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Sherlock Holmes 3 é adiado para 2021

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Cristina Danuta

O anúncio foi feito pela Warner Bros, que não deu maiores explicações sobre a sequência do filme. O segundo filme do detetive interpretado por Robert Downey Jr.chegou aos cinemas em 2012 e o terceiro filme deve chegar aos cinemas somente no natal de 2021.

O filme estava previsto para chegar aos cinemas no natal de 2020.

Sherlock Holmes conta as aventuras do detetive britânico e seu melhor amigo, dr. John Watson. No segundo filme, os fãs conheceram o inimigo de Holmes, professor James Moriarty, interpretado por Jared Harris.

Guy Ritchie, que foi o diretor dos dois primeiros filmes, não terá participação na continuação. Chris Brancato será o roteirista e os produtores são Lionel Wigram, Joel Silver e Susan Downey, que também é esposa de Robert Downey Jr.

Robert Downey Jr voltará a interpretar o icônico Sherlock Holmes e Jude Law o seu fiel amigo Dr. Watson.

Só no resta esperar.

Sherlock Holmes 3 estreará em 2020

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Warner Bros./Divulgação

Filme deve ter o retorno de Robert Downey Jr. e Jude Law

Mariana Canhisares, no Omelete

A Warner Bros. revelou que Sherlock Holmes 3 chegará aos cinemas no dia 25 de dezembro de 2020, de acordo com o CBM. Assim, a estreia acontece nove anos depois do último filme da franquia, O Jogo de Sombras.

A expectativa é que Robert Downey Jr. e Jude Law reprisem os papéis de Holmes e Dr. Watson, respectivamente. Por enquanto, não há nenhum nome atrelado à direção do projeto. Sabe-se apenas que Chris Brancato, roteirista da série Hannibal, assina a nova trama.

Os dois primeiros filmes da também estrearam na época do Natal, em 2009 e 2011, com bom desempenho na bilheteria: enquanto o primeiro filme fez US$ 524 milhões no mundo inteiro, a sequência gerou US$ 545 milhões.

A influência de Sherlock Holmes na cultura pop e na TV

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Sherlock Holmes

Ricardo Bonalume Neto, na Folha de S.Paulo

RESUMO Criado no século 19, o personagem de Sherlock Holmes conhece hoje uma nova fama com séries de TV que reencarnam suas histórias e outras, de investigações, baseadas em suas características. Irascível, o investigador de Arthur Conan Doyle influenciou figuras como o doutor House e mesmo o jogo Detetive.

“Você é um psicopata!”

“Sociopata altamente produtivo!”, corrigiu Holmes.

O curto diálogo foi tirado da série britânica de TV “Sherlock”, na qual o ator Benedict Cumberbatch interpreta o clássico detetive inglês Sherlock Holmes, criado pelo escritor escocês Arthur Conan Doyle (1859-1930) no hoje distante século 19. A série, cuja terceira temporada foi ao ar em 2014, adapta as histórias do detetive para o momento atual -todos os episódios estão disponíveis no serviço por assinatura Netflix.

Não existe semelhante diálogo no cânone, isto é, os nove livros de Conan Doyle contendo os 56 contos e quatro romances de Holmes, o “primeiro detetive consultor” da história. Os casos foram apresentados nos livros pelo amigo do detetive, o médico John Watson -interpretado pelo ator Martin Freeman nessa série recente.

O médico Watson tinha servido no Exército britânico na campanha do Afeganistão de 1878-80, onde foi ferido por bala de fuzil. Como a história gosta de se repetir, o Watson vivido por Freeman também era médico do Exército de sua majestade e foi ferido no Afeganistão -na campanha ainda em curso. O novo Watson não publica suas histórias dos casos de Holmes em revistas ou em livros, como o Watson vitoriano. Ele tem um blog.

INSULTOS

Um diálogo semelhante ao do começo deste texto seria plausível nos livros, assim como Holmes se assumir um sociopata. Pois o Holmes de Doyle tem um lado bem irascível. Ele realmente detesta gente burra.
Logo, os Holmes modernos da TV e do cinema agem do mesmo jeito. Não faltam Holmes na recente indústria cultural, ou seus discípulos, mesmo que estejam longe de serem detetives ou policiais -como o médico Gregory House, da série “House” (uma espécie de “detetive médico” baseado no personagem de Conan Doyle -e igualmente ou até mais irascível).

arte de Felipe Cohen

arte de Felipe Cohen

“Cala a boca! Você diminui o QI da rua inteira!”, diz Holmes/Cumberbatch a um desafeto em outro episódio. Irascível, sem dúvida.

Quando surgiu o que hoje tem vários nomes -“romance policial”, de “crime”, de “detetive” ou de “mistério”-, tudo girava basicamente em torno de desvendar uma ocorrência misteriosa como se fosse uma equação matemática, ou um quebra-cabeças.

O detetive -embora ainda sem esse nome-, conhecido como o primeiro de todos, Auguste Dupin, apresentado em 1841 pelo escritor americano Edgar Allan Poe (1809-49), era um cérebro sem grande charme mas capaz de resolver enigmas. Ou melhor, alguém sem grandes maneirismos.

Holmes tornou-se o mestre disso. Não faltam manias na caracterização do mais famoso personagem do romance policial: é recluso e deprimido, toca violino, foi viciado em cocaína, é bom em disfarces, é boxeador e atirador, fuma cachimbo, não tem interesse em mulheres etc. É um homem de intelecto e de ação.

Foi graças a essa paixão por resolver mistérios que surgiram na “era dourada” do romance policial -pós-Conan Doyle/Holmes- os casos de “quartos fechados”. É exatamente o que o jogo de tabuleiro Detetive (originariamente Clue, “pista”, em inglês) procura fazer. Há possíveis criminosos, várias opções de armas do crime (revólver? faca? castiçal?) e cenas aristocraticamente britânicas: a biblioteca, a sala de armas, a sala de jantar. Misture as cartas, jogue os dados e escreva um romance.

