Contando e Cantando (Volume 2)

Posts tagged Saem

Transformando lixo em livros: Biblioteca com 1,2 mil livros é inaugurada em Jardim Gramacho

0

Publicado no Hypeness

O Rio de Janeiro é formado por pequenas ilhas ricas e paradisíacas, tendo as praias e os bairros nobres como cenários, porém quase sempre cercados de sintomas da pobreza, da desigualdade social e do descaso público. E, nem tão longe desse universo paradoxal, existe algo ainda pior. Distante 30 quilômetros das praias da Zona Sul carioca, encontramos o bairro de Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias.

Lá, de 1976 a 2012, funcionou o maior lixão da América Latina, que recebia, na época, cerca de 7 mil toneladas diárias de rejeitos químicos e orgânicos, que acabavam, em sua maioria, nas águas da Baía de Guanabara. Durante os 36 anos de funcionamento, cerca de 1800 catadores trabalharam no local, mas com a confirmação de que o Rio se tornaria sede das Olimpíadas, em junho de 2012 o lixão foi, enfim, desativado.

O que era o princípio de uma boa notícia, tornou-se, no entanto, incerteza e medo para as famílias que moravam em Jardim Gramacho ou nos arredores, e que dependiam do lixo como única fonte de renda. Hoje, passados seis anos de seu fechamento, cerca de 300 catadores trabalham em 18 cooperativas de reciclagem de lixo da região, mas outros 4 mil estão sem ocupação ou mesmo perspectiva, agravando ainda mais a situação de pobreza extrema em que já viviam.

Saem as toneladas de lixo e entram milhares de livros

Em meio à situação de miséria e vulnerabilidade social, uma esperança acaba de surgir em Jardim Gramacho: uma biblioteca comunitária cujo principal objetivo é proporcionar o contato dos catadores de material reciclável, e de toda a comunidade do seu entorno, com a literatura. A iniciativa conhecida como Cantos de Leitura procura, através da educação e da literatura, ajudar a criar novas páginas para a história deste bairro.

“A ideia do projeto é criar espaços agradáveis e lúdicos de socialização em comunidades, utilizando a leitura como atrativo e ponto de encontro”, afirma Kátia Rocha, CEO da Rede Educare. “É claro que um projeto de tal natureza, quando levado a um local extremo e simbólico como Jardim Gramacho, ganha um peso, uma densidade e um sentido ainda mais fortes”, completa.

O Cantos de Leitura localizado no famoso bairro de Duque de Caxias é o quarto inaugurado no Rio de Janeiro, só em 2018, e a décima edição aberta no País pela Rede Educare com o patrocínio da Ball Embalagens para Bebidas América do Sul nos últimos dois anos.

Construída em um espaço de 41 metros quadrados, no mesmo galpão onde também funciona um projeto voltado para orientar jovens grávidas, a biblioteca de Gramacho oferece clássicos como Jorge Amado e Clarice Lispector e até livros mais recentes, como Harry Potter e Percy Jackson. O projeto pensa na leitura como um direito humano essencial, que pode ajudar a ampliar o campo de interesses dos moradores, oferecendo oportunidades para aprimorar o comportamento, o desempenho escolar (ou até mesmo iniciar uma trajetória escolar), além de funcionar como alternativa ao crime e às drogas, por exemplo.

A Ball, a maior fabricante de latas de alumínio do mundo, investiu R$ 400 mil só nas quatro unidades do Rio de Janeiro, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura.

Mas a participação da empresa não se restringiu somente às bibliotecas abertas em Jardim Gramacho, Três Rios, Itaguaí e Nova Iguaçu (RJ). Outras seis foram inauguradas em cooperativas de reciclagem pelo Brasil. São elas: Reciclázaro (SP), Aliança (AM), Cooperfênix (DF), Pró-Recife (PE), Agentes Ecológicos de Canabrava (SAA) e Reciclando Pela Vida (POA).

Saiba quais são os livros com maior tiragem no Brasil

0

Mais do que best-sellers, buscam-se agora os chamados mega-sellers

Marcelo Gonzatto no Zero Hora

O mercado editorial brasileiro atualmente é movido por um sistema de grandes apostas. Mais do que best-sellers, buscam-se agora os chamados mega-sellers – títulos capazes de romper a barreira de 1 milhão de exemplares vendidos. Saiba quais são, atualmente, os exemplares que saem para a venda em maior número:

50 mil
Pode parecer pouco em comparação ao topo da lista, mas autores como Luis Felipe Pondé (Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, Editora LeYa) e Martha Medeiros (com A Graça da Coisa, da L&PM) saem com tiragens mais de 10 vezes superiores à média nacional.

