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“A escola não pode espelhar a sociedade, a escola deve mudar a sociedade”, diz ministro sueco em passagem por Porto Alegre

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Gustav Fridolin pedalou por Porto Alegre no fim de semanaLauro Alves / Agencia RBS

Gustav Fridolin pedalou por Porto Alegre no fim de semanaLauro Alves / Agencia RBS

Gustav Fridolin esteve na Capital no último fim de semana e conversou com GaúchaZH

Larissa Roso, no Gaucha ZH

Em dois anos, todas as crianças suecas estarão estudando programação de computador a partir do 1º ano do Ensino Fundamental. A reforma curricular em curso na nação nórdica – onde o ensino é gratuito para todos, da pré-escola à universidade – também prevê foco no desenvolvimento das habilidades que permitem que os alunos sejam capazes de diferenciar fatos e mentiras, as fake news, na internet. Ministro da Educação da Suécia e professor de História de formação, Gustav Fridolin, 34 anos, esteve em Porto Alegre no último final de semana para participar da programação da 63ª Feira do Livro, na qual seu país é um dos homenageados.

Fridolin também é porta-voz do Partido Verde, atualmente no governo, e ativista da causa ambiental. Aproveitou a estadia na Capital para um passeio de bicicleta pelas ruas do Centro, da Cidade Baixa e do Bom Fim. Ao final da pedalada, comentou que é possível perceber um interesse das autoridades em criar alternativas de locomoção na cidade, mas que “ainda há desafios”.

As crianças suecas vão começar a estudar programação de computadores a partir do primeiro ano da escola primária. Por quê?

Muitas já fazem isso. Em 2019, passará a ser obrigatório. Isso faz parte de um projeto mais amplo: a reforma do nosso currículo também inclui habilidades digitais para que os alunos se tornem aptos a prestar atenção nas fontes de informação da internet, separar fatos de mentiras, notícias de propaganda. Isso é necessário por duas razões: as escolas deveriam preparar todos os seus jovens cidadãos para serem cidadãos democráticos. Para isso, você precisa entender a sociedade, tomar decisões bem embasadas, ser capaz de refletir sobre as informações. Para mudar o mundo, você precisa entender o mundo, e programação é uma das coisas que, a exemplo de eletricidade ou infraestrutura, afetam nossa vida diária. Se você não entender isso, não poderá entender a sociedade, e se não entender a sociedade não poderá mudá-la. A outra razão é que habilidades digitais e de programação são necessárias no mercado de trabalho.

Aqui há professores em greve e recebendo salários parcelados. Em geral, os melhores alunos não querem lecionar. Como é a vida de professor na Suécia?

Tem sido um desafio também para nós. Nossa população infantil está crescendo, em grande parte devido a crianças que nascem na Suécia, o que é ótimo, mas também porque estamos recebendo crianças vindas de zonas conflagradas, como Síria e Afeganistão, e também é fantástico que possamos fazer isso. Mais crianças demandam mais professores, então temos trabalhado duro para que mais pessoas queiram se tornar professores. Vemos algumas tendências positivas: mais professores permanecem na profissão, há professores que estavam em outras carreiras e voltaram para o magistério, mais profissionais de outras áreas estão se tornando professores. Para quem não tem habilidades pedagógicas, oferecemos a possibilidade de aprendê-las. Mas a falta de professores ainda é um problema. Temos investido no aumento de salários e na contratação de equipes assistentes.

Um bom professor é o principal fator para o sucesso de um estudante?

Sim. E ter tempo com esse bom professor também. É isso que faz desse o melhor trabalho do mundo, quando você tem as condições adequadas: estar lá no momento em que outra pessoa se dá conta de que está aprendendo, de que conseguiu entender algo que achava que era impossível. Isso é fantástico. Meu trabalho é assegurar que mais momentos como esse aconteçam nas escolas suecas.

Os brasileiros não leem muito. Vocês leem.

