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Lei disponibiliza livros aos passageiros nos ônibus de Ribeirão Preto

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Escritores e editores locais falam sobre a eficácia do Plano de Leitura nos Ônibus

Regis Martins, no Jornal A Cidade

livros rpAndar de ônibus em Ribeirão Preto pode ser também um bom motivo para se dedicar à leitura. Pelo menos é o que busca uma nova lei que foi promulgada esta semana pela prefeita Dárcy Vera. De autoria do executivo e do vereador Saulo Rodrigues, o Plano de Leitura nos Ônibus consiste no empréstimo de livros aos passageiros para leitura durante as viagens dentro do município. As obras vão estar à disposição das pessoas nos próprios veículos.

O objetivo, de acordo com a lei, é garantir à população de Ribeirão o acesso à literatura brasileira, especialmente aos clássicos. O texto estipula ainda que vão poder ser firmadas parcerias públicas, privadas e junto à sociedade civil para obtenção dos livros. O plano será implementado na próxima licitação pela prefeitura junto ao consórcio Pró Urbano, operador do transporte público na cidade, ou na renovação contratual entre as partes.

Entre escritores e editores da cidade, as opiniões se dividem. Para Matheus Arcaro, autor de “Violeta Velha e Outras Flores”, todo programa de incentivo à leitura é importante, mas é necessário conhecer a qualidade das obras.

“Pelo que vi do plano, esse problema parece minimizado, porque há ênfase no acesso à literatura brasileira, especialmente aos grandes clássicos. Assim, equacionados os problemas de execução, creio que o programa tem tudo para contribuir para uma Ribeirão mais humana”, diz.

Estratégia

O escritor e dramaturgo Lucas Arantes é menos otimista. Apesar de elogiar programas que visam “espalhar livros pela cidade”, ela acha que os ônibus, “que não possuem nem cobradores e diariamente alguém sofre acidentes dentro deles”, não são a melhor estratégia para isso.

“Se o Estado ouvisse a sociedade civil, descobriria que a Editora Coruja [de Ribeirão] possui um projeto intitulado “Árvore de Livros”, muito mais potente que este, pois cria pontos fixos de doação e troca de livros”, comenta.

O Árvore de Livros também tem como objetivo levar para toda a comunidade livros de domínio público e boa qualidade para serem lidos e utilizados, sem custos. Lau Baptista, proprietário da Coruja, afirma que o projeto chegou a ser apresentado aos vereadores municipais, mas simplesmente “não andou”.

De qualquer forma, o editor tem uma opinião positiva sobre o Plano de Leitura nos Ônibus. Ele dá como exemplo, programas parecidos, como os que já existem em Curitiba nos famosos “tubulões”, que servem de pontos de ônibus, e nas linhas férreas do Rio de Janeiro. Mas faz uma ressalva.

“Preferia que esses livros fossem escolhidos pela população e que a implantação não fosse algo que vem de cima. Mas que venham os livros e que nossos ônibus possam melhorar, para que os leitores consigam ler durante a viagem também”, conclui.

Plano tem 90 dias para regulamentação

O secretário municipal da Cultura, Alessandro Maraca, afirma que o Plano de Leitura nos Ônibus tem 90 dias para ser regulamentado. Durante esse período, ele deve se reunir com representantes do PróUrbano, da Transerp (Empresa de Trânsito e Transporte Urbano) e do Instituto do Livro para definir a implementação.

Maraca diz que pretende interligar o projeto Agentes de Leitura – parceria entre município e Ministério da Cultura que ainda não teve início, mas já selecionou pessoal – ao Plano de Leitura.
“É um plano bem-vindo, porque sou a favor de qualquer ação que incentiva a leitura”, afirma.

Visão

Por outro lado, há quem acredite que ler em algum veículo em movimento pode causar problemas à visão. O oftalmologista Marcelo Jordão diz que não.

“Mal não faz, mas existem pessoas que não conseguem ler dentro de algum veículo, como eu, por exemplo. Mas isso tem a ver com outros fatores, como nosso labirinto, por exemplo”, explica, referindo-se ao órgão responsável pelo nosso equilíbrio.

