Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged revelação

Desventuras em Série: Netflix anuncia data da 2ª temporada

0

5db16efdb30f9cd831a2484f3af36cad6cb97ee7

Neil Patrick Harris faz revelação através de teaser

Iara Vasconcelos, no Cineclick

A Netflix anunciou a data da segunda temporada de Desventuras em Série, série protagonizada por Neil Patrick Harris. Através de um teaser, a plataforma revelou que Conde Olaf e cia retornam com novas aventuras em 30 de março. Assista:

A trama original acompanha três irmãos órfãos: Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny Baudelaire, que ficam sob os “cuidados” do malvado Conde Olaf (Neil Patrick Harris), enquanto tentam resolver o mistério que envolve a morte de seus pais.

A série é baseada na franquia de livros escrita por Daniel Handler e é formada por 13 romances, que já venderam mais de 65 milhões de exemplares. Ao que tudo indica, os novos episódios serão baseados do 5º livro (Inferno Colégio Interno) até o 9º (O Espetáculo Carnívoro).

Em vídeo ao estilo LEGO, Bill Gates revela os cinco melhores livros que leu em 2014

0

1

Publicado por TudoCelular

Ler é uma das melhores formas de diversão, a maioria das pessoas adora pegar um bom livro e aproveitar horas, seja no mundo da fantasia, dos estudos, ou até mesmo da história. Você já imaginou o que os famosos leem? Melhor ainda, já imaginou o que Bill Gates guarda na sua estante de livros?

Gates revelou nesta última segunda-feira (8/12) uma lista com cinco livros, compartilhando e indicando as melhores obras do ano. Até o momento mais de 107 mil pessoas visualizaram o vídeo e guardaram as dicas de Bill.

O fundador da Microsoft revelou quais livros estão na sua lista de melhores leituras de 2014, no vídeo ele mostra suas preferências do ano que está acabando, e da forma mais estilosa do mundo, em uma animação em lego.

Uma das grandes obras indicadas é “Business Adventures”, de John Brooks, livro publicado em 1969 e segundo Gates, é um dos melhores livros sobre negócios que ele já leu em toda sua vida. Ou seja, se o dono de uma das maiores empresas do mundo está indicando, é porque deve ser minimamente bom.

Na lista também há “O Capital do Século XXI”, de Thomas Piketty, “How Asia Works”, de Joe Studwell, “Making the Modern World: Materials and Dematerialization”, de Vaclav Smil, e “The Rosie Effect”, de Graeme Simsion.

No caso da obra “The Rosie Effect”, de Graeme Simsion, Bill Gates recebeu uma cópia antes mesmo do livro ser publicado, revelou que a leitura é divertida e que os leitores conhecerão um pouco mais sobre genética. Em seu blog ele faz comentários sobre cada um dos títulos indicados.

Livro revela rebeldia caipira de Inezita Barroso e guerra ao “sertanojo”

0
Cantora e compositora Inezita Barroso no escritório de sua casa, na década de 1970 Divulgação

Cantora e compositora Inezita Barroso no escritório de sua casa, na década de 1970 Divulgação

Tiago Dias, no UOL

Daqui a poucos meses, mais precisamente em março, a cantora Inezita Barroso completará 90 anos como uma das defensoras mais fervorosas da música caipira no Brasil. Em sua biografia recém-lançada, “Inezita Barroso – Rainha da Música Caipira”, escrita por depoimento ao jornalista Carlos Eduardo Oliveira, ela ainda mantém a voz discordante contra a modernidade no sertanejo e chama a safra atual de “sertanojo”.

“A verdade é que esse pseudosertanejo atual é música inventada pela indústria, sem raiz, paupérrima, sempre a mesma letra, sempre o mesmo ritmo! Um modismo”, desabafa no livro.

Sua posição não é uma novidade. Inezita foi uma rebelde desde pequena. No livro, ela conta como decidiu cantar após assistir ao show da Carmem Miranda, e da resistência que sofreu dos pais “caretas”. Moça da sociedade paulistana, ela sempre atraiu olhares pelo cabelo curto, o violão a tiracolo e a disposição em se enfiar nas rodas de viola dos trabalhadores rurais. “Ela sempre estava nas casinhas dos caboclos das fazendas das avôs. Ela acompanhava as rodas de improviso, e recolhia – como ela costuma dizer – músicas como ‘Moda de Pinga‘”, conta o jornalista.