Focamos muito nisso: todas as crianças têm que ler. Ler mais na escola e também em casa, com os pais lendo com seus filhos. Na semana passada, tivemos (no ano letivo) o intervalo de outono, que renomeamos para intervalo da leitura no ano passado. Já podemos ver mudanças: aumentou em 20% o número de livros juvenis vendidos, especialmente para a faixa de leitores de 12 a 15 anos, e as bibliotecas relatam mais visitas nesse período. Temos trabalhado com sindicatos de trabalhadores para fazer com que os pais leiam mais. Sabemos que é importante que uma criança leia com seu pai, e também é importante que ela veja seu pai lendo.

A Suécia é um dos líderes em produção científica. No Brasil, por causa da falta de verba, muitos cientistas estão desistindo da pesquisa ou se mudando para outros países. Considerando-se o desenvolvimento econômico e social, qual você acredita ser a importância da ciência?

É difícil pensar em algo mais importante do que educação e ciência para o desenvolvimento da nossa sociedade, especialmente quando tantas coisas estão mudando. A maneira como vivemos e trabalhamos, organizamos a sociedade, viajamos, nos comunicamos uns com os outros, obtemos eletricidade, usamos nossos recursos, tudo isso vai mudar nas próximas décadas. Os países que encontrarem soluções de que o resto do mundo está precisando, para transportes e energia verde, por exemplo, vão prevalecer. Os países que não conseguirem vão depender das soluções dos outros.

Qual é o seu maior desafio como ministro da Educação de um país com um nível educacional muito bom?

Acabar com a desigualdade. Muito já aconteceu, mas muito ainda precisa ser feito. O que vemos em quase todos os países é uma desigualdade crescente. A desigualdade econômica afeta as escolas. Se não interrompermos esse ciclo, haverá um grande risco para nossa economia, nossa segurança e nossa democracia. Temos que garantir que todas as crianças tenham uma boa educação para assumir o controle de suas vidas. O maior e mais importante investimento para quebrar a desigualdade é através da educação. A escola não pode se contentar em espelhar a sociedade, a escola está lá para mudar a sociedade, para construir um futuro melhor.

Vento a favor

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Diminuição da população em idade escolar pode aumentar em 37% os salários dos professores brasileiros até 2025.

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Publicado em O Globo

O Brasil se comprometeu, no Plano Nacional de Educação (PNE), a pagar melhores salários aos seus professores. A meta é que, até 2020, um profissional com nível superior que dê aulas numa das etapas da educação básica receba o mesmo, em média, que os demais profissionais do ensino superior. Trata-se de um dos objetivos do PNE que mais vai demandar recursos públicos. Em 2013, último ano com dados do IBGE disponíveis, ainda estávamos longe de alcançar a meta em todos os níveis da educação básica. Na educação infantil, setor em que os salários eram os mais baixos, a renda média de um professor com carga horária de 40 horas semanais e nível superior completo representava 46% (menos da metade) do verificado para os demais profissionais com diploma universitário. No ensino médio, o quadro era só um pouco melhor: os salários médios dos docentes representavam 68% do registrado nas demais carreiras de ensino superior.

O esforço para cumprir esta meta não será simples, mas, também neste caso, ao menos um fator jogará a favor: a população em idade escolar está em queda. No livro “Professores Excelentes”, cuja edição em português foi lançada recentemente no Brasil pelo Banco Mundial, os pesquisadores Barbara Bruns e Javier Luque calculam, para dez países da América Latina e Caribe, qual seria o possível impacto da redução do número de alunos nos salários docentes. O raciocínio é que, com menos crianças e jovens, haverá também menor necessidade de professores para atender a demanda. Com isso, será possível pagar melhor aqueles que estiverem na profissão em 2025.

Mesmo considerando que o Brasil ainda precisa elevar a taxa de matrícula na educação básica, seria possível, segundo a estimativa, aumentar em 37% o salário médio dos professores. Entre dez países para o qual o cálculo foi feito, apenas o Uruguai terá situação ainda mais favorável: lá, o aumento salarial pode chegar a 65%, pois a queda projetada da população jovem até 2025 é ainda maior. Outros países da América Latina e Caribe teriam ganhos menores (ou nulos) porque sua população jovem cai em ritmo menos intenso, ou por causa de uma proporção maior de crianças ainda fora da escola.

