Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Samuel Beckett

Após 60 anos, estudiosos ainda discutem pronúncia de personagem-título de Beckett

0

Dave Itzkoff, na Folha de S.Paulo

Talvez Godot nunca apareça porque estão errando a pronúncia de seu nome.

Mais de 60 anos após a estreia de “Esperando Godot”, a peça de Samuel Beckett sobre dois vagabundos que aguardam a chegada de um salvador misterioso, diretores, atores, críticos e estudiosos discordam muito sobre como deve ser pronunciado o nome do esquivo personagem-título.

“GÓD-ô”, com a ênfase na primeira sílaba, é a pronúncia correta, na opinião do britânico Sean Mathias, diretor do mais recente revival na Broadway de “Esperando Godot”, que vai estrear este mês no Cort Theater.

“Só pode ser assim”, ele disse. “Não há outra maneira.”

O escritor Samuel Beckett  (Divulgação)

O escritor Samuel Beckett (Divulgação)

Mas o crítico de teatro John Lahr considerou a pronúncia, encerrando uma alusão evidente ao Todo-Poderoso (“god”, em inglês), “óbvia demais” para o dramaturgo Samuel Beckett.

“Beckett é mais poético e arredio. Ele não definiria a coisa claramente assim”, disse Lahr, colaborador de longa data da “New Yorker”. Ele defende a pronúncia “godô”, acentuando a segunda sílaba.

O agente literário Georges Borchardt, que representou Beckett e continua a representar seus herdeiros literários, sugeriu uma terceira pronúncia possível.

“Sempre pronunciei o nome à maneira francesa, com ênfase igual nas duas sílabas”, ele escreveu em um e-mail.

Borchardt disse que consultou Edward Beckett, um sobrinho do escritor, e que este lhe disse que seu tio o pronunciava assim e que ele próprio, Edward, não entendia “por que deve haver uma maneira correta ou incorreta de pronunciar ‘Godot'”.

“Como agentes dos herdeiros”, Borchardt prosseguiu, “não fazemos questão de nenhuma pronúncia em particular.”

Parece que não existe o que possa ser feito para conciliar essas posições opostas, e as produções de “Esperando Godot” fazem como bem entendem. Em gravação de vídeo, Peter Hall, que dirigiu a primeira produção britânica da peça, em 1955, pronuncia o nome GÓD-ô.

Uma produção americana para a televisão, feita em 1961 com Burgess Meredith e Zero Mostel, usa a pronúncia “godô”. Quando comenta seu papel na produção da peça na Broadway em 2009, Nathan Lane diz “GÓD-ô”.

“Acho que não existe uma solução matemática para este problema”, comentou Mark Nixon, diretor da Fundação Internacional Beckett, na Universidade de Reading, na Inglaterra.

Nixon falou que a pronúncia da palavra como paroxítona é correta, a seu ver. Mas, ressalvou, “não tenho uma opinião forte a esse respeito -eu não corrigiria alguém que a pronunciasse de outro modo”.

Mesmo assim, ele não acha que a questão da pronúncia de “Godot” seja trivial. “Nada é trivial, em se tratando de Beckett.”

A discussão com certeza agradaria a Beckett, escritor irlandês que escreveu “Esperando Godot” originalmente em francês, antes de traduzi-lo para o inglês, e cuja obra abraça a ambiguidade e resiste às interpretações fáceis.

Como esse Prêmio Nobel escreveu, “sem símbolos onde não houve essa intenção”, mas ele fazia mistério de suas intenções e parecia deixar símbolos por toda parte. A pronúncia de “Godot”, como o próprio nome, parece carregada de significado, mas ambígua.

Seria de se imaginar que o próprio texto de Beckett revelasse suas intenções com clareza, mas não é o que acontece, evidentemente.

De acordo com “The Theatrical Notebooks of Samuel Beckett” (Grove Press), quando “Esperando Godot” foi encenado pelo San Quentin Drama Workshop, na década de 1980, Beckett procurou “combater a tendência americana natural a destacar a segunda sílaba” e pediu a seus atores “que pronunciassem o nome conscientemente com ênfase sobre a primeira sílaba”.

