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Safra de livros que vai virar filme este ano é boa; confira alguns

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Esse é o momento, perfeito para começar a programar as leituras

Publicado no Divirta-se

20140118114328446535iHá boas razões para aproveitar o finzinho de janeiro fazendo uma última lista. Não de resoluções, mas de adiantamentos. Este ano, pelo menos 21 livros de autores brasileiros, americanos e ingleses devem chegar às telas em longas que prometem bilheteria generosa. Na agenda internacional, tem um pouco de tudo: vampiros, distopia, guerra, aventura e drama hospitalar. O cardápio brasileiro traz para as telas uma mistura de literatura contemporânea com clássicos. Para quem gosta de ler as páginas antes de ver o filme, este é o momento ideal para organizar a lista de leitura de 2014. O Diversão&Arte fez uma seleção dos livros que vão virar filme este ano. Alguns ainda não foram publicados no Brasil, mas já estão disponíveis em inglês em aplicativos de leitura ou em livrarias. A maioria, no entanto, pode ser encontrada com bastante facilidade em qualquer loja física ou on-line.

O primeiro a estrear, ainda este mês, será Quando eu era vivo, adaptação de A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli. Para este semestre, também estão programados A hora e a vez de Augusto Matraga, adaptação de conto homônimo de Guimarães Rosa, dirigido por Vinicius Coimbra. Da leva internacional, o destaque é para Divergente, adaptação do best-seller de Veronica Roth, previsto para março, e A culpa é das estrelas, baseado no sucesso de John Green. Antes, chegam às telas Labor day, longa com Kate Winslet baseado em romance de Joyce Maynard, e A long way down, a versão do diretor Pascal Chaumeil para livro de Nick Hornby. Veja ao lado em que livros ficar de olho até o fim do ano.

BRASILEIROS

Quando eu era vivo
Dirigido por Marco Dutra e com roteiro de Gabriela Amaral e do próprio diretor, o longa chega às telas no próximo dia 31 e tem no elenco Antônio Fagundes, Marat Descartes e Sandy Leah. A roteirista explica que foi preciso abandonar a obra original para dela ver emergir o roteiro. No livro de Mutarelli, Júnior é um personagem que, aos poucos, vê sumir as fronteiras entre a loucura e a sanidade. Após deixar emprego e mulher, ele se muda para a casa do pai e passa os dias entre o sofá da sala, um olho de fechadura e um bar. Para levar a história da plataforma literária para a audiovisual, Gabriela procurou no texto equivalências que funcionassem na dramaturgia. O tom caótico, descontínuo e desorientado que Mutarelli imprime na narrativa para evidenciar a loucura do personagem foi um desafio. “Nos mantivemos fiéis à essência da obra original, no sentido de que foi preservada a sua essência expressiva”, garante a roteirista, em texto no qual explica o processo de adaptação.

Tim Maia
Em agosto, chega às telas a biografia Tim Maia, baseada no livro Vale tudo, de Nelson Motta. A escritora Antonia Pellegrino ficou responsável pelo roteiro e a direção de Mauro Lima promete revelar um Tim Maia pouco conhecido do público em geral. Cauã Reymond interpreta Fábio, músico que narra a história (no livro, Nelson Motta). Robson Nunes faz Maia jovem e Babu Santana, o cantor na fase black power. A Janaína pela qual Tim Maia foi apaixonado a vida inteira é vivida por Alinne Morais, e Carmelo Maia, filho do cantor, trabalhou como consultor do filme.

A hora e a vez de Augusto Matraga
Exibido uma única vez no Festival do Rio de 2011, somente agora, no primeiro semestre de 2014, o longa de Vinicius Coimbra chega ao circuito nacional. Com João Miguel no papel do protagonista, o longa é adaptação fiel do conto de Guimarães Rosa. Matraga é um valentão que acaba traído pelo excesso de confiança em si mesmo. Para o produtor Herbert Grauss, o maior desafio da adaptação está em manter a originalidade da linguagem roseana. Durante a preparação de elenco, os atores receberam treinamento em prosódia para acertar o modo de falar. “Para fazer adaptação de livro tem que ter muito cuidado porque a maioria dos livros é muito melhor do que os filmes”, diz Grauss. “No Matraga, o desafio é não perder a essência do Rosa e fazer um filme para as pessoas assitirem em 2014.”

