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Livro reúne ensaios brasileiros sobre Roberto Bolaño

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Roberto Bolaño, no Chile, no ano em que morreu. - El Mercurio/GDA (10/10/2003)

Roberto Bolaño, no Chile, no ano em que morreu. – El Mercurio/GDA (10/10/2003)

 

Obra será lançada no evento ‘Lendo Bolaño no Brasil’, na Livraria Da Vinci

Mariana Filgueiras, em O Globo

A“bolañomania” é irreparável: treze anos se passaram desde a morte de Roberto Bolaño, e sua obra segue viva como se o escritor ainda estivesse pitando seus cigarros pelas ruas de Santiago do Chile. Livros antigos são descobertos por novos leitores, rascunhos são remexidos por pesquisadores e grupos de leitura do romance “2666” ainda animam as noites pelo mundo.

Esta semana, uma boa notícia vai aplacar a saudade dos órfãos brasileiros: a editora mineira Relicário lança a primeira coletânea de ensaios nacionais sobre a obra do autor. Organizada por Antonio Marcos Pereira e Gustavo Silveira Ribeiro, “Toda a orfandade do mundo: escritos sobre Roberto Bolaño” será lançada em evento que faz parte do calendário de reabertura da Livraria Da Vinci, na quinta-feira, no Centro, intitulado “Lendo Bolaño no Brasil”.

— Nós quisemos convocar os autores dos ensaios a fazer investidas mais ousadas e originais no sentido formal, exatamente como era característica da obra de Bolaño — conta Antonio Marcos Pereira, doutor em Estudos Linguísticos pela UFMG e professor de Literatura Brasileira na UFBA. — São textos que não guardam a dureza do discurso acadêmico, sem deixar de trazer pontos de vista originais sobre a obra do autor. Há um texto, por exemplo, do Felipe Charbel, que faz um diário de releitura, e outro que inclui, em si mesmo, uma produção ficcional, este do Rafael Gutiérrez.

Os textos são divididos em três eixos temáticos, que são aspectos centrais da obra do autor: as relações entre literatura e violência, as experimentações formais de Bolaño e as provocativas relações entre escritura e vida. Os ensaios são de Marcos Natali, Gustavo Silveira Ribeiro, Graciela Ravetti, Maria Betânia Amoroso, Tiago Guilherme Pinheiro, Kelvin Falcão Klein, Clarisse Lyra, Mariana Di Salvio, Matt Bucher, Felipe Charbel e Rafael Gutiérrez. No prefácio, Ana Cecília Olmos cita o próprio Bolaño para explicar “o melhor que o livro oferece”: uma forma de celebrar que “no nos hemos vuelto ni cobardes ni caníbales”.

— Acredito que o livro seja um nó, uma espécie de ponto focal para as produções acadêmicas posteriores acerca de Bolaño no país. É uma forma de começar a pavimentar o caminho para as muitas pesquisas que virão no futuro. A obra de Bolaño tem a característica de convocar esse desejo de escritura e de discurso crítico, ninguém lê Bolaño sem também querer escrever depois — atesta o organizador, antes de lembrar o que o autor argentino Alan Pauls dizia de Bolaño: “Quando li ‘Os detetives selvagens’, me senti colonizado por Bolaño”.

O evento “Lendo Bolaño no Brasil” acontece na quinta-feira, às 18h, com um debate que terá a participação dos organizadores do livro, Antonio Marcos Pereira e Gustavo Silveira Ribeiro, e também de Felipe Charbel, um dos autores da obra, com mediação do jornalista Miguel Conde.

7 Motivos Para Ler Roberto Bolaño

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Se você ainda não conhece a obra do autor chileno Roberto Bolaño, eis 7 razões para começar agora mesmo

José Figueiredo, no Homo Literatus

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O obituário do The New York Times de Roberto Bolaño chamou-o “um herói cult interrompido”, e não é para menos. Ao falecer aos 50 anos de idade em Barcelona, o autor chileno deixou o grande romance (em tamanho e qualidade) 2666 praticamente terminado – além de sensação de que o melhor, se é possível, ainda estava por vir. Sua história de vida, dedicada inteiramente à Literatura, ajuda a difundir sua obra, aumentando o número de leitores.
Mas o que torna sua obra tão atraente?
Para explicar, separamos 7 motivos para ler seus romances, novelas e contos.