1

No “Viola Minha Viola”, que se tornou referência no gênero desde os anos 1980, quando estreou na TV Cultura, ela dissecou as lendas, o folclore e a poesia dos versos sertanejos, mas desabafa: às vezes conduziu o programa de maneira intransigente. “Ela passou por algumas fases do ‘Viola’ em que achavam que não era bom excluir [os novas duplas sertaneja]. Ela quebrou o pau, ameaçou desistir do programa”, conta Carlos Eduardo Oliveira.
Ela relata: “Durante uma época, produtores chegaram a insinuar que fulano e beltrano viriam porque a gravadora estaria patrocinando – esse era o argumento deles. Eu esbravejei”.

A rainha, no entanto, faz suas ressalvas. O cantor Daniel sempre tem espaço em seu programa. Chitãozinho e Xororó, por cantarem e tocaram como nos velhos tempos, também são cativos entre os convidados – desde que apareçam sem guitarra e teclado. “Nós já sabíamos disso quando fomos convidados” explicou Chitãozinho ao UOL. “Ela sempre foi muito dedicada ao gênero caipira, é uma defesa dessa raiz. Tem pessoas que acham que a modernização fere a origem”.

1

Desde os anos 70 na estrada, Chitãozinho e Xororó não escondem que gostam das novidades, mas reverenciam Inezita, indiretamente, no programa que apresentam no SBT, “Festival Sertanejo”. “Temos um quadro com músicas de raiz e é um dos momentos de maior audiência. Isso prova que Inezita tem muita razão em falar sobre isso. Gosto do novo, mas temos que manter a raiz, é uma responsabilidade nossa”, explica Chitãozinho.
Daniel, que escreve a apresentação do livro, é apenas elogios à cantora. “Inezita para mim é uma referência e há muitos anos nos conhecemos quando eu e o João Paulo participamos do programa pela primeira vez. Ela tem sido a haste da nossa bandeira da música caipira sertaneja, seu papel na nossa história é fundamental.”

“Salva pelo Iê Iê Iê”
Inezita presenciou a efervescência cultural da São Paulo dos anos 40, inaugurou a tradição cinematográfica paulista dos estúdios da Vera Cruz, onde atuou em alguns filmes, foi a primeira cantora contratada da TV Record – antes de Elis Regina -, e viajou pelo interior do país com o primo e um amigo, a bordo do seu jipe, “recolhendo” temas folclóricos. Era independente e mais rebeldes que a turma da Jovem Guarda. No entanto, com a chegada de Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléia na TV, foi deixada. Os shows minguaram, as apresentações na TV idem, os cachês desapareceram.

"Inezita Barroso - Rainha da Música Caipira" (Ed. Kelps, 212 págs., R$ 31,50)

“Inezita Barroso – Rainha da Música Caipira” (Ed. Kelps, 212 págs., R$ 31,50)

“As rádios e gravadoras só queriam sabem do pessoal do banquinho-e-violão ou daquela moçadinha cabeluda e suas guitarras estridentes”, ela conta. Acabou aproveitando a febre para ensinar violão para a garotada na época. Foi, como conta no livro, “salva pelo Iê Iê Iê”.
No quesito musical, ela responde na lata: “Mas que aquelas musiquinhas eram todas água-com-açúcar, ah, isso eram”. Roqueiro, Carlos Eduardo Oliveira disse que não teve problemas ao visitar Inezita em sua casa em São Paulo para entrevistá-la. “Mas ela não gosta mesmo de coisas eletrônicas, coisas que passam pelo plug”.

Ainda no ar, “Viola Minha Viola” se tornou um dos programas musicais mais tradicionais da TV. Inezita, no entanto, não participou das duas últimas gravações, nas últimas semanas, por estar em Campos de Jordão, na casa da filha, descansando. Não atendeu ninguém e sua equipe também negou o pedido de entrevista do UOL.

Quando estiver revigorada, voltará para gravar e marcar, finalmente, sua posse na Academia Paulista de Letras — título que recebeu no começo do mês. Ela quer estar bem e com energia para assumir a cadeira como folclorista.

Cantora Inezita Barroso Folhapress

Cantora Inezita Barroso Folhapress

Segredos da Guerra dos Tronos: GRRM revela detalhes sobre o Mundo de Gelo e Fogo

0
George R. R. Martin (foto de Reuters/Denis Balibouse)

George R. R. Martin (foto de Reuters/Denis Balibouse)

Publicado pela Revista Bang

O artigo em baixo reproduzido apresenta spoilers da saga Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin

Aprendi ainda mais sobre a Guerra dos Tronos pelo fascinante livro The World of Ice and Fire do que ao entrevistar o autor.

No domingo tive o enorme prazer de entrevistar o autor George R. Martin ao vivo na New York City’s 92nd Street Y. A ocasião devia-se à publicação do novo livro exuberantemente ilustrado The World of Ice and Fire, sobre as terras fictícias onde decorrem os romances de Martin e a série Guerra dos Tronos da produtora HBO.

