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Um roteiro crítico das bibliotecas do Centro do Rio de Janeiro

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Da precaução da ABL, que veta a corrupção de menores, à vivacidade da Biblioteca Parque Estadual, um passeio pelas bibliotecas do Centro, para descobrir como elas tratam quem quer estudar e trabalhar em um espaço público.

André Costa, no Voz e Rio

Como usuário das bibliotecas do Centro da capital, para ler, estudar e escrever, sou frequentemente tomado por desânimo.

Todas, em alguma medida, são dotadas de qualidades: acervos ricos, belos prédios, equipe cordial ou ambiente confortável.

Isto posto, várias delas transmitem uma sensação incômoda de desperdício ou mau uso. Não é que as bibliotecas precisem de grandes mudanças: o fundamental — um prédio e livros — geralmente tem ótima qualidade.

Ainda assim, no que deveria ser mais simples e trivial, os responsáveis pelos espaços às vezes parecem simplesmente ter se distraído ou descuidado. Em fatores que supostamente deveriam ser de fácil realização, mas que também são indispensáveis para quem quer estudar ou trabalhar em um espaço público em 2015 — como internet de qualidade, tomadas para computadores, luz natural, regras de uso que acolham os frequentadores —, as imperfeições são muitas, e frequentemente de caráter inusitado.

Com o propósito de averiguar a quantas andam as bibliotecas do Centro para quem deseja utilizá-las como espaço de trabalho, percorri um bom número delas ao longo de dois dias, atentando para suas normas, sua frequência, sua disposição física e seus serviços — para o estado em que se encontram e o que oferecem, em suma.

Fui acompanhado por um livro de bolso, um laptop e um caderno — isto é, os instrumentos de trabalho de um estudante ou de um leitor —, além de uma garrafinha d’água, para não precisar interromper o expediente.

O resultado de minhas impressões, na ordem de suas visitas, foi o seguinte:

Maison de France: em reforma, mas com mesmo serviço hospitaleiro de sempre.

Maison de France: em reforma, mas com mesmo serviço hospitaleiro de sempre.

Médiathèque (Maison de France): Localizada no prédio do consulado francês, na avenida Presidente Antônio Carlos, a biblioteca foi fechada para obras em agosto do ano passado, e, desde então tem funcionado em esquema provisório, com acervo reduzido, no corredor do setor do consulado dedicado à cultura.

Em seu modo de operação normal, a Maison costumava ser um lugar acolhedor, de vista esplendorosa para

a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar, ar-condicionado forte, cerca de 30 lugares, livros e dvds franceses à disposição (a maioria no original, mas também alguns em português) e equipe simpática e dotada de grande vontade de não atrapalhar seus frequentadores, permitindo que consultassem os próprios livros, bebessem da própria água e usufruíssem de ótima internet.

Desde o fechamento provisório, algumas novas regras foram instituídas no edifício onde está instalada. Uma breve inspeção na porta do prédio, com os seguranças verificando minha mochila, foi uma novidade, assim como um rápido cadastro na portaria.

Em relação à biblioteca em si, para quem está funcionando em modo de exceção, a Maison vai muito bem, obrigado. Os funcionários na entrada são os mesmos, os livros à disposição para empréstimo, se menos numerosos do que o normal, continuam a ser inencontráveis em qualquer outra biblioteca da cidade (há diversos lançamentos franceses, de filosofia a cinema, por exemplo) e l’ambiance, a despeito da ausência completa de janelas, tenta reproduzir como pode o original, com prateleiras espalhadas pelas paredes e uma longa mesa ao centro.

Enquanto estive lá, fui o único visitante, e recolhi-me a uma das poucas cadeiras disponíveis. A hospitalidade continua a norma da casa, e nenhum funcionário me procurou para me censurar pelo que quer que fosse.

Quando, todavia, depois de cerca de uma hora lendo, fui perguntar a senha do wi-fi, tive uma grande surpresa: não era para eu estar ali, uma vez que a biblioteca tem funcionado apenas com empréstimo de livros, e não como salão de leitura. Isto é, em tese, a biblioteca da Maison nem deveria aparecer neste texto, uma vez que, por ora, ela não é uma opção.

