Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged salas de aula

Obras de autores como Malala e Aldous Huxley serão distribuídas em escolas

0

Malala Yousafzai, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, faz uma pausa para uma entrevista à Reuters em um hotel local em Islamabad, Paquistão – 30/03/2018 (Saiyna Bashir/Reuters)

Cada aluno da rede pública receberá dois livros, que deverão ser devolvidos ao fim do ano

Publicado na Veja

Livros de Cecília Meirelles, Malala, Aldous Huxley, entre outros autores serão distribuídos aos alunos da rede pública junto com o material didático em 2019. Cada estudante deverá receber duas obras literárias, segundo o novo formato do Programa Nacional do Livro e do Material Didático Literário (PNLD), que, até este ano, distribuía apenas títulos para as bibliotecas e para serem usados em salas de aula.

De acordo com o Ministério da Educação, caberá a cada escola escolher os títulos a serem distribuídos aos seus alunos. No catálogo para o ensino médio, estão a biografia da paquistanesa Malala — a mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz; o clássico de ficção Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; poemas de Cecília Meireles, entre outros.

Todas as obras serão devolvidas às escolas depois do período de um ano para reutilização. Cada editora pode inscrever quatro obras para serem selecionadas para o catálogo.

Para reduzir o tempo na cadeia, Cabral estuda e Cunha lê

0
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Alvaro Costa e Silva, na Folha de S.Paulo

RIO DE JANEIRO – Sérgio Cabral e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo vão cursar a mesma faculdade na qual o traficante Fernandinho Beira-Mar está quase se formando. A Fabapar (Faculdade Batista do Paraná) oferece curso a distância para presos que buscam redução de pena. Cabral (condenado no total a 72 anos e quatro meses de reclusão), Adriana (18 anos e três meses) e Beira-Mar (mais de 300 anos) optaram por estudar teologia. Tempo para ocupar-se com Deus não lhes faltará.

Espero estar enganado, mas o esquema me parece aquele do pagou-passou. O valor do semestre na faculdade é de R$ 2.664, podendo ser pagos em seis parcelas de R$ 444. O ex-governador, em seus tempos de estudante de jornalismo, era menos visto nas salas de aula do que nos campinhos de pelada, envergando a gloriosa camisa do Bonecas Forever (o cantor Toni Platão, craque do time, está aí para não me deixar mentir).

Em todo caso, para graduar-se em teologia, Sérgio Cabral terá de ler ao menos as “Confissões” de Santo Agostinho. Livro raro: uma autobiografia sincera. Escrita em 397, aborda a trajetória desse vaidoso professor de retórica que, antes da conversão, dedicou-se à busca mundana da projeção política, dos negócios escusos e do prazer.

eduardo_cunha_1

Em outra cela de cadeia, Eduardo Cunha (condenado a 14 anos e meio) aderiu ao programa de remição de pena pela leitura. Até agora, ele garante ter lido nove livros, ou seja, 36 dias a menos na prisão. Entre as obras, que devem ser obrigatoriamente resenhadas pelo detento, estão três romances de Moacyr Scliar; “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes; “Tufão”, de Joseph Conrad; e “O Estrangeiro”, de Albert Camus.

Gostaria de saber o que pensa Cunha de Meursault, o personagem de Camus que cometeu um crime absurdo. E de sua atitude diante do mundo, de pouco se importar pelo que fez.

Como a Finlândia, país referência em educação, está mudando a arquitetura de suas escolas

0
Distinção entre salas de aula e corredores deixam de existir (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Distinção entre salas de aula e corredores deixam de existir (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Com plano aberto e menos divisórias, centros de ensino buscam mais flexibilidade, autonomia dos alunos e um espaço mais adequado ao aprendizado baseado em projetos.

Publicado no G1 [via BBC Brasil]

Faz anos que a Finlândia se tornou referência mundial em educação, mesclando jornadas escolares mais curtas, poucas tarefas e exames e também adiando o início da alfabetização até que as crianças tenham sete anos de idade.