1O livro foi escrito por Martin em colaboração com os ‘superfãs’ Elio M. e Garcia Jr. e Linda Antonsson, cujo conhecimento enciclopédico desta saga é semelhante à matéria de que se fazem as lendas.

George tornou-se bastante reservado no que toca a revelar informação que poderia arruinar as tramas dos futuros livros (mais dois romances estão planeados para As Crónicas de Gelo e Fogo). Muito do que ele referiu em 92Y – que a Muralha foi baseada na Muralha de Hadrian (a muralha que divide Inglaterra da Escócia) que George Martin visitou; que o autor imagina a Eyrie como algo semelhante ao Castelo de Neuschwanstein do Rei Ludwig, na Baviera – tal já era conhecido pelos seus fãs mais aguerridos. No entanto, um novo público para esta saga foi criado, sejam leitores mais casuais da saga ou aqueles que apenas estão familiarizados com o programa da HBO, e esse público irá encontrar muitas respostas a perguntas verdadeiramente explosivas das páginas d’As Crónicas de Gelo e Fogo. Eis algumas das mais intrigantes.

As crianças de aspeto bizarro que ajudaram Bran e a maioria do grupo no final da 4ª temporada não são crianças. Na verdade nem sequer são humanos.

1

Tal como os gigantes (vistos durante o cerco à Muralha), as criaturas denominadas Filhos da Floresta habitaram Westeros antes da vinda dos Primeiros Homens. Foram os Filhos da Floresta que cravaram e esculpiram os rostos nas árvores coração, como a que se encontra em Winterfell. Apesar de inicialmente serem inimigos dos Primeiros Homens e guerrearem, os dois grupos acabaram por pacificar-se e no Norte, de onde a família Stark é originária, muitos ainda idolatram os deuses antigos dos Filhos da Floresta tal como são representados nos rostos esculpidos das árvores coração. Os sábios e sacerdotes dos Filhos da Floresta eram chamados de videntes verdes e tinham sonhos proféticos, semelhantes aos sonhos de Bran e Jojen. (Aliás, Jojen vem de uma tribo, os cranogmano, da qual existem rumores que se terão cruzado genealogicamente com os Filhos da Floresta; e um dos antepassados de Bran casara com a filha do último rei dos cranogmano). Inicialmente pensava-se que os Filhos da Floresta tinham desaparecido completamente de Westeros.

Westeros é palco de conflitos religiosos.

1

Enquanto a Fé dos Sete é a religião dominante nos Sete Reinos, nem sempre fora assim. Foi trazida para Westeros pelos Ândalos, invasores de Essos (o grande continente a leste de Westeros; e onde Daenarys viveu a maior parte da sua vida). A dinastia de Daenarys, os Targaryen, adotaram essa crença quando se viraram contra os Ândalos e se deu o seu êxodo para fora da terra mãe, a sul de Essos. Enquanto os fãs da série televisiva estão familiarizados com uma igreja que é subordinada da família real, nem sempre fora assim tão dócil. Duas ordens, os Filhos Guerreiros e os Pobres Irmãos – conhecidos coletivamente como Fé Militante ou Espada e Estrelas – iraram-se contra o sucessor do primeiro rei Targaryen, uma vez que a Fé abominava a prática dos casamentos incestuosos, comum na dinastia Targaryen. O terceiro rei Targaryen, Maegor o Cruel, reprimiu brutalmente e demitiu os Fé Militante, proibindo ordens religiosas de empunharem armas dali em diante. Este decreto será decerto significativo nas próximas temporadas da série da HBO.

Os Targaryen eram incestuosos por razões estratégicas, ao contrário dos Lannister.

759997_GOT401_080113_ND_0239.jpg

A prática de casar irmãos e irmãs era comum na pátria dos Targaryen, de Valyria, porque o dom de domesticar dragões era uma herança que se adquiria geneticamente, e o clã pretendia manter esse dom na família. Mas mesmo aqueles que nasciam com esse dom não tinham o trabalho facilitado, como se demonstra pela dificuldade de Daenarys em domar os seus dragões. No 92Y, Martin conta que uma grande amiga sua e colaboradora, a escritora Melinda Snodgrass, tem um cavalo lusitano e pratica equitação – as suas experiências a treinar cavalos mostraram a Martin a dificuldade que seria treinar dragões.

Tywin Lannister nasceu já com o feitio difícil, um “hard ass”.

