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Professores metaleiros usam Black Sabbath para ensinar física e história

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Doutorando de SP liga rock a astronomia; aula no PR ataca ‘preconceitos’.
‘Não sabia da relação entre metal e física; aula fica mais viva’, diz aluno.

Emerson Gomes, que faz doutorado na USP sobre heavy metal e astronomia, dá aula em escola estadual de Iperó (SP). Ele usa música do Black Sabbath e despertar atenção dos alunos ao tema (Foto: Arquivo Pessoal)

Emerson Gomes, que faz doutorado na USP sobre heavy metal e astronomia, dá aula em escola estadual de Iperó (SP). Ele usa música do Black Sabbath e despertar atenção dos alunos ao tema (Foto: Arquivo Pessoal)

Rodrigo Ortega, no G1

Músicas do Black Sabbath e outras bandas de heavy metal são usadas em salas de aula de astronomia e história por professores em São Paulo e no Paraná. O paulista Emerson Gomes, de 35 anos, desenvolve uma tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) sobre a relação entre hits do metal e o ensino da corrida espacial nos anos 1960 e 1970. Já o paranaense Ramon Dimbarre, de 21 anos, completou licenciatura em história na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), onde criou uma oficina que liga rock pesado a temas como religião e tribos urbanas. Os dois levam os hinos dos fãs de camisas preta para o quadro negro.

Os dois apresentaram trabalhos no fim de setembro deste ano na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), durante o Congresso Internacional de Estudos do Rock. Entre as pesquisas mostradas, algumas relacionam música e educação. O foco no heavy metal é comum entre Ramon e Emerson.

Temas ‘cabeludos’

Para os dois professores, basear-se em canções do Black Sabbath ajuda a instigar o interesse dos alunos por temas “cabeludos”, que podem ir desde lutas sociais da classe trabalhadora inglesa até o desenvovimento tecnológico e espacial promovido pelos EUA e pela União Soviética.

Emerson Gomes resolve dúvida de aluno em aula que liga heavy metal e física (Foto: Arquivo Pessoal)

Emerson Gomes resolve dúvida de aluno em aula
que liga heavy metal e física (Foto: Arquivo Pessoal)

Vestido com camisa do Slayer, Emerson coloca para tocar em suas aulas em Iperó (SP) três músicas de grupos de heavy metal, com letras que comentam a corrida espacial e o desenvolvimento da tecnologia nos anos 1960 e 1970, tema comum no rock da época: “Iron Man”, do Black Sabbath, “Space Truckin'”, do Deep Purple, e “Astronomy”, do Blue Öyster Cult.

“Os estudantes do 3° ano do ensino médio estão estudando temas relacionados à física moderna e à astronomia e investigam na letra as questões científicas, associando os conceitos às tecnologias e à sociedade”, diz o professor.

A letra do Black Sabbath, por exemplo, expõe as dúvidas de que a tecnologia pudesse se voltar contra as pessoas, na época da chegada do homem à Lua.

“Agora é a hora de o homem de ferro espalhar o medo / Vingança do túmulo, matando as pessoas que um dia salvou”, canta Ozzy Osbourne em “Iron man”. “A ideia me surpreendeu. Não imaginei que poderíamos ir além nas aulas de física, usando heavy metal. A aula fica mais ‘viva'”, diz Jonas Martins, de 18 anos, aluno de Emerson. “Nenhum de nós sabia que os ‘clássicos’ do rock tinham uma relação tão forte com a física”, completa o estudante.

Nas aulas, alunos ouvem músicas sobre corrida espacial e crescimento da tecnologia nos anos 1960 e 1970. ‘Iron Man’, do Sabbath, ‘Space Truckin’, do Deep Purple, e ‘Astronomy’, do Blue Öyster Cult, são tocadas

Emerson faz altos voos conceituais na dissertação “Rock e astronomia: O uso da canção no ensino de física numa perspectiva sociocultural”, que foi abordada no Congresso do Rock (leia).

“Tanto as missões espaciais quanto o som produzido pelo rock derivam da consolidação da eletrônica”, explica o professor. Na opinião dele, saber que os rockstars ficam animados com assuntos científicos deixa os alunos mais seguros para aprender também.

Aspirante a mestre metaleiro

Ramon Dimbarre, que recebeu recentemente o título de professor de história pela UEPG, usou o heavy metal para ensinar a disciplina em oficinas destinadas a alunos do ensino médio. Os cursos abordam temas como religião e tribos urbanas “sem preconceitos”, segundo ele.

“O heavy metal tem perfil contestatório, discute psicologia, religião e política”, diz o fã de Iron Maiden, Manowar e Judas Priest, que formulou uma apostila para alunos de um colégio de Ponta Grossa. O trabalho apresentado por Ramon no Congresso do Rock se chama “O heavy metal no ensino: Desmistificando ideias e superando preconceitos pelo conhecimento histórico” (leia), em coautoria com Silvana de Carvalho. O Black Sabbath tem destaque nos estudos do professor. “O interesse da banda foi além do âmbito das crises econômicas, discutiram sobre receios e pensamentos. Quando compuseram sobre medos, resgataram símbolos religiosos e questionaram sua validade para a sociedade contemporânea”, destaca o aspirante a mestre metaleiro.

