Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Saiba

Saiba como aliar as férias com os estudos na preparação para o vestibular

0

veja-como-escrever-um-bom-trabalho-academico

Dividir o tempo entre o descanso e a revisão de matérias pode ser uma alternativa para o período de recesso de aulas

Publicado no Jornal Dia a Dia

As férias são um momento muito esperado pelos estudantes, especialmente aqueles que estão se preparando para o vestibular. Com a dedicação intensa aos estudos e simulados, muitos chegam ao fim do semestre cansados com a rotina pré-vestibular. Apesar do descanso que a folga das aulas possibilita, alguns estudantes ficam perdidos sem saber se mantêm o ritmo ou se aproveitam o tempo para o descanso total.

“A maratona de estudos merece uma pausa. O aluno precisa organizar o tempo e tirar pelo menos uma semana das férias para se desligar dos livros. Em seguida, deve retomar o estudo”, afirma o coordenador geral do Anglo Vestibulares, Luiz Ricardo Arruda. Para ele, a solução é diminuir o horário dos estudos e dedicar mais tempo ao descanso, para repor as energias.

Separar um tempo para descansar a mente se torna uma difícil missão para muitos alunos. Segundo Arruda, eles ficam com a consciência pesada, se permanecem longe dos livros. “O ideal é estabelecer um horário, mesmo que mais curto, para se dedicar na revisão dos temas mais difíceis, teorias e leitura das obras indicadas para o vestibular”, destaca.

Com o roteiro de estudos definido, se o estudante tem dificuldade em matérias de exatas, por exemplo, deve evitar exercícios desta área. “Ao tentar solucionar estas questões, o aluno tende a ficar preso em problemas que não consegue resolver, pois não tem quem possa dar orientação”, comenta Arruda. O indicado é se dedicar às matérias relacionadas às áreas que domina e rever o conteúdo do primeiro semestre. As questões mais difíceis podem ficar para o início das aulas.

Conselhos

Muitos alunos ficam concentrados nos estudos e acabam perdendo horas em teorias e exercícios de um mesmo assunto. O coordenador os aconselha a reservar 1 hora para cada matéria e estabelecer metas. “Estudar como louco não é a solução. Cobre de si mesmo atitude e deixe os resultados para o semestre seguinte. Não se sinta culpado, caso não conseguir manter a programação”, conclui.

O que torna um livro caro

0

Saiba quais são os fatores que acrescem o preço dos livros.

1

Jana Lauxen, no Homo Literatus

Após a publicação do meu último texto, intitulado Clara Averbuck, Mercado Editorial e Editoras Más, recebi alguns e-mails de leitores perguntando como era possível que a produção de um livro, com uma tiragem de três mil exemplares, pudesse custar trinta e cinco mil reais. Recebi até mesmo alguns cálculos: dividindo trinta e cinco mil por três mil, o custo por exemplar seria de quase R$12. “Impossível em uma tiragem tão alta!”, bradaram alguns.

O raciocínio não está de todo errado, uma vez que, quanto mais exemplares são impressos, menor é seu custo unitário final, e quanto menos exemplares são impressos, maior é seu custo unitário final – esta é a regra básica de qualquer gráfica. Assim, o mesmo livro, com o mesmo número de páginas, pode custar R$20 a unidade, se você imprimir 30 livros, ou R$4 a unidade, se você imprimir 500 livros.

Assista ao vídeo que mostra como funciona o processo de impressão.

Porém, muitos detalhes podem tornar o preço final de um livro mais alto ou mais baixo, e aqui eu listo alguns deles:

***

Ilustração

Oito em cada dez novos escritores sonham em ter seu livro totalmente ilustrado. “Pensei em uma ilustração por capítulo”, diz o autor de um livro com mais de cinquenta capítulos. Pois saibam que ilustradores também precisam comer e pagar aluguel, e por isso não costumam trabalhar de graça. O preço de uma única ilustração pode custar alguns mil reais, dependendo do ilustrador, mas posso garantir que nenhum ilustrará seu livro por menos de R$100 cada desenho. Assim, é só fazer a conta: um livro com vinte capítulos, contendo uma ilustração por capítulo, mais capa e quarta capa, temos um investimento de dois mil e duzentos reais APENAS em ilustração – e isso se você encontrar um profissional que lhe faça este trabalho por R$100 cada desenho, o que é difícil.