80 mil
O médico Drauzio Varella virou best-seller após a publicação de Estação Carandiru, em 1999, que chegou a ser adaptado para o cinema. Seu mais recente livro, Carcereiros (Cia das Letras), saiu da gráfica como mais uma aposta do mercado editorial brasileiro.

100mil
Patamar de lançamento para tradicionais bons vendedores brasileiros como Luis Fernando Verissimo (com novo título a ser lançado em breve pela Objetiva) e Paulo Coelho, com Manuscrito Encontrado em Accra (Sextante). Estão junto de Mario Vargas Llosa e Elizabeth Gilbert.

150 mil
Autor célebre pelo romantismo (excessivo para muitos) de suas obras, Nicholas Sparks lança este mês no Brasil Uma Longa Jornada (Arqueiro). Está no mesmo patamar de George R.R Martin – (cuja obra inspirou a série televisiva Game of Thrones) com A Dança dos Dragões (LeYa).

200 mil
Nesta faixa, encontram-se o brasileiro Laurentino Gomes com 1889 (Globo Livros), acompanhado de dois estrangeiros habituados a grandes vendagens: Khaled Hosseini com O Silêncio das Montanhas (Globo Livros), e Jeff Kinney, autor de Diário de um Banana 7 (V&R).

230 mil
A presença dos escritores Cristiane Cardoso e Ricardo Cardoso no rol de apostas do mercado nacional pode surpreender muitos, mas o espanto é atenuado quando se descobre que os autores de Casamento Blindado (Thomas Nelson Brasil) são filha e genro do bispo Edir Macedo.

500 mil
Fenômeno literário nacional desde a publicação de Ágape, em 2010, o padre Marcelo Rossi entrou para uma seleta galeria de autores com expressivas tiragens iniciais. Kairós: O Tempo de Deus saiu da gráfica na mesma quantidade de Inferno (Arqueiro), de Dan Brown.

600 mil
Uma das maiores tiragens dos últimos anos, a última parte da trilogia erótica escrita pela britânica E.L James, 50 Tons de Liberdade, já saiu do prelo com mais de meio milhão de exemplares impressos pela Editora Intrínseca – conhecida por apostar em poucos títulos.

Fã de Mia Couto expõe projeto que une fotografia e poesia em SP

0

Tatiana Mendonça, na Folha de S.Paulo

A experiência começou com papel, tesoura e cola. Há cerca de dois anos, a jornalista e fotógrafa Mariana Caldas, 24, escreveu à mão o trecho de uma música que não saía de sua cabeça –“Graças a Deus, um passarinho /Vem me acompanhar/ Cantando bem baixinho/ E eu já não me sinto só/ Tão só, tão só”– e colou a declaração numa das fotos que tinha feito, para dar de presente.

Gostou tanto do resultado que resolveu explorar a ideia, mas de uma maneira mais simples, com a ajudinha do computador. Despretensiosamente, nascia, em julho de 2011, o Tumblr “Poeme-se“, que reúne cerca de 200 fotos de Mariana acompanhadas por trechos de poemas e letras de música.

Algumas das imagens voltaram à origem analógica para integrar a primeira exposição individual do projeto, que fica em cartaz até quinta-feira (6) no bar Kabul, na Consolação (centro de São Paulo). Os vinte e cinco quadros com fotos ampliadas estão à venda por R$ 80.

Criada em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Mariana mora em São Paulo desde os 17 anos. Ela também faz quadrinhos e cartões postais com as fotos que estão no site. O e-mail para encomendas é [email protected] Os quadros custam R$ 35 (pequeno -15×23), R$ 45 (médio – 17×25) e R$ 65 (grande – 20×30) e os postais saem por R$ 7 cada um.

ABAIXO, LEIA ENTREVISTA COM A FOTÓGRAFA MARIANA CALDAS:

sãopaulo – Quando você fez o blog, já pensava numa exposição?
Mariana Caldas
– Não, tudo aconteceu meio do nada. Uma amiga com quem já trabalhei está fazendo a produção para o Kabul e aí me mandou um e-mail propondo a exposição, há cerca de um mês. Foi uma surpresa. Eu mesma selecionei as fotos. São cerca de 25 imagens, ampliadas no formato A3.

