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Filho de cozinheira da USP passa na Fuvest e faz alegria da mãe

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Robson de Souza Romano dos Santos, de 18 anos, é filho de uma das auxiliares de cozinha do 'bandejão' central da USP e mora na comunidade São Remo, ao lado da Cidade Universitária; agora, ele virou calouro da USP (Foto: Caio Kenji/G1)

Robson de Souza Romano dos Santos, de 18 anos, é filho de uma das auxiliares de cozinha do ‘bandejão’ central da USP e mora na comunidade São Remo, ao lado da Cidade Universitária; agora, ele virou calouro da USP (Foto: Caio Kenji/G1)

Robson de Souza mora em comunidade próxima à universidade.
‘É maravilhoso’, diz a mãe, Francisca; ele vai cursar ciências sociais.

Eduardo Carvalho, no G1

“Não acredito que ele passou. É maravilhoso”. A frase é de Francisca Mesquita de Souza, 57 anos, auxiliar de cozinha do restaurante central da Universidade de São Paulo, o popular “bandejão”, ao saber pela reportagem do G1 que o filho caçula, Robson de Souza Romano dos Santos, de 18 anos, se tornará o primeiro da família a ingressar na USP.

Morador da comunidade São Remo, vizinha ao campus universitário na Zona Oeste de São Paulo, Robson parecia anestesiado ao ver seu nome na lista de aprovados na primeira fase da Fuvest, divulgado nesta sexta-feira (31).

Ele optou por estudar ciências sociais e pretende seguir a vida acadêmica, exercendo a profissão de professor. “É um curso que vai ajudar a me construir”, explicou, com o rosto todo pintado.

Robson com a mãe, Francisca de Souza, antes da prova da segunda fase da Fuvest, em 5 de janeiro (Foto: Flávio Moraes/G1)

Robson com a mãe, Francisca de Souza, antes da
prova da segunda fase da Fuvest, em 5 de janeiro
(Foto: Flávio Moraes/G1)

Robson soube do resultado em um colégio, junto com um grupo de alunos que aguardava (e depois comemorava) a aprovação na Fuvest.

A escolha do filho pela USP teve influência da mãe, que há 32 anos trabalha no bandejão e criou todos os seus cinco filhos com a renda desse trabalho.

Mas, segundo Francisca, o empurrão para que Robson se dedicasse aos estudos, incluindo uma bolsa em colégio privado, veio da madrinha do rapaz. “Ela se ofereceu para ajudá-lo e sou muito grata a este suporte”.

No início do mês, o G1 contou a história da mãe e do filho, que estavam ansiosos antes de Robson prestar a segunda fase da Fuvest, que aconteceu de 5 a 7 de janeiro. Na época, o estudante disse que sempre foi apaixonado pela USP, por “ficar pertinho de casa”.

Na primeira fase, acertou 76 das 90 questões, uma pontuação muito acima da nota de corte para a carreira. “Me interesso muito pelo objeto de estudo [de ciências sociais]”, disse Robson na época. Ele ainda não havia decidido em qual das três áreas do curso pretende se especializar (antropologia, sociologia ou ciência política).

Com o filho mais novo seguindo um novo caminho — três de seus cinco filhos se formaram ou ainda cursam o ensino universitário, e outro já terminou o curso técnico de mecânica –, ela espera mudar de vida logo. “Meus filhos são meninos bons. Agora estou na contagem regressiva para mudar de vida”, disse.

Filho de cozinheira do ‘bandejão’ da USP presta a fase final da Fuvest

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Robson Souza quer estudar ciências sociais na universidade pública.
Para a mãe, ver o filho matriculado será a realização de um sonho.

Robson de Souza Romano dos Santos, de 18 anos, com a mãe, que é funcionária do bandejão da USP (Foto: Flávio Moraes/G1)

Robson de Souza Romano dos Santos, de 18 anos, com a mãe, que é funcionária do bandejão da USP (Foto: Flávio Moraes/G1)

Ana Carolina Moreno, no G1

Um dos 32 mil candidatos que fazem deste domingo (5) até terça-feira (7) a segunda fase do vestibular da Fuvest é Robson de Souza Romano dos Santos. O jovem de 18 anos que já conhece bem o campus da Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo. Além de ser morador da comunidade São Remo, vizinha do campus, Robson é filho de uma funcionária da universidade.