1

Quando o pai de Tyrion e Cersei era um bebé, o avô deles tentou acariciar o cabelo a Tywin, mas o bebé mordeu-lhe. The World of Ice and Fire também oferece a descrição completa do incidente que inspirou a infame canção “As Chuvas de Castamere”, cujo início assinalou o começo da carnificina decorrida no Casamento Vermelho. A Casa Reyne, uma família de fidalgos de classe alta, desafiara as ordens de Tywin e retirara-se com as suas mulheres e crianças para as caves sob o seu castelo, o Castelo de Castamere, enquanto Tywin marchava com as suas tropas até aos portões. Tywin ignorou o pedido de tréguas dos Reyne, selou as caves e inundou-as, queimando de seguida o castelo até só restarem cinzas. As caves continuam seladas até hoje.

Margaery Tyrell descende de uma longa lista de personagens inteligentes.

1Muitas das outras casas nobres de Westeros encaram a Casa Tyrell como “servos ricos”, uma vez que ganharam protagonismo político através da ágil habilidade a conseguir ligações com os monarcas da Campina, Casa Gardener. Os Tyrell eram tão bons nisto que casaram com diversas princesas Gardener. Quando a linhagem Gardener cessou de existir, os métodos prudentes e perspicazes dos Tyrell foram recompensados: Aegon o Conquistador (antepassado de Daenarys) fê-los senhores da região, ignorando as muitas outras casas com linhagens mais nobres. Os Tyrell fizeram com que Jardim de Cima, o seu castelo, se tornasse o centro da cultura, música e belas-artes, assim como o centro do cavalheirismo, um pouco como Provence, no sudeste de França, foi durante a Idade Média.

O povo de Oberyn Martell sabia como combater dragões.

1

Dorne, o reino austral arenoso de Westeros, foi aquele que mais tempo resistiu à invasão dos Targaryen. Eles fizeram-no evaporando-se para as zonas rurais sempre que um dos dragões Targaryen aparecia, sem oferecer resistência quando queimaram as casas e quintas. Em vez disso, e liderados pela perspicácia da Princesa Meria, esperaram até os dragões partirem, para depois se tornarem uma legião de guerrilha altamente eficaz contra as forças de ocupação dos invasores (apesar de terem realmente matado um dragão assim como a sua condutora, a irmã do rei). Depois da Princesa Meria morrer, o seu filho e herdeiro enviou uma mensageira a Porto Real a pedir a paz, sob condição de não terem que ser coagidos a considerar Aegon o Conquistador como senhor de Dorne. Aegon estava determinado a recusar quando a mensageira, uma princesa de Dorne, lhe dera uma carta privada do seu pai. “Aegon leu a carta no Trono de Ferro, e dizem que, quando se levantou, a sua mão sangrava tal era a força com que apertava a carta.” Queimou a carta e concordou em agir segundo os termos de Dorne. Ninguém sabe o que continha a carta. Os Targaryen nunca obtiveram sucesso a subjugar os Dornish, e Dorne juntou-se aos Sete Reinos através de uma aliança pacífica e ligações matrimoniais com a casa Real quase dois séculos depois da receção da tal carta por Aegon.

Melisandre vem definitivamente de paragens longínquas.

1

Um dos aspetos mais intrigantes de The World of Ice and Fire é o conhecimento comum que subsiste em relação às terras nas fronteiras do “mundo conhecido”. Estas terras incluem locais como as Mil Ilhas, cujos habitantes se assemelham a pescadores de uma história de Lovecraft, ou o império fabuloso de Yi Ti. Melisandre vem de uma das mais remotas e sinistras cidades portuárias estrangeiras, uma antiga cidade austro-oriental conhecida como Asshai. Quando era jovem, Melisandre foi vendida ao Templo Vermelho do deus R’hllor, o Senhor da Luz, idolatrado por uma religião maniqueísta que Martin indica ter sido inspirada no zoroastrismo. R’hllor tem poucos crentes em Westeros no momento em que a história decorre, mas como Martin explicou, o dom que alguns sacerdotes possuem de reavivar os mortos, entre outros poderes mágicos, é “persuasivo”. De acordo com The World of Ice and Fire, Asshai, afamada pelos seus feiticeiros e sacerdotes, é construída inteiramente por uma pedra negra com “uma sensação gordurosa e desagradável”. A luz em Asshai é sempre soturna, mesmo em dias de verão, e as ruas são estranhamente silenciosas, particularmente à noite. Nenhuma criança reside lá.

Manoel de Barros corrigiu 300 livros a mão, após achar erros, diz amigo

0

Essa e outras passagens revelam traços da personalidade do escritor.
Manoel de Barros morreu nesta quinta-feira, em Campo Grande.

