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Como menino pobre apaixonado por Carmen Miranda se transformou no ‘maior ladrão de livros raros do Brasil’

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 Laéssio Rodrigues de Oliveira Foto: BBCBrasil.com

Laéssio Rodrigues de Oliveira
Foto: BBCBrasil.com

Laéssio Rodrigues de Oliveira está na prisão pela 5ª vez por furtos de livros e desenhos – como obras de Debret e Rugendas – de museus e bibliotecas; sua história é tema de documentário.

Publicado no Terra [via BBC Brasil]

Eu só vi Laéssio chorar em duas ocasiões. A primeira foi por raiva, quando um cliente fechou a porta em sua cara e ele, sem dinheiro para comprar sequer um sapato novo, sentiu-se humilhado. Já a segunda foi por amor – ao ler uma carta com um pedido de casamento enviada pelo namorado, detido em um presídio no Rio de Janeiro. Na maior parte do tempo, Laéssio não é de se lamentar. Um senso de humor abusado é seu traço mais marcante.

Considerado pelas autoridades brasileiras o maior ladrão de livros raros do país, Laéssio Rodrigues de Oliveira entrou na minha vida em uma tarde de setembro de 2012, quando recebi uma ligação a cobrar vinda do complexo penitenciário de Bangu, na zona oeste da capital fluminense, com um pedido insólito: um exemplar da biografia de Carmen Miranda escrita por Ruy Castro. “Essa história toda começou por causa dela”, resumiu.

O telefonema era uma resposta à primeira das dezenas de correspondências que trocaríamos ao longo das temporadas esparsas que Laéssio passaria em cadeias de São Paulo e do Rio de Janeiro. Desde 2004, ele já deu entrada cinco vezes no sistema prisional. Ao todo, contabiliza quase uma década atrás das grades, sempre acusado do mesmo crime: pilhar acervos de Norte a Sul do país à caça de todo tipo de papel antigo de alto valor.

O leque de obras furtadas atribuído a Laéssio impressiona pela raridade e pela variedade. Vai das fotografias do funeral de Dom Pedro 2º, inclui um dos primeiros atlas do Brasil feito por um cartógrafo holandês do século 17 e passa por primeiras edições autografadas por cânones da literatura nacional. O crème de la crème das obras roubadas, no entanto, são os originais de desenhos feitos por artistas como o francês Jean-Baptiste Debret e o alemão Johann Moritz Rugendas, que no século 19 viajaram o país para retratar paisagens e personagens do Brasil colonial. Hoje, um álbum completo de Debret, por exemplo, não sai por menos de US$ 300 mil.

Desde março deste ano, Laéssio está preso no Rio de Janeiro, depois de ser condenado em primeira instância na Justiça Federal a mais dez anos e sete meses de prisão pelo furto de obras raras do Museu Nacional e do Museu Histórico Nacional, também no Rio. Ainda cabe recurso.

 Cartaz de "procurado" com a foto de Laéssio Foto: BBCBrasil.com

Cartaz de “procurado” com a foto de Laéssio
Foto: BBCBrasil.com

Dinheiro

“Minha história toda foi pobre. Ser rico é bom. É ótimo. Não estou falando ‘ser riquíssimo’, como esse povo que fica rico demais e aí vira essa palhaçada, essa desigualdade do c*ralho. Mas ser independente, morar bem, fazer o que quer, entendeu?”

Num intervalo de duas décadas, Laéssio trocou o anonimato do balcão de uma padaria em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, pelas manchetes de jornais de todo o país. Montou três bancas de antiguidades e um sex shop batizado de Mae West em homenagem à atriz americana que “era tipo a Dercy Gonçalves”, segundo ele. Também se especializou em Biblioteconomia e fez negócios com gente graúda.

Laéssio não ficou milionário, mas ganhou dinheiro suficiente para comprar um confortável apartamento no Largo do Arouche, no centro de São Paulo. Também se permitiu pequenos luxos, como vestir um terno Armani, passear com o ex-marido a bordo de um Audi A3 ou de um Chrysler PT Cruiser e custear um imóvel no Guarujá, litoral paulista.

“Eu vivia num mundo encantado. Eu era uma bicha louca, desvairada, achava que aquilo nunca iria acabar, que nunca iria dar problema”, confessa. Entretanto, torrou tudo tentando acertar as contas com a Justiça.