Surpreso pela minha ilicitude involuntária — e já ciente da senha do wi-fi — voltei para minha cadeira, onde fiquei por mais trinta minutos navegando na internet, até achar que já era hora de partir.

De acordo com as normas oficiais, portanto, só em novembro a Maison volta a se tornar um lugar para trabalho e estudo, quando termina a reforma do salão. Na prática, contudo, aqueles que até lá quiserem esperar na mesa do corredor, possivelmente poderão fazer isso, pois a gentileza dos funcionários talvez os impeça de pedir para um leitor se retirar.

ABL: um lugar sério e de normas minuciosas.

ABL: um lugar sério e de normas minuciosas.

Biblioteca Rodolfo Garcia (Academia Brasileira de Letras): A biblioteca da ABL é um lugar de regras abundantes e meticulosas. Para usá-la, além do cadastro na portaria do edifício, é necessário, em primeiro lugar, ter em mãos documento de identidade e comprovante de residência.

Depois disso, é preciso ler e assinar três formulários. O mais longo deles, de 10 páginas, merece atenção detalhada. Ele determina, por exemplo, que: não está autorizada a corrupção de menores por quem utilizar a internet; esquemas de corrente, pirâmide ou bola de neve também não são permitidos; “redes sociais“ (“Orkut, Friendster, Par Perfeito, Almas Gêmas, Fotolog, Blog, entre outros”), tampouco; caso algum frequentador se ofenda com conteúdo visto na internet, a biblioteca não possui responsabilidade sobre isso; não se pode enviar ou divulgar mensagens de “conteúdo falso ou exagerado, que possam induzir ao erro o seu receptor”; só se pode ir ao banheiro sem levar mochilas ou bolsas; short, camiseta e chinelo não estão liberados (“sendo assim fica liberado o uso de bermudão, isto é, até o joelho para ser usado na biblioteca (…) principalmente no verão do Rio de Janeiro”), e por aí vai.

Além destas regras, exige-se a leitura de outras advertências, e o fornecimento de informações para cadastro que vão desde o telefone de algum familiar – para a eventualidade de um piripaque por parte do usuário – ao endereço de seu empregador.

Em meio a esta superabundância de formalidades, a que mais incomoda, de longe, é a interdição do uso de teclados de computadores. Na biblioteca da ABL, laptops — assim como livros pessoais — são bem-vindos, mas não é permitida a “digitação de trabalhos no salão de leitura”. Quem quiser mandar um e-mail, escrever um texto ou realizar uma simples busca no Google deve se limitar a um dos três cubículos disponíveis – todos ocupados, em minha visita – ou à pequena baia de computadores.

Impossibilitado de escrever digitalmente, o usuário pode, além de usar o mouse para acessar a internet (ótimo wi-fi, aliás), se contentar com os livros do acervo, formado sobretudo por obras de literatura. Raridades estão disponíveis para consulta, e empréstimos também são uma possibilidade para os mais assíduos.

A respeito do público, o belo e amplo salão, de cerca de 60 lugares, estava cheio de estudantes, sobretudo concurseiros e pesquisadores, silenciosamente tomando notas em seus cadernos. As persianas totalmente fechadas e os bustos de imortais à volta acrescentavam gravidade à cena.

Seria um privilégio saber o que aquelas dezenas de pessoas, muitas usando computadores literalmente intocados, pensam do espaço, uma vez que pareciam ir ali com frequência. A norma do silêncio, entretanto, é uma das poucas vigentes que consigo facilmente compreender, de modo que preferi sair sem dizer nada.

Capanema: biblioteca adormecida.

Capanema: biblioteca adormecida.

Biblioteca Euclides da Cunha (Palácio Capanema): Talvez isso se deva ao único usuário que lá estava em minha visita — um jovem cochilando inclinado sobre o próprio livro numa mesa ao fundo —, mas a biblioteca do Palácio Capanema parece se encontrar em um estado de dormência.

Até algumas décadas atrás, ela certamente era uma das melhores da cidade. Com cerca de 50 lugares divididos em mesas grandes, espaçosa, provida de curvas niemeyerianas, a biblioteca ainda mantém parte de seu mobiliário original de mais de 60 anos, incluindo aí as estantes que guardam as fichas catalográficas do acervo de 150 mil livros.