E o projeto, como nasceu?
Também foi de repente. Comecei a fotografar em 2010 e foi algo a que eu me entreguei totalmente. Foi uma coisa muito forte. Fiquei pensando em um jeito de mostrar isso. Um dia fiz uma colagem à mão mesmo, peguei uma foto minha e escrevi uma frase, depois colei na imagem e dei de presente. Ficou lindo, amei. Depois de duas semanas, estava em casa no domingo, sozinha, já eram 11h da noite e aí pensei: por que eu não faço isso no computador? Por que nunca tentei? Desde sempre anoto frases e já tinha muitas, fui resgatando umas coisas antigas… Aí fiz vários de uma vez.

Qual foi o primeiro?
Esse que eu dei de presente era: “Graças a Deus, um passarinho /Vem me acompanhar/ Cantando bem baixinho/ E eu já não me sinto só/ Tão só, tão só” [da música “Universo Ao Meu Redor”, de Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes]. E o primeiro que eu fiz digitalmente ainda está lá no site: “O silêncio não é a ausência da fala, é o dizer-se tudo sem nenhuma palavra”, de Mia Couto.

Como você costuma unir as fotos aos poemas?
Cada um é de um jeito. Às vezes fico anos sem fazer nada com uma foto e de repente vejo uma frase e lembro dela, sabe? E tem frases que tento colocar em várias fotos e não funciona… Aí revelo um filme novo e acabo achando a foto [para a frase]. É uma coisa muito doida. Elas se escolhem, também… Mas é principalmente essa coisa de lembrar. Anoto as frases em caderninhos espalhados pela vida e aquilo fica na minha cabeça.

Existe poesia em São Paulo?
Existe muita poesia. As pessoas estão cada vez mais querendo dar amor a São Paulo e assim as coisas vão ficando mais possíveis. A gente é muito castigada aqui, é muito difícil para todo mundo, mas, ao mesmo tempo, tem muita gente incrível fazendo um monte de coisa. Essa energia está no ar de alguma forma. Isso é o mais louco.

A cidade te inspira?
Acho que sim, por tudo que a gente pode viver aqui… É um lugar onde você consegue ter experiências muito fortes. A inspiração é correr atrás do que você quer. Minhas fotos têm um pouco da coisa da cidade, mas também estão meio fora disso. Muitas são ligadas à natureza, como se fosse uma fuga desse turbilhão. É um portal que leva para outro lugar por alguns segundos.

Quais são seus autores favoritos?
Meu autor preferido é Mia Couto, sem dúvida. Ele mudou minha vida, tem o antes e o depois. Mas têm outros autores muito importantes, como Paulinho da Viola. E daqui de São Paulo gosto muito de Paulo Vanzolini.

Há 121 anos nascia J.R.R. Tolkien

0

550722_10151665589223018_1166629620_n
Biografia escrita por Marcelo Forlani no Omelete

Bloemfontein, capital do Estado Livre de Orange, na África do Sul, mudou a história de três diferentes mundos no dia 3 de janeiro de 1892. Nasceu ali John Ronald Reuel Tolkien, o primeiro filho do casal de ingleses Mabel e Suffield e Arthur Tolkien. Três anos depois do seu nascimento, Ronald, seu irmão Hilary (dois anos mais novo) e a mãe se mudavam para a Inglaterra. Aquela era a primeira grande mudança na vida dos dois meninos. Seu pai adoeceu e não conseguiu voltar para a sua terra natal. Mabel morou um tempo na casa dos pais, até alugar um chalé na zona rural de Birmingham. Ficar próximo aos avós e no meio do mato ajudou o menino a não sentir tanta falta da figura paterna e, principalmente, lhe ensinou a importância da natureza, sempre tão presente e viva na sua obra.

Passados quatro anos, os Tolkien saem de Sarehole para uma casa em Moseley. Foi no renomado colégio King Edwards que Ronald iniciou sua brilhante e longa história acadêmica. A mãe de Tolkien morreu quando ele tinha 12 anos. O padre Francis ficou encarregado da educação dos dois, que continuavam sua constante mudança de endereços. Quando dividia um quarto com seu irmão, no segundo andar da pensão da Sra. Faulkner, conheceu Edith Bratt, uma menina três anos mais velha que ele e futura mãe de seus filhos (John, Michael, Christopher e Priscilla).