“Para mim é o meu maior sonho”, afirmou Francisca Mesquita de Souza, de 57 anos, sobre a possibilidade de ver um de seus filhos matriculado na USP. Há 32 anos ela trabalha como auxiliar de cozinha do restaurante central da USP, conhecido pela comunidade como ‘bandejão’. Além de Robson, Francisca, que nasceu no Ceará e se mudou para São Paulo aos 17 anos, tem outros três filhos homens e uma filha, que criou sozinha.

Um de seus filhos se formou em engenharia mecatrônica pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), outro começou a estudar engenharia civil em uma instituição particular e sua filha atualmente estuda biologia no Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Agora, Robson pode ser o primeiro da família a estudar na maior universidade do país.

Jovem estuda de última hora antes da abertura dos portões para a  Fuvest (Foto: Flávio Moraes/G1)

Jovem estuda de última hora antes da abertura dos
portões para a Fuvest (Foto: Flávio Moraes/G1)

Segundo ele, a USP é sua única opção. “Sempre fui apaixonado pela USP, fica pertinho de casa e acho que tenho condição”, disse o candidato, que se inscreveu para a carreira de ciências sociais e, na primeira fase, acertou 76 das 90 questões, uma pontuação muito acima da nota de corte para a carreira.

“Me interesso muito pelo objeto de estudo [de ciências sociais]”, disse o jovem ao G1. Robson ainda não decidiu, porém, em qual das três áreas do curso pretende se especializar (antropologia, sociologia ou ciência política).

Mesmo após o bom desempenho na primeira fase, o adolescente não deixou os livros de lado, nem no recesso das festas de fim de ano. “Ele ainda não teve férias, coitado”, disse a mãe, que há 15 anos concluiu a oitava série em um curso de educação para adultos e fez questão de acompanhar o filho na manhã deste domingo até a porta da Escola Politécnica, onde ele fará a segunda fase. No Natal, Francisca conta que os dois ficaram sozinhos em casa e foram dormir cedo. No Ano Novo, foram a um jantar na casa do sogro da irmã de Robson. No resto do tempo, ele ficou junto aos livros.

Robson recebe apoio de integrantes de movimento negro da USP (Foto: Flávio Moraes/G1)

Robson recebe apoio de integrantes de movimento negro da USP (Foto: Flávio Moraes/G1)

Apoio aos estudantes negros
Robson e outro estudantes negros receberam, na entrada da prova da segunda fase, o apoio de alunos da universidade que criaram, em 2013, o Coletivo Negro da USP. Com cerca de 60 participantes, o coletivo foi formado para debater e negociar melhores condições de acesso e permanência de estudantes negros na instituição.

O grupo decidiu montar kits e entregá-los aos candidatos negros da Fuvest como forma de apoiá-los na tentativa de conseguir uma vaga na USP. Segundo Tago Elewa, de 27 anos, é comum que candidatos negros e pobres cheguem sozinhos ao local de prova porque são os primeiros de suas famílias a tentar o acesso ao ensino superior.

Ele conta que o mesmo aconteceu com ele. Após duas tentativas e o apoio do cursinho pré-vestibular da Educafro, Tago conseguiu passar na Fuvest em 2009 para o curso de ciências sociais. Hoje ele já concluiu o bacharelado e cursa a licenciatura. Neste domingo, ele distribuiu água, chocolate, um bilhete com informações sobre o coletivo e palavras de incentivo aos candidatos. “A gente fez o kit na perspectiva de confortá-los, dar apoio e reforço”, disse ele. Em 2014, o coletivo pretende se aprofundar no debate sobre os programas de inclusão de jovens pobres e negros na USP. Segundo Tago, as medidas adotadas na gestão do reitor João Grandino Rodas, que termina neste mês, foram insuficientes para modificar a situação atual.