1) Os títulos estranhos e atraentes

Se há algo que chama a atenção na sua obra, são os títulos. Dos mais enigmáticos, 2666, aos mais simples, Pista de Gelo ou Amuleto, Bolaño sabia como poucos dar nome aos seus trabalhos. Muitos são uma combinação improvável de nomes e adjetivos, tais como Os detetives selvagens ou Putas assassinas. Outros dão a entender que a obra tratará de grandes fatos históricos (mesmo que não tratem), como O terceiro reich. Há ainda os que dizem muito e explicam nada, La literatura nazi en América, As agruras de um verdadeiro tira e Noturno do Chile.

2) Narrativas improváveis e instigantes

Absolutamente nada parece escapar: O relacionamento entre atores pornô, a busca por um escritor que ninguém nunca viu, o assassinato numa pista de gelo, a busca por uma poetisa mexicana no deserto de Sonora, jovens vagando pelo mundo, um manual sobre supostos autores nazistas na América Latina, um escritor que vive de ganhar concursos literários com a mesma obra – que ele muda o título ao reenviá-la, as férias de um jogador profissional de wargames. Lendo essa lista, parece improvável que ele consiga tirar algo de interessante de todos esses pontos, o que se prova falso ao começar a ler suas obras. Suas narrativas, por mais simples e bizarros que sejam os motes, conseguem nos captar facilmente. Roberto Bolaño provou que uma história está em qualquer coisa, até nos lugares mais improváveis e malucos.

3) Autoficção feita de uma nova forma

Tem autores que fazem autoficção do jeito comum. Tem os que romantizam sua história. Tem Roberto Bolaño e Os detetives selvagens. Misturando sua própria experiência de vida ao vagar entre o México e a Europa, Bolaño criou um dos romances mais improváveis e instigantes dos últimos cinquenta anos. Mesmo focando nas suas viagens e vivências, o autor chileno conseguiu criar uma narrativa divertida e ao mesmo tempo representativa de uma geração que esperava fazer muito e conseguiu muito pouco, quase nada.

4) É uma forma de conhecer o México

Apesar de chileno, Bolaño viveu boa parte da vida no México, o que o levou a escrever muito sobre o país. Quase todas suas narrativas têm um trecho ou referência a ele. Em Os detetives selvagens, conhecemos a Cidade do México e o deserto de Sonora. Em 2666, vemos Ciudad Juarez, a fictícia Santa Teresa, na fronteira mexicana com os EUA e assim por diante. Os bares, os poetas fracassados, os aficionados por literatura, gente fugindo de golpes militares, nada escapou dele em suas narrativas mexicanas. Além do espaço, podemos ter contato com uma realidade não tão distante da nossa pela visão de um mexicano de coração.

5) Literatura feita para quem ama literatura

Grande fã de Borges, Roberto Bolaño fez literatura para todos os leitores, mas assim como o ídolo argentino, deu atenção especial para aquele leitor que gosta de ver a literatura comendo literatura. Suas narrativas estão repletas de metaficção, citações, diretas ou indiretas, de outras obras, homenagens, pastiches, paródias. 2666 é considerado por muitos leitores, críticos e autores, como a grande obra do século XXI a dar vazão a esse amor e obsessão chamada Literatura.

6) Todos os gêneros numa só obra

É raro encontrar um autor que trabalhou com quase todos os gêneros da ficção existentes. Da fantasia, Monsieur Pain, ao suspense, Pista de gelo e 2666, passando pela narrativa detetivesca em quase todas as obras, pelo experimental, Literatura nazi en América e o romance histórico em Noturno do Chile. O que mais impressiona, porém, não é a quantidade de gêneros com que Roberto Bolaño trabalhou, e sim a qualidade que atingiu. Em todos, podemos nos divertir numa leitura prazerosa sem perceber que o autor chileno estava apenas brincando com a narrativa e com o gênero.

7) Porque seus livros são muito bons

No fim, o que importa é que suas obras são muito boas. 2666 e Os detetives selvagens, suas obras mais longas, cativam o leitor logo no começo e o levam por suas oitocentas páginas sem nenhum esforço. Não há como se deparar com as narrativas de Roberto Bolaño e não passar pelo misto de estranhamento e prazer que só os grandes autores podem proporcionar. Acima de tudo, Bolaño merece ser lido porque é bom, divertido – e é isso que importa.

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