O romance dos dois é um parágrafo à parte nesta história. Filha de mãe solteira, Edith também ficara órfã há pouco tempo quando os dois se conheceram. Segundo consta na biografia de Tolkien, ela era bastante bonita, baixa, esguia, de olhos cinzentos, um rosto firme e límpido e cabelos curtos e escuros. Os dois foram proibidos de se relacionar pelo padre Francis, que se preocupava com o rumo da vida do jovem rapaz. Ambos continuaram se encontrando e trocando cartas até que ela foi transferida para outra cidade. Obediente, Tolkien só voltou a procurá-la após completar 21 anos. Quando isso aconteceu, ela estava noiva de outro, pois achava que aquele amor havia sido esquecido. Tolkien conseguiu convencê-la de que eram feitos um para o outro e se casaram em 22 de março de 1916.

Na época em que se dedicava exclusivamente aos estudos, Tolkien fundou com seus amigos de colégio a T.C.B.S (Tea Club Barrovian Society). O clube do chá (tea club) remete às tardes em que os garotos passavam na biblioteca tomando chá enquanto estudavam para as provas finais. Depois, já de férias, eles mudaram os encontros para a loja do Barrow, daí o nome Barrovian Society, ou sociedade barroviana.

Com o estouro da Primeira Guerra Mundial, Tolkien teve que se alistar para defender o exército inglês. No front ele pegou uma doença chamada febre das trincheiras, causada pela falta de higiene, e voltou para a Inglaterra. As baixas para o T.C.B.S. foram mais profundas do que isso. Alguns de seus membros fundadores acabaram sucumbindo. A amizade entre eles, porém já havia transformado suas vidas. Toda esta cumplicidade pode ser vista na obra de Tolkien, principalmente na lealdade da Comitiva do Anel, em O Senhor dos Anéis.

Enquanto se recuperava da doença começou a rabiscar O Livro dos Contos Perdidos (The Book of Lost Tales), que mais tarde virou O Silmarillion (The Silmarillion). É neste momento que Tolkien começa a desenvolver o seu universo de orcs e elfos baseados nas lendas finlandesas que ele tanto estudou. Com o fim da Guerra, Tolkien volta a Oxford e retoma seus estudos e carreira acadêmica.

Com a estabilidade, o professor passou a dedicar atenção especial à família. Enquanto corrigia um bolo de provas, uma folha em branco foi o impulso que precisava para começar a colocar no papel as histórias que contava para os filhos. Tudo começava com numa toca no chão vivia um hobbit e as histórias narravam as aventuras de Bilbo Bolseiro, um ser menor que um anão, de pés grandes e peludos, pertencente a esta raça chamada hobbit.

A história caiu nas mãos do editor Stanley Unwin que, depois de ver a velocidade com que seu filho de 10 anos lia a obra, decidiu publicá-la. O Hobbit (The Hobbit – 1937) só tinha um problema. As 310 páginas de sua versão original foram consideradas muito poucas pelos leitores, que a esta altura já podiam ser chamados de fãs. Uma continuação foi encomendada ao escritor, mas com toda a sua responsabilidade (com as aulas) e detalhismo, Tolkien levou nada menos do que 12 anos para terminar O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings), que foi lançado em três volumes – os dois primeiros em 1954 e o terceiro no ano seguinte.

Em 1959, Tolkien, já famoso pela sua obra, se aposenta como professor. As Aventuras de Tom Bombadil, Tree and Leaf e Smith of Wootton Major foram publicados respectivamente em 1962, 1964 e 1967. No ano de 1965, uma versão pirata de O Senhor dos Anéis  é lançada nos Estados Unidos. A obra influencia os hippies que difundiam sua ideologia pacifista da Califórnia para o mundo. Sua esposa faleceu em 1971, aos 82 anos. Um ano depois, ele volta para Oxford e recebe o título de Comandante da Ordem do Império Britânico e de Doutor Honorário em Letras pela Universidade de Oxford.

Em 2 de setembro de 1973, em Bornemouth, J.R.R. Tolkien faleceu, aos 81 anos. O mundo real em que vivemos, o mundo das fantasias que imaginamos, e a Terra Média que, junto com ele, descobrimos.

Que bom!

dica da Luciana Leitão

Go to Top