Canal Pavablog no Youtube

Posts tagged Sangue

Livro do bispo alcança o céu

0

Em duas semanas ‘Nada a perder’ desbanca três best-sellers e fecha outubro em 1º lugar

Cassia Carrenho, no PublishNews

Nada a perder v3 apareceu na lista dos mais vendidos há duas semanas, tempo suficiente para que fechasse o mês de outubro como o livro mais vendido. No total foram 85.986 exemplares vendidos em duas semanas. Quase o dobro do que Se eu ficar (Novo Conceito), primeiro lugar em setembro, vendeu no mês passado.

O infantojuvenil Sangue do Olimpo (Intrínseca) ficou no segundo lugar, com 48.925, e, em terceiro, Se eu ficar (Novo Conceito), com 42.708. Ansiedade (Saraiva) completou os quatro primeiros lugares com 32.810. Por sinal, as quatro primeiras posições são de categorias diferentes, deixando apenas negócios sem representante nas primeiras posições.

No ranking das editoras, Sextante manteve o primeiro lugar com folga e emplacou 24 títulos. O destaque ficou por conta da Companhia das Letras, que pulou da sexta para segunda colocação, com 15 títulos. Em terceiro um empate entre Intrínseca e Vergara&Riba, com 14 cada.

As novidades na lista semanal foram: ficção, Breakable v.2 (Verus) e Perdido em Marte (Arqueiro); não ficção, Viver vale a pena (Casa da Palavra/LeYa); autoajuda, Mulheres francesas não engordam (Paralela); negócios, O negociador (HSM).

5 peças de Shakespeare que devemos ler

0

O mundo criado por William Shakespeare em suas peças é imenso e denso, por vezes sendo difícil saber por onde adentrá-lo. Para isso, escolhemos as cinco melhores peças do bardo para quem quiser adentrar no seu mundo de loucura, vingança e sangue.

1

José Figueiredo, no Homo Literatus

Shakespeare é o máximo e poucos são os que discutem tal afirmação. O homem (ou os vários, dependendo da teoria conspiratória que você acredite) foi capaz de criar um mundo de personagens fortes, complexos, engraçados e modernos.

Pessoas que se deixam levar pelas emoções, hesitantes, altamente manipuláveis estão no leque de criações do bardo inglês. O nível de complexidade – e de loucura – de alguns personagens é tamanho que ainda hoje são referência para a criação de personagens modernos.

Mesmo a crítica, feroz como só ela pode ser, tem a firme convicção de que ele, ainda hoje, é um dos nomes essências da Literatura Universal – ao ponto que Harold Bloom, professor de Yale e crítico literário, dizer que Shakespeare é centro de todo cânone ocidental.

Mas as peças são muitas e há Ricardos e Henriques demais, ficando difícil a escolha de uma peça. Para tanto, escolhemos cinco das melhores peças para quem quer adentrar no mundo shakespeariano. (Confesso que a lista é um tanto quanto pessoal da parte desse que vos escreve, porém não há lista de peças de Shakespeare que não o seja).

***

A Megera Domada

Comecemos por uma comédia. Essa história é provavelmente a mais conhecida de forma indireta hoje. Há pelo menos duas grandes referências a ela para quem mora no Brasil: o filme 10 coisas que eu odeio em você, com Heath Ledger e Julia Stiles e a novela (sim, uma novela) O Cravo e a Rosa. Mesmo que não saiba, você conhece muito bem a história de Bianca, obrigada pelo seu pai, Batista, a casar-se apenas depois que sua irmã mais velha, Catarina, casar-se. No meio desse casamento impedido e do desespero de Lucêncio em casar com Bianca surge Petrúquio, alguém disposto a encarar um casamento com a megera do título para ter o volumoso dote que acompanha a esposa. Em meio a toda situação, damos muitas risadas das tentativas de Petrúquio em conquistar e convencer a perversa Catarina. Uma boa forma de se entrar no mundo do bardo com leveza, contudo sem negar a complexidade subjacente que pode haver por trás de uma história tão inocente.

