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Presunçoso, tolo e mal escrito, livro do “menino do Acre” é um horror

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Rodrigo Casarin, no Página Cinco

Não pense em sexo, durma pouco, seja vegano e viva isolado. Essa é a base para que talvez você consiga se transformar em um gênio do quilate de Isaac Newton, Leonardo da Vinci ou Nikola Tesla.

Quem defende a ideia é Bruno Borges, mais conhecido como “o menino do Acre”, que ficou desaparecido durante mais de quatro meses e agora lançou “TAC – Teoria da Absorção do Conhecimento”. O livro, garantem, é a primeira parte do material que deixou criptografado pelas paredes de seu quarto em Rio Branco. O volume sai pela Arte e Vida, editora tão obscura quanto tudo o que envolve o caso.

Na obra, o autor tenta ensinar como alguém pode se tornar pleno para a absorção do conhecimento. A ideia é que sem gastar tempo com impulsos carnais, sem usufruir de alimentos que podem incentivar a gula, dormindo pouco e sem ter que se dedicar a terceiros, qualquer cidadão estaria em uma situação extremamente favorável para desenvolver criativamente suas ideias.

O problema é que, não bastasse a tese em si ser questionável, a argumentação de Bruno beira o cômico. “A importância de refrear os impulsos sexuais por parte de grandes homens que não tinham tempo para ações libidinosas, pois, como disse Santos Dumont, ‘ou constituo uma família ou renego isso e desenvolvo o avião’, é verificada no que diferencia o homem dos outros animais”, escreve, por exemplo, ignorando que Dumont, como Arthur Japin mostrou em seu “O Homem Com Asas”, era homossexual, o que contribuía para que tirasse o foco de sua sexualidade em uma sociedade extremamente homofóbica. (Observação: todas as citações deste texto estão exatamente como aparecem no livro, sem qualquer tipo de correção ou edição).

O autor se define como crudívoro – consome basicamente comida crua – e defende uma alimentação vegana porque assim a pessoa deixa “de se alimentar por coisas que dão uma série infindável, quando temperadas, claro de sabores e misturas alimentícias, na qual esta mesma pessoa que se abdicou disto sabia o quão prazeroso era. Ora, se este também fosse guloso como quem come de tudo, então como ele conseguiria se conter?”.

Já sobre o sono, defende que se durma pouco e de modo polifásico. Segundo ele, “sábios” como Thomas Edison, Jesus Cristo, Albert Einstein e Napoleão Bonaparte tiravam apenas sonecas de cerca de 2 horas. “Conta-se que Da Vinci dormia irrisórios 20 minutos diários”, relata, para depois se colocar junto dos grandes gênios:

“Eu mesmo, quando criando e me cerceando desta energia criativa e poderosa, durmo de 2 a 4 horas por dia, e, quando eu tinha 20 anos, passei uma semana dormindo 30 minutos diários e alguns dias eu não dormia, com todo o furor e sobre jejum eu me postava a desenvolver obras que me faziam ficar alarmantemente inspirado”.

Hitler e Gandhi no mesmo balaio

Chama a atenção nos escritos de Bruno as personalidades nas quais ele busca inspiração e baseia suas teorias. Em cinco linhas, vai de Aristóteles e Platão a Augusto Cury e não vê problema em colocar Gandhi e Adolf Hitler em um mesmo patamar de sabedoria. Michael Jackson também é figura fácil pelo livro. Outro músico ao qual faz referência é Raul Seixas, que, se não aparece explicitamente, claramente inspirou o seguinte trecho que precede a conceituação de elementos que servem de base para a TAC:

“Caso sinta-se distraído ou ache uma tarefa enfadonha estudá-las, o que obviamente não passa de 2 laudas, seria útil perdir-lhe somente mais um favor: cerre este livro de uma vez e senta-te sobre o gramado, escancare a tua boca cheia de dentes e espera a morte chegar”. Cópia descarada de “Ouro de Tolo”.

Pior livro que já resenhei

Bruno foi presunçoso ao escrever “TAC – Teoria da Absorção do Conhecimento”. “Espero que este estudo, baseado na maneira como utilizo para criar, que haja novas metodologias que alcancem a potência criadora que a minha proporciona e que possa servi-lhes como uma arma poderosa de auto revolucionar-se a si mesmo e ajudar no progresso da humanidade”.