O gorila
No conto de Sérgio Sant’Anna, Afrânio vive recluso e utiliza o telefone para conversar com mulheres e alimentar suas fantasias. A voz potente e máscula ajuda. No entanto, um dia ele precisa deixar o apartamento para evitar uma tragédia. José Eduadro Belmonte começou a filmar o longa enquanto terminava a montagem de Billi Pig, que estreou em 2012. No elenco, estão Mariana Ximenes, Otávio Müller, Luíza Mariani e Alessandra Negrini. A adaptação ficou por conta de Claudia Jouvin, que já escreveu episódios para A grande família e A diarista. O filme ainda não tem data de estreia, mas deve ficar pronto este ano.“É importante a gente trazer cada vez mais a literatura para o cinema, principalmente a nossa literatura contemporânea, porque acho que os escritores brasileiros estão mandando muito bem. Agora, é um desafio, é um abismo entre o livro e o roteiro”, repara Otávio Müller, que também deve adaptar para o cinema A vida sexual da mulher feia, de Claudia Tajes.

ESTRANGEIROS

Drama
O primeiro lançamento do ano chega aos cinemas no fim do mês e tem Kate Winslet e Josh Brolin como protagonistas da adaptação de Refém da paixão (Jason Reitman), de Joyce Maynard. Na tela, uma mãe entediada e seu filho de 13 anos são sequestrados por um fugitivo até que a mãe se apaixona por seu algoz. George Clooney e Cate Blanchet conduzem o drama Caçadores de obras-primas, inspirado em livro homônimo de Robert M. Edsel e Bret Witter. A história real de um exército encarregado de salvar as obras de arte da ganância nazista durante a Segunda Guerra chega ao cinema pelas mãos do próprio Clooney. O lançamento nos Estados Unidos está programado para fevereiro. Um conto do destino, a fábula sobre um amor interrompido por uma trágica doença, já ganhou as telas com Richard Ghere e Winona Ryder. Agora, quem protagoniza o drama é Collin Farrell e Jessica Brown. Mas um dos longas mais esperados na categoria drama é A culpa é das estrelas, o livro de John Green sobre uma menina com câncer em estado terminal. Com Shailene Woodley e Ansel Elgort como protagonistas e sob direção de Josh Boone, o filme deve estrear em junho. Green já havia vendido os direitos de outros livros para estúdios de Hollywood — Quem é você, Alaska? já tem roteiro pronto na Paramount —, mas A culpa é das estrelas é o primeiro a realmente chegar ao cinema. O autor não se envolveu com a confecção do roteiro, mas escreveu em seu site que confia no trabalho dos roteiristas. “As pessoas que foram contratadas para escrever o roteiro estão entre meus autores favoritos de Hollywood, logo, estou interiamente confiante de que elas vão escrever um roteiro melhor do que o que eu escreveria”, garante. Para o fim do ano, outro lançpamento esperado é Invencível, primeiro filme dirigido por Angelina Jolie. Baseado em livro de Laura Hillebrand, autora de Seabiscuit, o filme acompanha o drama de Louis Zamperini, atleta olímpico que ficou à deriva no oceano quando seu avião foi derrubado por inimigos durante uma batalha na Segunda Guerra.

Fantasia
Distopia e vampiros marcam as narrativas de fantasia que ganham as telas este ano. O mais esperado é Divergente, previsto para março. O primeiro volume de uma série de três foi escrito por Veronica Roth em 2011 e chegou a ser comparado a Jogos vorazes, de Suzanne Collins. No elenco, Shailene Woodley (A culpa é das estrelas), Kate Winslet e Theo James devem atrair, principalmente, os adolescentes. O doador também vai trazer a distopia para as telas sob direção de Philip Noyce. O elenco é cheio de celebridades — Meryl Streep, Alexander Skarsgard, Jeff Bridges, Katie Holmes e Taylor Swift — e a história vem do livro homônimo de Lois Lowry. No conto escrito para o público infantojuvenil, em uma sociedade perfeita, na qual doenças e males foram erradicados, um garoto é escolhido para receber as memórias de um passado nada glorioso. Menos promissores, Vampire academy: o beijo das sombras, adaptação do livro de Richelle Mead, e The maze runner (James Dashner) dão continuidade ao fenômeno distópico que aterrissou na literatura juvenil nos últimos quatro anos.