Desde aquela primeira ligação a cobrar que Láessio me fez em 2012, acumulei – além de incontáveis cartas – pilhas de processos judiciais, dezenas de horas de gravação e centenas de páginas de anotações feitas durante entrevistas em diversos locais, incluindo duas penitenciárias. Laéssio só topou me confidenciar sua história para que ela não ficasse encarcerada nas colunas policiais. “Eu não matei ninguém, cara. Vou me arrepender de quê? De que adquiri um monte de livro velho?”

‘O que é que a baiana tem?’

A mãe de Laéssio é uma senhora miúda de 62 anos que trabalha passando roupa e cuidando de idosos. Ela tem o costume de concluir as frases com um simpático “num sabe?” carregado de sotaque nordestino. Refere-se ao mais velho dos seis filhos – que criou sozinha a partir dos 31 anos de idade – como “Grandaião”, apesar de a compleição física de Laéssio nem de longe botar medo em quem quer que seja. “A família não quer nem saber desse assunto. É uma pena”, lamenta, antes de cair num choro envergonhado.

 Ilustração de Debret Foto: BBCBrasil.com

Ilustração de Debret
Foto: BBCBrasil.com

Laéssio nasceu em Teresina, em 15 de janeiro de 1973. Ainda criança de colo, mudou-se com a família do Piauí para São Bernardo do Campo. O pai trabalhava como eletricista. Quando bebia, costumava bater na esposa e era confrontado pelo primogênito, cujos trejeitos tiravam seu sono. O menino até chegou a ser levado a uma consulta médica para corrigir o suposto desvio. Mas não adiantou: depois que o pai morreu atropelado em uma rodovia, Laéssio saiu do armário, aos 15 anos de idade.

A mãe conta que desde muito cedo Laéssio era fissurado por gibis e jornais – inclusive, tinha o costume de empilhá-los no meio da sala. “Ele é muito inteligente, conversa sobre qualquer assunto”, diz. De fato, Laéssio é capaz de discorrer por horas em tom professoral sobre cinema, música e todo tipo de arte vintage.

Foi uma obsessão adolescente pela atriz e cantora Carmen Miranda que levou Laéssio a mergulhar no universo dos papéis antigos. Depois de escutar O que é que a baiana tem? pela primeira vez no rádio, decidiu colecionar tudo o que estivesse ao seu alcance sobre a artista. “Talvez seja aquilo que ela mesmo diz na música: ‘tem graça como ninguém’. Aquela brejeirice, como Dorival Caymmi disse uma vez, me dominou”, explica.

Para alimentar a compulsão de fã, Laéssio passou a furtar. O primeiro crime aconteceu no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. Ao colocar os pés na biblioteca da instituição, nem precisou vasculhar as estantes. Seu olhar foi instantaneamente capturado pelo sorriso de Carmen Miranda estampado na capa de uma revista Fon Fon da década de 1940, em cima de uma mesa. Com a adrenalina a mil, certificou-se de que ninguém o vigiava, enfiou o exemplar na mochila e saiu andando.

“Aí comecei a minha peregrinação pelas bibliotecas. Tudo que era revista com a Carmen Miranda na capa eu saí levando. Comecei a ter paixão por aquilo”, relata.

Por volta de 1996, Laéssio conheceu seu primeiro cliente, Abel Cardoso Júnior, falecido escritor radicado em Sorocaba (SP) e autor de A Cantora do Brasil , biografia menos badalada da artista. “Vendi todo meu acervo para ele. Larguei um emprego na prefeitura para viver disso”, relembra.

O primeiro problema com a polícia também remonta a essa época. Certa vez, enquanto enchia a bolsa com revistas antigas no Arquivo Geral do Estado de São Paulo, foi flagrado por seguranças e conduzido a uma delegacia. Acabou liberado depois de gabaritar um quiz sobre Carmen Miranda feito pelo delegado e de jurar em vão que jamais voltaria a surrupiar uma biblioteca.

 Revista O Cruzeiro com Carmen Miranda na capa (Foto: Reprodução) Foto: BBCBrasil.com

Revista O Cruzeiro com Carmen Miranda na capa (Foto: Reprodução)
Foto: BBCBrasil.com

Comércio

Eis que Laéssio resolveu empreender: comprou uma barraca na Feirinha do Bixiga, tradicional reduto de colecionadores de antiguidades em São Paulo, e fez sociedade com o dono de uma banca de revistas pornôs na esquina das avenidas Ipiranga e São João. Seu métier eram publicações antigas sobre cinema, como Cena Muda e Cine Arte, e jornais com manchetes sobre a proclamação da República e a abolição da escravatura.

