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Livro reúne textos antológicos de Ruy Castro, que comemora 50 anos de jornalismo

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Ruy Castro avisa: 'Escrever às pressas não é desculpa para escrever mal'. (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Pres)

Ruy Castro avisa: ‘Escrever às pressas não é desculpa para escrever mal’. (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Pres)

 

‘Trêfego e peralta’ reúne artigos do autor mineiro que se especializou em dissecar a descrever a vida de personalidades

Angela Faria, no UAI

Ruy Castro hipnotiza o leitor – assim como foi hipnotizado “pelo ouvido” em suas conversas telefônicas com João Gilberto. Parece fácil escrever tão “simples”. Ledo engano. O ofício exige pesquisas exaustivas, 400 perguntas planejadas para apenas um entrevistado, guerra sem trégua aos clichês. Trêfego e peralta: 50 textos deliciosamente incorretos não deixa de ser oportuna provocação ao jornalismo do século 21, às voltas com a fugacidade do mundo on-line. Organizado pela escritora Heloisa Seixas, o livro traz artigos e entrevistas publicados desde 1977 e comemora meio século de labuta do repórter.

Nenhuma das 345 páginas tem ranço de passado. E olha que Ruy, de 69 anos, fala de pecados como o prazer de degustar um cigarro. Bom de prosa, instiga Millôr Fernandes a filosofar e a falar do próprio machismo. Desarma o espertíssimo Ibrahim Sued. João Gilberto, Xuxa, príncipe Charles e a Chita do Tarzan ainda conseguem nos surpreender, tantos anos depois da publicação daqueles artigos. Mas o que dá gosto, mesmo, é descobrir “anônimos”, gente como o figuraça José do Patrocínio de Oliveira, a encarnação humana do Zé Carioca. Infelizmente, ficou faltando a “ping-pong” com Tim Maia, lamenta o mineiro de Caratinga, autor das impecáveis biografias de Nelson Rodrigues, Carmen Miranda e Garrincha.

Cinquenta anos de profissão, meio século de redação… O ofício de repórter ainda te fascina? Ou você se sente, hoje, escritor, biógrafo e “ex-jornalista”?

Nunca deixei de ser jornalista. Foi a primeira e única coisa que pensei ser na vida, e bota tempo nisso – mais de 60 anos (risos). O que aconteceu foi que, a partir de 1988, já estava fora das redações, trabalhando em casa. Hoje isso é comum, mas, em 1988, não era. Aí comecei a trabalhar com livros e a vida mudou. Mas nunca abandonei a imprensa. Em todo esse período, mesmo soltando um livro atrás do outro, não se passou um dia em que eu não estivesse ligado a algum veículo como colaborador fixo – ponha aí a Folha, o Estado de S. Paulo, o Jornal do Brasil e, por um breve período, O Globo e o Extra, além de inúmeras revistas. Há 10 anos sou colunista quatro vezes por semana da página 2 da Folha.

Selecionar os 50 textos do livro foi uma “escolha de Sofia”? A missão coube à escritora Heloisa Seixas, mas queria saber como você se sentiu ao se deparar com o “resumo da obra”. Doeu deixar algo de fora?
Trêfego e peralta não é um “resumo da obra”… É uma coletânea de textos provocativos e inéditos – só isso já define bem o escopo da escolha. As “escolhas de Sofia”, portanto, foram dentro desses limites. Mas, sim, doeu deixar de fora a entrevista que fiz com Tim Maia para a Playboy – a editora nos desaconselhou porque a família do Tim é muito chata, cria caso por qualquer coisa – e, no texto, que é de matar de rir, ele arrebentava com o Roberto Carlos…

