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Alunos do ITA fazem a primeira paralisação da história do instituto

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Eles reivindicam reforma nos sistemas avaliativo e pedagógico; reitor promete atender

Estudantes do ITA protestam durante a primeira paralisação da história do instituto Divulgação/Fotografita

Estudantes do ITA protestam durante a primeira paralisação da história do instituto Divulgação/Fotografita

Lauro Neto em O Globo

RIO — Alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, em São José do Campos (SP), fizeram a primeira paralisação da história da instituição, nesta terça-feira (27). Os estudantes reividicam uma reforma nos sistemas avaliativo e pedagógico, entre outras reclamações. Um dos cartazes do protesto trazia dizeres como “Não é Bin Laden, é professor do ITA”. O reitor Carlos Américo Pacheco se reuniu com os alunos e professores e, em entrevista ao GLOBO, prometeu atender parte das demandas ainda neste semestre. Nesta quarta (28), as atividades voltaram à normalidade.

Segundo o presidente do Centro Acadêmico Santos Dumont (Casd), Marcus Gualberto Ganter, a paralisação foi aprovada em assembleia geral na semana anterior. Em nota (leia a íntegra aqui), o Casd informa que entre as reivindicações estão a abertura de sindicância para casos críticos e abusos evidentes por parte de professores; afastamento de docentes se for de concordância unânime dos alunos; e presença dos estudantes na Comissão de Verificação de Aproveitamento Escolar, com ampla defesa.

De acordo com Ganter, algumas propostas do Casd precisam de atendimento imediato, como a maior transparência na divulgação da nota númerica, quantificação da distribuição de pesos entre as questões e esclarecimento dos critérios de correção.

— Decidimos paralisar as atividades pedindo mudanças tanto no sistema pedagógico quanto no processo avaliativo. Próximo à paralisação, o reitor pediu para chamar os professores para debater os problemas junto a eles. A reunião foi muito positiva. Muitos professores não tinham ideia do quão desmotivados os alunos estavam. Já tínhamos tratado dessas reivindicações antes, mas sem um resposta mais efetiva e um prazo da direção. Com a paralisação, tivemos a palavra do reitor de que haveria a formação de um grupo de trabalho para dar encaminhamento a 90% dessas reivindicações — diz Ganter, que tem 23 anos e está no 4º ano de Engenharia Mecânica Aeronáutica.

O presidente do Casd esclarece que os alunos são favoráveis ao programa de expansão do ITA, que prevê a duplicação do número de vagas, além de uma série de inovações. No entanto, ressalta que as falhas no no sistema e no modelo atuais devem ser corrigidas em conjunto com a administração o quanto antes. “Se não, passaremos de 600 alunos, para 1.200 desmotivados”. A previsão é de que 50% das novas vagas já entrem no processo seletivo do fim do ano.

— O Casd e os alunos são a favor da duplicação e temos um otimismo muito grande em relação à expansão. Mas não deixamos de estar desmotivados agora. Se nada for feito em relação ao sistema pedagógico e não melhorar a didática, a prática de engenharia, não adianta ampliar o alojamento. Temos que corrigir as falhas que existem o mais rápido possível — acrescenta Ganter.

Carlos Américo Pacheco, reitor do ITA, reconheceu que a maior parte das reivindicações dos alunos é convergente com a agenda da instituição e será atendida. Ele explicou que o instituto passa por uma reformulação, que inclui a parceria com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e, por isso, a reforma do sistema educacional já está prevista, mas demanda tempo.

— A agenda dos alunos é bastante pragmática, de coisas menores. A reforma é mais ampla, de tentar mudar a abordagem do ensino da engenharia. Boa parte das reivindicações dos alunos é fácil de atender no curto prazo. O ITA tem um regime muito duro de avaliação. É muito difícil entrar na escola. O questionamento maior são de poucos casos, um em cada curso, em que há uma sobrecarga de trabalho ou critérios de avaliação pontuais. Eles reclamam do regime muito duro no conjunto: carga e pressão muito grandes. Boa parte do que foi conversado vamos ver como operacionalizar ainda este semestre — afirma Pacheco.

O reitor antecipa que já em setembro haverá um curso de pós-graduação em conjunto com MIT na área de transporte aéreo, com intercâmbio de professores e alunos entre as duas instituições.