Além de atrair personalidades, como o ator John Herbert e o cineasta Zé do Caixão, as bancas de Laéssio também passaram a ser frequentadas por funcionários de bibliotecas oferecendo antiguidades de procedência duvidosa. “Eu não vou ser hipócrita: tinha coisas que eu estava comprando que sabia que eram roubadas”, afirma. Laéssio, então, sentiu a necessidade de diversificar os canais de venda. Aconselhado por clientes, resolveu desbravar leilões de papéis raros. “Uma vez, paguei R$ 10 num leque de carnaval dos anos 1930 na Feirinha do Bixiga, depois coloquei no leilão e ele foi vendido por quase R$ 500”, exemplifica.

No começo dos anos 2000, um dos mais prestigiados leilões era o da extinta livraria Universal, no centro do Rio de Janeiro. Criada por Joaquim Monteiro de Carvalho, empresário que participou da fundação da Klabin e das negociações que trouxeram a Volkswagen para o Brasil, a Universal era um convescote de amantes das artes dispostos a investir pesado em obras exclusivas.

“Eu comprava coisas na Feirinha do Bixiga e ia levando para a Universal. Aí, um dia o gerente me falou: ‘por que você não coloca livros? Dá mais dinheiro!’ Eu respondi: ‘pô, eu não entendo de livro, não'”, narra.

Aquela conversa representou uma virada na vida de Láessio. Para subir o sarrafo dos negócios, chegou à conclusão de que precisava se capacitar. “Foi por isso que eu fui fazer Biblioteconomia. Porque eu queria minha parte em ouro”, interrompe a si próprio com um sorriso de canto de boca pelo ato falho. “Em ouro, não… em livro velho, tá entendendo?”

Quando fala da Universal, Láessio se expressa em um tom que mescla nostalgia e deslumbre. “Era passatempo de gente rica. Lá, eu me sentia madame”, define. De fato, o perfil dos colecionadores que circulavam pelos leilões era tão refinado quanto ecumênico. Lá, podia-se cruzar com George Ermakoff, ex-presidente da companhia aérea Rio Sul; Jorginho Guinle, playboy de ofício e suposto affair de Marilyn Monroe; Manoel Portinari, sobrinho do célebre pintor modernista e fanático pelo poeta Manuel Bandeira; Pedro Corrêa do Lago, bibliófilo e ex-presidente da Biblioteca Nacional; e Ruy Souza e Silva, captador das obras que compõem a Brasiliana do Instituto Itaú Cultural e ex-marido de Neca Setúbal, herdeira da maior instituição financeira do país.

“Naquela época, os leilões eram presenciais. Dois ou três dias antes, as pessoas examinavam os livros. Não se levava gato por lebre de jeito nenhum”, garante Margarete Cardoso, uma das principais especialistas do mercado de obras raras do país. Por mais de meio século, ela trabalhou na livraria Kosmos, loja de raridades que funcionava no mesmo prédio da Universal, na Rua do Rosário, centro do Rio. “As pessoas iam aos leilões e aí serviam vinho, salgadinho, para ficar uma coisa bem chique mesmo. Mas isso tudo acabou. Com a internet, mudou bastante”, diz.

 Cartas trocadas entre Laéssio e Carlos Juliano Barros Foto: BBCBrasil.com

Cartas trocadas entre Laéssio e Carlos Juliano Barros
Foto: BBCBrasil.com

Fragilidades

Laéssio é relativamente viajado – afirma ter visitado Buenos Aires, Nova York e Paris e sonha com uma cerimônia de casamento em Lisboa. Mesmo assim, tem certeza de que o Rio de Janeiro é o melhor lugar do mundo. “A Mangueira e o Salgueiro precisam de mim, posto que eu me desmando e me transformo ao som da bateria de uma dessas escolas de samba”, ele me escreveu em dezembro do ano passado, quando estava preso em São Paulo pela quarta vez e fazia planos de passar o carnaval de 2017 em sua cidade de coração.

