de cem obras

Publicado no Universia Brasil

Sabemos como a representatividade é fundamental para a construção do ser humano e seu sentimento de pertencimento, porém, ainda é difícil encontrar diversidade em algumas áreas e a literatura é uma delas. Pensando nisso, a livreira Luciana Bento criou um projeto no qual reúne uma lista com mais cem livros protagonizados por meninas negras.

O foco da página são histórias que mostrem heroínas, guerreiras e princesas, mas também há muito espaço para garotas comuns. São diversos temas, estilos e faixas etárias, tudo reunido com o conhecimento prévio do trabalho e a ajuda de amigos. O intuito é dar visibilidade às meninas negras e trazer isso para outros ambientes, como o escolar.

A ideia é totalmente colaborativa. Disponível em um perfil do Tumblr, Luciana convida os leitores a deixarem suas sugestões e ajudar a aumentar ainda mais a lista. As postagens são feitas sempre no mesmo modelo: foto da capa, nome do autor, ilustrador, editora e um resumo.

Algumas das obras falam sobre, por exemplo, como é bonito ter o cabelo crespo ou tratam de preconceitos, porém, há histórias que abordam outras questões e apenas usam protagonistas negras. O objetivo é fazer também que não apenas as meninas negras conheçam esses livros, mas sim todas as crianças, introduzindo de uma maneira saudável e inteligente temas importantes e debates pertinentes.

Há um projeto para livros com meninos sendo pensado também, mas, por enquanto, o foco ainda são elas. A iniciativa de Luciana, aliás, lembra em muito a da jovem Marley Dias. Aos onze anos, a estudante americana também criou um projeto para encontrar livros com protagonistas negras. A ideia, que é anual, pretende reunir mil títulos.

Em carta aberta, professoras da UFRJ acusam Flip de promover ‘Arraiá da Branquidade’

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Neil deGrasse Tyson, Elza Soares e Mano Brown foram convidados para a Flip, mas não puderam participar - Editoria de Arte / Agência O Globo

Neil deGrasse Tyson, Elza Soares e Mano Brown foram convidados para a Flip, mas não puderam participar – Editoria de Arte / Agência O Globo

 

Grupo fará oficinas e programação paralela para discutir ausência de escritoras negras no evento

Mariana Filgueiras, em O Globo

PARATY — No ano em que a homenageada da Flip é a escritora Ana Cristina César e o evento se debruça sobre a presença feminina na literatura — com 17 mulheres entre os 39 participantes da Tenda dos Autores — a ausência de autoras negras na programação causou revolta entre mulheres que integram o Grupo de Estudo e Pesquisa Intelectual Negra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em carta aberta ao evento, elas criticam a organização do evento, chamado de “Arraiá da Branquidade”.

“Em um país de maioria negra e de mulheres, é um absurdo que o principal evento literário do país ignore solenemente a produção literária de mulheres negras como Carmen Faustino, Cidinha da Silva, Elizandra Souza, Jarid Arraes, Jennifer Nascimento, Livia Natalia e muitas outras”, diz o documento. “Que naturalizando o racismo, a curadoria considere que fez sua parte convidando autoras da raça Negra que infelizmente não puderam aceitar o convite. A não procura de planos a, b, c diante destas supostas recusas relaciona-se à falta de compromisso político da FLIP com múltiplas vozes literárias nacionais e internacionais (…) Este silenciamento do nosso existir em uma feira que se reivindica cosmopolita, mas está mais para Arraiá da Branquidade, se insere no passado-presente da escravidão”.

A carta foi publicada no site www.conversadehistoriadoras.com, e faz parte do evento “Vista nossa palavra, Flip 2016”, que integra uma série de ações organizadas para discutir a falta de visibilidade de autoras negras de uma forma geral. Além da carta, o grupo fará oficinas de escrita em escolas públicas e um dia inteiro de programação literária no sábado, em Oswaldo Cruz, no Rio, que pretende funcionar como um contraponto à programação “branca” da Flip.

— Nosso grupo de estudos existe há três anos, é formado por estudantes, pesquisadoras da UFRJ e mulheres não ligadas à universidade. No último dia 16 de maio fizemos um seminário sobre Intelectuais Negras, que acabou motivando esta reflexão. Decidimos escrever um “textão”, que é esta carta aberta à Flip, criar uma hashtag para a mobilização, que também conta com vídeos de apoiadores, como o escritor Alberto Mussa. Mas nossa ação vai muito além disso, a carta não se encerra nela — explica a idealizadora da campanha, a historiadora e professora Giovana Xavier. A programação completa do evento de sábado está na página do Facebook “Vista nossa palavra Flip2016”.