— Será um curso experimental: vão 13 alunos de graduação e outros de pós. Do pessoal de civil e aeronáutica, todo mundo vai fazer. A ideia é que consigamos um jeito de financiar que todos passem pelo menos uma semana lá. A escola precisa renovar sua forma de ensinar. Temos tido sucesso na formação de bons profissionais, mas podemos fazer melhor e nos adaptar a um perfil da nova geração Y, mais conectada ao mundo, sem perder as qualidades da formação técnica. O desafio é como despertar a curiosidade científica independente do sistema de cobrança, como produzir qualificações usando processo pedagógico diferente — reconhece Pacheco. — No acordo com o MIT a partir do ano que vem, um dos componentes é o reexame do código de educação do engenheiro.

Universitária em cadeira de rodas perde aula por falta de acesso

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Estudante de Arquitetura da Unifor, em Fortaleza, fica impedida de chegar à sala porque rampa do prédio é íngreme demais
Relato de aluna no Facebook ganha apoio de milhares de internautas

William Helal Filho em O Globo

Lorena diante da rampa de acesso ao prédio Reprodução do Facebook

Lorena diante da rampa de acesso ao prédio Reprodução do Facebook

RIO – A estudante Lorena Melo Martins, de 22 anos, faz faculdade de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Fortaleza (Unifor), mas está enfrentando dificuldades para frequentar o curso devido aos problemas de acessibilidade do prédio, na capital do Ceará. Ela passou por uma operação no joelho e, obrigada a usar uma cadeira de rodas, não consegue chegar à sala de aula porque a rampa até o segundo andar é íngreme demais. Depois de perder várias aulas, a aluna fez um relato sobre seu drama no Facebook. O post já tem mais de 6,2 mil compartilhamentos e 170 comentários.

“Todos os dias venho pra aula e não consigo chegar nas salas de aulas por causa da péssima acessibilidade da universidade”, conta ela, antes de descrever com detalhes os diversos apelos feitos à Unifor e os constragimentos que sofreu. “Já me humilhei, chorei e perturbei as pessoas aqui na universidade por uma coisa que é minha de DIREITO! Não só minha, mas de TODOS!”.

De acordo com seu texto na rede social, Lorena pediu à coordenadoria do curso para passar sua turma a uma sala no térreo. Mas, em vez disso, a direção deixou à disposição três pessoas para ajudá-la a subir a rampa todos os dias. No começo, deu certo, ainda que de mal jeito, mas, nesta segunda-feira (12), a aluna chegou ao local no horário certo e não havia ninguém para ajudar. Depois de um telefonema, veio um funcionário.

“O segurança demorou 20 minutos pra chegar. Mesmo assim, ele não conseguiu me levar, pois tenho 1,80m e sou gorda. Impossível subir a rampa do bloco C”, critica a estudante, que perdeu a aula nesse dia. “Já é a terceira semana de aula que começo perdendo”.

O direito de ir e vir é de todo brasileiro, previsto no Artigo 5 da Constituição Federal. A Lei de Acessibilidade, criada em 2004, exige que toda construção de uso coletivo ofereça facilidades a cadeirantes. De acordo com o arquiteto Arthur Fortaleza, da Unifor, a faculdade tem cerca de 20 blocos. Nove deles foram construídos em 1972. Nestes, as rampas de ligação com os andares superiores são mais íngremes do que as demais. Os alunos sentem a diferença mesmo caminhando. Para pessoas em cadeira de rodas, ele reconhece, é bem complicado.

– Até o momento, todos os problemas que aconteceram por causa das rampas haviam sido contornados, com mudanças de salas. Mas isso não foi possível neste caso. Estamos para apresentar à diretoria um plano que prevê melhorias na acessibilidade do campus – diz Artur.

Já a estudante termina seu relato com um desabafo.

“Enfim, a Unifor é uma das maiores universidades particulares do Nordeste, é um local de uso coletivo, ou seja, tem OBRIGAÇÃO de ser acessível. Amigos arquitetos e estudantes da Unifor, gostaria de pedir a ajuda de vocês para, juntos, termos uma universidade acessível para todos. Isso é NOSSO direito!”