Trecho de livro de Manoel de Barros que foi corrigido por ele, após descobrir os erros de digitação (Foto: Anderson Viegas/Do Agrodebate)

Trecho de livro de Manoel de Barros que foi corrigido por ele, após descobrir os erros de digitação
(Foto: Anderson Viegas/Do Agrodebate)

Anderson Viegas, no G1

Com mais de 32 anos de amizade com o poeta Manoel de Barros, que morreu na manhã desta quinta-feira (13), em Campo Grande, o técnico agrícola e jornalista, Pedro Spíndola, guarda com carinho algumas passagens reveladas pelo próprio amigo e outras vivenciadas por ele no período de convivência que revelam traços marcantes da personalidade do escritor.

A amizade resultou na publicação em 2006 do livro “Celebração das Coisas” que faz um “apanhado” sobre a figura de Manoel de Barros.

Em entrevista do G1, Spíndola contou algumas dessas histórias. “O Manoel era muito tímido. Com os amigos e a família era alegre e brincalhão, mas com os outros era muito tímido. Ele me disse que logo depois de se formar em Direito, no Rio de Janeiro, foi trabalhar em um sindicato, se não me engano dos portuários. A entidade estava fazendo uma mobilização e mandaram que ele fosse dar uma entrevista na rádio. Na hora, em que ele foi entrar no ar, acabou vomitando no microfone, de nervoso e foi embora, sem dar a entrevista”, conta.

O jornalista diz que outra passagem que reforça o lado tímido de Manoel de Barros foi quando ele foi procurar o também xará, Manoel Bandeira, no Rio de Janeiro. “Ele era fã do Manoel Bandeira e naquele tempo os prédios não tinham como hoje, portaria, então as pessoas entravam direto. Ele foi até onde o Bandeira morava, subiu até o andar do apartamento dele, bateu na porta e não conseguiu esperar, virou as costas e foi embora”.

Essa timidez, conforme o amigo, fez com que o poeta não gostasse de dar entrevistas. “Ele tinha uma imensa preocupação de ser pego de surpresa, por isso, até uns 20 anos atrás ele falava que quem quisesse conhecê-lo deveria ler seus livros. Mas quando tinha de dar entrevistas, ele gostava de fazer por escrito, porque ai ele tinha tempo de pensar na pergunta e elaborar as respostas. Ele tem coisas maravilhosas ditas nessas entrevistas que respondia por escrito”, recorda.

Outra passagem da convivência com o amigo recordada por Spíndola é a que envolve o “Livro das Ignorãças”, de 1993. “O bibliófilo José Mindlin veio junto com a filha para Mato Grosso do Sul especialmente para conhecer o Manoel. Dessa passagem e com poemas escolhidos pelos dois nasceu o livro, que teve apenas 300 exemplares impressos. Um dia, o Mindlin mandou todos os exemplares para que o Manoel numerasse e assinasse cada um deles, mas acontece que ele achou nos livros dois erros nos seus poemas. A moça que digitou trocou duas palavras e aí ele não hesitou, rabiscou a caneta as palavras erradas e corrigiu escrevendo em cima”.

Um dos erros foi no poema “Uma Didática da Invenção”, onde logo na primeira linha a digitadora trocou a palavra “mundo” do original de Manoel de Barros, por “corpo”. A frase publicada no livro foi: “Para apalpar as intimidades do corpo é preciso saber:”, enquanto que a correta, com a correção do autor era: “Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:”.

O amigo se emociona ao recordar as passagens com o poeta e lembra da luta que trava para preservar a história de Manoel de Barros. Ele mostra, inclusive, uma pasta com diversos projetos sobre o poeta e sua obra que nunca conseguiu viabilizar.

Pedro Spíndola mostra pasta com projetos sobre Manoel de Barros que, por falta de apoio, não saíram do papel (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Pedro Spíndola mostra pasta com projetos sobre Manoel de Barros que, por falta de apoio, não saíram do papel (Foto: Anderson Viegas/G1 MS)

Entre as iniciativas estão desde um encontro nacional sobre o trabalho de Manoel de Barros, passando por livros, como um de fotografias, em que profissionais tentariam retratar com imagens as poesias de Manoel, até um jornal sobre a obra dele, que chegou a ter das edições. “Falta apoio. Tentei viabilizar todos esses projetos [mostra a pasta] mas não consegui”, lamentou.

Com a morte de Manoel de Barros, Spíndola diz que o Brasil e o mundo perdem um poeta único. “Não tem o que falar da obra dele. Não tem como discuti-la. Não tem nada parecido e nenhum parâmetro para discuti-la”, concluiu.

Go to Top