Comédia
Sem tradução no Brasil, A long way down é o próximo Nick Hornby a ser adaptado para as telas. O encontro hilário de quatro suicidas faz nascer uma amizade improvável. Na direção, o francês Pascal Chaumeil, mais conhecido por trabalhos para a televisão e pela assistência de direção de Luc Besson em O profissional. A morte do pai e a traição da mulher não são suficientes para balançar a vida de Judd Foxman, protagonista de Sete dias sem fim, de Jonathan Tropper. Ocupante de uma posição cobiçada na lista dos mais vendidos do The New York Times, o romance foi adaptado pelo próprio autor e terá direção de Shawn Levy (Uma noite no museu).

8 livros eróticos para quem curtiu “50 Tons de Cinza”

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Romances eróticos fazem sucesso nas livrarias! Veja algumas opções mais que calientes 😉

Publicado no Guia da Semana

  • "História de O"

    “História de O”/Créditos: Reprodução

O bestseller 50 Tons de Cinza, da escritora inglesa Erika Leonard James, despertou nos leitores, principalmente nas mulheres, a vontade de procurar romances eróticos nas prateleiras das livrarias.

Isso ocasionou um corre-corre nas editoras, que desenterraram obras de anos atrás e ainda incentivaram autores da nova safra a escrever sobre o tema.

Se você é fã de romances eróticos, nós separamos alguns livros que certamente vai fazer sucesso na hora de dormir 😉

Juliette Society – Sasha Grey

A ex-estrela pornô Sasha Grey encabeça no universo literário erótico em “Juliette Society”. A história fala de um de clube secreto que tem poderosos da sociedade como integrantes .

Delta of Venus – Anaïs Nin

Publicado pela primeira vez em 1978, o livro reúne contos escritos durante a década de 1940 e transita por vários temas sexuais. Uma curiosidade é que este livro foi encomendado por um cliente que usava o codinome “colecionador”. Esse cara era conhecido por  outros escritores por encomendar ficção erótica para seu consumo privado.

A Vida Como Ela É – Nelson Rodrigues

O autor não é classificado como um escritor erótico, mas suas crônicas são repletas de adultério, pecado e desejos. Não só “A Vida Como Ela É”, mas diversas obras de Nelson Rodrigues giram em torno do prazer e da moral.

A História de O – Anne Desclos

Neste romance erótico, Anne Desclos usa o pseudônimo Pauline Réage. O livro foi publicado em 1954, na França e conta a história de uma mulher livre e independente que se torna escrava sexual de seu amante René e outros homens.

Trópico de Câncer- Henry Miller

Foi publicado em 1934 e por seu considerado um conteúdo pornográfico e obsceno ficou proibido nos EUA até 1961. O livro é o resultado da experiência da vida boêmia do escritor durante uma temporada em Paris, em que se deitava com prostitutas e mulheres solitárias.

Coisas Eróticas – Denise Godinho e Hugo Moura

A dupla de jornalistas fala sobre a primeira produção pornográfica brasileira, de como o filme “Coisas Eróticas”, do italiano radicado em São Paulo Raffaele Rossi, foi um marco no fim da pornochanchada e alavancou a produção de filmes “pornô por pornô” no Brasil.

Minha Vida, Meus Amores – Henry Spencer Ashbee

O escritor inglês Henry Spencer Ashbee colecionou histórias de erotismo e pornografia. Essa biografia fala sobre sua vida rodeada por mulheres e diferentes experiências amorosas com elas.

Justine – Marquês de Sade

É um clássico das histórias eróticas. Escrito por Marquês de Sade, que é conhecido por seus contos repletos de sexo, a obra aborda a vida de uma moça ingênua e defensora do bem que se envolve em crimes e depravações. Se você se interessar mais sobre Marquês de Sade veja o filme “Contos Proibidos do Marquês de Sade” (2000), do diretor Philip Kaufman.


Aspirantes a escritor evitam o ‘não’ das editoras recorrendo a prêmios

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Concursos apresentam ao leitor brasileiro uma nova safra de autores que talvez não entrariam em grandes editoras.