Otelo

O ciúme e as conseqüências provocadas por ele são coisas que nos acompanham desde os gregos. No entanto, ninguém soube até hoje criar um homem tão ciumento e cego, capaz de agir sem pensar, do que Shakespeare. Otelo é nada mais do que isso: um homem ciumento em meio hostil (entre o racismo por ser mouro e a inveja por ser bem sucedido na condição de negro/pardo). Tudo, porém, não andaria se não houvesse o pior entre os vilões criados por ele: Iago. Quem traça o destino do mouro e da sua esposa, Desdêmona, é esse ser rancoroso que vai enganando o cego Otelo por meio de artifícios dúbios que apenas um homem cego vê. E para aqueles que se perguntam qual é o estopim para tamanha vingança de Iago, o motivo que surge ao lermos a peça mostra que Shakespeare conhecia a alma humana como poucos. Iago faz tudo e faz por ter sido deixado em segundo plano numa promoção, nada mais do que isso – e cá temos o motivo fútil hoje em dia tão debatido. Uma peça onde a tragédia corre para um desfecho terrível e nada podemos fazer além de acompanhar tudo até o final.

Rei Lear

Podemos dizer que existem histórias tão antigas quanto à própria humanidade, sendo esse o nosso caso em Rei Lear. Era uma vez um rei velho que decide dividir o seu reino entre suas três filhas para que estas e seus respectivos maridos cuidem deles e dele próprio. O resto, como é previsível aos mais lúcidos, é o resultado dessa decisão errada. Pessoas gananciosas não faltam e consequências horripilantes também não. Lear descobre que as pessoas que o amavam, na sua maioria, o faziam devido ao seu poder e descobre quem realmente merece seu amor e apreço – mesmo que para alguns seja tarde demais. Ele perde tudo com o decorrer da peça: seu reino, o respeito, a sanidade e muito mais. Uma linda peça composta com o que há de mais obscuro das ações humanas.

Hamlet

O príncipe da Dinamarca pode é provavelmente um dos personagens de Shakespeare mais conhecidos junto ao casal Romeu e Julieta. É dele, por exemplo, a famosa frase “ser ou não ser, eis a questão”. Entretanto, não podemos resumir o mais complexo dos personagens do bardo em um jargão já um tanto batido devido à complexidade e às múltiplas e por bem dizer infinitas interpretações que a peça gera ainda hoje. Em síntese, o enredo não parece ter nada demais: Hamlet, príncipe da Dinamarca, pretende vingar a morte de seu pai, também Hamlet. Para tanto, ele tem de matar Cláudio, atual rei e seu tio. Mas a coisa não fica por aí. Cláudio, para se tornar rei, casa-se com a rainha, mãe de Hamlet e o resto já se ver que não vai acabar bem. Entre o fantasma do rei morto e Ofélia, noiva do instável Hamlet há mais coisas que supõe nossa vã filosofia – para usar outra das famosas tiradas do personagem-título.

Macbeth

Apesar de não ser a melhor das peças para a maioria, devo admitir que esta é a favorita desse que vos escreve. Não há nada em excesso ou em falta nessa peça que gira em torno da crescente cobiça. Macbeth é um general que junto a Banquo, também general e amigo, acaba de vencer mais uma batalha para o rei Duncan da Escócia. Tudo vai bem até dois acontecimentos virarem a cabeça do nosso protagonista. Três bruxas surgem e fazem duas profecias a Macbeth e Banquo: Macbeth será rei, bem como os filhos de Banquo o serão, mesmo que ele não o seja. Tudo isso já seria o suficiente para esperarmos uma grande situação. Contudo, a grande personagem ainda está por surgir. Lady Macbeth, ao saber da profecia, incita o marido a matar o rei – e aqui a razão de ambos degringola de vez. O que temos depois é muito sangue – digno de um filme de Tarantino –, cobiça, vingança e loucura. Aquela que não deve ter seu nome pronunciado é o melhor exemplo de que todos somos manipulados – e ainda dá vazão ao velho ditado, “por trás de um grande homem há uma grande mulher”. Muito pode ser dito sobre essa peça e o principal seria: Leiam-na!

Esculpir um romance

0
Obra de Guy Laramee.

Obra de Guy Laramee.

Juan Pablo Villalobos, no Blog da Companhia das Letras

A cena é a seguinte: o romancista está sentado em seu estúdio, há dezessete livros espalhados na mesa, seis cadernos, oito canetas, um lápis, um marca-texto e a caneta-fetiche sem a qual não consegue escrever nada decente. À esquerda descansa uma pasta que contém trezentas ou trezentas e cinquenta folhas: a impressão de trechos das duas versões anteriores do romance, descartadas. Três dos seis cadernos são cadernos-fetiche e estão cheios. O conteúdo dos cadernos é mais ou menos igual ao da pasta. Mas agora nada disso importa: o romancista tem na frente duzentas e duas páginas impressas, as duas primeiras partes da terceira versão do romance. O romance terá três partes, ou provavelmente, quem sabe, quatro. Duzentas e duas páginas que são o trabalho de quase dois meses.

