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Conheça a jovem que concilia a limpeza de banheiros de bar no Rio com a leitura: ‘Ler é ótimo’

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Cleo Guimarães, em O Globo

Beatriz Costa tem 18 anos e adora ler. Gosta tanto que consegue conciliar o trabalho como limpadora de banheiros do bar Belmonte, no Flamengo, com a leitura dos livros que ela pega emprestado de uma vizinha do Complexo da Maré, onde mora. “Aproveito as brechas entre os clientes que usam o banheiro, ler é ótimo e faz o tempo passar”, diz.

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Ela trabalha há três meses no bar e conta que, de lá pra cá, já leu mais de dez obras, de vários autores — no momento, está devorando “A menina que roubava livros”. A cena ao lado, de Beatriz lendo num banquinho ao pé da escada, é frequente, e tanto clientes quanto patrões dão força para que se repita sempre.

Primavera Literária começa na quinta-feira no jardim do Museu da República

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Raquel Menezes, presidente da Libre, e Mariana Warth, diretora da organização - Divulgação

Raquel Menezes, presidente da Libre, e Mariana Warth, diretora da organização – Divulgação

 

Feira das editoras independentes chega a 16ª edição com debates e oficinas

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – Todos os anos as editoras independentes montam suas bancas no Museu da República, no Catete, para a mais democrática das feiras literárias do Rio de Janeiro. Na sua 16ª edição, que acontece entre os dias 17 e 20 de novembro das 10h às 21h, a Primavera Literária vai levar não só livros, mas também debates, oficinas, workshops e uma praça de alimentação formada por food bikes aos jardins do palácio. O evento é o principal encontro das casas pequenas e médias que fazem parte da Liga Brasileira de Editoras (Libre). Raquel Menezes, editora responsável pela Oficina Raquel e presidente da Libre, ressalta que a feira é a grande oportunidade das editoras menores apresentarem os seus catálogos ao grande público. A bibliodiversidade, que busca garantir a diversidade cultural do mundo do livro, é a grande bandeira da organização.

— A gente diz que trabalha em prol da bibliodiversidade o ano inteiro, conversando com o governo e outras entidades. Mas a Primavera Literária é quando colocamos as nossas ideias na rua. Juntamos a cultura com a venda de livros. Várias editoras têm imensa dificuldade de estar nas livrarias e, na feira, podem apresentar seus catálogos, que são super interessantes. Isso gera uma demanda para as editoras também depois do evento — afirma Raquel.

Neste ano, a presidente da Libre explica que houve mudanças no foco da programação. O número de debates foi reduzido, abrindo mais espaço para oficinas e workshops. Contudo, convidados internacionais também vão marcar presença. O brasilianista francês Jean-Paul Delfino vai participar da mesa “Rio à la française”, na quinta-feira, às 19h, que abordará a presença francesa na cidade, junto com o jornalista Rafael Freitas Silva, autor de “O Rio antes do Rio” (Babilônia Cultura Editorial). Outro destaque da programação é a mesa “Literatura: ferramenta contra o preconceito”, com a psicóloga Jaqueline Gomes de Jesus e Georgina Martins, professora da Faculdade de Letras da UFRJ. No Dia da Consciência Negra (20), haverá um sarau negro comandado pela escritora Sonia Rosa.

Entre as oficinas oferecidas durante o evento, estão a de matemática e literatura, a de produção de zines e a de animação em stop motion. Todas são gratuitas. Já no coreto do jardim vai acontecer o tradicional troca-troca de livros, com apoio da Secretaria municipal de Cultura. Ao longo dos quatro dias, quem levar obras usadas em bom estado poderá trocá-las por outras colocadas à disposição do público. No Espaço Leiturinha, parceria da Libre com o clube do livro infantil Leiturinha, haverá apresentação de peças teatrais e contação de histórias para crianças, além do lançamento de livros. E, pela primeira vez, será montado um lounge para leitura.

— Neste ano, em vez de ter várias mesas de debates, diminuímos para ter mais oficinas e workshops. As pessoas hoje estão buscando uma participação mais ativa nas atividades culturais, não querem ficar só ouvindo — diz a presidente da Libre.

Biblioteca Parque do Centro do Rio recebe clube de leitura com moradores em situação de rua

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Grupo discute obras da literatura brasileira às sextas-feiras Foto: Fabio Guimaraes / Extra

Grupo discute obras da literatura brasileira às sextas-feiras Foto: Fabio Guimaraes / Extra

Publicado no Extra

Paulo César de Paula, de 41 anos, chega a subir o tom de voz quando fala de “O grande mentecapto”, livro de Fernando Sabino. O homem, em situação de rua desde 1998, é pura empolgação quando conta a história do personagem Geraldo Viramundo — que, como ele, é um mineiro andarilho com o sonho de mudar o Brasil. Paulo César é um dos integrantes de um clube de leitura realizado às sextas-feiras na Biblioteca Parque do Centro do Rio, que reúne a população que dorme nas ruas das redondezas.