“A carreira de professora é a que dá maior gratificação amorosa”

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Aos 96 anos, Dona Cleo, xodó dos amantes da literatura, abre sua biblioteca, recita de cabeça poemas de Fernando Pessoa e dá uma lição de sensibilidade e energia

Foto: Wilton Júnior/Estadão

Foto: Wilton Júnior/Estadão

Sonia Racy, no Estadão

Aos 7 anos, Cleonice Berardinelli escreveu seu primeiro poema – definido por ela como “minúsculo e ridículo, naturalmente, próprio de 7 aninhos de idade”. Hoje, aos 96, é uma das professoras de literatura mais reconhecidas e queridas do Brasil. Dona Cleo, como é carinhosamente chamada, brinca ao dizer que é meio carioca, meio paulista e muito portuguesa. Sua relação com Portugal não se restringe à paixão pela literatura de lá – ela é especialista em Camões e Fernando Pessoa –, mas pelos muitos amigos portugueses que ainda cultiva. Alguns, inclusive, fizeram questão de prestigiá-la quando tomou posse na Academia Brasileira de Letras, em 2010. Ela ocupa a cadeira de número 8.
Formada pela USP em 1938, é professora emérita da UFRJ e da PUC do Rio. Foi orientadora de 74 dissertações de mestrado e 42 teses de doutorado. É unânime. Zuenir Ventura, seu ex-aluno, a apelidou de “divina Cleo”. E de Carlos Drummond de Andrade ganhou poema, cujos versos dizem: “Até Fernando Pessoa, com respeitoso carinho/ trago pois, minha oferenda/ de bem humilde vizinho/ nesta ensancha prazenteira/ a justiça que me impede/ à genuína fazendeira/ Cleonice Berardinelli.”

Recentemente, atraiu olhares de todo o Brasil ao dividir uma mesa, na Flip, com sua mais nova fã, Maria Bethânia. Durante uma hora e meia, leram poemas de Pessoa selecionados por Dona Cleo. A simpatia do público pelo carisma da professora foi imediata. O carinho foi retribuído nos autógrafos de seu novo livro, Antologia Poética, na mesma noite. “Fiquei exausta, mas virei notável, foi um sucesso”.

A professora recebeu a coluna, em seu apartamento, em Copacabana, na zona sul do Rio, antes da vinda do papa Francisco ao Brasil. Católica, ela se disse contente. “Ele é de uma falta de atavios, uma simplicidade impressionante. E escolheu o nome de Francisco. Amo a oração de Francisco”, diz.

No seu escritório, montou uma biblioteca – batizada de “Galeria Camões”. Os livros, diz, deixará para a Academia Brasileira de Letras, para que sejam bem cuidados. Além deles e das inúmeras fotografias dos netos e bisnetos espalhadas pela biblioteca, Dona Cleo coleciona uma séria de prêmios e honrarias, acumulados ao longo de sua carreira: “Das profissões, professora é a que dá mais gratificação amorosa. Tenho mais de mil ex-alunos”.

Ela impressiona pela memória. Não esquece um verso de qualquer poeta, recitando tudo de cor. A boa saúde, explica, tem dois grandes motivos: a família e a religiosidade: “Tenho conversas particulares com o pai do céu. Enquanto eu estiver vivendo como estou… eu gosto de viver”.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

A mesa da última Flip de que a senhora participou junto com Maria Bethânia, sobre Fernando Pessoa, foi um sucesso. Como vocês duas se conheceram?

Faz um tempinho. Júlio, nosso mediador na Flip e meu ex-aluno, me disse que Bethânia queria que eu olhasse uma seleção de poemas do Fernando Pessoa, feita por ela, para um show. Fui assistir ao espetáculo, fui ao camarim cumprimentá-la. E foi assim que a conheci. Sobre os poemas, ela pediu que eu escolhesse. Ela é de um grande carinho e delicadeza comigo.

E então nasceu uma amizade?

Mais ou menos. Começamos a nos encontrar em muitas homenagens. No Conselho Federal de Educação, na Sociedade Hebraica do Rio de Janeiro, em Portugal. E brinquei com ela que estávamos habituadas a receber prêmios juntas.

Foi difícil fazer uma seleção de poemas de Pessoa para a Flip?