Thais (de azul) recebe apoio dos pais e da irmã (Foto: Flávio Moraes/G1)

Thais (de azul) recebe apoio dos pais e da irmã (Foto: Flávio Moraes/G1)

Terceira Fuvest, segunda carreira
Thais Hanashiro Moraes, de 18 anos, chegou com duas horas de antecedência ao local de provas para o primeiro dia da segunda fase da Fuvest. A jovem faz o vestibular pela terceira vez. Na primeira, foi treineira, na segunda, chegou a passar da primeira fase para o curso de direito, mas não conseguiu a vaga. Neste ano, ela decidiu disputar uma vaga em relações internacionais.

“Eu já estava focada em direito internacional, era a área na qual queria me especializar”, explicou ela, que então decidiu fazer um curso mais diretamente ligado à área. “Não gostaria de ficar presa a um lugar só.”

Na primeira fase, Thais fez 67 pontos, nove a mais que a nota de corte. Mesmo assim, a jovem diz que dormiu pouco na noite de sábado (4) por causa do nervosismo antes da prova. “Não estou muito confiante, mas sinto que fiz o possível”, disse.

A mãe da jovem, a reflexoterapeuta Cristina Yoko, adotou uma estratégia para evitar que a ansiedade prejudicasse o desempenho da jovem: durante as festas de fim de ano, proibiu que ela estudasse. “Eu tinha que ficar dando bronca, senão ela estudava até as 23h”, disse.

Até agora, o esforço de Thais teve bons resultados. Além da alta nota na primeira fase da Fuvest, a jovem conseguiu boas pontuações nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013, incluindo uma nota de 938 na prova de matemática. Na semana que vem, ela pretende se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para os cursos de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A USP, porém segue como sua primeira opção.

Poeta mantém biblioteca gratuita em Taboão da Serra

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Robson Padial criou ainda um encontro de literatura e doa livros no Terminal Campo Limpo

Afonso Capelas Jr na Veja São Paulo

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Robson Padial: “Tenho muito orgulho quando vejo pessoas simples escrevendo poemas” (Foto: Fernando Moraes)

 

Aficionado de literatura, Robson Padial precisava ir até Pinheiros para ler na infância. No Campo Limpo, na Zona Sul, onde morava, não havia biblioteca. Em 1995, aos 31 anos de idade, teria contato mais próximo com a poesia. “Rabisquei uns versos durante um exercício de criatividade em uma aula de biodança e me apaixonei”, diz. Naquele ano, começou a organizar um evento nas noites de segunda no bar que abriu em seu bairro.

Chamado de Noite da Vela, consistia em um grupo de amigos ouvindo discos de samba, rap e MPB. Com o tempo, o encontro passou a incluir a declamação de poemas e atraiu candidatos a artista amador. Rebatizado como Sarau do Binho (seu apelido), a iniciativa completará dez anos em 2014. “É um território livre que ajudou a formar um caldo cultural na periferia”, diz. Um dos que alçaram voo nesse ambiente foi Luan Luando, autor do livro Manda Busca (foto), lançado em 2011. “Tornou-se uma escola de poesia. Tenho muito orgulho quando vejo pessoas simples escrevendo e recitando em público”, afirma.

No ano passado, o encontro mudou de endereço e passou a ser realizado na Praça João Tadeu Priolli, no último domingo do mês; e no Espaço Clariô de Teatro, em Taboão da Serra, a cada quinze dias, às segundas. A organização é caseira: sua mulher, a professora Suzi Soares, colabora com a divulgação. “Há ocasiões em que reunimos 150 pessoas”, afirma. A boa receptividade do público o incentivou a se envolver em outras atividades culturais na região.

Recentemente criou a Brechoteca, mistura de loja de roupas usadas e biblioteca. Lé é possível pegar livros emprestados e assistir a contações de histórias infantis. Há um ano também passou a distribuir obras no Terminal Rodoviário do Campo Limpo. Uma vez por mês, ele e Suzi levam ao local cerca de 2 000 exemplares doados por moradores. Em quatro horas, não sobra um. “Meu desejo é que os próprios usuários criem o hábito da troca e transformem o lugar numa feira literária.”

Nome: Robson Padial

Profissão: poeta

Atitude transformadora: criou um encontro de literatura, mantém uma biblioteca gratuita e doa livros no Terminal do Campo Limpo

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