É justamente no Rio de Janeiro que Laéssio deixou mais digitais. Isso se explica pelo fato de a antiga capital federal concentrar os mais importantes acervos com obras de arte e documentos raros sobre o Brasil, como o Museu Nacional, o Palácio do Itamaraty, o Jardim Botânico e a Biblioteca Nacional. Mas ele também é acusado de crimes em outros Estados, como Bahia, Pará, Paraná e São Paulo. Nunca responde sozinho – em geral, é tido como o mentor intelectual de quadrilhas montadas para dilapidar acervos. “Para pegar livro, não é preciso matar ninguém, sequestrar ninguém. Sou alheio a violência, não gosto de violência”, ressalta.

Entretanto, ele já foi condenado por envolvimento com um grupo armado que rendeu funcionários e roubou obras de arte de um centro cultural em Campinas, em agosto de 2013. Apesar de não ter participado diretamente da ação, o processo lhe rendeu sua terceira passagem – de quase dois anos – pelo sistema prisional.

Basicamente, Laéssio é um especialista em furtos. Segundo os inquéritos policiais, suas técnicas variavam de acordo com a ocasião. Passando-se por pesquisador e aproveitando a distração de funcionários, livros e revistas eram escondidos em mochilas ou sob casacos largos. Em caso de obras de dimensões avantajadas, como álbuns de gravuras, páginas eram arrancadas a navalhadas e enroladas como pergaminhos. Subornos a seguranças para facilitar sua entrada também eram um modus operandi comum.

Mas havia também métodos menos ortodoxos – um deles era sugestivamente apelidado de “Efeito Borboleta”. Uma pessoa de corpo delgado e elástico o suficiente para se acomodar em um gaveteiro de biblioteca se escondia dentro do móvel durante horas, aguardando o fim do expediente para sair do casulo e recolher o material previamente selecionado. “Não faltava ar dentro do gaveteiro?”, perguntei espantado a um colega de Laéssio que certa vez me descreveu os detalhes da metamorfose. “Para quem já ficou em solitária na cadeia, isso é moleza”, ele devolveu sem pestanejar.

Na avaliação de Carlos Aguiar, procurador do Ministério Público Federal que conduziu as investigações de uma das duas ações que ainda correm contra Laéssio na Justiça Federal do Rio, sistemas de segurança falhos das bibliotecas, devido a orçamentos apertados, misturados com uma dose de desorganização das instituições, facilitaram os crimes.

“O Laéssio aprendeu a furtar se aproveitando dessas fragilidades”, analisa o procurador. “Eu me lembro que mandei ofício solicitando que adotassem providências. Eles não tinham sequer catalogado o material. Sequer sabiam qual era o acervo que eles possuíam”, afirma Carlos Aguiar, recordando-se do caso específico da Biblioteca Nacional, dez anos atrás.

De lá para cá, segundo o procurador, a série de furtos fez com que os sistemas de segurança das instituições fossem incrementados.

Na biblioteca do Museu Nacional, por exemplo, um retrato de Laéssio – ao estilo faroeste – ainda hoje decora a mesa de vigilantes. Dos arquivos da instituição foram levadas a navalhadas dezenas de gravuras de aves desenhadas pelo naturalista francês Louis Jean Marie Daubenton no século 18.

“Eram coisas maravilhosas”, atesta Alberto Cohen, pioneiro na organização de leilões de papeis raros no Rio de Janeiro. Em abril de 2004, as obras foram arrematadas em um evento organizado por ele no bairro de Ipanema por cerca de US$ 30 mil. Semanas depois, o leiloeiro tomou conhecimento pelos jornais de que as gravuras haviam sido furtadas do Museu Nacional.

“O Laéssio me deu um trabalho danado”, conta entre risos tímidos que abafam ainda mais sua voz rouca. “Eu caí na história dele. Ele me convenceu de que tinha conseguido aquilo na banca de jornal dele. Ele entendia do assunto mesmo”, justifica-se. Alberto, então, procurou a Polícia Federal, devolveu o material e reembolsou os clientes. Porém, afirma não ter recuperado o dinheiro adiantado a Laéssio. “Como todo um-sete-um, vigarista, ele é muito boa gente. Eu não tenho raiva dele, apesar de ele ter me dado um prejuízo louco”, finaliza.