Pelo que entendi, o próximo livro da Clara Averbuck será todo ilustrado, o que justifica em partes um investimento final tão alto.

Capa dura

Este costuma ser o segundo sonho de todo novo autor. “Seria tão bacana se o livro tivesse capa dura, né?”. Sim, seria lindo. E seria caro também. Esta questão está diretamente ligada à gramatura do papel, isto é: quanto maior a gramatura (ou quanto mais grosso for o papel), mais caro os custos de impressão. Resumindo, é mais econômico imprimir em uma gramatura de 75g/m² do que em uma de 350 g/m². E conforme li na página da escritora no site Catarse, seu próximo livro sairá com capa dura.

Acabamentos de luxo

Qualquer detalhe mais elaborado na impressão de um livro aumenta o seu custo final. Verniz localizado na capa, gramatura e tipo de papel, detalhes coloridos no miolo, tudo isso deixa o livro esteticamente mais bonito. E mais caro.

Divulgação

Certamente um dos investimentos mais altos no processo de produção e lançamento de qualquer livro – e algo que todo novo autor costuma exigir de sua editora, geralmente por não saber do que está falando.

Existem muitas formas de divulgar um livro: através de anúncios publicitários, de matérias pagas, de parcerias com blogs e sites literários; através do aluguel de gôndolas e pontos de venda em livrarias, aquisição de stands de feiras literárias, através da contratação dos serviços de uma agência de propaganda. Aliás, quando você vê um determinado autor sendo capa do caderno de cultura de um jornal de grande circulação, ou ocupando muitas páginas de uma revista de renome, saiba: provavelmente foi pago. Tal autor não está lá só por que é melhor ou mais famoso do que você. Ele está lá por que sua editora, seu agente, ou ele próprio, pagou. Trata-se do famoso jabá. Todos precisam pagar se pretendem estar na capa do jornal, ou sentados no sofá do Jô Soares. Inclusive autores melhores e mais famosos que você.

Distribuição

Para que determinado livro esteja em destaque em todas as maiores livrarias do país, adivinha? Também precisa pagar. As livrarias alugam seus melhores espaços, suas melhores gôndolas, e seus melhores pontos de venda para quem pagar mais. Não é por acaso que o livro de um autor de uma grande editora está na vitrine das principais livrarias do país, enquanto estas mesmas livrarias sequer respondem seus e-mails, quando você entra em contato tentando enviar por consignação três exemplares de seu livro.

***

Levando-se em conta que o livro Toureando o Diabo, cujos trinta e cinco mil necessários para seu lançamento foram levantados pela autora Clara Averbuck através do site Catarse, inclui capa dura, ilustração, distribuição e divulgação, é não somente possível, como provável, que ela precise destes trinta e cinco mil para lançá-lo – e sem tirar um centavo de lucro.

Pessoalmente, acho incríveis livros ilustrados, com capa dura, impressão colorida no miolo, papel especial e etc. Que editora, que leitor e que autor não quer ter em mãos um livro de encher os olhos, atrativo, chamativo, luxuosamente acabado? Todo mundo, é claro que sim.

Porém, enquanto editora, leitora e autora, não costumo me ater a estes detalhes que, em minha opinião, servem apenas para deixar o preço de um livro ainda mais alto. Os custos de produção de um livro padrão já são caros, e envolvem uma série de profissionais, geralmente tornando o preço final da obra alto para a editora, alto para o autor e, principalmente, alto para o leitor – especialmente quando falamos em tiragens pequenas.

Existem investimentos dos quais uma editora não pode abrir mão: revisão, diagramação, registros, impressão, e até divulgação. Mas existem outros investimentos que, se pararmos para analisar, não são indispensáveis.

Até mesmo por que, um livro ruim é um livro ruim, mesmo que tenha capa dura, ilustrações internas e externas, impressão colorida em papel de luxo.

E um livro bom é um livro bom, mesmo se for impresso num rolo de papel higiênico.

Saiba como vêm as seleções para a copa mais importante (para quem é leitor, claro).

0

1

Vilto Reis, no Homo Literatus

Quem é leitor, evidentemente, não vai perder a Copa do Mundo. Não aquela em que os principais craques são Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, mas sim a de escritores, com grandes estrelas, como: Shakespeare e Cervantes.