CURADOR RESPONDE

Paulo Werneck, o curador da Flip, comentou a ausência de autores negros em geral e admitiu que essa acabou sendo uma lacuna da atual edição do evento. As primeiras críticas já haviam surgido quando a programação foi anunciada, em meados de maio.

— Quando se fala “não foi convidada”, na verdade, a gente convidou. Mas nenhum dos autores negros que convidamos pôde aceitar. Essa crítica é pertinente. É verdade. Falta mesmo. Fica como uma falha, uma lacuna. A Flip tem uma história de diversidade, mas a construção das coisas da cultura não são simples: nós fizemos oito convites a autores negros.

Werneck afirma que entre esses convidados estavam grandes nomes da cultura e da ciência e cita os nomes de alguns deles, como o astrônomo americano Neil DeGrasse Tyson e o jornalista e ensaísta americano Ta-Nehisi Coates. O curador afirma ainda que convidou pelo segundo ano o arquiteto Francis Diebedu Keré, de Burkina Faso, entre outros.

— Chamei a a Elza Soares, que está com agenda apertada de shows; o Mano Brown, numa conversa que levou quatro meses e infelizmente a gente bateu na trave. Convidamos a Fatou Diome, escritora franco-senegalesa, que viralizou outro dia na internet (em vídeo sobre a questão dos refugiados), o Paulinho da Viola também não pôde.

Durante essa escolha dos nomes para a programação oficial, ele comenta que houve um momento que “entregou os pontos”.

— Eu entendo essa reivindicação, recebo a crítica, não vou tentar rebater. Vou dar ouvidos a elas, mas não se trata de não ter sido convidado. Foi convidado. E a gente em algum momento entregou os pontos. Foi quando a Elza não podia aceitar, a gente decidiu: precisamos fechar. Em 2014, a Flip abriu uma temporada de sugestões para a programação, justamente para receber informações e ideias que não estão no meu radar, que não me ocorrem. Acho curioso que esta reivindicação não tenha aparecido naquele momento. Mas eu vou ficar sensível a isso, acho que é assim que funciona o debate intelectual.

Ao receber a carta, a organização da Flip enviou uma nota oficial: “Recebemos a carta aberta à Flip com respeito e atenção. A crítica é pertinente. A certo ponto, após uma sucessiva recusa dos artistas, escritores e cientistas negros que convidamos, fechamos a programação com essa lacuna, que também se verifica no mercado editorial, na imprensa, nas instituições culturais brasileiras. Neste ano, num gesto inédito, reservamos um espaço na Programação Principal para Elza Soares até o limite do nosso prazo, mantendo a mesa reservada até mesmo após a divulgação da programação. A Flip 2016 inclui, no Espaço Itaú Cultural de Literatura, que integra a programação oficial da festa, debates sobre autores que discutem a questão da representação negra, como Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo, Sérgio Vaz e Roberta Estrela D’Alva.

A Flip tem uma história na diversidade na literatura, tendo convidados grandes nomes da cultura negra brasileira e internacional em seus 15 anos de história, tais como Chimamanda Ngozi Adichie, Toni Morrison, Ngugi wa Thiong’o, Dany Laferrière, Gilberto Gil, Ondjaki, Paulo Lins, entre outros, e por isso se compromete a manter os olhos abertos à questão da representatividade negra em suas próximas edições. No ano passado, recebemos Deocleciano Moura Faião, poeta morador da Rocinha. Mantemo-nos abertos ao debate e à interlocução.”

— Não é uma questão de convidar ou não mulheres negras, este argumento reflete o “racismo à brasileira”. É uma questão de compromisso político e de coerência com o evento. Falar de racismo, pautar o debate sobre a questão racial não é uma opção — avalia Giovana Xavier.