Professor põe acervo de livros e documentos para doação em Ribeirão Preto (SP)

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Publicado na Folha de S.Paulo

Um azulejo português pintado à mão do século 19. Uma revista francesa de 1912 que trouxe a notícia da tragédia com o Titanic e o livro “Thesouro da Língua Italiana”, do professor Antonio Michele, impresso em 1807.

Estas e outras relíquias fazem parte do acerto do professor Jorge de Azevedo Pires, 84, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que decidiu doá-lo. Porém, ainda não há interessados.

Ele afirmou que entrou em contato com instituições, como universidades, mas que, até o momento, ninguém manifestou interesse pelo acervo do professor.

“Acho triste o país que não tem memória”, afirmou.

“Acho que é obrigação manter tudo isso, para que se tenha um futuro documentado”, completou.

Pires tem uma biblioteca que conta com cerca de 6.000 títulos, como um Atlas do Brasil de 1909, por Francisco Homem de Mello.

Além de livros, há edições de revistas e jornais antigos –como “O Novo Mundo”, de 1876, impresso na França e escrito em português.

Numa das edições, há a cobertura da ida de Dom Pedro 2º para a Exposição Universal de Filadélfia, nos EUA.

O evento, primeira feira internacional daquele país, inaugurou a era das grandes exposições americanas, segundo o professor.

“Fico impressionado com as imagens, ricas em detalhes. Foram feitas em bico de pena”, afirmou.

CARTA

Mas a peça considerada mais rara por Pires é um mapa, de 1882, que remonta à história da humanidade.

Chamada de “Carta Sincronológica da História Universal”, de Francisco Zavala, o documento mostra a história a partir de 4.000 a.C. até o ano em que foi publicado.

“Provavelmente, é a única peça desta no Brasil”, disse.

De material impresso, o acervo é grande. Por ele, é possível conhecer 318 primeiras capas de revistas brasileiras e estrangeiras.

Também é possível conhecer um pouco sobre a história de Ribeirão e as transformações sociais da cidade.

Numa coluna escrita à uma revista local em 1939, o escritor Menotti del Pichia criticou que mulheres andassem de bicicleta à época.

Disse que “não há nada mais feio que uma mulher andando de bycicleta (sic)”, e lamentou que uma bela avenida da cidade estava “infestada” por este transporte.

O gosto de Pires pela história começou quando era garoto. Ele disse que começou a comprar livros aos 11 anos, enquanto morava em Santos.

Escritor premiado de Ribeirão Preto descobre aos 41 anos que é autista

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Diagnóstico veio após autor ter publicado 3 obras e vencido 2 concursos. Cristiano Camargo diz que força de vontade o fez superar as dificuldades.

Livro “Autista com muito orgulho – a síndrome vista pelo lado de dentro” conta a história do autor  (Foto: Leandro Mata/G1)

Livro “Autista com muito orgulho – a síndrome vista pelo lado de dentro” conta a história do autor (Foto: Leandro Mata/G1)

Leandro Mata no G1

Com o cabelo bem penteado, blazer e roupa social alinhados e um tratamento cordial, Cristiano Camargo, 50 anos, abre a porta da casa em que mora com a mãe em Ribeirão Preto (SP) para mais uma entrevista entre tantas que já concedeu. Com cinco livros publicados e três prêmios literários em 38 anos de uma carreira que ele começou aos 12 anos, o autor se destaca pela sensibilidade e criatividade que emprega em suas obras. Mais do que se esforçar para contar boas histórias, o escritor é exemplo para muitos por ter superado as dificuldades de ser autista do tipo asperger, síndrome que só descobriu que possuía aos 41 anos, quando já tinha três publicações e vencido dois concursos.

O choque inicial de descobrir ser asperger transformou-se em inspiração para o livro mais recente, publicado no ano passado. “Autista com muito orgulho – a síndrome vista pelo lado de dentro” é a primeira obra de não ficção de Camargo, que relata um pouco de sua história e o que se passa na vida do autista. A publicação e o trabalho de ativismo na defesa de pessoas com a síndrome renderam ao autor neste ano o prêmio do Movimento do Orgulho Autista, entregue na Assembleia Legislativa de Brasília (DF), onde ele compôs a mesa de debates e discursou no evento.