É como tirar pedaços seus, levar e deixar outros pedaços. Mas como escolhemos muitos, não foi tão doído. Mandei para ela com um bilhetinho assim: “Para Bethânia, com a condição de que, corte, acrescente, altere à vontade”. Então, foi engraçado, porque ela tem umas cisma. Por exemplo, ela não diz a palavra “desgraça”.

Não?

Não. E iríamos ler um poema muito bonito que diz assim: “…ou desgraça, ou ânsia – Com que a chama do esforço se remoça/ E outra vez conquistemos a distância/ Do mar ou outra, mas que seja nossa.” Daí ela me disse “Dona Cléo: eu não falo essa palavra”. E eu emendei, dizendo que não tinha importância. Poderíamos trocar por “desgraça” ou por “miséria”. Então mantivemos um poema de que eu gosto muito (risos).

Maravilhoso. Mas a senhora trocou mesmo?

Sim (risos), tem o mesmo nome – “miséria”, “desgraça”. Mesmo lugar de acentuação, não ia estragar o poema. Então, lá ficou.

A senhora já afirmou que não gostaria de ser uma heterônima do poeta, porque o Fernando Pessoa foi muito triste.

Acho que ele foi, de um modo geral, uma pessoa tendendo mais à infelicidade. Dos heterônimos, o mais “contentinho” é o Alberto Caeiro. O Ricardo Reis não é nem isso nem aquilo, é o equilíbrio.

Por que a senhora acha que os leitores têm mais dificuldade com Ricardo Reis?

É uma poesia muito reflexiva, inteligente e, às vezes, um pouco difícil de entender. Possui uma sintaxe alatinada, mas é interessante.

A senhora é bem religiosa. O que acha da religiosidade na obra de Fernando Pessoa?

Tem o poema em que ele fala sobre o Menino Jesus. Esse poema é uma faca de dois gumes. De um lado, começa lindo, quando ele diz “Um meio dia de fim de primavera/ Tive um sonho como uma fotografia/ Vi Jesus Cristo descer à terra”. E ele fazia isso, fazia aquilo. E é uma gracinha o menino Jesus, chapinhando na lama, aquela coisa toda que é de uma delicadeza altamente poética. Principalmente no fim, quando ele diz: “Quando eu morrer, filhinho/ Seja eu a criança, o mais pequeno/ Pega-me tu no colo. E leva-me para dentro da tua casa”. Mas há passagens que são de uma grosseria horrível, por exemplo, quando o texto diz que o espírito santo é uma pomba suja, que suja as cadeiras todas do padre eterno. Quer dizer, eu acho isso de mau gosto. Não dava esse poema, em classe, justamente por causa disso.

Fernando Pessoa se dizia cristão agnóstico, Dona Cleo?

Ele não era de religião nenhuma, era uma pessoa metafísica, sem dúvida. Queria o antes e o depois. Isso está na poesia dele. O Alberto Caeiro, por exemplo é o guardador de rebanhos. O rebanho são os meus pensamentos. E os meus pensamentos são todos sensações. Com as mãos, os pés, os olhos, os ouvidos, etc. É o homem das sensações. Depois ele diz: “Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia/ Não há nada mais simples / Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte”.

Como católica, o que a senhora acha do papa Francisco?

E é de uma falta de atavios, de uma simplicidade… Repare. Não quis avião especial, não quis regalias. E São Francisco é um santo maravilhoso, foi muito bem escolhido esse nome dele. Se tem uma coisa que eu gosto é a oração de São Francisco. Você conhece essa?

Sim.

A oração diz assim: “Senhor fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão”. É feita de antinomias. Eu acredito, justamente, que esse papa vai trazer tudo isso. Ele se inspirou em São Francisco porque esse é o sonho dele. Que ele seja para todos e de todos. E eu digo: tomara.

Quando foi que a senhora se descobriu professora?

Desde que eu entrei para a faculdade, com Fidelino de Figueiredo. Queria ser como ele. Claro que nunca cheguei lá. Mas era um homem de uma cultura enorme.

Qual para senhora é a maior emoção de dar aula?

É a profissão que dá mais gratificação amorosa. Eu encontro, em todo lugar, algum ex-aluno. É um clã, uma coisa imensa. Tenho mais de mil. Comecei dando aula particular, depois passei para colégios. Em um deles, introduziram o latim nas turmas. E eu fui parar nisso. Adoravam as aulas de latim.

