Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Righetti

Todo mundo tem de passar pela universidade?

0

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Brian Snyder/Reuters

Brian Snyder/Reuters

Há hoje nos Estados Unidos um debate que vale ser trazido para o Brasil: todo mundo tem de passar pela universidade?

Por lá, muita gente termina a universidade completamente endividado. Isso porque até mesmo as universidades públicas norte-americanas são pagas – e caras. Quem estuda, paga.

O problema é que muita gente não consegue uma boa colocação profissional assim que acaba o curso.

Em alguns casos, especialmente depois da crise econômica de 2008, essa colocação pode nunca vir. Mas as dívidas ficam.

Essa matemática que não fecha faz com que muita gente defenda os community colleges nos EUA – que são espécies de escolas técnicas de nível superior mais baratas e mais curtas (duram cerca de dois anos).

Normalmente, estudantes de colleges terminam o curso empregados e sem dívidas.

E por aqui? Todo mundo tem de fazer ensino superior? Não. Nem sempre compensa.

Tenho conversado com muita gente que terminou a faculdade de direito e de administração por aqui, mas continua com o mesmo cargo que tinha antes do curso superior. E agora tem dívidas.

Muita gente no Brasil financia um curso superior de quatro anos em oito anos – e paga 50% durante a faculdade e mais 50% depois de se formar.

A dívida é tão pesada que alguns casos a família toda abre os bolsos.

ENSINO TÉCNICO

Não há colleges por aqui. Mas há cursos técnicos muito bem avaliados.

E o Brasil tem uma carência de técnicos tão grande que em algumas áreas os salários estão bastante altos e competitivos.

O país também carece de pessoas que simplesmente sejam fluentes em inglês.

Diante de um potencial turístico como o do Brasil, prestes a sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o simples fato de falar inglês pode ser muito mais produtivo do que uma graduação.

Tudo depende do que o estudante está buscando ao se matricular no ensino superior.

É claro que, diferentemente dos Estados Unidos, por aqui ainda é baixa a quantidade de gente que tem ensino superior.

Estima-se que menos de 15% da população em idade universitária (de 18 a 24 anos) esteja na sala de aula de universidades. Nos EUA, essa taxa é pelo menos três vezes maior.

Mas vale a pena analisar muito bem quais são os ganhos reais de um curso de ensino superior — especialmente se for pago.

Em alguns casos, outras alternativas de estudos podem valer mais a pena.

Crianças e adolescentes têm aulas sobre manifestações

0
Professor Bernardo Fonseca Machado, 26, dá aula de sociologia no colégio Santa Maria e fala sobre manifestações no Brasil (Avener Prado/Folhapress)

Professor Bernardo Fonseca Machado, 26, dá aula de sociologia no colégio Santa Maria e fala sobre manifestações no Brasil
(Avener Prado/Folhapress)

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Se está difícil para os adultos entenderem o que está acontecendo nas manifestações que tomaram conta do país nos últimos dias, está mais complicado ainda para as crianças e os adolescentes.

A demanda dos jovens por mais informações é tão grande que algumas escolas de São Paulo passaram a debater o tema em aulas de disciplinas como história, geografia e redação.

“Abrimos espaço na aula para contextualizar o que está acontecendo. Os estudantes traziam muitas questões”, diz Walter Maejima, professor de geografia do São Luís.

A professora de história do colégio Santo Américo, Raquel dos Santos Funari, sentiu a mesma demanda.

“Eles querem saber o que está acontecendo. Relacionei o tema em aula com manifestações que aconteceram na Europa no século 18”, conta.

A Folha acompanhou uma aula de sociologia no 2º ano do ensino médio no colégio Santa Maria para ver como as manifestações estão sendo tratadas em classe e quais são as questões dos estudantes.

De acordo com o professor e antropólogo Bernardo Fonseca Machado -que escrevia na lousa palavras como “alfabetização política”, “transporte” e “partidos”-, o interesse dos alunos é crescente.

“Quando comecei a lecionar aqui, os alunos nunca tinham participado de nenhuma manifestação. Hoje isso mudou.” Da turma do 2º ano, 10% dos alunos estiveram nos protestos recentes.

Alguns até reclamam por não terem estudado o tema mais cedo. “Deveríamos ter discutido essas questões [como alfabetização política] antes de as manifestações começarem”, disse João Pedro Martins, 16. Os alunos concordaram com a cabeça.

REFLEXÃO POSITIVA

Para a psicopedagoga Neide Barbosa Saisi, da PUC-SP, essa reflexão nas escolas e em casa é “bastante positiva”.

“O que é democracia? O que é participar? Qual é a função da PM na sociedade? Essas questões podem ser debatidas em aula”, explica.

Os alunos, especialmente do ensino médio, relatam os professores, são os mais ansiosos por informações.

“Muitos deles trazem a opinião dos pais”, conta a professora de redação Roberta Baradel. Ela dá aula no Arbos, da rede Uno Internacional, e na escola municipal Oscar Niemeyer, entre outras escolas de São Caetanos do Sul. “Depois do debate, muitos mudam de ponto de vista.”

Mas o assunto não está apenas na sala de aula. Na Escola Internacional Alphaville, por exemplo, os alunos têm se reunido em uma espécie de assembleia, no horário de aula, para discutir o tema.

E fora da escola? Pais e professores devem incentivar os estudantes a participarem dos protestos nas ruas?

“Como mãe, teria medo. É preciso mostrar que há um risco”, diz Saisi, da PUC-SP.

ONG quer fazer perfil de alunos e melhorar notas

0

Instituto-Ayrton-Senna-Doação-50 anos

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

O sucesso de uma pessoa é, em parte, determinado por características individuais como autoestima e persistência, que podem ser trabalhadas desde a infância. O desafio é saber como desenvolver essas habilidades na escola.

Um grupo do IAS (Instituto Ayrton Senna), ONG que trabalha com 2 milhões de alunos em 1.300 municípios do Brasil, está mapeando características de personalidade em crianças do país para ajudar a desenvolvê-las.

A ideia é que o trabalho ajude a formulação de políticas públicas para o desenvolvimento das chamadas habilidades “não cognitivas” na rede pública.

Em outras palavras, o ensino da tabuada e da gramática –habilidades cognitivas– andaria de mãos dadas com atividades que promovam o trabalho em grupo, a concentração e a resiliência.

“Isso é importante na escola pública para diminuir a desigualdade social”, explica a coordenadora de avaliação e desenvolvimento do IAS, Tatiana Filgueiras.

Ao todo, 55 mil estudantes de escolas públicas do Rio de Janeiro serão avaliados. A identificação é feita por meio de questionários com perguntas simples. Por exemplo, como a criança reage a um obstáculo ou de que forma lida com frustrações.

A fase final da pesquisa deve acontecer em agosto. Os resultados estão previstos para o final deste ano.

FAZENDO AS CONTAS

O desenvolvimento da inteligência emocional é também fundamental para que o aluno desenvolva as atividades cognitivas, como a própria matemática.

“A criança é constituída de muitas habilidades que estão interconectadas com a esfera afetiva, comportamental e relacional”, diz o psicólogo Fábio Villela, do Departamento de Educação da Unesp de Presidente Prudente.

Um problema em matemática, por exemplo, pode estar mais ligado a questões como ansiedade ou instabilidade emocional do que ao ensino dos números em si.

Entender essa relação e saber como melhorar é especialmente importante no cenário brasileiro.

O país está em 56º lugar em desempenho de matemática em uma lista de 65 países avaliados no Pisa (Programa de Avaliação Internacional dos Estudantes da OCDE).

Go to Top