A descoberta
“Eu considero uma benção ter sido diagnosticado tarde. Sem saber, eu fui superando sozinho, quando eu fui diagnosticado já tinha superado praticamente tudo”, relata Camargo.

Foi durante uma viagem internacional que o pai de Camargo, na época um pesquisador de Farmacologia e Bioquímica da USP, desconfiou que o filho, então com 41 anos, poderia ser autista. Ao ler o livro “O estranho caso do cachorro morto”, de Mark Haddon, em que o protagonista apresentava o distúrbio, o pai notou a semelhança da personagem com o filho. O pesquisador passou o livro a Camargo e marcou uma consulta em São Paulo com um psiquiatra. O médico realizou o exame e confirmou o diagnóstico de asperger.

O transtorno asperger não atinge a capacidade de aprendizado, mas prejudica a interação social e o comportamento do portador. Para explicar como o autista vê o mundo, Cristiano Camargo criou a hipótese que nomeou de “processo de amadurecimento asperger”, no qual o portador vai evoluindo e se tornando mais sociável e independente. O caminho para isso passa por três fases.

Na primeira fase, Camargo explica sob a ótica de sua vida, que a criança cria o “mundo interno de fantasia”, onde inventa suas histórias e interage dentro de si com um imaginário que comanda. A segunda etapa é nomeada pelo autor de “a fase dos dois infernos” quando o contato com a realidade e a confusão com o que é fantasiado geram uma perturbação mental e faz com que a pessoa tenha uma visão desvalorizada de si. “Na cabeça do autista imaturo a realidade é um inferno porque ela não corresponde ao que ele vê no mundo de fantasia interno dele, onde ele mesmo cria as regras, seus personagens e rege tudo isso como se fosse um maestro e tem poder de vida e morte.”

Autor Cristiano Camargo relê fábula que irá publicar até o final do ano (Foto: Leandro Mata/G1)Autor Cristiano Camargo relê fábula que irá publicar até o final do ano (Foto: Leandro Mata/G1)

É nesse momento que, segundo ele, o asperger enfrenta o maior desafio: interagir com o mundo real. “Se a pessoa decide começar a visitar a realidade, como a maioria das crianças autistas fazem, ela vai começar a interagir na realidade, a entender, mas é uma época de muito conflito em que ela é obrigada a se virar e dominar esse conflito entre a realidade e a fantasia e distinguir uma da outra”, explica.

O último estágio é o “Amadurecimento”, quando o asperger se torna produtivo e independente e consegue conviver com a sociedade. “Ela aprende a usar o mundo interno de fantasia como uma ferramenta para se dar bem na vida através da criatividade, para buscar novas soluções para os problemas”, conclui.

Ser arperger ajudou a criatividade
Saber visitar esse mundo interno de fantasias e retratá-lo em textos foi um trunfo que Camargo aprendeu a usar desde cedo. Na escola, vibrava quando os professores passavam redações. Leitor assíduo, começou com o “Livro da Selva”, de Rudyard Kipling, passou por obras Monteiro Lobato, Jack London e clássicos da literatura infantil. Junto com o gosto pela leitura veio a vontade de escrever.

“Quando criança eu adorava as redações, principalmente tema livre. Foi fazendo redações do mesmo tema, juntando tudo e formando uma coleção delas que eu fiz o meu primeiro livro.”

A história “Inesperado Salvador” foi escrita a mão por ele aos 12 anos. Uma amiga da família datilografou os manuscritos e enviou para o concurso Círculo do Livro. O prêmio veio com a publicação da obra em uma coletânea em 1979.

O resultado surpreendeu a família. “Meu pai ficou muito surpreso, de ver a qualidade da história. Era a primeira vez que eu estava escrevendo, então ele não tinha ideia de que eu tinha essa vocação literária.”

Depois veio a obra “Jornada ao Vale Deslumbrante”, publicada em 1989. “Mistério do Grande Urso”, de 1997, lhe rendeu no mesmo ano o prêmio de publicação na coletânea “Melhores escritores de São Paulo”. Com “Automato e outras histórias”, de 2005, Camargo conquistou menções honrosas e o primeiro lugar na categoria livro do prêmio Arthur Bispo do Rosário, em 2009.