É uma arte republicar artigos de tantos anos atrás sem soar a “coisa do passado”. Qual é o segredo dessa atemporalidade?
Você tem razão, há uma certa ciência em fazer uma seleção como esta – ponto para a Heloisa. Na verdade, este é um livro sobre jornalismo – sobre as diversas maneiras de fazer jornalismo. Contém reportagem, entrevista, artigo, crônica, tudo. Nas entrevistas (com Ibrahim Sued, Millôr Fernandes e Elsimar Coutinho), espero que o leitor perceba o trabalho do entrevistador, de como ele se preparou para enfrentar o entrevistado, como o cercou para não deixar nenhuma pergunta sem resposta e como fez isto no nível do entrevistado. Em outros textos, como o sobre a inundação da biblioteca da USP ou sobre o lançamento do LP da Xuxa, a ideia era mostrar que, por mais insignificante o assunto, pode-se tratá-lo de modo a ser informativo, satisfazer o leitor do jornal daquele dia e ainda continuar interessante em livro mais de 30 anos depois.

O primeiro artigo fala de clichês, o “pecado de cada dia” do jornalismo. Bolsas despencando, mercado nervoso… Quais são os clichês contemporâneos que mais te incomodam?
Ah, muitos hoje me incomodam… O “entrar em estúdio” para gravar um disco é indestrutível. Outros são “ponto fora da curva”, “zona de conforto”. Essa é a vantagem de usar o clichê – ele sai direto, não precisa passar pelo cérebro.

A guerra contra os clichês está perdida? A internet veio complicar ainda mais o quadro?

Em duas palavras: sim. Você brilha em assuntos, digamos, “fora da caixinha” – olha o clichê aí… O artigo sobre o cocô é um deles. Como escrever sobre algo que o público rejeita e, ao mesmo tempo, atrair esse leitor? Antes de escrever, costumo pensar sobre o assunto. Geralmente, só começo a pô-lo no papel –digo, na tela – depois que ele foi bem trabalhado na cabeça. Claro que, no calor de uma redação – e vários textos de Trêfego e peralta foram produzidos nesse calor –, nem sempre se tem muito tempo. É preciso, então, aprender a pensar rápido. Mas, como não se pode controlar tudo, muitas vezes uma frase engraçada ou reveladora sai de um jato, espontaneamente, sem você esperar. É uma das magias de escrever.

Em Desconstruindo heróis, você fala de Lillian Hellman, Jack Kerouac, Gay Talese, ídolos de muita gente. Se fosse para escrever o Desconstruindo hoje, em quem você miraria?
Sinceramente, eu acompanho pouco o movimento atual. Ficam espantados quando pergunto sobre o que Fulano ou Beltrano faz – como se eu tivesse obrigação de saber. Fico confuso com essa quantidade de Alexandres na praça – deve haver hoje uns 10 Alexandres famosos, não? E os Cauês e Luans? E os Luês e Cauans? Estou brincando (risos). É que, há quase um ano, tenho passado o dia mergulhado no Rio dos anos de 1920 (para o novo livro) e sem muito tempo para me dedicar à vida real. E vou continuar nos anos 20 pelos próximos dois anos!

Depois de meio século de jornalismo, há alguém que você ainda sonha entrevistar? Qual foi a entrevista que você mais gostaria de fazer – e não fez?
Ah, sim, se eu estivesse na ativa, gostaria de entrevistar os grandes caras-de-pau do país – Temer e Lula, principalmente. Mas será que ainda há um veículo como a antiga Playboy, capaz de assimilar uma entrevista de sete ou oito horas de fita gravada, 60 laudas de transcrição e 20 páginas na revista impressa? Esta era a minha média na Playboy e na Status nos anos 80 e 90. Cada entrevista me tomava um mês de preparação antes de ir encarar o entrevistado. Quem pagaria por isso hoje? E eu próprio não tenho mais gás para essa maratona. Dos que já pegaram o boné, lamento nunca ter entrevistado Otto Lara Resende – me dava com ele, mas nunca pintou. E acho uma vergonha ter sido tão íntimo de certas pessoas – Paulo Francis, Ivan Lessa, Decio Pignatari, Ronaldo Bôscoli – e nunca ter havido um microfone em nossas conversas. Talvez a amizade também atrapalhasse.

