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Posts tagged Rio de Janeiro

Lázaro Ramos e Lilia Schwarcz abrirão a Flip 2017

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Lázaro Ramos: leitura de trechos da obra de Lima Barreto - Bia Lefevre / Divulgação

Lázaro Ramos: leitura de trechos da obra de Lima Barreto – Bia Lefevre / Divulgação

 

Ator lançará livro sobre sua trajetória de ator e historiadora apresenta sua biografia de Lima Barreto

Publicado em O Globo

RIO – As atrações da abertura da 15ª Festa Literária de Paraty, que acontece entre os dias 26 e 30 de julho, foram anunciadas hoje pela organização do evento. Lima Barreto, o autor homenageado da festa, estará presente na voz do ator Lázaro Ramos, que lerá trechos de suas obras, durante uma apresentação ilustrada pela historiadora Lilia Schwarcz. A direção de cena ficará a cargo de Felipe Hirsch, responsável por espetáculos como “Puzzle” e “A tragédia latino-americana”.

Conhecido por interpretar personagens marcados por suas condições sociais e raciais, como Zumbi do Palmares e Madame Satã, Lázaro Ramos também lançará no festa o seu livro “Na minha pele”, no qual aborda a sua trajetória como ator negro.

Lilia Schwarcz levará a Paraty seu novo olhar sobre o autor homenageado, resultado de pesquisa de mais de uma década que gerou a biografia “Lima Barreto, triste visionário”, que será lançada em junho.

‘Minha terra tem horrores’: versão de poema feita por alunos do Rio causa comoção nas redes sociais

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‘Canção do exílio’, escrita há 170 anos por Gonçalves Dias, foi parafraseada em escola estadual e ganhou tons trágicos. ‘Me leve para um lugar tranquilo, onde canta o sabiá’, diz texto.

Nicolas Satriano, no G1

Há 170 anos, o poeta Gonçalves Dias escrevia a “Canção do exílio”. A poesia atravessou as décadas e foi parafraseada inúmeras vezes. É comum, por exemplo, que na escola professores proponham o exercício aos seus alunos. Nos últimos dias, circula em redes sociais a reprodução de um dos textos elaborado por dois estudantes da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A versão carioca rapidamente comoveu a web: expõe, de modo poético, a triste realidade de quem vive em meio à violência que mata inocentes diariamente – inclusive dentro de colégios, como na morte da menina Maria Eduarda.

Paráfrase de poesia narra violência na Penha (Foto: Reprodução )

Paráfrase de poesia narra violência na Penha (Foto: Reprodução )

No texto, não por acaso, os adolescentes escolhem repetir uma das frases da obra original de Gonçalves Dias: “Não permita Deus que eu morra”.

“Minha terra é a Penha, o medo mora aqui. Todo dia chega a notícia que morreu mais um ali. Nossas casas perfuradas pelas balas que atingiu (sic). Corações cheios de medo do polícia que surgiu. Se cismar em sair à noite, já não posso mais. Pelo risco de morrer e não voltar para os meus pais. Minha terra tem horrores que não encontro em outro lugar. A falta de segurança é tão grande, que mal posso relaxar. ‘Não permita Deus que eu morra’, antes de sair deste lugar. Me leve para um lugar tranquilo, onde canta o sabiá”, escreveram os estudantes.

O G1 tentou contato com os alunos, professores e diretor da escola por meio da Secretaria de Estado de Educação. Em resposta, a Seeduc informou que os docentes e estudantes estavam receosos de tratar do tema e não aceitaram os pedidos de entrevista.

A Penha, assim como outros bairros da Zona Norte da cidade, têm traduzido em números os casos de violência. Comparados os meses de fevereiro de 2016 e 2017, os casos de homicídios dolosos – quando se tem a intenção de matar – dobraram, de três para seis casos, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública. Os números de roubos de veículos na área também assustam. Os índices saltaram de 35 casos registrados no ano passado para 79 este ano.

Caos na segurança invade escolas

O texto dos alunos da escola na Penha transparece o caos na segurança estadual que invade as instituições de ensino. Na última quinta-feira (30), a aluna Maria Eduarda, 13 anos, foi morta por balas perdidas enquanto estava na aula de educação física, na Escola Municipal Jornalista Daniel Piza, em Acari. Dois tiros na base do crânio da adolescente foram apontados em laudo como a causa da morte.

Em resposta à morte da aluna da rede municipal, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou que irá blindar escolas em zonas de conflito. Uma argamassa especial para reforçar as paredes já teria sido importada pelo Município. Além disso, a prefeitura também quer que operações policiais próximas a colégios sejam informadas com antecedência à administração municipal.

Na semana seguinte, mais um caso. Nesta quarta-feira (5), criminosos armados fugiam de PMs do Batalhão de Choque que estavam em operação na comunidade da Mangueira, pularam o muro do Zoológico do Rio e entraram no pátio da Escola Municipal Mestre Waldemiro, já em São Cristóvão. A movimentação assustou alunos e professores. As quase 400 crianças que estudam na unidade têm entre 4 e 12 anos.