“Acredito que isso [ser portador da síndrome] acrescenta uma sensibilidade maior aos textos. As pessoas autistas têm uma ferramenta muito importante, que é o mundo interno de fantasias. Autistas e as outras pessoas utilizam o mundo interno de fantasias de maneiras diferentes”, afirma Camargo.

Um fator importante para o desenvolvimento, Camargo adere ao apoio dos pais, principalmente após o diagnóstico, mas ele lamenta que muitos autistas não tenham esse suporte. Ele afirma que é fundamental os familiares, pedagogos e terapeutas trabalharem juntos para tornar a pessoa com o transtorno mais rapidamente inserida na comunidade e independente.

“Muitos pais e mães quando recebem a notícia ficam achando que isso é um tipo de sentença de morte social, isso não é verdade. Eu sempre digo, o autismo e a asperger são progressões alternativas globais do desenvolvimento. A asperger faz parte desse gradiente que vai do mais fraco ao mais severo, ela progride positivamente, para melhor durante toda a vida do indivíduo para que ele supere, se torne produtivo, sociável.”

Sonhos, planos e frustrações
Hoje escritor, Camargo chegou a cursar três faculdades, mas não terminou nenhuma. Foi aprovado em estatística na UFSCar, e fez biologia e tradução de inglês em uma faculdade particular de Ribeirão Preto. O gosto por línguas – ele fala inglês e tem noções de francês e italiano – veio de quando morou nos Estados Unidos, de 1979 a 1981, e de 1998 a 1999.

Ele se orgulha de dirigir diariamente seu carro vermelho por Ribeirão e está animado com as negociações para publicar quatro livros até o meio do ano que vêm. Para este ano, a fábula infanto-juvenil de conscientização ecológica “Homem mau, Lobo bom” já está programada. Esta é apenas uma das 165 histórias de autoria dele que estão prontas e aguardando apenas por uma editora interessada.

A única frustração que sente é a de não ser pai. Camargo é divorciado e não teve filhos com a ex-mulher no casamento que durou cinco anos. O escritor diz que seu maior sonho é adotar uma garotinha. Para quem acha que a asperger pode ser uma barreira, ele já tem a resposta.

“O asperger e o autismo não são doenças, a verdadeira doença é o preconceito, a intolerância, a discriminação, a segregação social”, finaliza.

Defesa de pessoas com a síndrome renderam ao autor o prêmio do Movimento do Orgulho Autista (Foto: Leandro Mata/G1)Defesa de pessoas com a síndrome rendeu ao autor o prêmio do Movimento do Orgulho Autista (Foto: Leandro Mata/G1)

Dica da Marcia Carvalho

Ato na USP reúne alunas de gravata, rapazes de top e ‘pebolim de saias’

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Evento ‘USP de saia’, nesta quinta, teve 3 mil adesões no Facebook.
Ideia do ‘saiaço’ é refletir sobre padrões e preconceito, dizem estudantes.

Estudantes disputam partida de pebolim no Centro Acadêmico da Escola de Comunicações e Artes da USP (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Estudantes disputam partida de pebolim no Centro Acadêmico da Escola de Comunicações e Artes da USP (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Ana Carolina Moreno, no G1

Estudantes da Universidade de São Paulo promoveram nesta quinta-feira (16) o ato “USP de saia” em apoio ao estudante Vitor Pereira, que foi ofendido pela internet depois de vestir saia para ir à aula no campus da USP na Zona Leste. Pelas ruas do campus da Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo, foi possível encontrar homens usando saia, top e até vestido e mulheres de gravata. Teve até “pebolim de saias”. O ato também teve adesão nos outros campi da USP, como o da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, USP Leste, Ribeirão Preto e São Carlos.

Pelo Facebook, mais de 3 mil pessoas confirmaram presença no “saiaço”. Cinco campi da instituição aderiram à manifestação simultânea, mas o “saiaço” também saiu das fronteiras do estado. Estudantes da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc) também planejaram uma manifestação semelhante nesta quinta. Na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o preconceito será debatido na sexta-feira (17), quando se celebra o Dia Mundial de Combate à Homofobia.