O romancista pega as quatro canetas coloridas para corrigir: vermelha, azul, cinza e verde. Confirma que o computador está desligado. Verifica os níveis de cafeína no sangue. Desativa a internet do celular e baixa o volume do aparelho. Respira fundo. Fixa os olhos na primeira folha. E então acontece. Não é necessário reler as duzentas e duas páginas, não é necessário reler oitenta ou vinte. Acontece no primeiro parágrafo, na primeira frase, é uma decepção fulminante: o romance não funciona.

A aflição é tão grande quanto duas decepções amorosas juntas, como a traição do melhor amigo ou quase como aquela vez que o time de futebol do romancista, que há sessenta e dois anos não é campeão, perdeu a final nos pênaltis.

O que aconteceu entre a tarde de ontem, quando o romancista imprimiu as duzentas e duas páginas em estado de euforia, e a manhã de hoje? O que mudou na percepção do romancista? O romance, com certeza, não mudou. É muito complicado tentar explicar o que aconteceu. Não é possível identificar o problema, não é possível dizer: é a voz narrativa, ou são os personagens, os diálogos, o enredo… A triste epifania desse breve instante de iluminação é que esse não é o romance que ele quer escrever.

O romancista solta a caneta vermelha e sai ao jardim a chutar uma bola. Chutar uma bola ajuda a pensar, a acalmar, a colocar as coisas em perspectiva. Cinco, dez minutos chutando a bola, lutando contra a maldita tristeza, contra o luto do romance que acaba de morrer.

Volta à mesa. Começa de novo, tentando ignorar o que está sentindo, faz um trabalho mecânico de correção, segue em frente, segue em frente, talvez seja possível voltar a acreditar, recuperar a fé no romance.

Merda.

Não. Não é possível.

O romancista pega as duzentas e duas folhas das duas primeiras partes da terceira versão do romance e as coloca na pasta que descansa na parte esquerda da mesa.

Espera aí, pensa o romancista, qual era o livro que eu queria escrever? Olha a estante que está ao lado da mesa com seus livros favoritos. É um momento crítico: o deprimido romancista está tentando recuperar a fé na literatura. Vai pegando livros e lendo trechinhos, uma página, um parágrafo, duas linhas. César Aira, Antonio Di Benedetto, Copi, Juan Emar, Felisberto Hernández, Mario Levrero, Sergio Pitol, Daniel Sada, Francisco Tario, Virgilio Piñera, Osvaldo Lamborghini… Passa uma hora lendo. O romancista recupera, ao menos, o sossego.

A terapia continua com a leitura de uma frase que o romancista encontrou em um belíssimo livrinho de Héctor Libertella: “Reescrever seria a arte de dar naturalidade ao que está muito trabalhado. Algo que tomou muito tempo do escritor, mas que não declara sua idade.”

Logo, no mesmo livro, lê o depoimento de Elie Wiesel:

“Eu gosto de cortar. Reduzi novecentas páginas a cento e sessenta. Mas veja bem, inclusive quando alguém corta, não corta. Escrever não é como pintar, onde você agrega. O que o leitor vê não é o que você coloca na tela. Escrever é mais parecido com a escultura, onde você tira, elimina, para tornar a obra visível. Mas essas páginas que você elimina permanecem de alguma maneira. Há diferenças entre um livro que teve duzentas páginas desde o começo e outro de duzentas que é resultado de um original de oitocentas. Essas seiscentas páginas estão aí. Só que não as vemos.”

Sim, é isso, é isso, se repete o romancista, seguro de que essa pasta lotada de páginas descartadas permanecerá, de alguma maneira, na versão final do romance. O romancista sabe que o uso literal que está fazendo das palavras de Libertella e Wiesel está muito perto da autoajuda ou da lavagem cerebral, mas por enquanto ele precisa acreditar em alguma coisa. Pega um novo caderno-fetiche e a caneta-fetiche e se senta diante da página em branco.

O romancista sabe que passarão dias, talvez semanas, antes de que consiga encontrar o caminho de volta ao romance.

Rascunho de poeta da 1ª Guerra revela corte de versos polêmicos de poema

0

Dalya Alberge, na Folha de S.Paulo

Foi encontrado um rascunho de um dos mais célebres poemas antibelicistas de Siegfried Sassoon (1886-1967), poeta e capitão do Exército britânico, revelando que os versos mais controvertidos foram cortados e outros foram suavizados antes de o poema ser publicado.