Na expectativa deste evento (infelizmente fictício), bati um papo com meu amigo Davidson Davis que é, nas palavras dele, repórter, cineasta e escritor sacana. Não poderia ter tido uma conversa melhor sobre nossas expectativas em relação a este evento ansiado por quem ama literatura.

Reproduzo a conversa na íntegra abaixo.

***

Vilto: A copa promete, não é Davidson? Não quero bancar o anglófilo, mas acho que a Inglaterra, com Shakespeare vestindo a camisa 10, e EUA, com Hemingway de centroavante, são francos favoritos. E por falar em “francos”, a França também é poderosa. Será que eles entram com Flaubert e Balzac no meio campo? E a Rússia, com Tostói no meio e Dostoiévski no ataque, Tchekhóv na cabeça de área e Nabokov como segundo atacante, todos pálio duro. Qual a seleção que te inspira mais?

Davidson: Preciso acrescentar que a Inglaterra ainda virá com Aldous Huxley, Charles Dickens, Joseph Conrad e Graham Greene. Mas o E.U.A também pode surpreender com Fante, David Foster Wallace, Salinger, Edgar Allan Poe, Kerouac, Bukowski e com o Carver – isso se eles deixarem de enxugar umas bebidas e se concentrarem na disputa. Se o Miller jogar pela França, é o que andam dizendo, o EUA perdem bastante e os franceses vão chegar tinindo. Os russos também estão em forma. Mas se cometerem algum deslize, serão castigados. Eu já me decidi, vou apostar nos latino-americanos.

Vilto: Por falar neles, será que a Colômbia tem alguma chance? É claro que o Gabo é um camisa 10 genial, mas acho que ele tá meio solitário. Olha a Argentina, por exemplo. Borges maestrando no meio-campo, Cortázar de centroavante, e aquela defesa dura, de Sábato e Wash; tá bem preparada, não? Embora também considere o Chile um candidato muito forte, munido do trio: Neruda, Bolaño e Zambra.

Davidson: A Colômbia nem se trouxer toda a estirpe dos Buendía. Acho que não tem time para levar o caneco, embora o Gabo seja fantástico. Os hermanos estão vindo para brigar pela ponta. O Uruguai do Horacio Quiroga, Juan Carlos Onetti e Eduardo Galeano também vem forte. Vamos voltar os comentários para o Velho Continente. Estão dizendo que o Kafka pediu licença e vai jogar pela Alemanha. É isso mesmo?

Vilto: Faz sentido, não faz? Já que ele escreveu toda a obra dele em alemão. Mas receio que ele possa ter uma participação um tanto tímida, embora sempre se possa esperar uma metamorfose. Aliás, este primeiro jogo da Alemanha com Portugal promete, não? Nossa mãe pátria conta com o Fernando Pessoa (se ele não estiver tão sonhador, promete!), além do Saramago para dar consistência ao meio campo, e o Eça na defesa, com seu estilo de jogo bem clássico. E sempre se pode contar com o aspecto apaixonado do futebol do Camões.

Davidson: Estou animado para o confronto entre a Fúria e a Laranja mecânica. De um lado, Miguel de Cervantes, Federico García Lorca, Lope de Vega e Camilo José Cela; do outro, Harry Mulisch, Gerrit Komrij, J. Bernlef e Paul Van Ostaijen. O bicho vai pegar. O que você acha dos africanos? Será que vão surpreender?

Vilto: Olha, Davidson, acho um pouco difícil. Não que eles não sejam bons contadores de histórias, muito pelo contrário, mas ainda falta certo reconhecimento. Lamento que Moçambique não tenha se classificado, pois é sempre bom ver Mia Couto abusando dos neologismos em campo. Embora a Nigéria tenha um Nobel no time, Wole Soyinka, considero meio complicado que surpreenda. Mas e os asiáticos, como você acha que vêm para esta copa?

Davidson: No Japão, teremos Haruki Murakami em plena forma. O Irã terá Mahbod Seraji como camisa 10. Acostumado a driblar a censura, ele promete lances de pura magia. Na Coréia do Sul, Kim Young-ha afirmou que vai brigar pela artilharia. A Austrália, que disputa as eliminatórias da Ásia, tem como destaque o Nobel, Patrick White. E os Italianos?