Discute-se muito o futuro do jornal impresso. Há quem garanta que ele vai acabar. É mesmo só questão de tempo?
Não me incomodarei se os jornais impressos ficarem menores, mais analíticos e com informação enxuta, mas exclusiva e de alto nível. Mas, para isso, os on-lines terão de melhorar muito. São pessimamente escritos e escrever às pressas não é desculpa para escrever mal. Quem me parece correr grande risco também é a televisão – a geração dos meus netos, por exemplo, não passa nem perto.

13 frases inesquecíveis de Nelson Rodrigues

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Bruno Vaiano, na Galileu

Já virou piada faz tempo o número de frases atribuídas erroneamente a Clarice Lispector, Caio Fernando de Abreu ou Albert Einstein nas redes sociais. Difícil mesmo seria inventar uma frase que Nelson Rodrigues já não tenha dito de um jeito duas vezes melhor. O dramaturgo e cronista pernambucano, quefaria 104 anos hoje se estivesse vivo, tinha um comentário curto e grosso sobre quase qualquer assunto que você possa imaginar. Morreu em 21 de dezembro de 1980, aos 68 anos.

(Foto: Acervo Editora Globo / Editora Globo)

(Foto: Acervo Editora Globo / Editora Globo)

 

Se algumas de suas frases são de um machismo e conservadorismo impensável nos dias atuais – o autor se declarava reacionário e apoiou a ditadura militar –, outras são tão atuais e verdadeiras hoje quanto eram no século passado. Nelson era um homem de mais faces que o estigma que atribuiu a si mesmo, e retratou o Brasil de uma maneira insuperável, para o terror da moral e dos bons costumes. A GALILEU selecionou algumas frases inesquecíveis, ácidas e verdadeiras do jornalista sobre os temas mais variados.

1 – Sobre o crush:

“A beleza interessa nos primeiros quinze dias; e morre, em seguida, num insuportável tédio visual.”

2 – Sobre os políticos:

“Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.”

3 – Sobre ser malandro:

“Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.”

4 – Sobre censura:

“Não admito censura nem de Jesus Cristo.”

5 – Sobre síndrome de vira-lata:

“O Brasil é muito impopular no Brasil.”

6 – Sobre a dignidade no transporte público às seis da tarde:

“O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.”

7 – Sobre o subdesenvolvimento:

“Subdesenvolvimento não se improvisa; é obra de séculos.”

8 – Sobre sexo:

“Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante.”

9 – Sobre a psicanálise:

“Entre o psicanalista e o doente, o mais perigoso é o psicanalista.”

10 – Sobre a própria voz:

“Não gosto de minha voz. Eu a tenho sob protesto. Há, entre mim e minha voz, uma incompatibilidade irreversível”.

11 – Sobre o silêncio:

A maioria das pessoas imagina que o importante, no diálogo, é a palavra. Engano, e repito: o importante é a pausa. É na pausa que duas pessoas se entendem e entram em comunhão.

12 – Sobre muita gente pensar a mesma coisa:

“Toda unanimidade é burra.”

13 – Sobre a valorização do indivíduo:

“Qualquer indivíduo é mais importante que toda a Via Láctea.”

Essas e outras 1000 estão disponíveis na coletânea Flor de obsessão: As 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues, organizada por Ruy Castro, também autor da biografia do autor, O Anjo Pornográfico.

*Com supervisão de Isabela Moreira

Literatura entra em campo na Casa Brasil durante a Olimpíada

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A jornalista Miriam Leitão é uma das convidadas do "Jabuti entre autores e leitores" - Zé Paulo Cardeal / Divulgação

A jornalista Miriam Leitão é uma das convidadas do “Jabuti entre autores e leitores” – Zé Paulo Cardeal / Divulgação

Debates vão reunir Sérgio Rodrigues, Ruy Castro, Edney Silvestre e Miriam Leitão

Leonardo Cazes, em O Globo

RIO – A literatura também entrará em campo na Olimpíada do Rio. Hoje e amanhã, na Casa Brasil, localizada na Zona Portuária, escritores vão participar dos encontros “Jabuti entre autores e leitores”, organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), sempre às 16h, com mediação do editor Carlos Andreazza. Na primeira mesa, Sérgio Rodrigues e Ruy Castro vão discutir “Literatura e futebol do Brasil para o mundo”. Rodrigues é autor do romance “O drible” (Companhia das Letras), finalista do prêmio. Ele conta que para construir “O drible”, a biografia de Castro sobre Nelson Rodrigues foi decisiva.