Nixon disse que as gravações da voz do autor são muito raras. “Existem apenas quatro, ou quatro e meio.”

“Eu já ouvi todas”, ele prosseguiu, “e em nenhuma delas Beckett menciona o nome ‘Godot’. Portanto, infelizmente, essa não é uma saída para nós.”

Caricatura do autor irlandês Samuel Beckett que faz parte da coletânea "Noites de Autógrafos" (Divulgação)

Caricatura do autor irlandês Samuel Beckett que faz parte da coletânea “Noites de Autógrafos” (Divulgação)

Pode parecer que o nome Godot, aparentemente francês, pede uma pronúncia francesa. Mas, numa produção falada em inglês, dizer ‘Godot’ sem enfatizar nenhuma das sílabas “seria como dizer ‘Parrí’ quando se quer dizer Paris”, explicou o ator Adrian Dunbar, ator com experiência em obras de Beckett.

“Não é incorreto, mas soa um pouco forçado, no mínimo.”

Tampouco há qualquer explicação definitiva sobre a origem do nome “Godot”. Pode ser uma referência de Beckett ao ciclista francês Roger Godeau ou a palavras de gíria francesas para aludir a botas, um par das quais ganha destaque na peça.

Lahr rejeitou a interpretação segundo a qual Godot seria um substituto de Deus, ideia que, segundo ele, é sugerida facilmente demais pela pronúncia GÓD-ô.

Lahr comentou que quando seu pai, o ator Bert Lahr, representou Estragon nas produções americanas originais de “Esperando Godot”, usou-se a pronúncia “godô”.

“Isso mantém a coisa em aberto, e quase mais dolorosa, como se não houvesse nada lá fora. E não há mesmo, na visão de Beckett.”

E, para ouvidos americanos, a pronúncia GÓD-ô pode soar afetada. As pessoas podem achar difícil acostumar-se a ela.

Mathias, cuja produção de “Esperando Godot” foi encenada originalmente no West End, em Londres, disse que, quando ela foi transferida para Nova York, “tivemos que treinar todo o mundo” a abraçar a nova pronúncia.

“Dá para imaginar a equipe, coitadinha?” ele disse, rindo. “A qualquer pessoa que falasse ‘godô’, eu dizia ‘Com licença, o que é isso? Não é essa peça que estamos fazendo.’ Coitadinhos.”

Shane Baker, que traduziu “Esperando Godot” para o iídiche, comentou que os atores nessa versão da peça dizem “godô” porque “é assim que a peça é conhecida nos Estados Unidos”.

“Eu era o tradutor”, disse Baker, que também representou o papel de Vladimir na produção da New Yiddish Rep no teatro Castillo, em Manhattan. “Mas o produtor e diretor queriam ‘godô’, então ficou assim. Erramos. Mas eu tinha outras batalhas a travar.”

Para Baker, com o passar dos anos “Esperando Godot” passou a fazer parte do imaginário das pessoas. A peça já foi homenageada em filmes como “Waiting for Guffman” e foi tema de uma paródia em “Sesame Street”, “Waiting for Elmo”.

A pronúncia “godô”, ele disse, já virou parte do vernáculo, e agora é tarde para convencer as plateias de que pode não ser assim.

“O resto da peça já é perturbadora o suficiente. Para quê aborrecer as pessoas?”

Tradução de CLARA ALLAIN

Manuscrito do 1º romance de Beckett é vendido por quase US$ 1,5 milhão

0

A Universidade de Reading foi quem arrematou o manuscrito, que contém observações escritas à mão e difere de maneira substancial do romance final, publicado em 1938

Publicado no Administradores

LONDRES, 10 Jul (Reuters) – Um manuscrito de “Murphy”, o primeiro romance do escritor irlandês Samuel Beckett, foi vendido em um leilão em Londres nesta quarta-feira por quase 1 milhão de libras (1,5 milhão de dólares), conforme estimativas pré-leilão, segundo a casa de leilão Sotheby’s.