O manuscrito de “Atrocities” –que trata da matança brutal de prisioneiros alemães por soldados britânicos– é acompanhado por uma carta inédita em que Sassoon fala do horror que sentiu ao descobrir que soldados de seu lado tinham cometido tais barbáries.

O poeta e capitão do Exército britânico Siegfried Sassoon em foto de George Charles Beresford, em 1915 - George Charles Beresford/Reprodução

O poeta e capitão do Exército britânico Siegfried Sassoon em foto de George Charles Beresford, em 1915 – George Charles Beresford/Reprodução

A versão original do poema inclui as frases “vocês são hábeis assassinos” e “sorver o sangue deles em sonhos vampirescos”, deletadas mais tarde.

Depois da descrição de prisioneiros “massacrados”, na primeira estrofe, a segunda estrofe impressa prossegue: “Como você deu cabo deles…?”. Mas, na versão inicial, Sassoon escreveu: “Como você os matou…?”.

O editor de Sassoon hesitou em incluir “Atrocities” no livro de poemas de guerra “Counter-Attack”, de 1918, e o poema foi publicado no ano seguinte em versão revista.

Na carta que acompanha o rascunho do poema, Sassoon expressa desespero pelo fato de “canadenses e australianos divulgarem suas façanhas como assassinos”, acrescentando: “Sei de casos muito atrozes. Outro dia um oficial de um regimento escocês estava me presenteando com histórias de como seus homens colocavam bombas nos bolsos de prisioneiros e então os enfiavam em buracos de bomba cheios de água. Mas é claro que essas coisas não são atrocidades quando nós a fazemos. Mesmo assim, revelam o que é a guerra; algumas pessoas não conseguem impedir-se de ser assim quando estão lá fora.”

Os materiais encontrados estão entre mais de 520 manuscritos de poemas e retratos de poetas colecionados ao longo de 40 anos por um estudioso literário, Roy Davids, e serão leiloados pela Bonhams, que descreve a coleção como a melhor coletânea de poesia jamais oferecida em leilão.

Entre os materiais de Sassoon há um caderno com quase 50 poemas ainda inéditos.

Datados em sua maioria da década de 1920, eles incluem “Companions” (Companheiros) (“O silêncio e a solidão são meus companheiros / Mas sou autodidata em estar só…”), “The Fear of Death” (O medo da morte) (“Corra como o vento para encontrá-la em sua mente / E você verá que já não se choca / Com a morte, a quem a vida supera em coragem com cada respiração…”) e “Max Gate”, lamentando a morte de Thomas Hardy, seu amigo.

TESOURO

Sassoon recebeu a Cruz Militar, mas os horrores que viveu o levaram a jogar sua medalha no rio Mersey e recusar-se a continuar prestando o serviço militar. Diagnosticado como traumatizado de guerra, deixou de ser submetido à corte marcial e foi internado para tratamento psiquiátrico no Hospital de Guerra Craiglockhart, em Edimburgo, de onde, em 1917, enviou a carta inédita a seu amigo C.K. Ogden, psicólogo e editor da “Cambridge Magazine”, que publicava opiniões dissentes sobre a guerra.

A biógrafa de Sassoon, Jean Moorcroft Wilson, comentou: “Estes são materiais muito instigantes. Quero reescrever a biografia que fiz, e provavelmente conseguirei incluir alguns destes textos. São um tesouro.”

O poeta e capitão do Exército britânico durante a 1ª Guerra Siegfried Sassoon em foto não datada (Divulgação)

O poeta e capitão do Exército britânico durante a 1ª Guerra Siegfried Sassoon em foto não datada (Divulgação)

A respeito do rascunho de “Atrocities”, ela comentou: “A editora, Heinemann, não o deixou publicar o poema. Agora entendo ainda mais claramente por quê. Ogden era um dos poucos editores que ousavam publicar poemas contrários à guerra. A sede de sua revista foi depredada por pessoas que achavam que ele não era patriota. E havia censura, de certo modo. O editor deve ter imaginado que o texto não seria aceitável. A Heinemann provavelmente percebeu que teria que agir com cuidado.”

O caderno de Sassoon é “prova de sua busca incansável por um tema”, disse a biógrafa. “Ele encontrou um tema maravilhoso na Primeira Guerra Mundial. Terminada a guerra, tornou-se um poeta em busca de um assunto.”