Escola da rede estadual é referência em ensino bilíngue

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 Ciep 449 foi a primeira escola pública de Ensino Médio bilíngue criada no Brasil Foto: Divulgação

Ciep 449 foi a primeira escola pública de Ensino Médio bilíngue criada no Brasil
Foto: Divulgação

 

Publicado em O São Gonçalo

O Ciep Governador Leonel de Moura Brizola (Intercultural Brasil-França), localizado em Niterói, é referência em ensino bilíngue de Português e Francês. A escola oferece aos seus estudantes uma grade curricular diversificada, além de aulas de Biologia e Meio Ambiente no idioma francês. O colégio, que pertence à Secretaria de Educação, é uma das três unidades de ensino da América do Sul que recebeu o selo de qualidade Label France Éducation, concedido a escolas que promovem uma metodologia de excelência da Língua Francesa.

“Em todo o mundo, 158 instituições têm este selo, incluindo o Ciep 449. Isso é motivo de orgulho para os estudantes e toda a equipe desta escola”, afirmou o secretário de Educação, Wagner Victer.

Fruto de uma parceria entre a secretaria e a Académie de Créteil, com apoio do Consulado Geral da França, o Ciep 449 foi a primeira escola pública de Ensino Médio bilíngue criada no Brasil. Para receber o selo, a unidade atendeu a critérios como excelência no ensino da Língua Francesa, plano de formação pedagógica de qualidade para os professores, comprovação de qualificação, diplomas e nível de proficiência dos professores nas classes bilíngues, presença de ao menos um professor francófono com diploma reconhecido, ambiente francófono (recursos educativos, parceiros escolares, jornadas linguísticas e culturais francófonas), entre outros aspectos.

“Apresentamos nossa candidatura por meio do consulado e preenchemos todos os requisitos. Entre eles estão a qualidade de nossos profissionais, pois temos uma equipe de professores com mestrado e doutorado. Também há o Ateliê Científico, onde nossos alunos aprendem Biologia em francês”, explicou a professora do idioma, Danielle Pascotto, doutora em Literatura Francófona e Língua Francesa.

Ser selecionado para receber o selo de qualidade traz uma série de benefícios para a escola. São eles: acesso a serviços de reforço na qualidade do ensino; possibilidade de ajuda financeira para projetos de inovação pedagógica; oferta cultural online; visibilidade da escola; e troca de informações e contatos com as outras escolas selecionadas, por meio do site labelfranceducation.fr.

Intercâmbios

O Ciep 449 também realiza intercâmbios culturais. Em 2016, 38 alunos franceses e cinco professores acompanhantes passaram duas semanas no Brasil, assistindo aulas e participando de atividades propostas pelos professores brasileiros. No final de janeiro e início de fevereiro deste ano, professores e 23 alunos do Ciep viajaram para a França. A cada ano, uma professora brasileira leciona por 10 meses na escola Collège International de Noisy-le-Grand, em Noisy-le-Grand, na França.

Esta biblioteca comunitária de Nova Iguaçu está formando pequenos grandes leitores

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A Paulo Freire recebe cerca de 370 crianças por mês. A foto da leitora destaque Lauriene viralizou <3

Ana Beatriz Rosa, no HuffpostBrasil

“Quem lê, viaja.” Esse é o lema da biblioteca comunitária Paulo Freire, localizada no bairro de Rancho Fundo em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, e a frase nunca fez tanto sentido quanto para as crianças da região.

Distante do centro da cidade em que estão localizados outros aparelhos de lazer, os jovens e os adultos de Rancho Fundo fizeram da biblioteca Paulo Freire um espaço compartilhado de histórias, de aprendizados e de atividades.

O espaço faz parte da rede Baixada Literária que contempla outras 6 bibliotecas mantidas por instituições sociais e culturais no município carioca.

O movimento surgiu da necessidade de ampliar a possibilidade de se ter cada vez mais leitores nas zonas periféricas das grandes cidades e, apenas na Paulo Freire, são 345 leitores cadastrados.

Mas quem dá vida ao espaço são realmente os pequenos. Cerca de 370 crianças frequentam mensalmente o espaço compartilhado e podem usufruir dos livros, computadores e atividades organizadas no local.

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Foi a história de uma pequena grande leitora que chamou a atenção da internet. Lauriane, de apenas 7 anos, foi eleita como a “leitora do mês” da biblioteca, já que finalizou 23 títulos. A sua foto com a plaquinha-prêmio toda orgulhosa viralizou.

De acordo com Jane Faro, mediadora de leitura da instituição, a ideia não era fazer “propaganda” da pequena, mas sim incentivar as outras crianças.