E, mesmo com um dos melhores resultados globais no PISA (avaliação internacional de educação), o país continua buscando inovações – inclusive na estrutura física das escolas.

Uma das apostas é o chamado ensino baseado em projetos, em que a divisão tradicional de matérias é substituída por temas multidisciplinares em que os alunos são protagonistas do processo de aprendizado.

Parte das reformas é imposta pela necessidade de se adaptar à era digital, em que as crianças já não dependem apenas dos livros para aprender. E tampouco os alunos dependem das salas de aula – pelo menos não das salas de aula atuais.

Adeus às paredes

Por isso as escolas finlandesas estão passando por uma grande reforma física, com base nos princípios do “open plan”, ou plano aberto. A busca é, essencialmente, por mais flexibilidade.

As tradicionais salas fechadas estão se transformando em espaços multimodais, que se comunicam entre si por paredes transparentes e divisórias móveis.

O mobiliário inclui sofás, pufes e bolas de pilates, bem diferentes da estrutura de carteiras escolares que conhecemos hoje.

“Não há uma divisão ou distinção clara entre os corredores e as salas de aula”, diz à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC) Reino Tapaninen, chefe dos arquitetos da Agência Nacional de Educação da Finlândia.

Desse modo, explica ele, professores e alunos podem escolher o local que considerarem mais adequado para um determinado projeto, dependendo, por exemplo, se ele for individual ou para ser executado em grupos grandes.

Mas não se trata de espaços totalmente abertos, mas sim de áreas de estudo “flexíveis e modificáveis”, agrega Raila Oksanen, consultora da empresa finlandesa FCG, envolvida nas mudanças.

“As crianças têm diferentes formas de aprender”, diz ela, e por conta disso os espaços versáteis “possibilitam a formação de diferentes equipes, com base na forma como eles prefiram trabalhar e passar seu tempo de estudo”.

Diferentes ambientes

O conceito de plano aberto deve ser entendido de forma ampla – não só sob perspectiva arquitetônica, mas também pedagógica.

Segundo a consultora, isso significa que não se trata apenas de um espaço aberto no sentido físico, e sim de um “estado mental”.

Mobiliário passa a incluir sofás e pufes em vez de tradicionais carteiras (Foto: Kuvatoimisto Kuvio )

Mobiliário passa a incluir sofás e pufes em vez de tradicionais carteiras (Foto: Kuvatoimisto Kuvio )

Tradicionalmente, as salas de aula “foram projetadas para satisfazer as necessidades dos professores”, afirma Oksanen.

“A abertura (física) almeja que a escola responda às necessidades individuais dos alunos, permitindo a eles que assumam a responsabilidade por seu aprendizado e aumentem sua autorregulamentação”, diz ela. “Os próprios alunos estabelecem metas, resolvem problemas e completam seu aprendizado com base em objetivos.”

Vale destacar que a ideia do plano aberto não é totalmente nova.

Na própria Finlândia, as primeiras escolas com esse modelo foram idealizadas nos anos 1960 e 70, como grandes salões separados por paredes finas e por cortinas, explica Tapaninen, da Agência Nacional de Educação da Finlândia.

Conceito de "plano aberto" não se refere apenas ao ambiente físico, mas a um conceito pedagógico, dizem especialistas (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Conceito de “plano aberto” não se refere apenas ao ambiente físico, mas a um conceito pedagógico, dizem especialistas (Foto: Kuvatoimisto Kuvio Oy)

Mas na aquela época a cultura de aprendizado e os métodos de trabalho não estavam adaptados a esse tipo de ambiente. Além disso, havia reclamações quanto ao barulho e à acústica. Por tudo isso, nos anos 1980 e 90 o pais retomou o modelo de salas de aula fechadas.

Agora, um dos objetivos da reforma do sistema educacional finlandês é desenvolver novos ambientes de aprendizado e métodos de trabalho.