Vilto: Ouvi dizer que o Dante prometeu ir do céu ao inferno pra ganhar essa copa. E olha que a coisa fica mais violenta se você pensar que eles têm o Maquiavel no time. O Umberto Eco me parece mais equilibrado, mas as jogadas surrealistas do Ítalo Calvino são perigosas. Será que são ameaça para o Brasil? Ou melhor, como será que nossa seleção vai se sair nessa copa?

1

Davidson: O técnico Gracialiano Ramos disse não vai largar mão do estilo conciso, mas que também não vai cortar as habilidades de seus atletas. Acho que ele vai ter uma puta, mas boa, dor de cabeça para escalar o time. Muitos gênios, não acha? Quem vai ficar com a 10: Machadão ou Guimarães Rosa? Será que a faixa de capitão ele coloca no braço do Jorge Amado? Como tu acha que vem o Brasil, hein?

Vilto: Sim, uma ótima dor de cabeça, aliás. Temos o fator surpresa, pois nossos jogadores não são tão conhecidos/lidos no mundo anglófilo. Mas acredito que o Machado vá vestir a 10. To com expectativa alta pra ver o Drummond na ponta direita, ele que superou todas as pedras no caminho e veio pra essa copa. Mas o capitão, talvez seja o José de Alencar, que é mais veterano, embora o Érico Veríssimo seja o cherifão na defesa. Acho que seria uma boa surpresa se ele entrasse com o Nelson Rodrigues de titular, não?

Davidson: Sim. Grande Nelsão. Faria um ataque peralta com o Oswald de Andrade. Mas o Rubem Fonseca também tá querendo a vaga. Será que jogam os três? O Rubem Braga já garantiu a dele. O Vampiro de Curitiba vem pela cabeça de área. Tem ainda o Fernando Sabino e o Mário Prata. Poderia entrar só com os poetas ou os cronistas, que faria um timaço. Muita gente boa, Vilto.

Vilto: Pra finalizar essa conversa de expectativa pra copa, me diga, Davidson, quem você acha que é o favorito? Faça a sua aposta, homem!

Davidson: Ainda tem dúvidas, meu querido? Vou torcer pra nossa seleção. É Brasil, campeão! Entortaremos os gringos, deixaremos todos caídos no chão, boquiabertos, com a originalidade, diversidade e excelência dos nossos literatos. Até o Graciliano vai me perdoar pelos adjetivos. Do conto ao poema; do romance ao teatro, sem esquecer a crônica. Não vai ter pra ninguém. Tradição e ruptura, junto e misturado. Haroldo Bloom vai pirar. Será um verdadeiro espetáculo. Só gol de letra, só gol de letra!

Vilto: Minha expectativa e fanatismo devem ser o dobro do seu. Vamos ver no que dá.

***

E aí, qual sua expectativa para a Copa do Mundo de Escritores?

Saiba como fazer graduação fora do Brasil sem vestibular

0

Conheça a seleção de faculdades na Alemanha, Nova Zelândia, China, Reino Unido e Rússia

Bárbara Ferreira Santos, no Estadão

Fazer a graduação em uma universidade fora do Brasil pode ser uma forma de evitar os temidos vestibulares tupiniquins. Muitos países querem atrair alunos estrangeiros e têm interesse nos estudantes brasileiros. É o caso de Alemanha, China, Nova Zelândia, Reino Unido e Rússia.

Helvio Romero/Estadão Depois de prestar os vestibulares brasileiros por dois anos, Anna decidiu cursar Medicina na Rússia

Helvio Romero/Estadão
Depois de prestar os vestibulares brasileiros por dois anos, Anna decidiu cursar Medicina na Rússia

Na Nova Zelândia, por exemplo, a política educacional do país inclui a internacionalização das universidades, que são financiadas pelo governo – diferentemente das públicas do Brasil, cujo ensino é gratuito, elas cobram 1/3 da mensalidade de neozelandeses e 100% dos alunos estrangeiros.

Segundo o embaixador da Nova Zelândia no Brasil, Jeffrey McAlister, um dos pilares da estratégia educacional do país é a atração de estudantes estrangeiros para ajudar os neozelandeses a se integrar no mercado de trabalho globalizado. “É importante que os nossos jovens tenham a capacidade de se comunicar fluentemente com pessoas de outros países, entre eles países significativos como o Brasil”, diz McAlister. “Estudantes que vão para lá acabam tendo uma afinidade permanente com a Nova Zelândia. Quando voltam para o Brasil, se tornam embaixadores do nosso país.”