A senhora acredita que o latim faz falta na grade escolar hoje em dia? Principalmente por conta da etimologia das palavras?

Eu acho mesmo, a etimologia! É uma coisa automática. Quando me deparo com uma palavra que não conheço, digo: espera aí! Como é que ela é formada? Agora mesmo eu estou tomando um remédio que se chama Condroflex. Repare: Condro é articulação. Flex, flexibilidade. Esses nomes de remédio são muito bem escolhidos. Então Condroflex é um remédio para dar flexibilidade à minha articulação.

E a senhora se recorda bem de latim?

Ainda lembro. Eu lecionei esse tempo todo, né? E tive a sorte de ter um professor de latim do primeiro colégio, que era um rapaz bem moço, inteligente, que me fez, uma vez, uma dedicatória em latim que dizia: “A primeira entre os primeiros alunos meus, pequena recordação do Professor Aquimo.” Fiquei orgulhosíssima.

A senhora acha que mudou muito o perfil do aluno universitário ou o interesse pelo conhecimento continua o mesmo?

Olha, eu dei aula, em turmas, até uns três anos atrás. É o mesmo interesse.

Dona Cleo, esse ano temos o centenário de Vinicius de Moraes. O que a senhora acha da obra de Vinicius?

Veja, eu não li muito de Vinicius de Moraes, mas do que eu conheço, gosto. Ele foi um grande sonetista. Alguns sonetos são muito lindos, primorosos mesmo. Eu acho que alguns poemas dele têm uns requintes maiores, há muita coisa que é muito bonita e que vale a pena…

O que a senhora recomendaria para quem quer começar a ler poesia?

Mostre a ela o que está dentro daquela poesia. Que às vezes parece meio indevassável. A sensação de “não posso passar daqui, não estou entendendo nada”. Porque há poesia difícil, mas há poesia fácil também. A do Vinicius, por exemplo, não é das mais difíceis, é bem acessível. /MARILIA NEUSTEIN

Universitários organizam ‘saiaço’ em congresso estudantil

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Alunos da Unicamp e de outras instituições vestirão a peça para protestar contra a homofobia
Manifestação vai acontecer em evento da União Estadual dos Estudantes, em São Paulo, este fim de semana

O estudante da Unicamp, André de Oliveira (camiseta amarela) e amigos em uma das mobilizações feitas no ano passado Reprodução de internet / Facebook

O estudante da Unicamp, André de Oliveira (camiseta amarela) e amigos em uma das mobilizações feitas no ano passado Reprodução de internet / Facebook

Eduardo Vanini, em O Globo

RIO – Estudantes de diferentes universidades estão se organizando para fazer um “saiaço” durante o Congresso da União Estadual dos Estudantes, em Ibiúna (SP), este sábado. Homens e mulheres vestirão saias para atrair olhares de toda a sociedade para o combate à homofobia e ao machismo. A convocação, feita pelo Coletivo Feminista Rosa Lilás, já conta com adesão de estudantes de Unicamp, Unesp, USP e UFSCAR, entre outras instituições.

Os “saiaços” se tornaram a forma mais recente de protesto contra homofobia em escolas e universidades. Alunos da USP realizaram uma manifestação em maio, assim como estudantes do Colégio Bandeirantes, em São Paulo.

O coordenador do DCE da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), André de Oliveira Ferrera, de 27 anos, é um dos participantes confirmados. Estudante de Química, ele não tem qualquer problema em usar saia, já tendo participado de outras duas manifestações do tipo.

— Percebemos que saciedade recebe esse comportamento com estranheza justamente por ser machista. E nosso objetivo é fazer com que as pessoas percebam como a opressão machista é ruim e precisa ser combatida — justifica.

Segundo a coordenadora do DCE e membro do coletivo feminista, Diana Nascimento, de 23 anos, os participantes devem usar a peça durante todo o dia e, ao final das atividades do congresso, haverá uma reunião para um bate-papo. Diana, que cursa Ciências Sociais na Unicamp, espera que a mobilização desperte a curiosidade de toda a sociedade para os temas em questão.