A ideia é que espaços físicos inspirem o aprendizado, mas não é preciso limitar-se à escola ou mesmo a um lugar físico.

“(As aulas) devem usar outros espaços, como a natureza, museus ou empresas”, explica Tapaninen.

“Videogames e outros ambientes virtuais também são reconhecidos como ambientes de aprendizagem. A tecnologia tem um papel crescente e significativo nas rotinas escolares, permitindo aos alunos envolver-se com mais facilidade no desenvolvimento e na seleção de seus próprios ambientes.”

Sem sapatos

A escolha pelo modelo trouxe desafios: o barulho e a luz intensificados pelo plano aberto, por exemplo, precisam ser levados em conta na criação de um bom ambiente de aprendizado.

“O uso de carpete no chão eliminou o ruído causado pelos móveis e pelo caminhar das pessoas”, explica o arquiteto.

E as escolas se converteram em espaços “sem sapatos”: os alunos ficam descalços ao entrar ou usam calçados leves.

Escolas mais abertas podem ser também mais vulneráveis, o que desperta preocupações com segurança.

“Já tivemos na Finlândia casos de invasores que atacaram escolas, matando estudantes e professores”, explica Tapaninen.

Ele se refere, por exemplo, ao caso de um estudante de 18 anos que dez anos atrás disparou contra seus colegas em uma escola em Tuusula, deixando oito mortos.

Por conta disso, cada escola finlandesa é obrigada a ter um plano de segurança com base na análise de riscos, criar rotas de fuga em cada espaço e fazer simulações de ataques para preparar os alunos.

Mas, segundo Tapaninen, a abertura das escolas “ajuda a orientação a rotas de fuga, mais do que em salas de aula fechadas e em corredores”.

A Finlândia tem 4,8 mil centros de ensino básico e superior. Anualmente, o país está reformando ou construindo entre 40 e 50 espaços, explica o arquiteto. E a maior parte deles segue o conceito de plano aberto.

“As escolas e seus usuários podem escolher livremente seu próprio conceito de ambiente de aprendizado, dependendo da visão local, do plano de estudos, da cultura de trabalho e de seus métodos”, diz ele. “Aparentemente, a tendência de abertura nos ambientes educativos está se tornando a favorita (das escolas).”

Como a Inteligência Artificial já está mudando salas de aula no Brasil e no mundo

0
Anderson dos Santos Andrade com seu plano de estudos virtual: análise de dados fornecidos pelos alunos ajuda a identificar o que foi aprendido e o que precisa ser reforçado nas aulas (Foto: Divulgação/BBC Brasil)

Anderson dos Santos Andrade com seu plano de estudos virtual: análise de dados fornecidos pelos alunos ajuda a identificar o que foi aprendido e o que precisa ser reforçado nas aulas (Foto: Divulgação/BBC Brasil)

Sistemas são capazes de analisar desempenho de alunos, sugerir conteúdos complementares e orientar educadores; professor não deve ser substituído, mas terá que se preparar para essa realidade, dizem especialistas.

Publicado no G1

Quando o estudante Anderson dos Santos Andrade, 16, faz o login na plataforma virtual da escola, tem diante de si seu plano de estudos: faltam seis vídeos de biologia para assistir e, depois, completar os exercícios online. Um dos questionários vem com a hashtag #cainaprova, então Anderson sabe que aquele conteúdo ajudará a garantir pontos na nota do bimestre.

A interface mostra também que ele já completou – e acertou – as dez questões de funções trigonométricas da aula mais recente de matemática.

Aluno do 2º ano do ensino médio do Centro Educacional Sesi 415, em Artur Alvim, zona leste de São Paulo, ele e seus 995 colegas de escola usam a plataforma virtual para fazer as atividades indicadas pelos professores, acompanhar o próprio desempenho em cada matéria e classificar os conteúdos pelo seu grau de dificuldade: de “tô de boa” a “não estou entendendo nada”.