Esta conta, no entanto, considera que os países terão que fazer escolhas. Esses percentuais só se aplicam no caso de a relação de alunos por professor se manter estável. O tamanho ideal de uma turma é um dos temas mais debatidos — e menos consensuais — na literatura acadêmica. Há pouca discordância, no entanto, de que salas de aula com mais de 40 alunos são certamente problemáticas, ainda mais num país onde os professores reportam altos níveis de indisciplina (No Brasil, a média no ensino fundamental é de 29 alunos por professor, mas há grande variação entre estados e escolas). O que gera mais controvérsia é a estimativa da melhoria da qualidade do ensino caso haja uma redução, por exemplo, de 30 para 20 alunos por turma. Isto teria certamente um custo alto, e, segundo os autores do livro, um impacto bem menor no aprendizado.

Seria, segundo eles, mais eficiente usar os recursos para aumentar o salário dos professores. Os ganhos dessa política certamente não seriam imediatos, já que o salário do professor tem pouca correlação, no curto prazo, com o desempenho dos alunos. O principal argumento é o de elevar o prestígio da carreira docente, ajudando assim a atrair mais profissionais qualificados e elevando o grau de exigência acadêmica para quem pretende entrar na profissão. É esta a lição dos países com melhor desempenho educacional.

Não seja professor

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charge: Latuff

charge: Latuff

Vladimir Safatle, na Folha de S.Paulo

Quem escreve este artigo é alguém que é professor universitário há quase 20 anos e que gostaria de estar neste momento escrevendo o contrário do que se vê obrigado agora a dizer. Pois, diante das circunstâncias, gostaria de aproveitar o espaço para escrever diretamente a meus alunos e pedir a eles que não sejam professores, não cometam esse equívoco. Esta “pátria educadora” não merece ter professores.

Um professor, principalmente aquele que se dedicou ao ensino fundamental e médio, será cotidianamente desprezado. Seu salário será, em média, 51% do salário médio daqueles que terão a mesma formação. Em um estudo publicado há meses pela OCDE, o salário do professor brasileiro aparece em penúltimo lugar em uma lista de 35 países, atrás da Turquia, do Chile e do México, entre tantos outros.

Mesmo assim, você ouvirá que ser professor é uma vocação, que seu salário não é assim tão ruim e outras amenidades do gênero. Suas salas de aula terão, em média, 32 alunos, enquanto no Chile são 27 e Portugal, 8. Sua escola provavelmente não terá biblioteca, como é o caso de 72% das escolas públicas brasileiras.

Se você tiver a péssima ideia de se manifestar contra o descalabro e a precarização, caso você more no Paraná, o governo o tratará à base de bomba de gás lacrimogêneo, cachorro e bala de borracha. Em outros Estados, a pura e simples indiferença. Imagens correrão o mundo, a Anistia Internacional irá emitir notas condenando, mas as principais revistas semanárias do país não darão nada a respeito nem do fato nem de sua situação. Para elas e para a “opinião pública” que elas parecem representar, você não existe.

Mais importante para eles não é sua situação, base para os resultados medíocres da educação nacional, mas alguma diatribe canina contra o governo ou os emocionantes embates entre os presidentes da Câmara e do Senado a fim de saber quem espolia mais um Executivo nas cordas.

No entanto, depois de voltar para casa sangrando por ter levado uma bala de borracha da nossa simpática PM, você poderá ter o prazer de ligar a televisão e ouvir alguma celebridade deplorando o fato de o país “ter pouca educação” ou algum candidato a governador dizer que educação será sempre a prioridade das prioridades.

Diante de tamanho cinismo, você não terá nada a fazer a não ser alimentar uma incompreensão profunda por ter sido professor, em vez de ter aberto um restaurante. Por isso o melhor a fazer é recusar-se a ser professor de ensino médio e fundamental. Assim, acordaremos um dia em um país que não poderá mais mentir para si mesmo, pois as escolas estarão fechadas pela recusa de nossos jovens a serem humilhados como professores e a perpetuarem a farsa.