“A foto era para servir como um incentivo para ela e para as outras crianças. A ideia era fazer com que os outros também quisessem se tornar leitores de destaque e assim ampliar o contato deles com os livros. Nós adoramos a repercussão, mas ficamos surpresos!”

Segundo a mediadora, o principal público da Paulo Freire são os jovens de 6 a 18 anos. Por estar localizada em uma região pobre e carente de infraestrutura, a biblioteca possui um papel social importante na comunidade.

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“Nós procuramos fazer atividades semanais aqui. Temos as rodas de leitura, os jogos e os laboratórios sobre o uso seguro da internet, nos quais até os pais participam. Mas o foco é sempre no manuseio dos livros. Adaptamos brincadeiras do cotidiano para o universo literário. Por exemplo, fazemos a batalha naval das obras e assim as crianças aprendem sobre os gêneros, os autores as ilustrações. Quando eles chegam aqui e não tem alguma atividade programada, eles cobram da gente. Então é realmente uma biblioteca diferente. Aqui o silêncio dá espaço para a vida dessas crianças.”

Entre os títulos favoritos, as histórias em quadrinhos, principalmente os gibis da Turma da Mônica, fazem sucesso entre a garotada. Jane confessa que é díficil escolher o preferido das crianças, mas disse que vai fazer uma pesquisa para conhecer melhor o gosto literário de cada um.

A biblioteca nasceu para atender a necessidade de alunos e professores das escolas públicas do bairro. Além de um acervo para adultos e crianças, o espaço também tem um acervo focado em pesquisas escolares.

De acordo com Jane Faro, atualmente são emprestados cerca de 450 títulos por mês, entre materiais didáticos e livros.

A disposição da comunidade em fazer as histórias acontecerem está transformando a região e a biblioteca Paulo Freire.

Viagem inédita de Herman Melville ao Brasil inspira romance

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Alessandro Gianini, em O Globo

SÃO PAULO — Em agosto de 1843, Herman Melville, então com 24 anos, embarcou em Honolulu na fragata da Marinha americana USS United States rumo a Boston. Na viagem que se seguiu, com duração de 14 meses, até outubro de 1944, o marujo Melville passou, entre outras paragens, pela costa brasileira, onde a embarcação que tripulava se deteve próxima do Rio de Janeiro e até foi visitada pelo imperador Dom Pedro II. Todo o périplo do serviu como inspiração para o romance “Jaqueta Branca ou O mundo em um navio de guerra”, que a editora Carambaia publica pela primeira vez no Brasil.

O romance traz no título o apelido do personagem principal e narrador, um marujo identificado pela jaqueta branca que confeccionou para se proteger do frio e que também simboliza a relação ambígua de Melville com relação às condições de vida e trabalho dos marinheiros à época. O escritor, que lançaria “Moby Dick” alguns anos depois, escrevera o livro em apenas dois meses para tentar fazer algum dinheiro, motivado pela experiência em alto mar e também para denunciar o que considerava um ambiente desumano.

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— “Jaqueta Branca” foi um livro que teve pouca atenção quando lançado, e foi devidamente valorizado depois da morte de Melville. Pensei muito no que pode ter contribuído para o ineditismo da obra em língua portuguesa, dada a beleza literária com que Melville relata sua passagem pelo Rio e paragem na Guanabara, e o valor histórico e cultural do livro — diz o tradutor Rogério Bettoni, que assina também a nota introdutória da edição.

No capítulo 50, intitulado “A baía de todas as belezas” Melville faz uma ode às belezas naturais do Rio: “Eu disse que deveria passar pelo Rio sem maiores descrições, mas neste instante sou invadido por uma torrente de lembranças tão aromáticas que só posso ceder e me retratar enquanto inalo essa atmosfera almiscarada. Um cinturão de mais de 150 milhas de montanhas verdejantes cinge uma vastidão translúcida, tão cravejado de serras de relva que entre as tribos indígenas o lugar era conhecido como ‘A água oculta’”.

Um dos primeiros livros a ser escolhido pelos editores Graziella Beting e Fabiano Curi para ser traduzido e editado na origem da Carambaia, “Jaqueta branca” foi o que mais deu trabalho se comparado aos outros títulos do catálogo. Para além dos termos náuticos e gírias da marujada, Bettoni destaca uma dificuldade estilística:

— É nítido que se trata de um livro autobiográfico, que relata um episódio específico da vida de Melville: o momento em que entra no navio para iniciar o longo trajeto de volta para casa, a torna-viagem, como ele diz algumas vezes. E a gente nunca sabe quem ele foi, de onde veio, qual sua existência fora do navio. Então é autobiografia? É relato de viagem? É romance? É um diário sem entrada de datas? É tudo isso ao mesmo tempo. Não deixar a tradução com cara de uma coisa só é um desafio, bem como não escrever um texto que soe moderno demais, muito menos uma tradução que pareça escrita por algum escritor da época, tarefa impossível ou por demais anacrônica — completou.

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