À medida que Anderson completa as atividades, o sistema identifica, via algoritmos, o quanto ele entendeu de cada matéria – e indica quais aulas deve assistir para sanar suas dúvidas.

Na outra ponta, os professores do Sesi 415 medem o aprendizado de cada aluno e cada turma, passam aulas complementares e fazem a correção automática dos exercícios.

A experiência da escola paulistana é um exemplo de como a Inteligência Artificial pode ser aplicada na educação – uma tendência mundial ainda repleta de desafios e oportunidades.

“Conforme os alunos usam a ferramenta, assistem às aulas e respondem as questões, recebemos os dados e os comparamos a modelos, para entender o que eles aprenderam e quais suas dificuldades”, explica à BBC Brasil Leonardo Carvalho, cofundador da Geekie, empresa que é a provedora da plataforma usada pelo Sesi.

Em uma aula de História do Brasil, por exemplo, o professor pode selecionar online as questões que quer desenvolver em classe; pede aos alunos que assistam aos vídeos para se prepararem para a aula e, depois dela, completem os exercícios também via internet.

O professor e seus coordenadores recebem, depois, gráficos indicando o nível de entendimento da turma: qual porcentagem completou os exercícios corretamente e quais foram as principais falhas.

“A Inteligência Artificial no fundo é um conjunto de ferramentas estatísticas que cria mais conhecimento quanto mais os alunos (a utilizarem)”, prossegue Carvalho.

“Em uma sala com 50 alunos, o professor não consegue ver (a dúvida exata) de cada um. O programa faz isso de modo escalonado.”

O Geekie fornece o sistema atualmente para 600 escolas privadas brasileiras, além da rede Sesi e para algumas escolas públicas, via patrocínio de empresas. A empresa também ofereceu, na rede pública, um game de simulado do Enem, para ajudar os alunos a identificar suas lacunas de aprendizado para o exame vestibular.

“Para essa nova geração, que não tem a cultura da paciência, é útil ver seus resultados rapidamente e saber o que precisa corrigir (no aprendizado)”, explica Ana Maria Machado Tonon, diretora do Sesi 415.

“E para nós (professores) é um termômetro sobre o que precisa ser aprimorado ou corrigido no conteúdo, sobre quais alunos fizeram ou não os exercícios. Antes, a gente gastava muito tempo tentando identificar o que estava indo errado.”

Experimentos globais

Ao redor do mundo, diferentes projetos estão aplicando a tecnologia e a Inteligência Artificial em busca de avanços no processo de aprendizado.

Na Califórnia, a AltSchool também usa uma plataforma adaptada de ensino para cada aluno, que tem sua “playlist” de vídeos, textos e exames elaborada conforme suas preferências e suas deficiências de ensino.

Na Índia, o programa Mindspark criou um banco de dados ao longo de dez anos, a partir de milhões de avaliações educacionais, para ajudar professores a identificar com precisão – em vez de pela intuição – quais são as necessidades dos alunos.

E, no Reino Unido, a empresa Third Space Learning, em parceria com a Universidade College London, tenta melhorar o aprendizado da matemática com uma tutoria virtual adaptada para cada criança, com base na análise de milhares de horas de aulas prévias.

De softwares inovadores a tablets, muito se tentou em termos de tecnologia em sala de aula, nem sempre com impactos significativos no aprendizado. Agora, com o avanço da Inteligência Artificial, é possível motivar alunos – sobretudo os que têm mais dificuldades – desde que as ferramentas não sirvam de muleta (ou seja, ensinem a criança a andar com as próprias pernas) e desde que não sejam usadas de modo aleatório, diz à BBC Brasil a professora Rose Luckin, que pesquisa o tema na College London e acompanha o Third Space Learning.

“O mais importante é identificar bem qual o problema que a escola está tentando resolver com a tecnologia, e daí usar a Inteligência Artificial no que ela é útil e manter o (ensino) humano no que ele é útil”, explica ela.