Professores no Brasil estão entre mais mal pagos em ranking internacional

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Para consultoria, salário de professor no Brasil deveria ser quase três vezes maior (Foto: Tânia Rêgo/ABr)

Para consultoria, salário de professor no Brasil deveria ser quase três vezes maior (Foto: Tânia Rêgo/ABr)

Publicado na BBC Brasil

O Brasil é o lanterninha em um ranking internacional que compara a eficiência dos sistemas educacionais de vários países, levando em conta parâmetros como os salários dos professores, as condições de trabalho na escola e o desempenho escolar dos alunos.

O ranking é de setembro do ano passado, mas volta à tona no momento em que o governo paranaense aprova uma redução nos benefícios previdenciários dos professores do Estado.

A votação da lei elevou as tensões e levou a um tumulto no qual pelo menos 170 pessoas ficaram feridas após a repressão policial de um protesto de professores em Curitiba. Os professores paranaenses estão em greve desde sábado (25 de abril).

Em São Paulo, professores da rede estadual estão em greve desde 13 de março, reivindicando reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

O estudo internacional foi elaborado pela consultoria Gems Education Solutions usando dados dos mais de 30 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e alguns emergentes, como o Brasil.

Nele, o país aparece como um dos últimos em termos de salário pago aos professores, por exemplo.

O valor que os educadores brasileiros recebem (US$ 14,8 mil por ano, calculado por uma média de 15 anos e usando o critério de paridade de poder de compra) fica imediatamente abaixo do valor pago na Turquia e no Chile, e acima apenas de Hungria e Indonésia.

Os salários mais altos são na Suíça (US$ 68,8 mil) e na Holanda (US$ 57,8 mil).

Os professores brasileiros também são responsáveis por mais estudantes na sala de aula: 32 alunos, em média, para cada orientador, comparado com 27 no segundo lugar, o Chile, e menos de 8 em Portugal.

Combinando fatores como estes com o desempenho dos alunos – entre os piores entre os países pesquisados – a consultoria coloca o sistema educacional brasileiro como o mais ineficiente da lista.

“Nossas conclusões sugerem que o Brasil deveria cuidar do salário dos professores para alcançar o objetivo da eficiência educacional”, diz o relatório.

Para a consultoria, a meta seria um salário quase três vezes maior que o atual.

Deficiências no gasto

Os dados mais recentes da OCDE mostram as debilidades no gasto educacional brasileiro.

Segundo a organização, o gasto do governo brasileiro com educação cresceu rapidamente desde o ano 2000, atingindo 19% do seu orçamento em 2011 – a média da OCDE foi de 13%.

O gasto público com educação chegou a 6,1% do PIB brasileiro, acima da média da OCDE de 5,6%, e à frente da proporção de outros latino-americanos como Chile (4,5%) e México (5,2%).

Porém, o gasto do Brasil com a educação pública foi o segundo menor de todos os países da OCDE e parceiros – US 3.066, contra uma média de US$ 9.487. O país ficou em 34º no ranking de 35 países da organização.

Professores de escolas estaduais e municipais já recebem mais que os de particulares

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Dados foram tabulados pelo GLOBO na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE

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Publicado em O Globo

RIO – A professora Lucy Corrêa Bauly, de 58 anos, trabalhou em escolas particulares por 23 anos. Foi um período em que, na média, os profissionais que davam aulas na rede privada recebiam salários maiores do que no setor público. Segundo ela, para os padrões da profissão, o pagamento que recebia por hora aula era até bom. No entanto, uma reestruturação no colégio onde trabalhava alterou esse quadro. Foi aí que decidiu, em 2012, fazer concurso para o município.

— Já entrei com um salário maior do que ganhava na rede particular. Era algo em torno de R$ 2.600. Logo depois, o sindicato brigou para que existisse uma equiparação dos nossos salários com uma outra categoria que exercia as mesmas funções e, aí, nosso salário aumentou para quase R$ 5 mil. É óbvio que o professor merece mais, mas, para mim, foi um aumento salarial relevante.