A mera ênfase em saber quem cometeu a coisa -a literatura policial do “whodunit”, “quem fez?”- foi um abastardamento do legado de Sherlock Holmes. Mas, como se sabe, apesar de serem autores menores, tiveram grande sucesso de vendas -por exemplo, britânicos como Agatha Christie e Dorothy L. Sayers, ou americanos como S. S. van Dine, John Dickson Carr e Ellery Queen.

IMBATÍVEL

Holmes era bem mais fascinante. O caso a ser revolvido e o método para resolvê-lo eram importantes, claro, mas o caráter do personagem e do seu auxiliar, o doutor Watson, eram fundamentais. Mais do que o quebra-cabeça, a história é o que importava no cânone holmesiano.

“As histórias de Holmes deviam seu imenso sucesso aos talentos de Doyle como um contador de contos”, afirmou o também autor de romances policiais britânico Julian Symons (1912-94) em uma pequena biografia do escritor (“Conan Doyle – Portrait of an Artist”). O enigma nos contos nem sempre é muito enigmático, lembra Symons. Há mesmo erros factuais. Mas a maneira como Sherlock Holmes deduz fatos a partir de pequenas pistas que estão na frente de todos é algo único.

DA POLTRONA

O padrão detetive irascível, cheio de manias e brilhante continuou a existir na literatura em personagens que descendem de Holmes em suas habilidades de detecção e dedução, como Nero Wolfe, criado pelo americano Rex Stout (1886-1975). Wolfe é o clássico “detetive de poltrona”, que nunca sai de casa para resolver os crimes. Protagonizou mais de 50 livros de 1934 a 1975.

Nero Wolfe nasceu em Montenegro, nos Balcãs; coleciona milhares de orquídeas, é muito, muito, genioso, gosta de comer (pesa algo entre 130 e 140 kg), detesta mulheres (assim como Holmes, é assexuado, não homossexual). Seria mais um detetive inverossímil que soluciona mistérios se não tivesse o assistente Archie Goodwin, versão jovem e atlética de Watson, para coletar fatos na rua.

Por “detetive inverossímil” leia-se um monte de velhinhas, padres, jornalistas, aristocratas “blasés”. Um séquito de amadores criados para resolver crimes da tradição do “whodunit”, enquanto na vida dita real quem costuma fazer isso são os detetives das forças policiais estatais -ou, em casos bem mais raros, detetives particulares.

O comissário Salvo Montalbano é um bom exemplo do detetive verossímil -ele de fato é um policial. Criado pelo italiano Andrea Camilleri, mora na Sicília e reúne traços de Holmes e de Wolfe: também é irritadiço e aprecia culinária. Mas tem namorada e é fiel a ela.

Além dos aspectos de personalidade, a figura física de Sherlock Holmes foi muito caracterizada em imagem -no papel, no cinema ou na televisão. Conan Doyle tem parte da “culpa”, pois avalizou as ilustrações que acompanhavam seus contos publicados na revista popular “Strand”.

Ou seja: o Holmes de que todos se lembram é o sujeito magro e alto desenhado por Sidney Paget na “Strand”. Paget acrescentou detalhes importantes no visual: a capa de “tweed”, o boné de pano de caçador de veado, o cachimbo curvo -elementos que aparecem muito pouco nos textos.

arte de Felipe Cohen

arte de Felipe Cohen

Apesar do longilíneo perfil consagrado, o investigador britânico foi interpretado por mais de 70 atores no cinema e na TV, tão diferentes como os britânicos Michael Caine ou Roger Moore (que também fez James Bond, outro ícone clássico da cultura pop britânica). Graças a Paget, o ator Basil Rathbone -versão perfeita em carne e osso das ilustrações- deu vida ao personagem em filmes das décadas de 1930 e 1940.

Os filmes com Rathbone também levaram Holmes à atualidade da época das produções. Neles o detetive, que o cânone informa ter se aposentado nos anos 1920 para criar abelhas, combate nazistas décadas mais tarde.

VICIADO

“Eu sou um viciado, não um acadêmico; e este é um registro de entusiasmo e de desapontamento ocasional, não um catálogo”, escreveu Julian Symons na introdução de seu clássico livro sobre o romance policial “Bloody Murder – From the Detective Story to the Crime Novel” (assassinato sangrento – da história de detetive ao romance policial). Holmes e Doyle eram dois dos vícios do escritor Symons.

Em seu “registro de entusiasmo”, ele deixa claro como a imagem que ficou do personagem é descolada do texto canônico: “Se a concepção original de Conan Doyle tivesse sido totalmente realizada, teríamos um personagem mais durão e menos intelectual em aparência. Era a combinação, em Holmes, do grande pensador com o homem de ação que apelava aos seus primeiros leitores”.

O assistente Watson também foi modificado pelo cinema. Nos filmes protagonizados por Rathbone ele aparece como um colaborador bobão, sempre assombrado pelos poderes de dedução do amigo. Culpa do ator Nigel Bruce, perfeito no papel de bobalhão.

Quem conta um conto aumenta um ponto -ou mais. Nunca constou do cânone o “elementar, meu caro Watson!”. Há “elementar, Watson”; e “meu caro Watson”; mas nenhum “elementar, meu caro Watson”. Isso surgiu depois, no cinema e em outros autores.

O detetive mais “puro” está na série de TV britânica “Sherlock Holmes”, filmada entre 1984 e 1994 com o ator Jeremy Brett (1933-95). Watson não é um paspalho. Holmes é (mais…)

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