Embora não tenham vestibulares para os estudantes estrangeiros, os processos de seleção podem ser ainda mais acirrados e demorados. Isso porque as universidades normalmente exigem alto desempenho em toda a vida acadêmica, histórico escolar e atestado de conclusão com tradução juramentada, cartas de recomendação e proficiência no mínimo em inglês (mais informações na página 14). Como nesses países cada universidade tem autonomia para criar seus critérios de seleção, o nível de proficiência no idioma e o número de documentos exigidos podem variar.

Na China, todos os alunos que cursaram o ensino médio no país têm de fazer um exame parecido com o Enem, o Gaokao. Já os alunos estrangeiros são dispensados dessa prova, mas têm de apresentar as notas da escola e os certificados de proficiência em mandarim (HSK ou HSKK). “O Gaokao é conhecido e temido por todas as famílias chinesas. Mas o aluno brasileiro não precisa fazer para entrar no bacharelado ou licenciatura”, afirma a professora de mandarim do Instituto Confúcio da Unesp, Rachel Nian Liu. “Há cursos de graduação em Letras, por exemplo, em que é possível fazer a graduação só com o inglês, mas é sempre melhor ter o certificado de mandarim.”

Complemento. Em alguns locais, como na Alemanha, na Nova Zelândia e no Reino Unido, como o ensino médio tem um ano a mais do que no Brasil, é preciso fazer um ano de complemento da educação básica antes da graduação. Geralmente, esse curso inicial já é focado na área em que o aluno vai seguir (Exatas, Humanas ou Biológicas), o chamado Foundation Year.

Na Rússia é preciso fazer de 3 a 15 meses do curso Faculdade Preparatória, que ensina russo e tradições do país. Lá há universidades que dão aulas em russo ou em inglês.

Mesmo com um inglês básico e sem falar russo, Anna Paula Machado, de 20 anos, embarcou na semana passada para cursar Medicina na Universidade Médica Estatal de Kursk. Antes de entrar na graduação, ela vai fazer três meses de aulas preparatórias de inglês (mais informações nesta página). “Vou estudar muito para conseguir acompanhar. Sei que não vai ser fácil, mas é meu sonho e lá é mais barato cursar Medicina do que em um curso particular no Brasil.”

Nas universidades de fora há opções para todos os bolsos: de graduações que custam R$ 300 por semestre, como na Alemanha, a outras cujos gastos ultrapassam R$ 10 mil por mês, como no Reino Unido.

Gratuidade. Como há subsídio do governo, em algumas universidades alemãs o aluno não paga nada para estudar, explica a orientadora educacional do currículo bilíngue do Colégio Porto Seguro, Sabrina Steyer. “Na maioria das universidades, o aluno tem de falar alemão. O estudante que fez o ensino médio no Brasil fora do currículo alemão tem de fazer um curso de preparação de um ou dois anos na universidade em que pretende ingressar.”

Gustavo Mattos, gerente de promoção da educação britânica no Brasil, afirma que no Reino Unido os cursos que usam apenas as salas de aulas custam, em média, R$ 59 mil anuais, mas os que dependem de laboratórios podem chegar a R$ 130 mil por ano.

Mattos alerta que os alunos que se graduam no Reino Unido precisam revalidar o diploma no Brasil em áreas como Medicina e Engenharia antes de ingressar no mercado do País – processo que pode ser demorado e caro. Quem se gradua no Reino Unido, porém, tem certificado válido em toda a Europa. “O estudante precisa pensar onde quer começar a carreira.”

1

DEPOIMENTO: Anna Paula Machado vai estudar Medicina na Rússia

“Nasci em São Paulo e, com 9 anos, fui para a Bahia. Sempre estudei em escola pública. Voltei sozinha com 17 anos, para trabalhar e estudar. Tentei por dois anos os vestibulares do Brasil, em São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Paraná, mas não tive êxito. Depois do colégio, cheguei a fazer cursinhos gratuitos, mas, por causa do trabalho, nunca tive tempo para estudar muito.

Até dois meses atrás, eu trabalhava em uma farmácia. Gosto de conversar com os clientes. Acho que precisamos tratar as pessoas bem, da mesma maneira como queremos ser tratados.

No fim de 2013, quando tinha acabado de ser promovida e atendia no balcão, um cliente que sempre vai à farmácia foi comprar remédios. Brinquei com ele que um dia seria eu quem prescreveria aquelas receitas. O cliente, um japonês chamado José, arregalou os olhos e ficou surpreso quando disse que queria ser médica.