Aos 7 anos, norte-americana escreve livro para provar que meninas negras também podem ser princesas

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“Toda menina deveria acreditar que ela pode ser uma princesa, independente da raça”, diz Morgan Elizabeth Taylor, de 7 anos (Foto: Divulgação)

“Toda menina deveria acreditar que ela pode ser uma princesa, independente da raça”, diz Morgan Elizabeth Taylor, de 7 anos (Foto: Divulgação)

 

A fim de empoderar meninas negras, Morgan Elizabeth Taylor se junto ao pai para criar o livro “A Princesa do Papai”, inspirado em mulheres líderes reais

Publicado na Marie Claire

O apelido dado pelo norte-americano Todd Taylor à sua filha Morgan, de 7 anos, foi “princesa”, mas um dia ela o disse que ele não poderia mais chamá-la assim.

O motivo? “Eu amo quando você me chama de princesa, mas eu sei que não sou uma de verdade… Princesas reais são brancas e eu não poderei ser uma um dia”, contou o pai em entrevista ao jornal Today.

Abalado com o comentário da filha, que estava acostumada a assistir a filmes e a ler livros com histórias protagonizadas por personagens de pele clara, Todd junto com Morgan deu início a uma pesquisa sobre mulheres negras líderes. Os dois se impressionaram com a quantidade de referências encontradas.

O livro “A Princesa do Papai” foi escrito por Morgan e seu pai (Foto: Divulgação)

O livro “A Princesa do Papai” foi escrito por Morgan e seu pai (Foto: Divulgação)

 

Pai e filha decidiram, então, escrever um livro a quatro mãos. Desta forma, outras crianças poderiam aprender também sobre princesas negras reais, como a Princesa Elizabeth of Toro, que foi embaixadora de Uganda, nos Estados Unidos, e Peggy Bartels, Rainha de Otuam, em Gana.

A publicação foi intitulada “Daddy’s Little Princess” (A Princesa do Papai), que está à venda online (US$ 9,99/ R$ 33,86) e tem repercutido positivamente, segundo a dupla de autores. “Toda menina deveria acreditar que ela pode ser uma princesa, independente da raça”, declarou Morgan ao WFMY News.

Além de adorar ler, a pequena gosta também de fazer roupinhas para suas bonecas, desenhar e pintar. Ela ama ainda dançar e cantar. Porém, ainda não tem certeza do que deseja ser quando crescer. “Só sabe que quer continuar ajudando outras pessoas”, diz sua biografia no site de divulgação.

Morgan Elizabeth Taylor, de 7 anos (Foto: Divulgação)

Morgan Elizabeth Taylor, de 7 anos (Foto: Divulgação)

Menina lança projeto de livros só com protagonistas negras

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Marley Dias, de 11 anos, e alguns dos livros do projeto para criar uma coleção de mil livros com protagonistas negras

Marley Dias, de 11 anos, e alguns dos livros do projeto para criar uma coleção de mil livros com protagonistas negras

 

Como é ler diversas histórias e nunca se identificar ou se ver em nenhuma delas?

Ana Julia Gennari, na Exame

Marley Dias é uma menina negra de 11 anos que mora em Nova Jersey, nos Estados Unidos e sempre reclamava justamente deste problema com sua mãe, Janice.

Para tentar contornar esta situação, a menina teve uma ideia ambiciosa: fazer uma coleção de mil livros com protagonistas negras.

Em entrevista ao Huffington Post US, ela disse que estava cansada de ler livros sobre garotos brancos e seus cachorros: “Eu estava frustrada desde a quinta série porque nunca lia livros com personagens que eu pudesse me conectar”, explica.

A campanha #1000BlackGirlBooks (1000 Livros de Garotas Negras) foi lançada em novembro de 2015, com ajuda da Grass Ross Foundation, organização social de sua mãe, e hoje já ultrapassou a meta, contando com 4 mil livros catalogados e 700 disponíveis no site do projeto.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Janice disse que elas continuam recebendo livros e que são doados para escolas tanto nos Estados Unidos quanto na Jamaica, lugar onde a mãe de Marley nasceu.

“Acho que nós não tínhamos noção do dilema internacional que é essa questão de falta de diversidade e a Marley teve a chance de dar voz a um desafio que muitas pessoas preferem não falar” contou ao jornal.

Ao Huffington, Marley disse que quer se tornar uma editora de revistas quando crescer e que espera escrever ao menos um livro para garotas como ela.

“[Representatividade] definitivamente importa porque quando você lê um livro e aprende algo, você sempre vai querer algo que te conecte àquilo. Se você tem algo em comum com os personagens de um livro você certamente nunca mais vai esquecê-lo e levará uma lição pra sua vida”

É de mais iniciativas como esta que o mundo precisa!

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