— Viver na rua não é fácil, não. A gente vem para cá (biblioteca) para ter um espaço de convivência. Aqui, eles tratam a gente igual a lorde — conta o leitor e aspirante a dramaturgo, que trabalha no roteiro de uma peça baseado na obra de Sabino.

Ele conta que nasceu em Belo Horizonte e vive na rua desde 1998. Entre idas e vindas.

Paulo César está escrevendo uma peça baseada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino Foto: Fabio Guimaraes / Extra

Paulo César está escrevendo uma peça baseada em “O grande mentecapto”, de Fernando Sabino Foto: Fabio Guimaraes / Extra

 

— A gente faz umas besteiras na vida, né? Mas nunca me envolvi com droga ou bebida. Em 2010, eu desci para São Paulo e estou desde o fim do ano no Rio. Vim ajudar o pessoal de rua aqui. Sou de movimento social. Estou em tudo quanto é reunião para lutar pelos nossos direitos. A situação aqui no Rio está muito difícil. A política social daqui está mais complicada do que nas outras cidades. Mas lutando a gente consegue as coisas. Não é fácil. Mas se Deus quiser esse ano eu consigo alguma coisa no “Minha casa, minha vida” e saio de vez. Estou torcendo, vou tentar — planeja.

Numa sexta-feira deste mês, o grupo de dez moradores em situação de rua discutia “Capitães de areia”, de Jorge Amado. Religiosidade, Bahia, desigualdade social e colonização foram alguns dos temas discutidos. O discurso dos participantes do debate é marcado por um sentimento de injustiça contra Pedro Bala e outros personagens da obra que vivem nas ruas. Até que o olhar se volta para eles mesmos — e a conversa, agora, é sobre as eleições que estão por vir. O tom é de desesperança.

‘Capitães de Areia, de Jorge Amado, foi debatido no grupo Foto: Fabio Guimaraes / Extra

‘Capitães de Areia, de Jorge Amado, foi debatido no grupo Foto: Fabio Guimaraes / Extra

 

— Ninguém está nem aí para a gente — reclama Paulo César, um dos mais falantes.

O grupo teve a primeira reunião em maio. A auxiliar de biblioteca Ingrid Santos, de 46 anos, trabalha perto do acervo de gibis, que atrai o pessoal de rua. Com a proximidade, convidou um grupo para discutir músicas. Depois de uma série de encontros, um deles pediu um “texto de verdade”. E nasceu a roda de leitura.

Encontro aberto

O encontro é estrategicamente realizado em áreas abertas. Quem passa se interessa. Só naquela sexta, dois novos integrantes se uniram ao grupo no meio das discussões. Dois exemplares da obra discutida são colocados na roda e amplamente manuseados pelos leitores. Ingrid conduz as discussões.

— Eu abandonei uma visão preconceituosa de que existe leitura menor. Aprendi com eles que toda literatura é importante — conta.

Empréstimo de livros

Fábio Moraes é o mediador social do local. Ele é o responsável por fazer do espaço um local integrado. Além da roda de leitura, a Biblioteca Parque também tem um coral com moradores em situação de rua e um encontro semanal de cinema. Fábio ainda criou um cadastro específico para quem não tem endereço fixo. Assim, eles têm carteirinha como qualquer outro usuário — com direito, inclusive, a empréstimo de livros.

— E a taxa de devolução é mais alta do que entre quem tem comprovante de residências — afirma Moraes.

O conceito de Biblioteca Parque nasceu na Colômbia como um espaço de convivência e promoção de cultura em locais degradados. No Rio, a primeira unidade foi inaugurada em Manguinhos há seis anos. Agora, além do Centro, há na Rocinha e em Niterói.

Alessandro dos Santos, de 40 anos, é um dos que fizeram o cadastro especial. Tem o orgulho de ter trabalhado na obra da Biblioteca Parque de Manguinhos. E se sente em casa na do Centro.

— Gosto de ler os gibis, desde criança — opina: — Mas eu recomendo que as pessoas leiam “O Alquimista”, do Paulo Coelho, porque é muito bonito mesmo.

Fábio Moraes explica que o perfil da população em situação de rua mudou. Antes, problemas de saúde e vício eram as principais causas. Agora, segundo ele, a maior parte dessa população é de gente que vem de longe para trabalhar nas ruas do Rio e acaba não voltando para a família.