Wilson descreveu o poema sobre a morte de Hardy como “muito comovente”, dizendo: “Sassoon foi ajudar Florence Hardy, a viúva, quando Hardy morreu, porque era íntimo do escritor. Eu imaginava que ele tivesse escrito algo sobre a morte de Hardy, e aqui está.”

Roy Davids, 70 anos, é ex-leiloeiro e marchand; dirigiu o departamento de manuscritos da Sotheby’s por muitos anos. Ele comentou sobre o rascunho de “Atrocities”: “Quando primeiro li este poema, mal pude acreditar que era um oficial inglês dizendo essas coisas sobre seu próprio lado. Não surpreende que não tenham querido publicar. É claro que fazia parte daquela coisa toda de fazer resistência aos generais. Eles sabiam que não poderiam executá-lo, então o mandaram ao hospício.”

A coleção de Davids se lê como um manual de A a Z de literatura inglesa, abrangendo Tennyson, Ted Hughes e T.S. Eliot. É tão grande que o leilão da Bonhams terá lugar em dois dias, 10 de abril e 8 de maio.

Desmond Clarke, presidente da Sociedade de Livros de Poesia, falou que haverá grande interesse no material oferecido no leilão. “‘Atrocities’ é uma crítica intransigente aos colegas soldados de Sassoon. Deveria ser leitura obrigatória para todos os cadetes de [a academia militar] Sandhurst.”

VISÃO DE CRUELDADE

O texto publicado de “Atrocities”

Você me contou, em seu momento de jactância bêbada

De como massacrou prisioneiros, certa época. Era bom!

Com certeza não sentiu pena ao vê-los

Pacientes, acovardados e assustados, como prisioneiros devem ficar.

Como deu cabo deles? Vamos lá, não seja tímido:

Você sabe que eu adoro ouvir sobre como morrem alemães

Lá embaixo, em trincheiras. “Camaradas!”, eles berram,

E então gritam como arminhos quando as bombas começam a voar.

E você? Conheço sua ficha. Você se declarou doente

Quando as ordens pareceram perigosas; e depois, com truques e mentiras

Deu um jeito de ser mandado para casa. E aqui está,

Ainda contando vantagem e bebendo todas num bar.

O original, em inglês

You told me, in your drunken-boasting mood,

How once you butchered prisoners. That was good!

I’m sure you felt no pity while they stood

Patient and cowed and scared, as prisoners should.

How did you do them in? Come, don’t be shy:

You know I love to hear how Germans die,

Downstairs in dug-outs. “Camerad!” they cry;

Then squeal like stoats when bombs begin to fly.

And you? I know your record. You went sick

When orders looked unwholesome: then, with trick

And lie, you wangled home. And here you are,

Still talking big and boozing in a bar.

Luis Fernando Verissimo deixa hospital

0

Sérgio Ruck Bueno, no Valor Econômico

PORTO ALEGRE – O escritor Luis Fernando Verissimo, que estava internado desde o dia 21 de novembro no hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, devido a uma infecção generalizada, recebeu alta nesta sexta-feira. Segundo boletim médico divulgado hoje, ele teve “recuperação clínica muito favorável” neste período e já não necessita mais ser submetido a sessões de hemodiálise.

Aos 76 anos, Verissimo foi internado depois de passar mal e apresentar sintomas de uma forte gripe. No hospital, ele foi diagnosticado como portador do vírus Influenza A, causador da gripe comum, e chegou a permanecer sedado e respirando com a ajuda de aparelhos durante quatro dias, até a manhã do dia 26.

No dia 28 de novembro ele também foi submetido a um cateterismo cardíaco devido a um quadro de angina (estreitamento das artérias que levam o sangue ao coração). No dia seguinte o combate ao quadro infeccioso foi encerrado, mas ele continuou fazendo hemodiálise devido ao comprometimento das funções renais.

Antes de adoecer, Verissimo havia participado do 1º Festival Literário de Araxá, realizado de 8 a 10 de novembro, e depois ficou alguns dias no Rio de Janeiro. No Rio, a esposa dele, Lúcia, também contraiu gripe, mas se recuperou em seguida.

Filho do escritor Érico Veríssimo, Luís Fernando produziu mais de 60 obras, entre romances, novelas, crônicas, contos e relatos de viagens. É o criador de personagens como Ed Mort, Analista de Bagé, Velhinha de Taubaté e As Cobras e entre seus livros mais famosos está “Comédias da Vida Privada” (1994).

 

dica da Luciana Leitão

Go to Top