Computadores, explica ela, são eficazes em analisar dados e identificar padrões – por exemplo, de erros e acertos dos alunos. “Mas não são bons, por exemplo, em entender emoções ou replicar o intelecto e o instinto de um bom professor.”

Essa acaba sendo uma questão crucial: segundo Luckin, o ideal é que a tecnologia não substitua o professor, mas sim ajude-o a aperfeiçoar e otimizar suas aulas.

“Pode ser que no futuro haja pressão comercial para substituí-los, mas acho que esse caminho seria equivocado. O ideal é combinar interação humana à tecnológica (na sala de aula).”

No Brasil, o Geekie explica que um dos desafios iniciais foi justamente convencer os professores de que a plataforma não tem a intenção de tomar o lugar do docente.

“É para ajudar o professor e ser um facilitador do aprendizado, que é impossível de ser mecanizado”, diz Leonardo Carvalho. “A ideia é dar mais ferramentas para auxiliar a parte que só o professor consegue fazer.”

Desafio: capacitar professores

Reside aí, então, o primeiro grande desafio da Inteligência Artificial na educação: a formação de bons professores, capazes de utilizar a tecnologia a seu favor para melhorar a sala de aula.

Alunos do Centro Educacional Sesi 415; boa rede de internet é essencial para utilização de tecnologias de IA. (Foto: Divulgação/BBC Brasil)

Alunos do Centro Educacional Sesi 415; boa rede de internet é essencial para utilização de tecnologias de IA. (Foto: Divulgação/BBC Brasil)

“A tecnologia não dispensa o professor, mas ele deixa de ser o dono do saber e se torna um mediador”, opina Aníbal dos Santos Peça, coordenador pedagógico do Sesi 415. “Seu papel passa a ser ensinar o aluno a ser um bom pesquisador.”

Esse pode ser um entrave significativo no Brasil, onde a formação de professores é tida por especialistas como excessivamente teórica e deficitária.

E, em segundo lugar, existe o obstáculo da infraestrutura. O Sesi 415 só conseguiu usar plenamente as ferramentas de Inteligência Artificial no início do ano, quando a região de Artur Alvim, afastada do centro da cidade, finalmente recebeu rede de fibra ótica para internet rápida.

“Há até pouco tempo, algumas de nossas escolas só tinham internet discada”, diz Karina de Paula Vezzaro, analista técnico-educacional do Sesi em São Paulo. “Isso impacta muito. A internet no Brasil é cara e ruim.”

Segundo dados do Censo Educacional 2016 do Ministério da Educação tabulados pela plataforma QEdu, 68% das 183,3 mil escolas básicas do Brasil têm internet. A banda larga está disponível em 56% delas.

“A má qualidade da internet móvel ainda é gritante. Mas pouco a pouco a tendência é que esses gargalos sejam superados”, opina Ricardo Azambuja Silveira, professor associado do Departamento de Informática e Estatística da Universidade Federal de Santa Catarina e estudioso da Inteligência Artificial.

Para ele, a tendência é de que a tecnologia ajude a democratizar o ensino, mesmo que seu uso seja mais sutil do que imaginemos.

“Às vezes, são tecnologias um pouco invisíveis para usuários finais e que vão sendo incorporadas na rotina (da educação)”, diz à BBC Brasil. “Há desde o ensino adaptativo (moldado para cada estudante) até sistemas capazes de recomendar sites confiáveis para estudantes de determinadas áreas. Os moocs (cursos abertos e gratuitos online) também começam a incorporar a análise dos dados de seus usuários (…) para identificar as deficiências dos alunos.”

Desafio da democratização

Para Luckin, da Universidade College London, a democratização – ou não – do ensino com a tecnologia é a “pergunta de um milhão de dólares”.

“Acho que isso vai depender das escolhas feitas pelos humanos”, diz ela. “Temos um deficit mundial de 69 milhões de professores, e a Inteligência Artificial pode ajudar nisso – não substituindo-os, mas provendo tutores e melhorando os professores existentes. Mas ainda temo que os (alunos) mais ricos consigam adquirir essa tecnologia antes e que isso aumente a distância (deles em relação aos mais pobres).”