— O laço com a família vai se perdendo, mas eles mantém a referência de casa — diz.

Preocupção com o futuro do projeto

A continuidade do trabalho, no entanto, preocupa. É que o estado, falido, não tem dinheiro para custear as bibliotecas. Por isso, a Prefeitura do Rio assumiu os custos. O medo é que a próxima administração não continue com o aporte financeiro.

— Tem que ter continuidade. O modelo que trabalhamos funciona — defende a diretora do local, Adriana Karla.

Beija-Flor oficializa enredo sobre o romance Iracema no Carnaval do Rio de 2017

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Estátua de Iracema, na lagoa da Messejana. mauri melo/ o povo

Estátua de Iracema, na lagoa da Messejana. mauri melo/ o povo

 

Neste domingo, 19, será entregue a sinopse aos compositores, no barracão da escola

Publicado em O Povo

Agora é oficial. O romance Iracema, escrito pelo cearense José de Alencar, será enredo da escola de samba carioca Beija-Flor de Nilópolis, no Carnaval 2017. A informação foi divulgada pela assessoria de comunicação na manhã desta sexta-feira, 17.

Em entrevista ao O POVO Online, o carnavalesco Fran Sergio Santos, que atua no comando de toda a parte artística da Beija-Flor, contou que neste, 19, domingo será entregue a sinopse aos compositores, no barracão da escola. Fran Sergio havia antecipado a informação no último dia 30 de março, em entrevista ao O POVO Online.

Na ocasião, o carnavalesco havia revelado a sua predileção para que o romance se tornasse o enredo da escola, considerando sua importância na literatura nacional. “A gente está muito interessado e prefere Iracema pelo teor cultural e social que a história tem. É uma bela história de amor que conta o início do Brasil, e este é o momento para falar disso”, disse Fran.

A história de amor do conquistador português com a “virgem dos lábios de mel”, escrita há 150 anos, concorria com nomes ligados à cultura, como o de Abelardo Barbosa, o comunicador popular Chacrinha.

Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis tem 67 anos de tradição, com 13 vitórias no desfiles de Carnaval do Rio de Janeiro. Este ano, a escola cantou uma homenagem ao Marquês de Sapucaí, nome popular do Sambódromo onde ocorrem os desfiles.

Promotor pede busca e apreensão de livro de Adolf Hitler em livraria do Rio

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O despacho pede o recolhimento dos exemplares nas editoras Centauro, que mandou imprimir 5 mil cópias

Publicado no D24am

A 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal emitiu nesta sexta-feira, 29, despacho que pede busca e apreensão de exemplares de Minha Luta, livro de Adolf Hitler que entrou em domínio público no dia 1.º de janeiro, na Livraria Saraiva, localizada na rua do Ouvidor, no Centro do Rio. Quem entrou com o pedido para proibir a venda do polêmico livro foi o procurador Marfan Martins Vieira depois que os advogados Ary Bergher, Raphael Mattos e João Bernardo Kappen compraram um exemplar pelo site da rede e fizeram a denúncia ao Ministério Público.

Curiosamente, a única edição disponível na Saraiva é digital e está sendo comercializada pela Leya, de Portugal.

Adalmir Caparros, proprietário da Centauro, única editora com a obra à venda no momento, diz que seus exemplares não serão apreendidos, já que não foram adquiridos pela Saraiva.

O despacho indica, ainda, a proibição da venda pelas livrarias Argumento e Travessa, também do Rio, e pede o recolhimento dos exemplares nas editoras Centauro, que mandou imprimir 5 mil cópias e garante que a tiragem está quase esgotada, e Geração, que ainda trabalha na revisão de sua edição comentada.

“Isso é inconstitucional. Eles podem até apreender. Mas vão devolver. E vão sofrer processo e vai custar mais caro”, disse Caparros, que já esperava essa ação no Rio.

“Trata-se de decisão equivocada do Ministério Público do Rio de Janeiro a partir de petição histérica de advogados desinformados. Querem apreender um e-book de editora portuguesa que por acaso o site da Saraiva vende. A Constituição Federal garante a edição de livros. Proíbe o racismo. Óbvio. A futura edição da Geração Editorial, insisto, é um longo estudo crítico, antinazista, do abominável texto de Hitler, quase parágrafo por parágrafo. Devia ser adotada nas escolas e recomendada nas igrejas e sinagogas. Estamos prontos para informar os ilustres procuradores e lutar por nosso direito constitucional de publicar qualquer livro. No caso deste, de Hitler, com os devidos comentários críticos. Confiamos na justiça”, disse Luiz Fernando Emediato, publisher da Geração Editorial.

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