Dados tabulados pelo GLOBO na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE, mostram que a rede pública já paga, em média, salários melhores aos seus professores na educação básica em comparação à particular. Até o final da década passada, o padrão era o contrário. Em 2002, considerando todos os professores com diploma de nível superior dos ensinos fundamental e médio, um docente da rede privada recebia, em média, 18% a mais em seu trabalho principal para uma jornada de 40 horas semanais. Ao longo da década passada, a distância entre as duas redes em termos salariais foi diminuindo, até que, em 2011, pela primeira vez, a rede pública superou a particular. Os últimos números da Pnad, de 2013, mostram que o rendimento médio de um professor da educação básica na rede pública é 6% maior do que na rede privada.

LEI DO PISO CONTRIBUIU

A reversão desse padrão aconteceu principalmente por causa da melhoria salarial verificada no setor público no ensino médio e no segundo segmento do ensino fundamental, o antigo ginásio. Nesses dois segmentos, enquanto os profissionais da rede pública registraram aumentos reais (superiores à inflação do período) entre 2002 e 2013, os que davam aulas no ensino particular viram seus salários caírem, quando considerada a inflação. No primeiro segmento do ensino fundamental (antigo primário), os salários da rede pública já superavam os da particular em 2002, e houve aumento real no período nos dois setores.

Para o presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Eduardo Deschamps, um dos fatores que contribuiu para os rendimentos do setor público terem superado os da rede privada foi a Lei do Piso Nacional do Magistério, aprovada em 2008. Deschamps, que é também secretário em Santa Catarina, defende ajustes na lei para, segundo ele, garantir que ela seja sustentável — os secretários pedem mais recursos da União ou mudanças na forma de cálculo do reajuste —, mas reconhece que a legislação tem proporcionado aumentos superiores à inflação no setor público.

— Enquanto os salários da rede privada são reajustados normalmente pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), o piso variou entre 2011 e 2014 algo em torno de 78%, para uma inflação que não chega à metade deste percentual.

A secretária municipal de educação do Rio, Helena Bomeny, conta que a melhoria dos salários tem feito também a relação de candidatos por vaga aumentar em concursos para o magistério. O salário base hoje no município para 40 horas semanais é de R$ 4.410, chegando a R$ 4.947 quando somados benefícios como auxílio transporte, alimentação e bônus cultura, que elevam o valor do salário inicial para R$ 4.947.

— No nosso último concurso, foram 54 candidatos por vaga —, diz a secretária.

REDE PRIVADA TEM MAIS DISPARIDADES

Na comparação entre rendimentos dos setores público e privado, é preciso considerar que os salários tendem a ser mais homogêneos no setor estatal. No município do Rio, por exemplo, há colégios de elite no ensino médio que pagam R$ 60 por hora de aula, enquanto outros pagam somente o piso, de R$ 15. Ou seja, o salário mensal de um professor da rede privada que consegue fazer 40 horas semanais nesses valores de hora aula pode variar de R$ 9.600 a R$ 2.400.

Algumas pesquisas publicadas nos últimos anos já vinham registrando a diminuição desse diferencial entre as redes. Um estudo apresentado em 2007 pelos pesquisadores Samuel Pessoa, Fernando Barbosa Filho e Luis Eduardo Afonso, da FGV e da USP, indicava que a vantagem salarial dos professores da rede privada variava apenas de 5% a 11%, a depender do nível de ensino. Os autores argumentavam na época, no entanto, que a carreira no setor público já era mais vantajosa do que no privado, se fossem consideradas as regras de aposentadoria, mais favoráveis para servidores públicos do que na iniciativa privada.

Lucy Bauly, a professora que trocou a rede privada pela pública há três anos, diz que a estabilidade é outro fator a favor do setor estatal.

— No colégio particular você pode ser o melhor professor do mundo, mas é o aluno que dá o dinheiro. E a direção, na dúvida, geralmente aceita mais a versão do aluno do que a do professor em momentos de crise.

Ela afirma que a maior diferença que ela percebeu logo que trocou de rede foi na infraestrutura.

— A primeira escola municipal em que atuei não tinha ar-condicionado, eu levava ventilador de casa e o material para sala de aula era escasso. A que eu estou agora possui uma direção muito atuante que muda esse cenário. Mas deveria ser assim em toda escola: com bons salários e uma infraestrutura adequada.

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