Notoriedade

O jovem estudante Raskólnikov – protagonista de Crime e Castigo , clássico de Fiódor Dostoiévski – construiu uma teoria curiosa para limpar a própria consciência, depois de roubar e assassinar uma idosa agiota. Segundo ele, figuras como Napoleão Bonaparte só se consagraram como extraordinárias porque ousaram correr riscos e até mesmo derramar sangue em nome de ideais de grandeza. Dessa forma, a História – com H maiúsculo – se encarregaria de absolvê-las de eventuais condenações morais.

Feitas as devidas adaptações, o raciocínio de Laéssio bebe da mesma fonte da ética particular de Raskólnikov. “Uma coisa que eu comecei a praticar desde cedo foi a leitura de biografias. Sempre me encantaram as pessoas que vieram para o mundo tanto para o bem quanto para o mal”, introduz Laessio. “Aí eu pensei: Caraca! Será que eu vou vir para a merda deste mundo para passar batido, só para fazer volume?”

Em março deste ano, Laéssio foi detido pela quinta vez depois de ser condenado em primeira instância na Justiça Federal pelo furto de obras raras do Museu Nacional e do Museu Histórico Nacional, ambos no Rio de Janeiro. A sentença foi proferida 13 anos depois dos crimes e o condenou a mais uma década de cárcere. De acordo com a Defensoria Pública da União, que já recorreu da decisão, um dos ilícitos imputados a Laéssio – o furto de revistas antigas do Museu Histórico Nacional – já havia sido considerado prescrito em outro processo e, portanto, não poderia ter sido novamente julgado.

“Laéssio está pagando desproporcionalmente caro, especialmente em relação a outros envolvidos e em relação às penas estipuladas no Código Penal”, afirma o advogado José Carlos Abissamra Filho, que há poucos meses assumiu a defesa de Laéssio. “O que parece é que ele têm sido tratado como bode expiatório de males sociais não atribuíveis a si, o que é, evidentemente, ilegal.”

Um mês após a última detenção, Laéssio entrou novamente no radar da polícia: é o suspeito de um furto na biblioteca da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois de fazer um inventário, a instituição divulgou que 303 títulos haviam sido levados de seu acervo, acredita-se, durante uma reforma do prédio em 2016. Dentre as peças subtraídas, há originais dos Sermões do Padre Antônio Vieira e fotos do começo do século passado de índios da Amazônia. O material é estimado em até R$ 500 mil.

A relação de Laéssio com o sistema prisional é um capítulo à parte. Nos cinco anos que passou em Bangu, por exemplo, ele chegou a montar uma biblioteca na penitenciária depois de solicitar doações a diversas editoras. A inspiração veio do trabalho realizado por Dilma Rousseff no período em que a ex-presidente ficou presa durante a ditadura militar. Em agosto, Laéssio virou notícia novamente ao mandar uma carta à direção da Biblioteca Nacional solicitando livros para o presídio em Japeri onde se encontra atualmente detido – o pedido foi revelado na coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo, com o título “cara de pau”.

Com a bagagem de quase uma década atrás das grades, Laéssio teve de se adaptar à vida no cárcere, mesmo sem beber uma gota de álcool na boca ou usar qualquer tipo de droga, itens tão acessíveis nos presídios. E, por dominar a norma culta da língua e conhecer o Código Penal (cursou a faculdade de Direito por quase dois anos), ele mata o tempo redigindo pedidos de indulto e de progressão de regime para colegas detentos.

Certa vez, referindo-se em tom de brincadeira à significativa população de homens que fazem sexo com homens nas penitenciárias, ele me disse com seu típico ar debochado: “meu medo não é ser preso. Meu medo é ficar pobre. Com dinheiro, a cadeia pode virar a gozolândia”.

Em uma de suas últimas correspondências endereçadas a mim, Laéssio queixou-se de certa perseguição por parte da Justiça e da imprensa: “só me falta ser acusado de roubar novamente o quadro da Mona Lisa, nesses tempos modernos, posto que o mesmo já completou os seus 100 anos que foi furtado pela última vez no Louvre. Mas fique tranquilo que eu jamais orquestrarei tal ação, uma vez que eu já me dou por cansado e velho demais para continuar nessa vida”.

