Posts tagged revista

Bilionário, Paulo Coelho entra na lista das 300 pessoas mais ricas da Suíça

0
Paulo Coelho

Divulgação

Paulo Coelho, que vive há anos na maior cidade da Suíça, Zurique, teria uma fortuna equivalente a R$ 1 bilhão

Publicado no Midia News

A Bilan, conceituada revista de economia da Suíça, divulgou nesta semana a lista dos moradores mais endinheirados daquele país, entre eles está o escritor brasileiro Paulo Coelho, que figura no 300º lugar.

Paulo Coelho vive há anos na maior cidade suíça, Zurique, e sua fortuna ficaria entre 400 e 500 milhões de francos suíços, o equivalente a R$ 1 bilhão.

O escritor, conhecido e aclamado mundialmente por uma legião de fãs, já vendeu 175 milhões de livros no mundo, 70 milhões apenas do livro “O Alquimista”. Suas obras são traduzidas para mais 80 idiomas.

Coelho entrou para o Guiness Book of Records como autor que mais assinou livros em edições diferentes (dia 9 de outubro de 2003, Feira do Livro de Frankfurt). Em outubro de 2008, entrou, pela segunda vez, para o Guiness Book of Records pelo seu livro O Alquimista – livro mais traduzido no mundo (69 idiomas).

Com uma história de vida cheia de polêmicas, antes de dedicar-se inteiramente à literatura, trabalhou com diretor e autor de teatro, jornalista e compositor.
Conhecido como “O mago”, Coelho é dono de histórias polêmicas que incluem até um pacto com o diabo.

Escreveu letras de música para alguns dos nomes mais famosos da música brasileira, como Elis Regina e Rita Lee. Seu trabalho mais conhecido, porém, foram as parcerias musicais com Raul Seixas, que resultou em sucessos como “Eu nasci há dez mil anos atrás”, “Gita”, “Al Capone”, entre outras 60 composições com o grande mito do rock no Brasil.

É membro da Academia Brasileira de Letras, oitavo ocupante da cadeira número 21, eleito em 25 de julho de 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido em 28 de outubro de 2002 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.

Paulo Coelho nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 24 de agosto de 1947. Filho do engenheiro Pedro Paulo Coelho e de Lígia Coelho. Fez seus estudos no Rio de Janeiro. É casado, desde 1981, com a artista plástica Christina Oiticica.

Por que seu filho deveria entrar na escola mais tarde

0

Um novo estudo da Academia Americana de Pediatria recomenda que as aulas comecem mais tarde, para que as crianças durmam mais. Privação de sono traz prejuízos para o corpo e para a mente

Rafael Ciscati, na Época

Os adolescentes dormem mal  - e a escola pode é uma das culpadas (Foto: FreeImages)

Os adolescentes dormem mal – e a escola pode é uma das culpadas (Foto: FreeImages)

Quando eu era pequeno, estudava pela manhã. Antes das sete horas, já estava na frente do colégio, devidamente penteado, munido de livros e lancheira – e morrendo de sono. Tive dificuldades para acordar cedo a vida toda,e elas apenas se agravaram com o passar dos anos. De acordo com a Academia Americana de Pediatria (AAP), o problema não estava em mim: o sistema escolar é que errava. Ir para a escola antes das 8:30 faz mal. É o que diz um novo comunicado divulgado pela Academia nesta segunda-feira (25). No texto, os especialistas recomendam que as aulas comecem mais tarde que o usual para as crianças entre 10 e 18 anos. A privação de sono nessa fase da vida, segundo eles, traz prejuízos para o desempenho acadêmico dos alunos e faz mal à saúde física e mental. Aulas que começam mais tarde, por outro lado, se ajustam melhor ao relógio biológico dos estudantes.

As noites mal dormidas preocupam os especialistas: “Nós enfrentamos uma epidemia de privação do sono”, afirma a neurologista Rosana Alves, membro da Associação Brasileira do Sono (ABS). Segundo ela, as pessoas de todas as idades dormem pouco e dormem mal. O problema é mais grave entre os adolescentes. São eles que mais carecem de sono – em torno de 9 horas por noite. Não dormem por diferentes razões. Alguns hábitos sociais contribuem para isso: lição de casa, atividades extracurtriculares, programas de televisão e o bate-papo com os amigos no whatsapp mantêm os adolescentes acordados até mais tarde. Os hábitos dos pais também atrapalham o sono dos filhos: “Os pais chegam mais tarde do trabalho em casa, e querem conviver com os filhos. Isso é saudável, mas faz o adolescente ir para a cama mais tarde”, diz Rosana.