Pages from Samuel Beckett’s jotter

 

A Universidade de Reading foi quem arrematou o manuscrito, que contém observações escritas à mão e difere de maneira substancial do romance final, publicado em 1938.

A universidade pagou 962.500 libras pelo manuscrito do irlandês premiado com o Nobel. A venda estava estimada entre 800.000 e 1,2 milhão de libras.

“Esse é sem dúvida o manuscrito mais importante de um romance completo de um escritor britânico ou irlandês moderno a aparecer em um leilão em muitas décadas”, disse em um comunicado Peter Selley, especialista-sênior em livros de manuscritos da Sotheby’s.

“O manuscrito é capaz de redefinir os estudos de Beckett por muitos anos”.

Espalhado por seis cadernos, o manuscrito contem múltiplas revisões, rabiscos e esboços do escritor colega do irlandês James Joyce e do ator britânico Charlie Chaplin, ambos influências na obra de Beckett.

Foi escrito entre agosto de 1935 e junho de 1936, enquanto Beckett era submetido à psicanálise.

Nascido em Dublin em 1906, Beckett viveu e trabalhou a maior parte da vida em Paris, escrevendo em francês e em inglês, e ganhou o Nobel de Literatura em 1969. Ele morreu em 1989.

 Fonte da imagem: The Times

Flip confirma John Banville

0

Publicado no brpress

John Banville: Man Booker Prize por O Mar. Foto: Barry McCall/wbur.org

John Banville: Man Booker Prize por O Mar. Foto: Barry McCall/wbur.org

Vencedor do Booker Prize, e nome cotado ao Prêmio Nobel de Literatura, o romancista irlandês John Banville confirma presença na 11ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 3 e 7 de julho. Antes, em 22 de fevereiro, Banville recebe o Prêmio PEN irlandês, em uma cerimônia em Dún Laoghaire.

Seu título mais recente, Luz Antiga (Ancient Light), será lançado no Brasil pela Globo Livros (Biblioteca Azul) durante sua visita à Festa. O romance, o 16º publicado pelo autor, acompanha a história de um ator cuja carreira parece seguir para o fim – assim como sua própria vida.

Diante do processo, Alexander Cleave passa a viver de suas recordações, memórias de seu primeiro amor (um relacionamento delicado com uma mulher bem mais velha e mãe de seu melhor amigo) e de sua falecida filha.

Beckett e Joyce

Banville é autor de uma obra em que se combinam uma dicção exuberante, marcada pelo lirismo e pelos jogos de linguagem, e enredos complexos. Dizendo-se influenciado acima de tudo pelo realismo sofisticado do americano Henry James, Banville é comparado pela crítica a mestres da literatura moderna como os irlandeses Samuel Beckett e James Joyce, e o russo Vladimir Nabokov.

Colecionador de prêmios ao longo de sua trajetória, Banville foi agraciado, em 2001, com o Prêmio Franz Kafka. Seu maior sucesso, O Mar (2005), recebeu o Man Booker Prize, mais importante distinção da literatura em língua inglesa.

Escrevendo sob o pseudônimo de Benjamin Black, Banville publicou ainda sete romances policiais, entre eles O Cisne de Prata e O Pecado de Christine (Ed. Rocco). Ambientados na Irlanda dos anos 50, os romances compõem uma intrincada teia de romances e adultérios envolvendo o protagonista Garret Quirke.

O autor

Nascido em 8 de dezembro de 1945, em Wexford (Irlanda), Banville, o mais velho dos três filhos do casal Doran Née e Banville Martin, declarou, após o período escolar, que a faculdade teria pouco benefício para ele.

Dono de um espírito aventureiro, o escritor começou a trabalhar cedo, como balconista, na companhia aérea Aer Lingus, que lhe permitiu viajar a preços muito baixos. Na época, aproveitou para explorar países como Itália e Grécia e, mais tarde, se mudou para os Estados Unidos, onde viveu entre 1968 e 1969. Em seu retorno à Irlanda, trabalhou como jornalista e editor.

Go to Top