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Tecnologia não vai modificar a literatura, diz ABL

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Publicado na Exame Info

Rio de Janeiro – A internet e os novos dispositivos eletrônicos de leitura não vão mudar a essência da literatura. A avaliação é da presidenta da Academia Brasileira de Letras (ABL), Ana Maria Machado.

Ela participou da Festa Literária Internacional das Unidades de Polícia Pacificadora (Flupp), que será realizada até domingo (11) na comunidade do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Ana Maria conversou com um grupo de crianças e adolescentes de escolas públicas do Rio e respondeu a perguntas da plateia.

“A tecnologia não vai modificar a literatura. Pode mudar o mercado de livros. Mas a literatura é a mesma desde que existe a linguagem. Muito antes de existir a escrita, já existia Homero, com a Odisseia e com a Ilíada. A literatura já foi escrita em papiro, em pergaminho, em rolo, em tablita [tabletes de argila]. O que muda é o suporte dela, se é uma tela [de computador] ou se é um livro, isso é secundário.”

Autora de 140 livros, com cerca de 19 milhões de exemplares vendidos, traduzidos para diversas línguas, a presidenta da ABL disse que ainda não disponibilizou nenhuma obra em formato eletrônico. “Enquanto não se descobrir como remunerar o direito autoral, fica só a pirataria”.

Sobre a presença da ABL na Flupp, realizada em uma área onde antes da pacificação das UPPs aparecia quase diariamente na imprensa por causa de tiroteios envolvendo o tráfico de drogas, Ana Maria disse que a academia tem uma ligação histórica com as favelas.

“A gente tem que lembrar que o fundador da academia, Machado de Assis, nasceu no Morro da Providência, a primeira favela do Brasil. Nossa presença aqui é uma volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Não devíamos ser uma cidade partida. Devemos todos estar juntos, na grande síntese cultural brasileira.”

Uma das perguntas feitas pelos estudantes à autora foi sobre qual era o prazer de sua profissão. “O prazer de ser escritora é poder tocar o outro. Poder chegar à mente, ao coração de outras pessoas. Falar em nome dos outros. Fazer com que o outro se reencontre na gente e que cada um se conheça mais pelo o que a gente escreveu.”

foto: Photopin

dica do Will

‘Fui corneado por meu fígado’, diz cartunista Jaguar

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O cartunista Jaguar, 80, em sua casa, no Leblon, no Rio de Janeiro

Marco Aurélio Canônico, na Folha de S.Paulo

Pouco depois de completar 80 anos, em fevereiro desse ano, Sérgio Jaguaribe, o popular Jaguar, recebeu a notícia: ao fim de seis décadas tendo bebido o equivalente a “uma piscina olímpica” de álcool, seu fígado sucumbira à uma cirrose avançada, acompanhada de câncer.

Ou operava e parava de beber para sempre ou morreria.

“Eu tinha tanto orgulho do meu fígado, me senti hepaticamente corneado”, diz o cartunista, tão célebre pelo humor implacável quanto por sua paixão por um boteco e um trago –não por acaso, um de seus livros chama-se “Confesso que Bebi – Memórias de um Amnésico Alcoólico” (Record, R$ 29,90, 160 págs.).

Jaguar recebeu a Folha no apartamento em que vive com sua mulher, a médica Célia Pierantoni, no Leblon, sentado ao redor de uma mesa que comprou para o boteco que nunca abriu. Nas paredes, desenhos feitos por ele e por vários colegas famosos.

Recusando-se a ser chamado de “senhor”, falou sobre sua nova rotina sem o álcool, seus planos e suas histórias, sempre com a verve afiada que usa tanto para falar de si mesmo quanto dos outros.

Lembrou ainda de episódios marcantes deste ano, como as mortes de dois companheiros de “O Pasquim” (Millôr Fernandes e Ivan Lessa) e o aniversário de 80 anos de outro (Ziraldo).

Ao fim das mais de duas horas de conversa abaixo resumidas, fez apenas um pedido: ser fotografado com um copo de cerveja –sem álcool– na mão. “Senão o pessoal não me reconhece.”

*

Folha – Como está sua saúde?
Jaguar – Em vez de morrer até o fim do mês, talvez eu tenha mais uns seis meses (risos). Eu estou com cirrose e mais uns três ou quatro tumores foram extirpados. Fiz um exame na semana passada que mostrou que eu estou como o Brasil: parado. Não melhorou nem piorou.