Maria Fernanda Rodrigues, no Estadão

Há prêmios que reconhecem o trabalho de um escritor ou a qualidade de um livro e dão um respiro à saúde financeira dos literatos – muitas vezes precária, já que é consenso dizer que não se vive da venda de direitos autorais. Nesta terça-feira (13), serão anunciados os finalistas do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, que premia o autor do melhor romance com R$ 150 mil. Há 10 dias, o Prêmio São Paulo de Literatura encerrou as inscrições – concorrem 187 obras. Este ano, ele passa a premiar em três categorias: melhor romance (R$ 200 mil), melhor romance de autor estreante com menos de 40 anos (R$ 100 mil) e melhor romance de autor estreante com mais de 40 anos. O Portugal Telecom, que paga R$ 50 mil aos vencedores das categorias romance, conto/crônica e poesia e mais R$ 50 mil ao melhor dos três, revela até meados de setembro quem está no páreo. Existem outros nessa linha, como o Jabuti, o Paraná, o Benvirá etc.

E há prêmios que priorizam a produção literária de jovens autores ou de autores que nunca publicaram. Os melhores exemplos são os do Prêmio Governo de Minas Gerais, que ainda não lançou o edital deste ano, mas que tem uma opção interessante para jovens escritores mineiros (entre 18 e 25 anos): o autor do melhor projeto de livro ganha R$ 25 mil para tocá-lo adiante. E o Prêmio Sesc, que só aceita originais de autores inéditos nos gêneros romance ou conto.

Desde que foi criado há 10 anos, o Prêmio Sesc apresentou aos leitores brasileiros uma nova safra de escritores que talvez não teriam entrada em grandes editoras. Já revelou 17 escritores das mais diferentes profissões – um professor universitário de química, um servidor público, uma estudante, um redator publicitário, um psicanalista e por aí vai. Pessoas com pouca ou nenhuma circulação pelo mundo literário. Alguns deles ficaram pelo caminho, outros, com esse pontapé, investiram na carreira. É o caso, por exemplo, de Lúcia Bettencourt, André de Leones e Luisa Geisler. Vêm novos nomes por aí – as inscrições estão abertas até 30 de agosto.

A questão do ineditismo é o que difere o Prêmio Sesc e o São Paulo, que também tem uma categoria de autores estreantes – mas neste caso, só concorrem livros já editados. Portanto, de autores que já venceram a primeira barreira.

Acostumado a receber originais, o editor Marcelo Ferroni, da Alfaguara, já foi um autor estreante. Seu Método Prático de Guerrilha saiu pela Companhia das Letras e ganhou o Prêmio São Paulo em 2011 nesta categoria, o que acabou dando mais visibilidade a sua obra. Em 2014, lança, pela mesma editora, Da Parede, Meu Amor, os Escravos Nos Contemplam. Como editor, diz que prêmios podem ajudar um autor, mas que não é só isso o que importa: “Se o autor tem algo no currículo, ou se é indicado por alguém de confiança, isso facilita seu caminho, para que ele seja lido mais rapidamente pelo editor. Mas no final, o que conta mesmo é a qualidade do livro.”

Naquele ano, o São Paulo ainda pagava R$ 200 mil. Já o do Sesc não envolve dinheiro – e isso não importa aos vencedores ouvidos pelo Estado. Mais relevante é, na opinião deles, a oportunidade de ver o livro editado e distribuído pela Record, a maior editora do País. É esse o prêmio. Por sua vez, o Sesc organiza um intenso tour com os vencedores por suas unidades e por outros eventos, como a Jornada de Passo Fundo e a Flip – na programação paralela que a instituição promove durante a festa. Anualmente, o Sesc investe R$ 500 mil nessas ações.

E foi lá em Paraty, no mês passado, que o advogado paranaense Marcos Peres, de 28 anos, fez seu debut literário. Vencedor da última edição do prêmio com o romance O Evangelho Segundo Hitler, ele é exemplo de um novo movimento: de autores que têm preferido encarar outros concorrentes num prêmio do que esperar um milagre ou uma carta-padrão de uma editora negando o original. Quem o inspirou a tomar esse caminho foi o conterrâneo Oscar Nakasato, o professor que, com Nihonjin, seu romance de estreia, venceu o 1.º Prêmio Benvirá e o Jabuti.

Há 10 anos, concurso possibilita a estreia literária de aspirantes a escritor

Mostrar o primeiro livro para um estranho não é tarefa fácil. A carioca Lúcia Bettencourt que o diga. Tímida, ela passou a vida estudando literatura, escrevendo contos e cuidando do marido e dos quatro filhos. Resistia em mostrar sua ficção porque tinha uma carreira acadêmica e achava que passaria vergonha. Seu marido Guilherme ficou sabendo do Prêmio Sesc, que estava então em sua terceira edição, e disse que não havia mais desculpas. Como a inscrição seria feita com um pseudônimo, se não desse certo ninguém saberia. Foi ele quem organizou e imprimiu os textos e inscreveu o livro da mulher.