Há também razões biológicas. A adolescência é marcada por uma mudança nos hábitos noturnos. Um mecanismo biológico, conhecido como Atraso da Fase do Sono, torna a pessoa propensa a ir para a cama em torno de duas horas mais tarde do que tinha por hábito quando mais jovem. Quando a pessoa envelhece, e deixa as espinhas para trás, o relógico biológico torna a mudar. Ir para a cama cedo se torna algo novamente atraente. “Esse atraso costuma durar algo em torno de três anos” diz Rosana. “E você tem uma combinação perigosa se a pessoa tem de acordar cedo no dia seguinte.”

Segundo ela, as escolas não contribuem para evitar esse problema. No mundo inteiro, as crianças passaram a entrar mais cedo na aula nas últimas três décadas. A tendência acompanhou as necessidades profissionais dos pais: “Os pais querem deixar os filhos na aula antes de ir para o trabalho. É mais cômodo e permite que pais e filhos convivam mais”, diz a neurologista. De acordo com a AAP, esse é um erro reversível: “Privação crônica de sono em crianças e adolescentes é um dos problemas de saúde pública mais comuns – e mais fáceis de corrigir – nos EUA hoje”, disse a pediatra Judith Owens, a especialista líder entre aqueles que assinaram o comunicado da AAP. Basta mudar o horário da aula.

Ignorar o relógio biológico e obrigar o adolescente a acordar cedo traz efeitos negativos: nos EUA, onde a pessoa pode dirigir a partir dos 16 anos, a privação de sono aumenta a ocorrência de acidentes no trânsito. Ela também faz cair as notas, aumenta os riscos de depressão e de obesidade. Uma pesquisa conduzida pela Fundação Nacional do Sono, uma instituição americana, concluiu que 59% dos estudantes entre a sexta e oitava séries, e 87% dos alunos do ensino médio americanos dormem menos do que o período recomendado, de 8 a 9,5 horas por noite. “O prejuízo maior acontece na atenção, nos mecanismos de memória e de aprendizado. Algumas crianças ficam mais agitadas também”, afirma Rosana.

Mas, se mandar as crianças para escola mais tarde não for opção, não há jeito: “A rotina precisa ser mais regrada, ao menos durante a semana, e os filhos tem de ir para a cama mais cedo”, diz Rosana. Não que essa seja uma tarefa simples. Dormindo bem, as crianças terão mais energia para chiar.

Os livros longos e a promessa do autor

1

tumblr_mq2mynHsO11ql54sbo1_1280

Quem, nos dias de hoje, tem tempo para ler um romance de 800 páginas?

Danilo Venticinque, na Época

Na era da informação fragmentada, escrever um romance é uma atitude no mínimo questionável. Escrever um romance de 800 páginas, ainda por cima, é um evidente sintoma de megalomania. Quem hoje em dia consegue separar tempo para ler um livro desse tamanho e perder preciosas horas dedicadas à efervescência das redes sociais?

Foi a indefensável pretensão literária da neozelandesa Eleanor Catton, a mulher de 28 anos mais antiquada do planeta, que deu origem a Os luminares, um dos livros mais elogiados dos últimos anos. Trata-se de uma obra obviamente fora de moda. Paródia dos romances vitorianos, o livro conta a história de um assassinato durante a corrida do ouro na Nova Zelândia do século XIX. Foi o livro mais longo (e a autora mais jovem) a ganhar o cobiçado Man Booker Prize. Críticos o descreveram como um trabalho vivo e extraordinário, cujas páginas parecem virar sozinhas. São comentários de gente que não tinha absolutamente nada para fazer e, mergulhada no mais profundo tédio, decidiu que ler um romance de 800 páginas seria uma boa maneira de passar o tempo.

Antes que eu me junte a eles numa apaixonada defesa da leitura antiquada em tempos modernos, preciso fazer uma confissão: não li Os luminares. Como muitos outros jornalistas, diante de um prazo exíguo para escrever sobre uma obra nada enxuta, tive de recorrer a alguns truques da profissão para tornar viáveis as leituras inviáveis. Cada crítico tem suas artimanhas. Alguns leem diversas reportagens de outros jornalistas (que talvez também não tenham lido o livro) para assim descobrir tudo sobre a obra. Outros entrevistam o autor e confiam em sua capacidade de resumir centenas de páginas em poucos minutos de conversa. E há os que arriscam uma leitura apressada e incompleta, num misto de otimismo excessivo e desencargo de consciência. Ler cinquenta páginas de um livro de 800 é uma vergonha, mas é melhor do que não ler nenhuma.

Consegui terminar minha reportagem sobre Catton graças a uma mistura dessas três técnicas. Mas senti que não havia esgotado o tema. Decidi escrever mais um texto sobre Os luminares. Ainda sem ler o livro, evidentemente.

Resolvi aproveitar esta coluna para pensar um pouco nos motivos que levam um autor a escrever um livro tão longo quanto Os luminares — e, também, no que leva um leitor a enfrentá-lo.