— Já fizemos três manifestações como esta desde o ano passado. Desta vez, queremos chamar a atenção da população para importância de se questionar políticos como o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC), que propaga a homofobia e preside Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados — explica Diana, acrescentando que essa temática precisa, inclusive, ganhar mais espaço dentro do próprio movimento estudantil.

Histórico

No ano passado, alunos da Unicamp já haviam lançado a campanha “Tirem suas saias do armário”, em um ato em memória do jornalista e militante da causa LGBT Lucas Cardoso Fortuna, que foi assassinado. Em maio deste ano, discentes da Universidade de São Paulo (USP) usaram a peça típica do vestuário feminino, enquanto alunas usaram gravatas, em apoio a um estudante de moda que foi ofendido pela internet depois de ir a aula usando saia.

Também em São Paulo, estudantes do ensino médio do Colégio Bandeirantes vestiram a peça depois de um jovem ter sido impedido de assistir aula por estar usando saia e outro ser suspenso pelo mesmo motivo. A manifestação também chegou à Universidade Federal do Amazonas, no começo deste mês, em uma ação contra os padrões convencionais de comportamento sexual.

Em apostilas de escolas do Rio, soma de 173 com 100 dá 253

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Lucas Vettorazzo, na Folha de S.Paulo

Na rede municipal de ensino do Rio, a soma de R$ 173 com R$ 100 dá R$ 253 e a de R$ 173 com R$ 10 é igual a R$ 283.

Esses são os resultados apresentados em uma apostila de matemática distribuída aos professores do quinto ano do ensino fundamental, com os gabaritos dos exercícios já impressos.

A apostila a qual a Folha teve acesso apresenta ao menos mais um erro, em outra questão. Nela se pede ao aluno que represente numericamente uma quantia apresentada por extenso. Na resposta, dezoito mil e quarenta e sete vira 12.047.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que envia erratas sempre que encontra incorreções no material e que é opcional o uso das apostilas com as respostas pelos professores.

Não é a primeira vez que apostilas da rede municipal apresentam problemas. Em maio, descobriu-se que material distribuído aos alunos do quinto ano “ensinava” que a capital de Pernambuco é Belém e a da Paraíba, Manaus.

A questão, de matemática, pede que o aluno calcule as distâncias e o tamanho entre cidades brasileiras. Os erros estão no quadro que acompanha o enunciado. Nele, estão discriminados nove Estados brasileiros, com suas siglas, nomes, capitais e tamanhos em quilômetros quadrados.

Nos dois primeiros Estados indicados -Pernambuco, cuja capital é Recife, e Paraíba, cuja capital é João Pessoa- há equívocos. Um terceiro erro está na sigla do Estado da Paraíba: PA (que é a sigla do Pará), em vez de PB, a correta.

NÃO TEM PREÇO

A Folha encontrou também propaganda da MasterCard inserida em um exercício de uma apostila de leitura para ilustrar uma questão de interpretação de texto.

A peça publicitária é da campanha “Vida real 10×0 Videogame: Não tem preço”, na qual filhos de clientes podem concorrer a entrar em campo de mãos dadas com jogadores de futebol de times cariocas. A questão pergunta, entre outras coisas, o significado do texto publicitário.

As apostilas são distribuídas a cada início de bimestre para os 683.449 alunos da rede municipal do Rio.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação do Rio afirmou que encaminha erratas para as escolas sempre que encontra incorreções no material e que o uso das apostilas é facultativo para os professores.

A produção, afirma o texto, é feita com a supervisão de sua área técnica e de consultores de áreas das principais universidades federais do Rio.

Sobre a publicidade no caderno de leituras, a pasta diz que a “orientação é para que os cadernos abordem a realidade e o cotidiano da cidade, do país e do mundo, com todos os tipos de linguagem e gênero, e questões que trabalham leitura de não ficção em todas as disciplinas a partir de assuntos tratados pela mídia”.

A secretaria ressaltou ainda que o Ministério da Educação utiliza o trabalho com propaganda no chamados descritores da matriz de referência da Prova Brasil, que avalia o desenvolvimento da educação no país, e está presente nas chamadas orientações curriculares do ministério.

A MasterCard informou que “não utiliza, em hipótese alguma, materiais didáticos como veículos de mídia para suas campanhas publicitárias e não teve envolvimento na publicação do anúncio em questão”.

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