A não digitalização do catálogo dá a dica do que está por vir: a biblioteca não disponibiliza wi-fi para os visitantes.

Como resultado, aquele que poderia (mais…)

J.K. Rowling lamenta morte de dublador de Harry Potter

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Publicado no Adoro Cinema

Esta é uma semana triste para os fãs brasileiros de Harry Potter. Morreu, na última quarta-feira, o dublador nacional do bruxinho, Caio César de Melo, de 27 anos de idade. Policial militar, o rapaz foi morto por traficantes enquanto patrulhava a UPP Fazendinha, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Muitos fãs da franquia foram às redes sociais lamentar o fato. Mas não foram só eles que se sensibilizaram. A autora dos livros que inspiraram a saga, J.K. Rowling, escreveu em seu Twitter uma mensagem sobre o falecimento do jovem:

jkrowlingcaio

“Desesperadamente triste por ouvir que Caio César, voz brasileira de Harry Potter, morreu aos 27 anos. Meus pensamentos estão com sua família.”

O ator Christopher Uckermann, intérprete de Diego Bustamante na novela mexicana Rebelde, também foi ao Twitter lamentar a morte do dublador. Entre os demais trabalhos de Caio César, está a dublagem do personagem da telenovela.

chriscaio

Caio Melo, descansa em paz. Obrigada por dublar a minha voz em português! Luz aonde estejas!”

O dublador Guilherme Briggs, colega de profissão de Caio César, escreveu uma mensagem tocante em sua página no Facebook, relembrando as vezes em que encontrou com o jovem nos estúdios de gravação:

guilhermecaio

Assista ao trailer dublado de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, com a voz de Caio César:

Biblioteca do MNBA reabre no Rio modernizada e com recursos digitais

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 Museu Nacional de Belas Artes (Wilson Dias/Agência Brasil)

Museu Nacional de Belas Artes (Wilson Dias/Agência Brasil)

Publicado no Brasil em Folhas

Um dos mais importantes acervos bibliográficos do país nos segmentos de artes visuais, museologia, arquitetura e história da arte dos séculos 19 e 20 está a partir de agora mais acessível ao público. Após dois anos de reforma, a Biblioteca Araújo Porto Alegre, do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) reabriu modernizada e com recursos digitais que facilitam a consulta ao seu acervo e ao do próprio museu.

Foram investidos na obra civil e no mobiliário R$ 700 mil, em recursos do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), do Ministério da Cultura. Emoldurado por telas dos pintores Raimundo Cela e Antonio Parreiras, o espaço de leitura conta com novas mesas e cadeiras, um balcão de atendimento e dois computadores conectados ao sistema Donato, que armazena o acervo museológico do MNBA.

Biblioteca Araújo Porto Alegre

Biblioteca Araújo Porto Alegre

Localizada no segundo andar do museu, a biblioteca é pouco conhecida dos visitantes das exposições permanentes e temporárias do MNBA, mas uma referência importante para estudantes e pesquisadores das artes. “Temos mais de 40 mil itens, 20 mil só de livros, muitos deles obras raras, e o restante periódicos especializados, catálogos de exposições nacionais e estrangeiras e clippings dos eventos realizados no museu desde o século passado”, explica a chefe da biblioteca, Mary Komatsu.

A biblioteca foi criada em 1940, três anos após a fundação do MNBA, e começou a ser formada a partir da doação feita por Rodolfo Amoedo (1857-1941), pintor e professor da Escola Nacional de Belas Artes, da qual se originou o museu. O nome homenageia o pintor, arquiteto, cenógrafo, caricaturista, poeta e diplomata Araújo Porto Alegre (1806-1879), pioneiro dos estudos de história e crítica da arte no Brasil.

Ao longo dos anos, o acervo da biblioteca foi recebendo outras importantes contribuições. Entre elas, as coleções particulares de críticos de arte e curadores, como Quirino Campofiorito, Walmir Ayala, Paulo Herkenhoff e Pedro Xexéo.

Segundo Mary Komatsu, outras melhorias estão para chegar nas próximas semanas. “São esperados novos arquivos deslizantes, que ampliarão a capacidade de armazenamento de publicações e acondicionamento do acervo arquivístico”, diz.