Quinze dias depois, o José chegou com folhas da Aliança Russa, que mostravam a possibilidade de estudar na Rússia. Pesquisei na internet e minha mãe veio para São Paulo checar se não havia nada contra a Aliança na Justiça. Vimos que a instituição era séria.

Um dos meus medos e da minha mãe era o Revalida (processo de revalidação de diploma de Medicina no Brasil). Mas achei o ensino rígido: são 12 alunos por sala.

Todo o processo de aplicação durou um mês e meio. Conversamos com a diretora da Aliança Russa, que mandou a documentação necessária, porque não há vestibular. Fiz tradução juramentada em russo de comprovante de residência e histórico escolar. Entreguei exames de HIV, sorologia e antidrogas, fiz laudo psiquiátrico e médico comprovando boa saúde. Deixei todas as vacinas em dia.

Minha aprovação foi fácil porque minha mãe mora no interior da Bahia, e eles querem estudantes que queiram voltar ao seu país e trabalhar onde não há médico.

Antes, eu nunca tinha cogitado sair do Brasil. Mas chegou a minha hora. Vou fazer a Universidade Estatal Médica de Kursk. Isso vai me custar por volta de R$ 600 ou R$ 700 por mês, incluindo moradia, os estudos e plano de saúde. O que vou pagar em seis meses lá daria para custear apenas um mês de mensalidade aqui.

Na Rússia, vou fazer três meses de cursinho de inglês, idioma das aulas. Como sempre estudei em escola pública, sei o básico do básico. Mas, como não me vejo sendo outra coisa que não seja médica, eu iria para qualquer lugar do mundo”.

Saiba como organizar a leitura dos livros cobrados nas provas da Fuvest e Unicamp

0
Leitura obrigatória: lista da Fuvest e Unicamp cobra nove livros para o vestibular 2015 (Thinkstock)

Leitura obrigatória: lista da Fuvest e Unicamp cobra nove livros para o vestibular 2015 (Thinkstock)

Lista de obras vale para os dois principais vestibulares do país. Começando nesta semana, dá para ler tudo até o fim do ano sem aperto, garante especialista

Bianca Bibiano, na Veja

Os organizadores da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) e da Fuvest, que organizam, respectivamente, os vestibulares da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP), ainda não anunciaram as datas das provas, mas já confirmaram a lista de livros obrigatórios. As nove obras exigidas nas provas de seleção para 2015 serão as mesmas do último ano.

Para ajudar os estudantes a se organizarem, o site de VEJA.com fez um guia de leitura em parceira com o Anglo Vestibulares. Começando nesta semana, os candidatos aos dois maiores processos seletivos do país terão tempo suficiente para ler — e compreender — as obras literárias.

De acordo com o professor de literatura Fernando Marcílio, é possível dividir a leitura em três grupos de livros, começando pelo romantismo, passando pelo realismo e terminando com o modernismo. “A ordem não é obrigatória, mas ajuda o estudante a compreender a relação do movimento literário com o período histórico, o que facilita a análise das obras”.

Considerando que os livros exigidos têm uma média de 200 páginas cada, a estimativa é que o estudante leia um livro por mês. “Se o candidato ler 10 páginas por dia, ele vai gastar cerca de 40 minutos com leitura, o que não é muito pesado para a rotina”, afirma Marcílio. O professor recomenda a leitura nos dias úteis, deixando o fim de semana para recuperar os possíveis atrasos.

A única exceção da lista é a obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade. De acordo com Marcílio, em vez de separar um mês só para ela, o candidato pode lê-la ao longo do ano. “Por ser uma compilação de poemas, o estudante pode fazer da obra seu livro de cabeceira, lendo um ou dois poemas por semana”.

Ao final de cada livro, a sugestão é que o estudante busque fazer seus próprios resumos da obra e também procure questões de vestibulares anteriores para entender o que pode ser cobrado. “Esse material pode ser recuperado na véspera do vestibular para revisão”, explica.

A leitura de resumos das obras é completamente desaconselhável, frisa Marcílio. “O estudante que só lê o resumo não consegue entender as questões do mesmo modo que outro que leu a obra inteira, uma vez que as perguntas são interpretativas e, com frequência, com alto nível de dificuldade”.