Mas Guilherme morreu em outubro de 2005, antes de saber que Lúcia tinha vencido – o anúncio seria feiro em março do ano seguinte. “O prêmio foi minha tábua de salvação. Se não fosse por ele hoje eu estaria numa clínica de repouso, pirada”, comenta. Estavam juntos há 36 anos. “Ele se foi, e a literatura me deu sustentação.”

Ela deixou de ser Lúcia, a mulher de Guilherme (ele era executivo de uma grande empresa), e virou Lúcia, a escritora. O luto ela viveu viajando pelas unidades do Sesc. No interior do Paraná, ouviu de um leitor que um de seus contos tinha sido escrito para ele, e essa nova profissão começou a fazer sentido.

Outros livros vieram depois de A Secretária de Borges, e há um mês ela recebeu a notícia de que O Banquete, obra baseada em sua tese, tinha recebido o prêmio da Academia Brasileira de Letras na categoria crítica literária e R$ 50 mil.

André de Leones, vencedor na categoria romance com Hoje Está Um Dia Morto no mesmo ano em que Lúcia ganhou, também não inscreveu o livro sozinho. À época, ele tinha terminado um curso de cinema em Goiânia e estava de volta à casa dos pais, em Silvânia. Entre os 19 mil habitantes, estava o escritor Aldair Aires, que tomou a iniciativa. “Se não fosse pelo prêmio, é provável que eu estivesse lecionando no interior de Goiás e dependendo de editais para, com sorte, publicar meus livros localmente”, conta o escritor. Numa das viagens para divulgar o prêmio, conheceu, em Paranaguá, sua primeira mulher. Foi a deixa para ir embora de vez de Goiás. Participou do projeto Amores Expressos, publicou mais quatro livros pela Record e pela Rocco e está em outras tantas antologias – internacionais, inclusive. Vive hoje em São Paulo e é colaborador do Caderno 2.

No ano seguinte, foi a vez dele dar uma mão a um colega. Wesley Peres, psicanalista em Catalão, não achava que seu romance Casa Entre Vértebras seria considerado no prêmio “porque estava no limite entre prosa e poesia”. Foi Leones quem a inscreveu. Wesley já tinha lançado dois livros de poemas. Depois do prêmio, investiu num segundo romance, o Pequenas Mortes, publicado recentemente pela Rocco.

Luisa Geisler foi a mais jovem escritora premiada pelo Sesc e tem uma das carreiras mais promissoras. Ela tinha 19 anos e fazia a oficina literária do Luiz Antonio de Assis Brasil quando soube do concurso. Ajeitou alguns contos, fez outros e inscreveu Contos de Mentira na premiação. Levou. No ano seguinte, em 2011, resolveu experimentar o romance, e escreveu Quiçá. Levou de novo. No mesmo ano, foi selecionada para a Granta Melhores Jovens Escritores Brasileiros e o romance que escreve agora sairá pela Alfaguara, uma das principais editoras na área de ficção. “Sem o Prêmio Sesc, minha carreira estaria na estaca zero em termos de publicação”, conta a estudante de Relações Internacionais e Ciências Sociais.

“A ideia é justamente essa: que o prêmio dê o primeiro empurrão na carreira literária dos autores, e que eles possam assim construir as suas trajetórias”, explica Henrique Rodrigues, um dos idealizadores do concurso.

De fato, o prêmio deu o pontapé na carreira de muitos dos vencedores. Alguns passaram a acreditar na vocação, abandonaram a ideia de autopublicação ou de publicação por uma editora regional, e tentam viver de literatura. Outros conciliam a profissão com a escrita. É o caso de Marcos Peres, servidor do Tribunal de Justiça, em Maringá e autor do melhor romance deste ano. “A questão de ser apenas um escritor é quase uma utopia. Eu consigo conciliar o ato de escrever com meu trabalho”, diz.

O publicitário João Paulo Vereza, vencedor este ano com os contos de Noveleletas, conta que ainda não descobriu o que é ser escritor. Sempre escreveu, nunca publicou. “A literatura sempre foi meu playground, o espaço onde me sinto livre e confortável.”

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