O mundo da literatura em 2012

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Publicado por Zero Hora

Veja os fatos que marcaram o ano no mundo dos livros

Cinquenta Tons de Cinza, livro mais comentado do ano Foto: Divulgação / Divulgação

Cinza foi a cor da estação no mundo literário em 2012. Seja pela sobriedade das telas dos e-readers, cada vez mais acessíveis e disputanto as atenções dos leitores, seja pela trilogia Cinquenta Tons de Cinza, best-seller erótico (e onipresente) que se grudou como carrapato no topo das listas de mais vendidos.

Prazer milionário
O livro-fenômeno de 2012 começou como uma ficção de fã com os personagens da saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer, e depois varreu o planeta, trazendo sexo sadomasô para a receita mais ou menos uniforme dos best-sellers românticos açucarados. O livro da executiva de TV inglesa E.L. James vendeu mais de 40 milhões de exemplares ao redor do mundo

Saiu de cena
Philip Roth, autor de obras-primas como Complexo de Portnoy e O Teatro de Sabbath e considerado por muitos o maior escritor americano vivo, declarou em uma entrevista, em novembro, que não vai mais escrever. Nêmesis, romance de 2010, foi seu último trabalho.

– A batalha com a escrita terminou – disse.

Os ausentes
Ano de grandes perdas, algumas delas gigantescas. Foi-se, em março, uma das mais radicais e irreventes inteligências brasileiras, Millôr Fernandes. Em agosto, calou-se outro intelectual de verve crítica indomável, o patrício das letras americanas, Gore Vidal. Outros ausentes incluem o romancista mineiro Autran Dourado, o ex-diretor do Instituto Estadual do Livro,Arnaldo Campos (ambos em setembro), o autor e diretor Alcione Araújo (novembro) e o poeta e ensaísta Décio Pignatari (dezembro).

Leitura digital
O mercado brasileiro de potenciais leitores digitais tornou-se cobiçado. A Livraria Cultura lançou seu modelo de leitor eletrônico, o Kobo. A gigante Amazon estreou versão nacional de seu site de vendas e baixou o preço do Kindle. A Apple lançou no Brasil sua livraria virtual – com e-books nacionais.

Susto Verissimo
O maior susto na literatura brasileira foi aplicado por uma gripe. Depois de contrair uma gripe comum, Luis Fernando Verissimo desenvolveu uma infecção generalizada e ficou 23 dias hospitalizado, 12 deles no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Moinhos de Vento. O criador d’A Família Brasil recebeu alta no dia 14 de dezembro e agora se dedica à recuperação.

Jabuti polêmico
Um dos jurados do Jabuti na categoria romance, Rodrigo Gurgel, resolveu alavancar as chances dos livros que apreciou, dando notas muito baixas aos demais. Acabou decidindo o prêmio praticamente sozinho. O romance Nihonjin, de Oscar Nakasato, foi o surpreendente vencedor.

Nobel silencioso
Mo Yan, autor de mais de 30 romances, nenhum deles editado no Brasil, foi agraciado com o Nobel de Literatura. O pseudônimo Mo Yan significa”Não Fale”. A premiação, a primeira a um chinês não exilado ou perseguido, provocou polêmica.

Tradutor maluco
Caetano W. Galindo tira de letra desafios de enlouquecer um tradutor. Em 2012, foram publicadas suas versões para Ulysses, de James Joyce, e Contra o Dia, de Thomas Pynchon (1.080 p.). Ele traduz agora Infinite Jest, de David Foster Wallace (1.090 p.).

Faltou um
Um capítulo inteiro desapareceu da edição em papel de A Dança dos Dragões, quinto episódio da série Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin.A editora Leya precisou recolher e reimprimir uma edição de 150 mil exemplares.

Os livros do ano
>Solidão Continental, de João Gilberto Noll: Uma jornada em busca do outro, qualquer outro.
>Contra o Dia, de Thomas Pynchon: Paranoia, aventura e vaudeville em mil páginas.
>O Céu dos Suicidas, de Ricardo Lísias: A busca pelo sentido de um suicídio.
>O Sentido de um Fim, de Julian Barnes: A busca pelo sentido de outro suicídio.
>1Q84, de Haruki Murakami: Mundo paralelo em bestseller japonês.
>Os Enamoramentos, de Javier Marías: De perto, nenhum casamento é normal.
>Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera: Jovem busca sua identidade no destino de seu avô.
>Tigres no Espelho, de George Steiner: Ensaios iluminados.
>O Espírito da Prosa, de Cristóvão Tezza: Misto de ensaio e biografia.
>Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio que Longe de Tudo, de David Foster Wallace: Belos ensaios
prolixos.

dica do Jarbas Aragão

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