Calouros de física, Yasmin e Rafael aderiram ao ato na USP (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Calouros de física, Yasmin e Rafael aderiram ao
ato na USP (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

As organizadoras e organizadores do evento na USP afirmaram ao G1 que “esse tipo de movimento já vinha timidamente acontecendo” na instituição. Os estudantes da USP se reúnem em grupos específicos, como a Frente GLBTT, que debatem diversos temas e propõem ações para incentivar a reflexão.

De acordo com o grupo por trás da manifestação, “o caso do estudante da EACH foi apenas um dos muitos atos de repressão impostos àqueles que desejam quebrar padrões”.

Segundo eles, o objetivo é fomentar uma discussão ampla sobre as questões de gênero, não só em relação às roupas, mas aos papeis sociais atribuídos aos gêneros como um todo.

“Nossa ideia é confrontar a realidade, mostrar que as coisas podem ser diferentes, nenhum padrão é eterno. Os costumes são adquiridos social e historicamente, assim eles se transformam. Na idade média uma mulher que usasse roupas de homem seria condenada à morte, era uma heresia gravíssima.”

Na USP Leste, o estudante Vítor Pereira (de saia amarela) desfila com os colegas (Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo)

Na USP Leste, o estudante Vítor Pereira (de saia amarela) desfila com os colegas (Foto: Sérgio Castro/Estadão Conteúdo)

No campus Butantã, o “saiaço” dura todo o dia: os alunos homens foram convidados a vestir saias e vestidos, enquanto as mulheres participantes planejaram vestir roupas convencionalmente atribuídas aos homens, como paletó e gravata. O evento será encerrado com um encontro às 18h desta quinta na Praça do Relógio da Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo, no período de intervalo entre os aluns que têm aulas à tarde e os que estudam à noite.

Estudantes da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, descem as escadas usando saia (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)

Estudantes da Faculdade de Direito da USP, no
Largo São Francisco, descem as escadas usando
saia (Foto: Felipe Rau/Estadão Conteúdo)

Olhares ostensivos

Os alunos de publicidade Daniel Drumond, de 19 anos, e Pedro Bisordi, de 18, jogaram pebolim de saias no início da tarde. Daniel afirmou que é a sua primeira vez com saia. “Acho que estou muito bonito, porque estava todo mundo me olhando de cima a baixo”, afirmou ele sobre sua visita ao restaurante universitário.

O estudante disse que se incomodou com os olhares ostensivos. Ele emprestou a saia de uma colega após a aula, na manhã desta quinta-feira. No banheiro, ele diz que um funcionário da instituição o olhou de maneira reprovadora. Um dos primeiros a chegar ao restaurante, ele acabou virando alvo de algumas risadas e chacotas e, em determinado momento, parou de cruzar os olhos com as outras pessoas. “Só fiquei de boa porque estava com os meus amigos.”

Aluna de artes cênicas emprestou a saia para o colega participar do ato (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Aluna de artes cênicas emprestou a saia para o
colega participar do ato
(Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Os estudantes de artes cênicas Pedro Oliveira, de 20 anos, e Felipe Lima, de 22, esqueceram que hoje era o dia de saia na USP. Felipe, porém, decidiu pegar a saia que a colega Juliana Prado, de 20 anos, trouxe para um ensaio. “Dá uma ventilada, é muito gostoso”, disse ele.

Assim como Felipe, a maioria dos meninos emprestaram a peça de roupa de alguma colega. Yasmin conta que seu pai lhe emprestou a gravata, já com o nó feito, para o ato desta quinta.

Leonardo Rudi, aluno de relações públicas que vestiu uma saia azul emprestada de uma amiga, conhece o estudante Vitor Pereira, da USP Leste, e condenou as ofensas recebidas por ele. O aluno defende que a universidade tem que ter um papel transgressor. “É o papel mais importante dela”, afirmou ele.

Os organizadores do evento defendem que “é função dos universitários que detêm o privilégio de estudar em uma universidade pública não apenas estudar, ganhar seu próprio diploma e fazer uma carreira”. Eles afirma que o alto custo da universidade pública só é justificado por esse retorno que esses estudantes dão à sociedade. “Se é uma questão que se mostra importante de ser discutida e alvo de preconceitos, como os estereótipos de gênero, a universidade é o lugar ideal (embora não o único) para esse debate se iniciar.”