Lançamentos de livros e palestras também estão nos planos futuros para tornar o espaço mais frequentado pelos visitantes do museu. A Biblioteca Araújo Porto Alegre funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 17h e a entrada é franca.

Desde o ano passado, o MNBA passa pela segunda fase de seu projeto de modernização, que prevê, entre outras ações, a requalificação e ocupação das cúpulas do prédio, que serão destinadas à arte contemporânea e a um bistrô. O museu fica na Avenida Rio Branco, 199, na Cinelândia, centro do Rio.

Violência também é realidade em universidades do Rio

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‘Fico assustado, evito sair daqui quando está escuro’, diz aluno da UFF que presenciou assalto

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Publicado em O Globo

O problema da insegurança em universidades está longe de ser exclusivo de São Paulo. Alunos do Rio também são tomados pelo medo ao caminhar no entorno e mesmo dentro dos campi. Ainda está vivo na memória de quem frequenta a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) o assassinato do estudante Alex Schomaker, de 23 anos, durante um assalto num ponto de ônibus ao lado do campus da Praia Vermelha, na Urca, em janeiro. A área se tornou uma praça em homenagem ao aluno, lembrado também com um mural colorido do outro lado da rua.

Assaltos nas imediações de universidades são rotina. Na tarde do último dia 12 maio, por exemplo, houve tiroteio entre seguranças e assaltantes que entraram no campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) no bairro do Gragoatá, em Niterói. Eles tentaram roubar o carro de uma professora. Estudantes se jogaram no chão com medo. Ninguém foi atingido.

— Vi a professora chegando no carro e os bandidos a abordando. Ouvi os tiros. Fico assustado, evito sair daqui quando está escuro — conta o aluno de Letras Paulo Leal, que estava numa sala perto do local do assalto.

Em diferentes universidades, os estudantes formam grupos para caminhar até pontos de ônibus e estações de metrô. No campus da UFRJ na Ilha do Fundão, alunos se sentem inseguros para percorrer as distâncias entre os prédios. A estudante Guinevere Gaspari foi assaltada em frente ao prédio da reitoria sob o sol das 10h, por dois ladrões numa moto. À noite, o problema se agrava.

— É necessário fazer atividades à noite. Espaços vazios geram mais insegurança. A gente cobra da reitoria também iluminação e mais linhas de ônibus. Principalmente para as mulheres, essa demanda é muito importante — observa a estudante Mayara Gomes, membro do DCE da UFRJ.

A UFRJ informa que monitora por câmeras a maior parte da Cidade Universitária, no Fundão. O sistema será implantado este ano no entorno da Praia Vermelha. Em nota, a UFF diz que também tem câmeras instaladas em suas unidades e que está “atenta aos problemas”. Para a instituição, porém, as ocorrências nas imediações são responsabilidade da Polícia Militar. A UFF diz ainda que a política de segurança não pode conflitar com as atividades desenvolvidas nos campi, que são locais de liberdade.

Idosa aprende a ler e, aos 79 anos, se forma em universidade do Rio

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Dona Leonides Victorino cursou História da Arte na Uerj.
Ela não sabia ler até os 67 anos: ‘Era triste, falavam que era analfabeta’.

Publicado no G1

Uma idosa, moradora da Zona Oeste do Rio, resolveu aprender a ler e escrever aos 67 anos. Hoje, aos 79, dona Leonides Victorino, nascida na Zona da Mata de Minas Gerais, já tem até diploma universitário em História da Arte. A história foi contada pelo RJTV, nesta quinta-feira (23).

Dona Leonides passou a infância na lavoura. Começou a trabalhar como doméstica e lavadeira, mas nunca perdeu o foco. “Eu era meio triste, as pessoas falavam que era analfabeta, parecia que tinha uma faca que cortava o coração”, contou ela.

Foi quando ela, aos 67 anos, decidiu botar em prática o sonho de aprender a ler e escrever, junto dos cinco netos.

Em 2014, mais uma conquista. Dona Leonides se formou em História da Arte na Universidade da Terceira Idade, na Uerj. “Eu sonho grande, não sonho pequeno, não”, brincou ela.

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