*Carlos Juliano Barros assina com Caio Cavechini a direção do documentário ‘Cartas para um Ladrão de Livros’, que estreia no Festival do Rio no dia 9 de outubro

Editora Leya levará trono de Game Of Thrones para Bienal

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Imagem: Divulgação

Imagem: Divulgação

Matheus Malex, no Beco Literário

Essa semana foi ao ar o último episódio da temporada atual de Game Of Thrones, e até a exibição da próxima, teremos um longo ano sem a série do momento. Para que você não sinta tanta saudade, a Editora Leya vem lançando livros especiais com detalhes das temporadas, que vem com muita coisa que você deixa passar ao assistir aos episódios.

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Os livros são de capa dura e ricos em informações. Em parceria com a Book Partners, os livros da série (e outros também) estarão com 45% de desconto na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Tanto na compra física quanto na online, não sendo cobrado o serviço de entrega para todo o Rio de Janeiro. A promoção de frete grátis para todo RJ também será válida para os mais de 600 mil livros disponíveis no catalogo do portal da Cia. dos Livros, que você pode conferir clicando aqui.

Ah, por falar nisso, uma réplica do trono da série, com mais de 2 metros de altura e cerca de 80kgs estará no stand da editora. Dá para aproveitar as promoções e ainda tirar ótimas fotos.

Victoria Schwab vem para a Bienal do Rio lançar “Um encontro de sombras”

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Victoria Schwab vem para a Bienal do Rio lançar “Um encontro de sombras”

Úrsula Neves, no Cabine Cultural

Com doze livros publicados e prêmios importantes, como o Publishers Weekly Best Book e o Amazon Best Book of the Year, no currículo, a americana Victoria Schwab é uma das autoras convidadas para a Bienal do Livro do Rio de Janeiro deste ano. Ela lança no evento “Um encontro de sombras”, sequência de “Um tom mais escuro de magia”, publicado pela Record.

Um-Encontro-de-SombrasNa série, Kell é um mago viajante, também conhecido como Antarj. Sua habilidade é de trafegar entre as diferentes representações de Londres. Ele é o único com este poder, por isso, Kell é um mensageiro dos impérios. A Londres “Cinza” é a convencional, pálida, entediante e com um rei instável, onde não existe magia. A “Vermelha” é o lar de Kell. Lá, a magia é usada de forma equilibrada. Na Londres “Branca” a população já utilizou boa parte da magia disponível e isso gerou graves consequências. Por fim, a Londres “Negra” é aquele lugar no qual ninguém gosta de comentar.

Com o poder a seu favor, Kell aproveita as suas viagens para contrabandear itens raros, muitas vezes cobiçados por moradores de todas as Londres. E, em uma de suas ações, acaba conseguindo algo extremamente perigoso, além de proibido. É por causa deste objeto que Kell conhece Daliah Bard, uma ladra espirituosa, com sonhos ambiciosos. E os dois acabam encrencados.

Em “Um encontro de sombras”, Kell e Daliah, agora separados, tentam seguir em frente. Quase tudo volta ao normal para o garoto, exceto pelos pesadelos frequentes. Enquanto isso, as inegáveis habilidades de Lila fazem com que ela se torne parte da tripulação de um navio corsário. Agora ela pode navegar pelos mares e ainda aprender mais sobre magia com o capitão do Saren Noche. Mas o destino de Kell e Daliah irá se cruzar novamente. Eles irão se encontrar nos Jogos Elementais, competição internacional de magia que será sediada na Londres Vermelha. Em paralelo a tudo isso, a Londres Negra, uma vez esquecida, se ergue novamente e os efeitos podem ser desastrosos.

V.E Schwab participa de um bate papo na Arena #SemFiltro no domingo, dia 10 de setembro às 14h, seguido de sessão de autógrafos.

Sobre a autora
A americana Victoria Schwab tem trinta anos e já foi semifinalista do Prêmio Goodreads de 2013. É autora do best-seller “Vicius”, de “A guardiã de histórias”, publicado pela Bertrand, e de “Um tom mais escuro de magia”, lançado pela Record.

Projeto incentiva leitura no VLT

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Projeto Leitura no vagão chega ao VLT - Divulgação / Centro de Operações Rio (COR)

Projeto Leitura no vagão chega ao VLT – Divulgação / Centro de Operações Rio (COR)

Cerca de 80 livros estarão disponíveis nos assentos de um vagão nesta terça-feira

Publicado em O Globo

RIO – O projeto Leitura no Vagão chega ao Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT). A partir das 11h desta terça-feira, 80 livros estarão disponíveis nos assentos de uma das composições. Se você encontrar um livro com essa identificação, pode pegar, levar para casa e ler à vontade. Mas não esqueça de devolvê-lo em um lugar público após a leitura.