Viagens na Minha Terra

A obra do português Almeida Garrett publicada 1846 abre a lista de leitura para os vestibulares da Fuvest e Unicamp e também inicia o bloco de três livros do romantismo que são cobrados nas questões. Com cerca de 250 páginas, pode ser lido em até cinco semanas, considerando 10 páginas por dia. A leitura é densa, por isso mantenha o ritmo e tente usar alguns finais de semana para tentar ler mais páginas, assim dá para ler tudo sem ficar mais de um mês em uma obra. A narrativa, considerada a única expoente do romantismo português, ajuda a compreender a decadência do império de Portugal. A história é composta por dois eixos narrativos: no primeiro, o narrador faz relatos de suas viagens pelo país, intercalando citações literárias, filosóficas e históricas. Já o segundo eixo, que é interposto no meio dos relatos de viagem, conta o drama amoroso que envolve cinco personagens. A trama amorosa tem como pano de fundo as lutas entre liberais e miguelistas (1830 a 1834) e as personagens funcionam na narrativa como uma visão simbólica de Portugal. Apesar se ser cronologicamente mais antiga que as outras duas obras do romantismo presentes na lista, Viagens na Minha Terra já traz traços do realismo, movimento predominante no segundo bloco de leitura.

Memórias de um Sargento de Milícias

Segunda obra do romantismo no bloco de leitura, o livro de Manuel Antônio de Almeida retrata a vida do Rio de Janeiro no início do século XIX e traz pela primeira vez na literatura nacional a figura do malandro. A trama se difere das de outros romances porque foi escrita em folhetins e por vezes os capítulos nem sempre se relacionam entre si. O romance conta a história de Leonardo, filho de Leonardo-Pataca e Maria das Hortaliças, que se conheceram em uma viagem de navio. O casal se separa após Leonardo-Pataca descobrir a traição de mulher. Leonardinho, como passa a ser chamado o filho do casal, é adotado então pelo padrinho, que deseja que o afilhado se torne padre. A vocação religiosa, porém, não faz parte dos anseios do garoto, que conforme cresce torna-se cada vez mais uma caricatura do malandro carioca: vive sem trabalho fixo e sempre em busca de aventuras amorosas. Em uma dessas andanças, encrenca-se com um major e é salvo pela madrinha, que faz um trato com o militar: Leonardinho se tornaria o sargento de milícias do título. O livro tem 192 páginas e dá para ser lido em menos de um mês.

Til

Publicada em 1892, o livro de José de Alencar faz parte do conjunto de obras da fase regionalista do autor, junto com O Gaúcho, O Sertanejo e Tronco do Ipê. A narrativa conta a história de Berta, que recebe o apelido Til, filha bastarda de um fazendeiro do interior de São Paulo. A personagem é a típica heroína romântica de alma bondosa que se sacrifica pelos outros. Filha de um encontro amoroso entre Besita e o fazendeiro Luis Galvão, a menina passa a ser criada por nhá Tudinha após Ribeiro, marido de Berta, descobrir que a mulher o havia traído. As personagens de Til são arquétipos da sociedade brasileira do século XIX: os escravos, os aristocratas, o povo pobre. A sociedade da época estava estruturada basicamente em duas camadas sociais: de um lado os aristocratas, grandes latifundiários e escravocratas, e de outro lado estavam os escravos e a gente humilde do campo. O livro de 250 páginas encerra a sequência de obras do romantismo.

Memórias Póstumas de Brás Cubas

A obra de Machado de Assis publicada em 1881 abre o bloco de livros do período do realismo. O livro mudou radicalmente o panorama da literatura brasileira por trazer um narrador que conta sua vida depois de morto. A história descreve a vida de Brás Cubas, herdeiro de uma rica família do Rio de Janeiro que depois de morto decide contar suas aventuras, expondo de forma irônica os privilégios da elite do fim do século XIX. Após um romance frustrado com Marcela, uma prostituta de luxo, o pai de Brás manda o jovem estudar em Coimbra. Com diploma em mãos, ele retorna ao Brasil, mas continua usufruindo dos privilégios da família sem trabalhar. Com a narração em primeira pessoa, o narrador conduz o leitor por sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. A maiora das edições do livro tem 220 páginas, podendo ser encontrado também em versão de bolso.