— O Ruy é autor do livro mais importante sobre o futebol brasileiro, a biografia do Garrincha. Mas, para mim, especificamente, a biografia do Nelson Rodrigues foi fundamental. Quando eu li, o Nelson se transformou num amigo íntimo meu. É muito possível que “O drible” não existisse se eu não tivesse ficado amigo do Nelson — diz o escritor. — Nelson Rodrigues é o grande texto sobre futebol do Brasil. Qualquer pessoa que vai escrever ficção de futebol precisa acertar contas com ele de alguma forma.

Ruy Castro lembra que o seu livro sobre Garrincha, “Estrela solitária” (Companhia das Letras), foi pioneiro nas biografias de futebol. Publicado em 1995, a comercialização da obra foi suspensa um mês após o lançamento por causa de uma ação judicial da família do craque. Isso não impediu, entretanto, que o livro ganhasse o Jabuti nas categorias biografia e livro do ano de não ficção em 1996.

— Foi um gesto sensacional da CBL premiar uma obra que, naquele momento, estava proibida há sete meses. Foi um manifesto em defesa da liberdade de expressão. Na época, eu não sabia quando o livro seria liberado novamente — conta Castro. — Os livros de futebol que existiam até então eram muito técnicos, especializados. Eu queria falar do ser humano Garrincha, que por acaso trabalhava de calção e chuteira.

PARA APONTAR CAMINHOS

No domingo, será a vez de os jornalistas e escritores Miriam Leitão e Edney Silvestre conversarem sobre “Literatura brasileira de hoje para o mundo de hoje”. Miriam é autora de mais de uma dezena de livros de ficção e não ficção e ficou especialmente feliz pelo fato de o encontro acontecer na região do porto do Rio. Uma visita às ruínas do Cais do Valongo, próximo à Casa Brasil, para uma reportagem, inspirou o seu romance “Tempos extremos” (Intrínseca). Ela afirma que o ofício de jornalista atravessa sua produção literária.

— O tempo todo o jornalismo informa a minha ficção. Não quero deixá-lo porque as minhas viagens e reportagens são a minha matéria-prima — explica Miriam, que ganhou o Jabuti ao contar a história da luta contra a inflação. — “Saga brasileira” (Record) é um livro sobre um momento de superação épico do Brasil, de vencer uma inflação de dois dígitos que durava 50 anos.

Edney Silvestre acredita que os livros são capazes de apontar caminhos para o país num momento tão conturbado.

— Na França, já me falaram que o meu romance “Se eu fechar os olhos agora” (Record) ajuda a entender o Brasil — diz Silvestre. — A realidade de todo país é complexa, mas a nossa é um pouco mais. Particularmente neste momento, com tantas reviravoltas, os livros contribuem para a reflexão.

No Brasil, ler é coisa que se faz por obrigação

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O Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio - Luísa Alcantara e Silva/Folhapress

O Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio – Luísa Alcantara e Silva/Folhapress

 

Ruy Castro, na Folha de S.Paulo

Há tempos, assisti a um comercial de TV sobre um produto esportivo, talvez um tênis, cujo mote era a necessidade de “liberar o corpo”. O anúncio falava de pessoas “reprimidas”, que seriam mais felizes se vivessem ao ar livre usando o produto. Entre estas, mostrava uma moça sentada, lendo um livro, dentro de uma biblioteca – o Real Gabinete Português de Leitura, no centro do Rio. Mensagem subliminar: a leitura é uma chatice, uma obrigação, o contrário de ser livre e feliz.