O objetivo do projeto, que surgiu em São Paulo e que já acontece no metrô do Rio, é incentivar as pessoas a deixarem um pouco de lado os smartphones e se dedicarem à leitura no trajeto para o trabalho ou para casa, para que elas possam aproveitar, de forma produtiva, o tempo de locomoção.

Criado pelo desenvolvedor de softwares Luís Fernando Tremonti, o projeto funciona da seguinte maneira: um livro é deixado no banco para que um usuário distraído possa lê-lo durante seu percurso no metrô. A ideia que a pessoa leia, tire uma selfie com o livro e use a hashtag #leituranovagao para relatar curiosidades sobre a obra. Depois disso, o livro deve ser passado para frente para que outros possam ler.

Bienal do Rio terá espaço nerd este ano

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Bruno Aires, no Nerdsite

Faltam apenas 5 dias para a 18ª edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. A feira literária, que já é considerada o terceiro maior evento do Brasil, acontece entre os dias 31 de agosto e 10 de setembro, no Riocentro. Os números impressionam: são mais de 300 convidados confirmados, ao longo 360 horas de programação, em um espaço de 80 mil m².

Como bons apaixonados pela leitura, os nerds terão mais destaque este ano. O release oficial do evento indica que a grande novidade da edição é o espaço Geek & Quadrinhos, com temas sobre a representatividade feminina e a realidade atual da profissão de quadrinista. O espaço abrigará mesas de jogos, batalhas medievais e realidade virtual. Há ainda uma programação especial para os “pequenos nerds”, desenvolvida pelo Mundinho Geek, com oficinas de Quadrinhos, Cosmaker e Poções, pintura facial geek e quiz sobre Star Wars.

O Café Literário, sucesso todos os anos, está dividido em três grupos de assunto. O primeiro aborda temas como igualdade e política, o segundo tratará da literatura e o terceiro grupo vai abordar variedades e celebrações. Além disso, o espaço terá sessões infantis, o Cafezinho Literário. Rita Lobo, Arthur Xexéo, André Trigueiro, Fabrício Carpinejar e Ruy Castro, Ana Paula Maia, Fernando Gabeira, Martinho da Vila, Alberto Mussa, Heloisa Seixas, Muniz Sodré, Bruna Beber e Miriam Leitão são alguns nomes que compõem a programação.

O público jovem também poderá aproveitar a Arena #SemFiltro, que esse ano passará a receber 400 pessoas para debates sobre games, representatividade LGBT, feminismo, música e poesia, com nomes como Maisa, Helio de la Peña, Larissa Manuela, Mario Sérgio Cortella, Kéfera, Marcelo Yuka, Rafael Vitti e Marina Ruy Barbosa. A programação dos espaços se completa com o EntreLetras, para pequenos leitores. O espaço vai oferecer ao visitante letras e palavras para que cada um possa criar suas narrativas em diversas estações de brincadeiras.

A equipe do evento diz que a Bienal do Livro vai reunir este ano o maior elenco de escritores brasileiros de todos os tempos. Ao longos dos 11 dias, serão mais de 300 autores como Ana Paula Maia, Martinho da Vila, Pedro Siqueira, Lilian Schawarcz, Fernando Gabeira, Alessandro Molon, Alberto Mussa, Marcelino Freire, Ilona Szabo, Artur Xéxeo, Gabriel Bá e Fabio Moon, Will Conrad, Cris Peter, Carlos Ruas, Tico Santa Cruz, Maju Trindade, Malena Nunes, dentre outros.

Grandes nomes internacionais também estão confirmados, entre eles a britânica Paula Hawkins, que vendeu mais de 20 milhões de exemplares com a publicação “A garota do trem”; Gayle Forman, do best-seller “Se eu ficar”; Jenny Han, da trilogia iniciada com “Para todos os garotos que já amei”; Sofia Silva, da série “Quebrados”; Abbi Glines, da coleção “Rosemary Beach”; Charles Duhigg, de “O Poder do hábito”; Carl Hart, autor de “Um preço muito alto”; Karin Slaughter, de “Cega”; Victoria Schwab, da série “Um tom mais escuro de magia”.

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