O problema, sinto informá-lo, é que será muito difícil uma obra tão mal escrita ajudar em alguma coisa. Como disse, não fiz nenhuma edição ou correção nas citações aqui utilizadas, que deixam claro o nível do texto do garoto (“auto revolucionar-se a si mesmo” é uma grande pérola). Se o que viu até aqui ainda não foi o suficiente para notar o quanto Bruno escreve mal, dê uma olhada nesse outro trecho:

“Deste modo os ensinamentos que Sócrates passou a Platão ao tomar a cicuta que tirou a sua vida, fez de Platão o criador do tão famoso mito da caverna, pois Sócrates passava conhecimentos aos seus alunos a respeito da verdade por meio de lições, sem deixar nada escrito, e quando ele, tendo a opção de fugir, decidiu não aceitar a condição e se tornar um mártir, tomando a cicuta pelos seus ideais, deixava com este ato um último ensinamento para os alunos, e um de seus alunos foi Platão”.

“TAC – Teoria da Absorção do Conhecimento” é uma mistura de falta de noção e obviedades mal acabadas apresentadas em um texto terrível. “TAC – Teoria da Absorção do Conhecimento” é péssimo, um volume completamente dispensável, uma prova de que às vezes é melhor não ler nada. É triste que isso tenha ido parar até em listas dos mais vendidos. Em dez anos trabalhando com livros e literatura, jamais havia resenhado algo tão ruim.

“‘Guernica’ é o despertar de um transe”, diz o historiador T.J. Clark na Flip

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A partir de fotografias, britânico explica processo criativo do pintor espanhol Pablo Picasso

Aline Viana, no Último Segundo

O crítico e historiador britânico T.J. Clark deu uma aula sobre o processo criativo do pintor espanhol Pablo Picasso nesta quinta-feira (4) na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Durante sua fala na mesa “Olhando de novo para ‘Guernica’, de Picasso”, o historiador apoiou sua análise nas fotografias que a mulher do pintor, Dora Maar, tirou do quadro durante todas as fases de sua execução.

Aline Viana T.J. Clark participa de mesa na Flip 2013

Aline Viana
T.J. Clark participa de mesa na Flip 2013

A obra, que tem dimensões de 7,82m x 3,50m e representa o bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em abril de 1937, foi elaborada e concluída em pouco mais de um mês e se tornou uma das principais obras de arte do século 20.

“Os três anos que precederam ‘Guernica’ são complexos e difíceis para Picasso. Ele ficou meses sem pintar nada, fazendo gravuras, jogando todas as suas energias numa poesia esquisita e, ao meu ver, muito ruim. ‘Guernica’ é o despertar a esse transe”, revelou Clark.

AP O quadro 'Guernica', de Pablo Picasso

AP
O quadro ‘Guernica’, de Pablo Picasso

Para Clark, Picasso impôs vários desafios a si mesmo durante a execução do quadro. “[A obra] teria que ser retratada isolando os indivíduos como o terror isola as pessoas, mas em num espaço comum. A privacidade havia sido dilacerada. A sala dava lugar à rua. As pessoas teriam que estar de fato caindo pelas janelas, gritando. Havia o imperativo de tornar a dor pública. Significa situar isto no mundo exterior, encarnar a dor, torná-la real, material. São imperativos (criativos) nobres e a necessidade eventual do quadro de responder a esses imperativos é o que lhe dá vida tão longa”, analisou o historiador.

A opção por organizar a obra em um padrão hexagonal em um padrão de luz e sombras foi decidida no meio da produção. “Sempre houve críticos que detestaram a geometria de ‘Guernica’, que a consideravam acadêmica. Penso que Picasso queria produzir uma atividade tonal pesada, que contrabalançasse a luz e sombra. ‘Guernica’ sofre imensamente o preço da fama”, concluiu o historiador.