A notícia pegou todo mundo de surpresa, não?
Inclusive eu. Andei fraco, me sentindo pesado, e meu médico me mandou ir a São Paulo fazer exames. Tudo apoiado por minha mulher, que é médica. Foi a maior burrice que já fiz. Eu não saberia até hoje que estava doente, estaria tomando minha birita.

Eu fui ao Sírio Libanês, me enfiaram naquele canudo que faz uns barulhos estranhíssimos, você tem de ficar imóvel. Esse exame exige nervos de aço, depois dele você pode ouvir o relator do mensalão por 12 horas seguidas sem mostrar sinais de tédio.

E o mensalão tem rendido muito tema para charge?
Isso aí é até covardia, né, rapaz? Os humoristas não podem se queixar. Se tivesse de fazer, faria três por dia, as ideias vão aparecendo sem o menor esforço. Profissionalmente, vou te contar, sou muito bom nisso. Sou metódico, acordo e leio todos os jornais. E, desde que comecei nessa profissão, nunca parei.

Nem pretende?
Não. Vou fazer o quê com as piadas que eu bolo? Acho ótimo, é uma maneira de eu sacanear os caras, né?

Tem vítimas preferenciais?
O poder. “Hay gobierno [soy contra]…” Isso é batata. Conheci o Lula quando o Henfil o levou para o “Pasquim”, eu era amigo dele, mas depois que virou poder…

Como vai a vida sem álcool?
Estou fazendo experiências, drinques para abstêmios. Faço um Bloody Mary com o suco de tomate temperado com tabasco, limão, pimenta em pó. E cerveja sem álcool. Porque, ao contrário de muita gente, eu gosto da cerveja pelo sabor. Para ficar de porre, eu tomava coisas mais expressivas.

Foi uma adaptação difícil?
Como dizia Dostoiévski, e o Zé Keti também, o homem se acostuma com tudo. Eu bebia porque gostava de ficar bêbado. O grande problema é que eu posso beber o quanto quiser que não fico bêbado.

Fiz uns cálculos: a quantidade de cerveja que bebi nos últimos 50 anos dá para encher um carro-pipa. Bebi quase uma piscina olímpica. Entre cinco e dez cervejas por dia. Fora Steinhäger, cachaça, tudo que você pode imaginar.

Eu me sinto corneado pelo meu fígado. Eu tinha um orgulho dele, rapaz. Eu não tenho sinais de cirrose, mas a redundância magnética [risos] me entregou. Eu sou o pé na cova com o aspecto mais saudável que eu conheço. (mais…)

Com ilustração de Ziraldo, 13 mil alunos escrevem livro sobre o Rio

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Alunos da unidade Mangueira já tiveram primeiro contato com a obra
Foto: Divulgação


Publicado originalmente no Terra.com

Assistir ao longa Rio, participar de debates e fazer pesquisas na internet estiveram na agenda de 13 mil alunos de ensino fundamental do Rio de Janeiro. A programação fez parte da Oficina do Texto, um dos projetos do Portal Educacional, mantido pelo Grupo Positivo, em que alunos escrevem livros em coautoria com escritores consagrados – neste ano, foi a vez dos estudantes do Santa Mônica Centro Educacional, que contaram com ilustrações de Ziraldo.

Com o título “Rio: Conhecer para cuidar”, alunos das 13 unidades da rede privada escreveram sobre pontos turísticos da capital fluminense e os problemas da cidade, além de dar sugestões para melhorá-la. Depois de receber as ilustrações de Ziraldo, cada criança criou a sua historinha. Entre as participantes do projeto, está a unidade da Mangueira, que atende gratuitamente alunos carentes da comunidade. Segundo a diretora instituição, Marcia Moura, o projeto começou a tomar forma no início do ano.

Na unidade da Mangueira, 636 escreveram seu livrinho. “Houve muita conversa sobre os pontos turísticos. Ao visualizar as imagens, eles reconheciam o Carnaval, o Maracanã. Assistir ao filme Rio ajudou muito, já que, como o número de alunos era muito grande, não conseguiríamos levar todo mundo até os pontos turísticos”, afirma.

