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Jovem publica livro após 12 anos ‘caçando’ editoras em lista telefônica

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Fellipe de Almeida começou a escrever aos oito anos por influência da irmã.
Aos 20 anos de idade, jovem surpreende criando em máquina de escrever.

Estante com livros, computador e máquina de escrever ficam na sala de casa (Foto: Orion Pires / G1)

Estante com livros, computador e máquina de escrever ficam na sala de casa (Foto: Orion Pires / G1)

Orion Pires, no G1

Desde os oito anos de idade, um garoto de São Vicente, no litoral de São Paulo, vasculhava as listas telefônicas em busca de uma editora que ajudasse na publicação de um livro. A história poderia servir como enredo de uma obra literária, mas fará parte da vida real do estudante de publicidade e propaganda Fellipe de Almeida Silva, de 20 anos. Quase 12 anos depois de iniciar uma verdadeira saga para realizar o sonho de se tornar escritor, ele conseguiu encontrar a tão almejada editora e terá o seu livro de crônicas, poesias e contos publicado.

O jovem começou a escrever ainda pequeno por influência da irmã, que é 15 anos mais velha. Os livros infantis foram a porta de entrada para cultivar a leitura e ajudar nos estudos. “Toda vez que ela ia me dar um presente eu tinha que ler um livro primeiro para depois ganhar. Depois de um tempo, eu acabei deixando os presentes ‘bons’ e ficava só com os livros”, explica.

A compensação foi a maneira que a irmã, atualmente bancária, encontrou para contribuir com o futuro do irmão. E deu certo. “Funcionou comigo e facilitou também na escola. Quando a professora passava alguma redação para fazer, eu sempre ultrapassava o limite das linhas”, lembra.

Ele revela ainda que, por várias vezes, escutava o recado da professora: ‘Fellipe, não precisa escrever tanto’. Porém, não tinha jeito, pois as folhas de almaço pautadas da época da escola não eram suficientes para as histórias do jovem.

Depois de alguns anos escrevendo textos, o jovem decidiu mudar as leituras. De histórias infantis, ele resolveu procurar um conteúdo diferenciado. Na estante da irmã, encontrou um livro da Zíbia Gasparetto – ‘Pare de Sofrer’ e voltou seus contos para o público adulto. “Fiquei encantado com essa escrita mais adulta. Já na escola conheci Fernando Pessoa e Machado de Assis. Foi uma transição da escrita dessas histórias infantis para as mais adultas”.

Aos poucos, ele foi ‘pegando gosto’ por textos pessoais, poesias, histórias e, por consequência, mudou também o estilo de escrita. “Eu sempre dizia que escrevia muito a história dos outros e, quando eu fosse viver minhas próprias emoções, iria escrever sobre elas”, conta.

Fellipe afirma que não tem ideia de quantos textos já escreveu, mas que anda com folhas e um caderno na bolsa. Quando alguma ideia aparece ele manda tudo para o papel. Aliás, além do papel e caneta, ele detém uma máquina de escrever na sala de casa. “Claro que tem modernidade, mas o barulho da máquina de escrever é inspirador também”.

Além de escrever, Fellipe também faz a manutenção da máquina (Foto: Orion Pires/G1)

Além de escrever, Fellipe também faz a manutenção da máquina (Foto: Orion Pires/G1)

Editora
Há cerca de seis meses, o sonho de se tornar escritor começou a virar realidade na vida do jovem. Depois que criou um blog para reunir os textos escritos na internet, suas histórias ganharam voos maiores. “Um jornalista que eu tenho no Facebook compartilhou um texto meu e um rapaz da editora entrou em contato comigo. Ele mandou um e-mail perguntando se eu estava interessado em fazer uma publicação, se eu tinha alguma coisa pronta. Claro que eu respondi que queria”, explica.

Fellipe organizou os textos por cronograma de tempo e enviou tudo para a editora carioca. O projeto foi aprovado e, finalmente, sairá do papel. O contrato entre ele e a editora não tem um custo direto. A única cláusula é de que pelo menos 35 livros deverão ser vendidos no dia do lançamento. Serão contos, poesias e crônicas distribuídas em 80 páginas. “A editora segue essa política de incentivar jovens escritores e isso me deixou muito feliz”, diz.

O título da obra será ‘Canário’ e será lançada no dia 28 de novembro, no Teatro Guarany, em Santos. O nome do livro é uma alusão aos pássaros que, com a liberdade de voar, chegam ao destino que querem. “Foram dez anos da minha vida sonhando com isso e sempre pareceu muito surreal. Eu gosto de tantos escritores e eu tenho um livro deles na mão. É difícil imaginar que em breve eu terei algo produzido por mim na mão, com o meu nome assinado. Acho agora a minha vida está fazendo mais sentido”, comemora.

Fellipe escreve desde os oito anos de idade por incentivo da irmã (Foto: Orion Pires/G1)

Fellipe escreve desde os oito anos de idade por incentivo da irmã (Foto: Orion Pires/G1)

Jovens improvisam ‘bibliotecas’ em pontos de ônibus no Rio

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Passageiros podem pegar e trocar livros em estantes espalhadas na cidade.
Projeto ‘Troque 1 livro’ está espalhado por 10 locais da Zona Sul.

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Bibliotecas improvisadas no Rio pelo projeto “Troca 1 livro” (Foto: Divulgação)

Publicado por G1

Por iniciativa de um grupo de cinco jovens, alguns pontos de ônibus da Zona Sul do Rio de Janeiro se transformaram em bibliotecas itinerantes. Os caixotes usados nas feiras livres viraram estantes de livros, que abrigam obras de Vladimir Nabokov a Jorge Amado, passando por contos infantis e escolares, que podem ser trocados e lidos gratuitamente pelos passageiros nos longos engarrafamentos da cidade.

O designer Vitor Sento Sé, um dos autores do projeto intitulado “Troque 1 livro”, explica que o objetivo da ação é desenvolver o potencial criativo da cidade. “Queremos melhorias e ideias inovadoras para o Rio. Nesse início, 100 livros foram doados por amigos. Queremos expandir para outros locais, como a Zona Norte e o Subúrbio”, conta o jovem de 30 anos.

Projeto começou em 10 pontos de ônibus (Foto: Divulgação)

Projeto começou em 10 pontos de ônibus
(Foto: Divulgação)

No primeiro dia do projeto, que teve início na quarta-feira (3), dez pontos de ônibus receberam as bibliotecas improvisadas. Os livros podem ser retirados e entregues na Rua Cosme Velho, na altura do Colégio São Vicente, na Praça Santos Dumont, na Gávea, na Rua da Passagem, em Botafogo, na Rua Jardim Botânico, na altura do Parque Lage, e em Ipanema, na esquina das ruas Garcia d´Ávila e Joana Angélica.

“Sabemos que na França e na Alemanha existe esse conceito de livros nos pontos de ônibus, mas lá não tem essa ideia de trocar, que é o mais legal do projeto”, diz o arquiteto e urbanista Hugo Rapizo, 28, um dos autores da iniciativa.

Além de Vitor e Hugo, integram o projeto o arquiteto André Almeida, o fotógrafo Marcelo Braga e o designer Jonas Dihel. Os jovens também são os criadores do programa “Simplicidades”, que promove exposições e atividades na cidade através do financiamento coletivo na internet.

dica do João Marcos

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