Universitários organizam ‘saiaço’ em congresso estudantil

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Alunos da Unicamp e de outras instituições vestirão a peça para protestar contra a homofobia
Manifestação vai acontecer em evento da União Estadual dos Estudantes, em São Paulo, este fim de semana

O estudante da Unicamp, André de Oliveira (camiseta amarela) e amigos em uma das mobilizações feitas no ano passado Reprodução de internet / Facebook

O estudante da Unicamp, André de Oliveira (camiseta amarela) e amigos em uma das mobilizações feitas no ano passado Reprodução de internet / Facebook

Eduardo Vanini, em O Globo

RIO – Estudantes de diferentes universidades estão se organizando para fazer um “saiaço” durante o Congresso da União Estadual dos Estudantes, em Ibiúna (SP), este sábado. Homens e mulheres vestirão saias para atrair olhares de toda a sociedade para o combate à homofobia e ao machismo. A convocação, feita pelo Coletivo Feminista Rosa Lilás, já conta com adesão de estudantes de Unicamp, Unesp, USP e UFSCAR, entre outras instituições.

Os “saiaços” se tornaram a forma mais recente de protesto contra homofobia em escolas e universidades. Alunos da USP realizaram uma manifestação em maio, assim como estudantes do Colégio Bandeirantes, em São Paulo.

O coordenador do DCE da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), André de Oliveira Ferrera, de 27 anos, é um dos participantes confirmados. Estudante de Química, ele não tem qualquer problema em usar saia, já tendo participado de outras duas manifestações do tipo.

— Percebemos que saciedade recebe esse comportamento com estranheza justamente por ser machista. E nosso objetivo é fazer com que as pessoas percebam como a opressão machista é ruim e precisa ser combatida — justifica.

Segundo a coordenadora do DCE e membro do coletivo feminista, Diana Nascimento, de 23 anos, os participantes devem usar a peça durante todo o dia e, ao final das atividades do congresso, haverá uma reunião para um bate-papo. Diana, que cursa Ciências Sociais na Unicamp, espera que a mobilização desperte a curiosidade de toda a sociedade para os temas em questão.

— Já fizemos três manifestações como esta desde o ano passado. Desta vez, queremos chamar a atenção da população para importância de se questionar políticos como o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC), que propaga a homofobia e preside Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados — explica Diana, acrescentando que essa temática precisa, inclusive, ganhar mais espaço dentro do próprio movimento estudantil.

Histórico

No ano passado, alunos da Unicamp já haviam lançado a campanha “Tirem suas saias do armário”, em um ato em memória do jornalista e militante da causa LGBT Lucas Cardoso Fortuna, que foi assassinado. Em maio deste ano, discentes da Universidade de São Paulo (USP) usaram a peça típica do vestuário feminino, enquanto alunas usaram gravatas, em apoio a um estudante de moda que foi ofendido pela internet depois de ir a aula usando saia.

Também em São Paulo, estudantes do ensino médio do Colégio Bandeirantes vestiram a peça depois de um jovem ter sido impedido de assistir aula por estar usando saia e outro ser suspenso pelo mesmo motivo. A manifestação também chegou à Universidade Federal do Amazonas, no começo deste mês, em uma ação contra os padrões convencionais de comportamento sexual.

Blogueiros resenhistas dizem que chegam a ler 70 livros em um só ano

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Danilo Leonardi, do vlog Cabine Literária.

Danilo Leonardi, do vlog Cabine Literária.

Fernanda Ezabella e Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo

Não é fácil medir o impacto que resenhas da internet têm sobre a venda de livros, mas um exemplo permite entender por que editoras têm investido nesse cenário.

O juvenil “A Seleção”, de Kiera Cass, lançado há sete meses pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras, vendeu 16 mil cópias quase sem aparecer na imprensa. Mas foi resenhado por blogs como o Garota It e o Literalmente Falando, que recebem uns 100 mil acessos por mês cada um.

Enquanto críticas feitas por especialistas em jornais fazem livreiros dar destaque aos títulos nas lojas, blogueiros atraem leitores de gosto similar e alimentam o boca a boca.

“É bem pessoal. Eles deixam claro que é o canto deles”, diz a gerente de marketing da Intrínseca, Heloiza Daou.

“O discurso não é ‘esse livro é ruim’, é ‘não gostei desse livro'”, diz Diana Passy, gerente de mídias sociais da Companhia das Letras. “E não basta escrever bem, tem que ser bom blogueiro, interagir com leitores, o que dá trabalho. É isso o que traz audiência.”