'Saiaço' na USP reúne alunos de saia, top e vestido e meninas de gravata (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

‘Saiaço’ na USP reúne alunos de saia, top e vestido e meninas de gravata (Foto: Ana Carolina Moreno/G1)

Jovem com câncer no cérebro é aprovado na USP em Ribeirão Preto

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Rodolfo Tiengo, no G1

Alexandre Mendes, de 21 anos, começou a cursar informática biomédica.
Rapaz chegou a perder movimento das pernas e a abandonar estudos.

Em meio à luta contra o câncer, Alexandre conquistou uma vaga em informática biomédica na USP (Foto: Luara Gallacho / G1)

Em meio à luta contra o câncer, Alexandre conquistou uma vaga em informática biomédica na USP (Foto: Luara Gallacho / G1)

Passar no vestibular é motivo de comemoração em dobro para Alexandre Mendes Castanheira Monteiro, de 21 anos. O jovem de Ribeirão Preto (SP) conseguiu ser aprovado com uma vaga em informática biomédica na USP diante de uma série de provações em razão de um câncer no tronco cerebral – que prejudica as funções motoras do organismo.

As marcas dessas vitórias ele ostenta com orgulho. Os cabelos raspados e a abreviação do curso em sua testa foram por causa do ‘trote’ que amigos, parentes e colegas lhe deram em comemoração à sua aprovação na Fuvest para o curso que ele começou nesta segunda-feira (25). Já a cicatriz de 17 centímetros na parte de trás da cabeça, bem mais dolorosa, veio de uma biópsia, um dos vários procedimentos médicos que ele tem combatido desde que descobriu o tumor, em julho de 2010.

A cicatriz foi necessária para que o ribeirão-pretano e sua família confirmassem a suspeita de neoplasia até então manifestada por sintomas como problemas de visão e perdas de movimentos nos membros. Uma piora de estado que começou em 2004 com o que parecia uma simples tontura, enquanto Alexandre jogava tênis, e que se agravou para uma espécie de tetraplegia temporária que, em 1º de dezembro de 2010, no dia de seu aniversário, fez com que ele tivesse que ser carregado pelo pai para prestigiar a festa que seus amigos haviam preparado em sua casa.

“O momento bem crítico foi bem no meu aniversário. Eu tinha feito quimioterapia uma semana antes. Eu não tinha força para levantar copo e minha fala estava abafada, só minha mãe me entendia, eu ficava com raiva, não conseguia comer sozinho”, lembra.

Família que descobriu doença de Alexandre em 2010 hoje comemora sucesso do filho no vestibular (Foto: Rodolfo Tiengo/G1)

Família que descobriu doença de Alexandre em 2010 hoje comemora sucesso do filho no vestibular (Foto: Rodolfo Tiengo/G1)

Nos meses que antecederam o pior estágio de sua doença, Alexandre, então com 18 anos, se distanciou da rotina de um pré-vestibulando para se dedicar aos tratamentos contra o tumor em sua cabeça. Em razão da crescente dificuldade para andar e da necessidade de usar muletas, ele abandonou o cursinho após dois meses, sem expectativa de voltar a estudar. “Dava para ver a minha piora semanal. Parei o cursinho quando vi que precisava de ajuda”, lembra o adolescente.

A ideia de cursar uma universidade só voltaria a parecer possível para Alexandre no começo de 2012, depois que ele superou tratamentos de quimioterapia e de radioterapia, que aos poucos melhoraram sua saúde e lhe devolveram autonomia para coisas básicas como tomar banho e caminhar. Mesmo com limitações e com uma prescrição mensal de corticoides, nesse período ele retomou as aulas do cursinho pré-vestibular, decisão que pouco tempo depois resultou na aprovação na USP de Ribeirão. “As pessoas falam que sou herói, mas não acho que sou tudo isso. Eu soube lidar com a situação. Houve dias que foram péssimos, mas na maioria deles eu conseguia conviver com aquilo.”

Para o pai de Alexandre, o dentista Luiz Antônio Monteiro, de 63 anos, a história de superação é um aprendizado para toda a família. “Ele é um exemplo de garra, de amor à vida. Ele sempre confiou que o milagre poderia acontecer, mas acho que esse milagre já aconteceu, ele está aqui comigo hoje”, disse. (mais…)

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