Para Carvalho, do Geekie, um dos potenciais da tecnologia é permitir ao aluno não depender tanto da disponibilidade física do professor. “(O sistema) não é equivalente a ter um professor particular, mas emula esse professor a um custo mais baixo.”

É preciso levar em conta, também, os limites da tecnologia – a qual, pelo menos por enquanto, é pouco eficiente em avaliar nuances, como a inteligência emocional dos alunos ou sua capacidade de escrever uma redação.

Tanto que, no Geekie, as redações dos simulados do Enem foram corrigidas manualmente por professores.

“A parte de competências emocionais ainda é uma área inexplorada”, explica Carvalho, que também almeja, no futuro, desenvolver sistemas capazes de integrar os diferentes campos de conhecimento do currículo escolar, em vez de apenas analisar os alunos de modo compartimentalizado – em matemática, português, física e assim por diante.

À medida que crescem as possibilidades, será necessário aumentar, também, o discernimento de professores e agentes políticos, opina Rose Luckin.

“A sala de aula mudará drasticamente, e todos precisarão aprender a lidar com isso”, diz ela. “Professores terão que ser treinados para decidir quais produtos serão mais eficientes para suas necessidades, e políticos sem informação suficiente podem comprar tecnologias achando que elas resolverão determinados problemas, e talvez elas não resolvam.”

De volta ao Sesi 415, na zona leste de São Paulo, a tecnologia tem sido encarada como uma ferramenta para dar mais subsídios aos professores e mais protagonismo aos alunos.

“Não é um remédio (para os problemas do ensino)”, diz o coordenador Aníbal Peça. “Ela não soluciona tudo, mas dá velocidade às soluções.”

A escola que fica dentro de uma fazenda orgânica – e não tem salas de aula nem carteiras

0

escola-fica-dentro-fazenda-organica-nao-tem-salas-aula-nem-carteiras

Jéssica Miwa, no The Greenest Post

A ideia de conectar crianças à natureza enquanto aprendem lições fundamentais já é conhecida (e adorada) mundialmente. Lembra da Green School Bali, que é feita de bambu e ensina permacultura aos alunos? Tem também a escola suíça que fica, literalmente, em uma floresta, faça sol ou neve!

É fato: o modelo de aprender brincando tem se espalhado mundo afora. Crianças pequenas têm curiosidade natural com tudo que é relacionado à terra, plantas e animais. Por que não se aproveitar disso para ensiná-las matérias importantes ao desenvolvimento, como química, biologia, matemática e história? De quebra, o amor e respeito ao meio ambiente cresce junto com o pequeno cidadão.

Conheca-pre-escola-tambem-uma-horta-urbana-sem-salas-de-aulas-carteiras-02

Foi pensando nisso que Edoardo Capuzzo e alguns outros designers italianos criaram o conceito de “Fazenda Pré-escola” — e ganharam o prêmio de arquitetura AWR International Ideas Competition. Edoardo não quer que a escola simplesmente tenha uma horta, mas que ela seja uma fazenda onde alimentos orgânicos sejam cultivados e animais sejam criados e atraídos.

Além de serem responsáveis pelo cultivo (e aprender tudo relacionado ao assunto), as crianças também têm contato com tecnologias supermodernas de energia solar e eólica, que abastecem a escola-fazenda.

O modelo já chamou a atenção de um psicólogo infantil que reside em Roma e está interessado em tirar o projeto do papel. O nome do moço ainda é mantido em sigilo, mas segundo Capuzzo, o maior desafio será lidar com as regulamentações locais, que assumem que escola precisa ter salas de aulas.

“Nós acreditamos que é muito importante criar espaços verdes onde crianças possam interagir, principalmente em cidades grandes, como Londres e Roma”, comenta o designer.

Go to Top