O Cortiço

A obra de Aluísio Azevedo de 1890 também aparece na lista como um dos grandes expoentes do realismo. A história tem como cenário uma habitação coletiva e difunde as teses do naturalismo, doutrina que tinha grande prestígio na Europa à época e que explica o comportamento humano com base na influência do meio, da raça e do momento histórico. O romance é considerado uma peça-chave para entender o Brasil no final do século XIX por apresentar a ideologia e as relações sociais do período. O foco inicial da narrativa é João Romão, o dono do cortiço, um português ambicioso que explora todos a sua volta e chega até a roubar. É o protótipo do “capitalista explorador”. Paralelamente, surgem retratos dos moradores do cortiço, destacando-se Rita Baiana, Jerônimo, Capoeira Firmo e Piedade. Suas vidas são determinadas pelo dia-a-dia da moradia coletiva, um ambiente insalubre e em certa medida promíscuo. O livro com 370 páginas é o mais longo da lista, por isso, nesse fase é recomendável tentar aumentar o número de páginas diárias.

A Cidade e as Serras

Último livro de Eça de Queirós, A Cidade e as Serras foi publicado em 1901, um ano após a morte do autor português. A obra não estava inteiramente acabada, mas ainda assim é considerada uma das mais importantes do escritor, concentrando as principais características do período de sua maturidade artística. Na história, o narrador-personagem, José Fernandes, é quem conta a saga do amigo Jacinto, que vive em Paris, considerada a capital da Europa na época. Jacinto detesta a vida no campo e louva as inovações científicas e as facilidades da vida urbana. Sua vida muda, porém, quando ele volta para sua cidade natal Tormes, no interior de Portugal. No caminho, ele tem suas malas extraviadas, precisando se adaptar ao vilarejo apenas com a roupa do corpo. A obra de 240 páginas fecha o bloco de livros do realismo.

Capitães da Areia

O livro do escritor baiano Jorge Amado, publicado em 1937, inicia o grupo de obras do período do modernismo cobradas nos vestibulares. A história retrata o cotidiano de um grupo de meninos de rua, mas sem focar apenas os assaltos e as atitudes violentas, trazendo também as aspirações e os pensamentos dessas crianças. A obra tem caráter jornalístico, apresentando logo no início uma reportagem sobre um assalto feito pelos “Capitães de Areia”, grupo de crianças tido como perigoso. A história de 280 páginas pode ser dividida em três artes: a primeira, com a apresentação dos personagens através das reportagens fictícias, a segunda quando a personagem Dora entra para o grupo dos meninos de rua e a terceira, na qual o autor conta o desenrolar da vida de de cada uma das crianças.

Vidas Secas

A obra de Graciliano Ramos, de 1938, narra a trajetória de uma família de retirantes nordestinos que é obrigada a se deslocar de tempos em tempos para áreas menos afetadas pela seca. Ao longo da história, Fabiano, o chefe da família, tenta de todas as maneiras encontrar alternativas para superar as dificuldades. Em uma dessas tentativas, ele aceita trabalhar para um fazendeiro local e dividir os ganhos da produção. Ao longo da história, porém, sua mulher Sinhá Vitória, descobre que o marido está sendo explorado e tenta, em vão, alertá-lo. Quando a seca atinge a fazenda, a família se vê obrigada a novamente. A obra pertence à segunda fase modernista, conhecida como regionalista, e é qualificada como uma das mais bem-sucedidas criações da época. O estilo de Graciliano Ramos, que se expressa principalmente por meio do uso econômico dos adjetivos, parece transmitir a aridez do ambiente e seus efeitos sobre as pessoas que ali estão. A obra tem 175 páginas e pode ser lido em até três semanas.

Sentimento do Mundo

Composta por 28 poemas, a obra de Carlos Drummond de Andrade foi publicada pela primeira vez em 1940. No livro, o poeta trabalha com poesias de cunho social, refletindo o momento de instabilidade e inquietação dos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Outras temáticas, porém, estão presentes, ainda que em menor proporção, como a terra natal, o indivíduo e a família. A dica do professor de literatura do Anglo Vestibulares Fernando Marcílio é ler a obra ao longo do ano, um poema ou dois por semana, paralelamente aos outros livros. “Mas sempre deixando em mente que esta é uma obra modernista e que faz parte de um contexto histórico muito específico, que envolvem a Segunda Guerra Mundial e a ascensão de regimes ditatoriais”, explica.

 

Go to Top