Uma pesquisa recente do Instituto Pró-Livro e do Ibope, “Retratos da Leitura no Brasil”, citada pelo colunista Antônio Gois, do “Globo”, traz dados alarmantes: 44% da população brasileira não têm o hábito de ler livros, e esse número não se alterou nos últimos 12 anos. Apenas 33% dos brasileiros tiveram a influência de alguém para adquirir o gosto pela leitura, quase sempre a mãe – o que não é um mal, mas por que não citar igualmente um professor?

Porque, diz a pesquisa, os professores também leem pouco e mal. Embora 84% tenham dito que leram um livro nos três meses anteriores à pesquisa, a maioria não se lembra do título ou não respondeu, e, quando se lembra, o mais citado é a Bíblia. Sim, não podemos nos esquecer dos seus baixos salários, que os impedem de comprar livros. Mas não é para isto que existem as bibliotecas?

Não no Brasil. Segundo a pesquisa, 75% dos entrevistados associam a biblioteca a um lugar para estudar ou pesquisar (naturalmente, por obrigação), não como um espaço de lazer, para ler por prazer, trocar livros ou fazer amigos. Em 2015, apenas 53% das escolas brasileiras tinham biblioteca ou sala de leitura.

Quanto ao Real Gabinete Português de Leitura, um monumento carioca, sua beleza faz dele um cenário requisitado pelos comerciais de TV. Até para veicular mensagens que o degradam e ofendem.

Ruy Castro conta para crianças como se faz uma biografia

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Publicado na Folha de S.Paulo

ruy-castroDesde garoto, sempre gostei de ler biografias.

Sei bem que ler romances -de aventuras, terror, mistério, ciência- é uma experiência fabulosa e, ainda de calças curtas, também mergulhei neles: “Ela, a Feiticeira”, “Os Três Mosqueteiros”, “A Ilha do Tesouro”, “Drácula”, “As Aventuras de Sherlock Holmes”, “A Máquina do Tempo”, muitos mais. Mas as biografias são diferentes.

O romancista não tem limites ao escrever. Pode (e deve) inventar o que quiser -o que significa que o seu personagem irá realizar as façanhas mais difíceis, heroicas e maravilhosas.

Mas o biógrafo não tem essa liberdade. Não pode inventar nada. Tem de respeitar os fatos. Se ele se propõe a contar a vida de alguém, é obrigatório que só conte o que aconteceu.

Então, como tornar esse personagem interessante? -perguntará você. Bem, aí é que está. De cara, o biografado já tem de ser interessante. E o biógrafo precisa se esforçar para descobrir coisas ainda mais interessantes sobre ele.

Como descobrir essas coisas interessantes? No caso de o biografado ser um personagem da história, como Cleópatra, Da Vinci, Cristóvão Colombo, Mozart ou Picasso, que viveram há dezenas ou centenas de anos, já existe muito material sobre eles.

Compete ao biógrafo mergulhar nesse material e tentar aprender coisas novas ou menos conhecidas. Esses grandes homens e mulheres tiveram vidas tão ricas que sempre rendem boas biografias.

Mas, e se o biografado ainda estiver vivo ou tiver morrido há pouco? Nesse caso, o biógrafo não deve ficar em casa. Tem de sair para entrevistar o maior número possível de pessoas que conviveram com o biografado. É dessas dezenas, centenas de entrevistas que ele aprenderá tudo sobre o biografado.

E este é o desafio: fazer com que um personagem da vida real seja tão incrível quanto um da ficção -e, para isso, usando apenas as informações.

É o trabalho mais fascinante que pode existir. Durante algum tempo, o biógrafo se muda para dentro da vida do biografado, já pensou?

Não sei se você sabe, mas eu sou um biógrafo. Esta é a minha profissão. E eu não queria ter nenhuma outra.

RUY CASTRO escreveu, entre outras, a biografia do escritor Nelson Rodrigues, do jogador Garrincha e da cantora Carmen Miranda.

 

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