Na Oficina do Texto, cada aluno produz sua obra escrevendo as histórias e fazendo suas escolhas no ambiente virtual disponibilizado no portal da instituição, com gerenciamento pelo professor. A criança ou jovem assina a produção como coautor, recebe livros impressos e ainda tem acesso a um arquivo em PDF. “Eles abraçaram a ideia com muita vontade, ficavam ansiosos pela produção, que acontecia de duas a três vezes por semana, quando iam para o computador”, explica a diretora.

Projeto já lançou mais de 1 milhão de livros

Realizado desde 2000, o projeto já lançou mais de um milhão de livros escritos por crianças e jovens em parceria com grandes personalidades da literatura brasileira. Além de Ziraldo, nomes como Luis Fernando Verissimo e o professor Pasquale Cipro Neto já assinaram obras em coautoria.

Na Mangueira, o projeto atingiu alunos do 1º ao 5º ano. A aluna do 5º ano Samara Viana de Carvalho da Silva conta que não conhecia muitos dos pontos turísticos da cidade. “Antes, eu só conhecia a praia, mas aprendi sobre as belezas e as necessidades do Rio. Agora sei que preciso cuidar melhor da minha cidade. Fiquei com vontade de saber mais”, diz. A professora de Samara, Tânia Cristina da Costa Rodrigues, explica que um dos grandes feitos do projeto foi unir a turma. “Muitos deles não conheciam a maioria dos pontos turísticos do Rio de Janeiro. Era nessas horas que uns ajudavam aos outros. O envolvimento entre eles foi muito grande, o que tornou a produção ainda mais dinâmica”, avalia.

A Oficina de Texto reforçou a ligação das crianças com a internet. Segundo Tânia, a rede colaborou para que os alunos conhecessem bem os pontos turísticos. Ainda assim, as contribuições que saíam de dentro da sala de aula ajudaram a produção a tomar forma. “Fizemos um levantamento sobre quais pontos eram conhecidos. Queríamos compreender a vivência que tinham nossos alunos. Quem conhecia o local ajudava os colegas que não conheciam. Um tinha uma ideia, o outro complementava”, diz.

A equipe de Ziraldo se envolveu na criação das ilustrações. O autor, que completa 80 anos em 2012, é parceiro antigo da Positivo Informática. “Esse é um esforço muito grande para que os jovens compreendam o que é ser cidadão. Não se trata só de aproveitar as belezas do Rio, mas de conhecer os problemas e poder participar disso”, diz. Para ele, é papel da escola ser um agente de conscientização. “É na sala de aula que nasce a consciência a respeito de direitos e deveres. Eles precisam saber que podem usufruir do Rio de Janeiro, mas que devem cuidar dele”, acrescenta.

Ziraldo contou com ajuda de uma equipe de profissionais. “Nós caprichamos nas ilustrações. Queríamos estimular as crianças a perceber a veia artística, e o que se viu foi uma aliança que ficou ainda melhor com a ajuda da internet”, destaca. Os estudantes devem receber a versão impressa em outubro. O lançamento oficial dos livros escritos na unidade Mangueira está previsto para 10 de novembro, em evento com apresentações culturais e presença da comunidade.

Vidas no batente: Porteiro de Ipanema tem filho fazendo pós-doutorado nos EUA

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O porteiro Damião completou o ensino fundamental, mas tem um filho que faz doutorado nos EUA.


Júlia Dias Carneiro, na BBC

Depois de trabalhar alguns anos na construção civil, Damião encontrou o emprego que o mantém até hoje, aos 78 anos: é porteiro de um edifício em Ipanema, na zona sul do Rio.

A rotina de trabalho começa todos os dias às 7h. Depois de 55 anos no prédio, Damião é porteiro chefe, e diz fazer um pouco de tudo. “Qualquer problema que o pessoal não sabe resolver, chama o porteiro, que o porteiro vai lá e resolve”, diz.

Ele já poderia estar aposentado, mas diz que o trabalho é um dos segredos para sua saúde e longevidade. “Acho que o trabalho é bom para a saúde da gente. Enquanto a gente tiver força para trabalhar, a gente trabalha.”

Damião mora em um apartamento simples na cobertura do prédio, com o filho mais novo, que está cursando o pré-vestibular. Na infância, ele próprio só completou o ensino fundamental – teve que começar a trabalhar na roça aos dez anos para ajudar a levar comida para casa. Hoje, seu filho mais velho está fazendo pós-doutorado em Física nos Estados Unidos. “Nada mal para filho de porteiro”, diz, orgulhoso.

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