A desculpa de Catton para escrever um romance vitoriano de 800 páginas é surpreendentemente contemporânea: distração diante do computador. Ela diz que escreveu o livro no Word, não se atentou à quantidade de páginas e só se deu conta da extensão do livro quando viu a primeira prova da versão impressa. Mesmo assim, continuou acreditando que seu livro cativaria os leitores apesar da extensão. O sucesso de crítica e público (mais de 500 mil cópias vendidas em todo o mundo) mostra que ela estava certa.

Catton descreve um livro longo como um contrato entre autor e leitor. “O autor promete ocupar mais tempo do leitor e entregar em troca uma experiência digna do tempo investido. Quanto maior o livro, maior a promessa. Levei isso muito a sério. Quis criar um livro de mistério que cumprisse essa promessa”, disse ela em entrevista na Festa Literária Internacional de Paraty.

Não duvido que muitos acreditem na promessa do autor e de fato leiam o livro até o final. A julgar pelas críticas que o livro recebeu, o esforço vale a pena. Mas para entender o sucesso do livro, sobretudo as expressivas vendas, é preciso lembrar também de outra promessa — feita não do autor para o leitor, mas sim do leitor para si mesmo.

Compramos um livro de 800 páginas na esperança de que seremos capazes de abrir mão de todos os nossos compromissos para lê-lo. Acreditamos nessa promessa. Poucas páginas depois, porém, as distrações do cotidiano reassumem o controle de nossas vidas e a leitura perde espaço. Passamos a encarar o livro longo não como um desafio a ser vencido, mas como uma lembrança do tempo em que acreditávamos que seríamos capazes de tal proeza de leitura. Um tributo ao que poderíamos ser.

Não há motivo para abandonar o otimismo, mesmo que nossos hábitos deponham contra nós. Conversei ontem mesmo com um amigo que também comprou Os luminares. Batizou-o carinhosamente de “chaproca”. Ele confidenciou que não conseguiu avançar muito na leitura nos últimos dias, mas acredita que irá retomá-la. “Estou só esperando a internet de casa sair do ar”, disse. É uma atitude admirável, que todo leitor deveria tomar como exemplo. Esqueçam o péssimo exemplo dos críticos que viram as páginas apressadamente e tentam ludibriar os autores de romances monumentais. Ler um livro de 800 páginas é uma tarefa para semanas, meses. Talvez até a vida inteira. E, se o autor cumprir sua promessa, cada hora da jornada terá válido a pena.

Agora, se me dão licença, tenho um livro para ler. Até a próxima semana.

***

Atualização:

Ok: quando quase nenhum dos leitores entende a piada, a culpa obviamente é de quem escreveu.

Achei que todos os leitores perceberiam que frases como “(…) escrever um romance é uma atitude no mínimo questionável” ou “São comentários de gente que não tinha absolutamente nada para fazer e, mergulhada no mais profundo tédio, decidiu que ler um romance de 800 páginas seria uma boa maneira de passar o tempo” são irônicas. Os leitores habituais da coluna entenderam. Eles sabem que eu gosto de livros. Se eu não gostasse, não dedicaria uma coluna semanal ao tema.

Como vocês podem imaginar, uma coluna sobre livros não é exatamente um estouro de audiência. Em contrapartida, felizmente, os leitores costumam ser bastante fiéis. Estou tão acostumado a escrever para o público de sempre que fiz uma piada interna e me esqueci do óbvio: nas redes sociais, os textos às vezes se espalham. Até mesmo os textos sobre livros, vejam só. E, para muita gente, o texto desta semana foi o primeiro contato com a coluna. Acharam, justificadamente, que eu sou um tremendo ignorante que odeia a leitura.

Não tenho lá grandes provas contra a minha ignorância, mas posso provar que gosto de livros. Quem navegar pelos links que acompanham a coluna desta semana verá que escrevo sobre livros há mais de um ano, num dos poucos espaços dedicados exclusivamente ao tema em sites de notícias.

Sobre não ter lido o livro da Catton até o fim antes de escrever a reportagem sobre ele: nem sempre os prazos para publicação de um texto permitem que você leia toda a obra. Isso vale especialmente para romances extensos como o dela. Não conheço nenhum ser humano que seria capaz de lê-lo em dois dias. Li o que consegui ler, entrevistei a autora e pesquisei sobre a vida dela para fazer o melhor trabalho possível. Depois, em vez de fingir que terminei o livro, resolvi ser sincero e brincar com o fato de que um romance de 800 páginas toma muito tempo. Diante da reação negativa de tantos leitores, não dá para não reconhecer que a brincadeira foi infeliz.

Peço desculpas aos leitores que ficaram ofendidos com o texto e torço para que eles deem outra chance à coluna.

Go to Top