Os livros avaliados tendem a diferir daqueles que frequentam cadernos de cultura. Embora blogs como o Posfácio priorizem não ficção e literatura adulta, predominam entre parceiros de editoras os juvenis, femininos e de fantasia.

“Costumamos dizer ‘esse livro funciona para blog’ e ‘esse funciona para a imprensa'”, diz Tatiany Leite, 20, analista de comunicação na LeYa e fruto desse cenário -foi trabalhar na editora após se destacar com o blog Vá Ler um Livro.

A proximidade dos blogs também serve para as editoras conhecerem seu público, com estatísticas. Segundo a Instrínseca, 82% de seus blogueiros são mulheres e 63% moram na região Sudeste.

Dos 779 que disputaram vagas em janeiro na Companhia das Letras, a maioria tem de 20 a 24 anos (30%) e diz ler de 51 a 70 livros ao ano (22%). Isso num país em que a média anual é de quatro livros incompletos, segundo a pesquisa Retratos da Leitura de 2012.

INDEPENDÊNCIA

Um ponto delicado diz respeito à independência de blogueiros que fecham acordos com editoras ou daqueles que fazem resenhas pagas.

O paulista Danilo Leonardi, 26, que desde 2010 comanda no YouTube o Cabine Literária, com resenhas em vídeo, diz não ficar constrangido de avaliar negativamente obras de editoras de quem é parceiro.

“A partir do momento em que dediquei meu tempo ao livro, me sinto no direito de falar o que achei. Mas já aconteceu de eu desistir de resenhar um livro que achei ruim de uma editora menor, para evitar prejudicá-la.”

Cobrar por críticas seria antiético, considera ele, que fatura só com vídeos não opinativos –recebe até R$ 700 por entrevistas com autores independentes. A meta de Danilo, servidor da Caixa Econômica Federal, é fazer do Cabine seu ganha-pão.

A tradutora carioca Ana Grilo, 37, que mora na Inglaterra, assina com uma amiga o blog The Book Smugglers (os contrabandistas de livros), escrito em inglês, e colabora como resenhista para o Kirkus Review, que cobra até R$ 1.000 por resenha.

Diz que o pagamento não altera resultados. “Temos controle sobre o que escrevemos. Raramente damos nota acima de oito para os livros.”

Já em seu próprio blog, Ana resenha por hobby, sem cobrar. Aceita anúncios, que rendem até R$ 2.200 ao mês.

Os 110 mil acessos mensais do Book Smugglers a fazem receber, a cada mês, cem livros de autores e editoras, dos quais ela diz ler uns quatro por semana. “Lemos muita coisa ruim, mas também verdadeiros tesouros.”

AMAZON E GOODREADS

Perder tempo com má literatura é algo que o empresário Donald Mitchell, 66, diz se recusar a fazer. Integrante do “hall da fama” de resenhistas da Amazon, ranking dos usuários que mais avaliaram livros no site, já publicou mais de 4.200 avaliações positivas.

A proficuidade e a benevolência lhe rendem um assédio de 40 pedidos diários de resenhas. “Digo aos autores que não vou resenhar se não gostar”, diz ele, que lê até três livros por semana e os resenha, por gosto, desde 1999.

Por anos, Mitchell pediu doações para a ONG cristã Habitat for Humanity em troca das resenhas. Chegou a levantar R$ 70 mil. “Nunca toquei no dinheiro, mas a Amazon reclamou e eu parei.”

Ele se refere a uma mudança de regras da loja, em 2012. Ao perceber que o comércio de avaliações tirava a credibilidade desse espaço no site, deletou várias delas. Uma pesquisa da Universidade de Illinois constatara que 80% das resenhas na loja davam aos livros quatro ou cinco estrelas, as duas maiores cotações.

Outra prova de que a loja valoriza resenhas on-line foi a compra, em março, do GoodReads, rede de indicações de livros com 17 milhões de membros. Suzanne Skyvara, vice-presidente de comunicação do GoodReads, diz que a transparência é o segredo. “Mostramos quanta resenhas cada usuário faz e sua média de cotações.”

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